A Pirata

Rikka

 

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de

 


 

Declaração

Aqui, tudo é inspirado nas personagens Gabrielle e Xena, que fazem parte do seriado Xena, a princesa guerreira e pertencem a M.C.A/Universal e Renaissance Picture não tendo nenhuma intenção de se apropriar de quaisquer direitos autorais, é só entretenimento.OOOPS!!!! Se você é menor, sua religião não permite que leia sobre sexo e amor entre mulheres, ou você não pode nem ouvir falar "nisso", navegue longe daqui!

RYKKA

 

 

Após ter conquistado incontáveis nações, Xena a princesa guerreira já não sentia a mesma vontade ou interesse em continuar ocupando territórios, derrotando temíveis reis e senhores de guerra que se entregavam indubitavelmente a sua poderosa espada.

Com toda experiência que possuía, sentia no ar que alguma coisa estava errada com seu numeroso exército, percebera há dias um movimento estranho, como se alguma coisa estivesse sendo tramada. Reuniu os centuriões de seu exército, comunicando sua intenção de dispersar seus comandados, para tanto, dividiu as nações conquistadas entre os principais lideres das tropas e simplesmente se foi.

Cavalgando solitariamente, pelo interior da Grécia, passou por muitas vilas, que eram atacadas e por muitas guerras, mas passava sempre ao largo, indiferente ao que acontecia, levava consigo uma grande fortuna, não apenas moedas, muitas jóias e incontáveis pedras preciosas,boa parte encontrada no "tesouro" Sumério,que ela descobrira após tomar um mapa de um inimigo feroz, com o qual tivera de lutar até a morte para consegui-lo.

Finalmente o mar!!! Após dias de cavalgada, parando apenas para Argo, sua égua, recuperar as forças, finalmente o mar, o porto. Xena estava inquieta, quando resolvera dispersar seu exército, arquitetara há tempos uma mudança de planos que talvez mudasse aquele sentimento de vazio que a perturbava eventualmente, mesmo após uma grande conquista.

A grande e compenetrada guerreira andou por todo porto, fez perguntas, investigou, procurou, até encontrar as pessoas certas na hora certa. Queria comprar um grande barco, mas não um barco qualquer, o maior e a mais bem equipada embarcação que pudesse existir naquele porto.

Temida, respeitada e reconhecida por onde passava, não foi difícil para ela em duas ou três semanas ter uma tripulação que atendesse as necessidades do bom funcionamento do navio.

Deitada na cama de uma hospedaria próxima ao porto, reclinou a cabeça sobre os braços, deixando os cabelos negros espalhados, fitou o teto. Seu plano era navegar para a China, país que havia conquistado, há cerca de cinco anos. Deu um risinho sarcástico, na verdade, havia sido conquistada por Lao-Ma, imperatriz chinesa que dominava parte daquele país quando este foi conquistado. Nem toda sabedoria e conhecimento de Lao-Ma, nem todo amor dedicado á Xena foi capaz de alterar o caráter desta. Assim, Xena partira em busca de novas aventuras e conquistas, na sua gigantesca sede de poder.

No dia seguinte, acordou muito antes do sol aparecer no céu, vestiu sua armadura, encaminhando-se para o enorme barco, os planos que havia feitos há meses e que não tinham sido compartilhados com ninguém, seriam colocados em prática, no momento em que iniciasse a longa viagem que pretendia fazer. Sua intenção era encontrar-se com o grande navegador chinês Zheng He com quem mantivera contato através de outros navegadores, para descobrir novas terras e assim estabelecer-se num "novo mundo". Ao entrar no navio toda balbúrdia cessou e cada um dos tripulantes foi fazer o que lhe era determinado.

Xena sabia que a viagem seria muito longa e assim como conquistou várias nações, aproveitou para também conquistar o mar, atacando sem piedade outras embarcações, tomando cargas, jóias e principalmente, abordando navios que transportavam escravos pois pretendia vende-los nos mercados de escravos dos portos por onde passasse.

A lua iluminava fartamente o céu, olhos atentos fitavam a noite e o que aparecia à sua frente. Xena sabia, que ali, bem diante dos seus olhos, havia algo em que valia à pena investir, deu ordem para a embarcação ser atacada. Horas depois de muita luta, derrotado, o barco com 200 escravos, rendeu-se a fúria da habilidosa princesa, entregando sua preciosa mercadoria. Alguns dos derrotados, foram aceitos como tripulantes por serem exímios marinheiros. Os demais tripulantes que sobreviveram, foram abandonados junto com o navio, pois a pirata, não via sentido em abarrotar seu barco com uma carga inútil.

Ninguém pode dizer exatamente como a confusão começou, de repente era um amontoado de pessoas em cima uma das outras numa gritaria desvairada, três dias depois da captura dos escravos, estes, estavam "empilhados" no convés. O imediato aproximou-se, retirando do centro daquele emaranhado de escravos um deles, que pelo seu porte físico era totalmente diferente dos demais, pois era menor do que todos e não passava de um jovenzinho, e se não fosse a ira do imediato, este teria notado o brilhante tom de verdes naqueles olhos.

Xena aproximou-se, viu que o jovem segurava firmemente algo que parecia ser um pão entre as mãos, indagou ao imediato:

__ Quem começou a briga?

__ Ele, por causa do pão!

__Jogue no mar!__ Disse Xena erguendo uma sobrancelha com ar zangado. O imediato tomou o pão e o jogou no mar.

__Não o pão seu idiota, o prisioneiro!

Puxado pelas dobras da túnica que usava, o jovem foi arrastado com força pelo imediato, ao passar em frente à Xena, falou de forma sibilante:

__ Assassina!__nesse momento, viu-se arrebatado das mãos do imediato, sentindo a força estupenda da alta mulher. Percebeu que estava sendo levado para outra parte do navio e por um momento temeu pelo que podia acontecer... Atirado de forma abrupta dentro da cabine, caiu no chão, o que fez o turbante que lhe envolvia a cabeça soltar-se deixando cair uma cascata de loiros cabelos escorrerem pelos seus ombros.

A morena de profundos olhos azuis, diante de tal visão, praguejou admirada:

__ Uma garota!!!__logo, recuperando-se da surpresa, voltou a segurar a pequena com violência levantando-a do chão, pois essa havia caído. A garota mal tocava os pés no piso do barco ficando com o rosto praticamente colado a cara extremamente raivosa de Xena.

__ Escute aqui sua estúpida, o que diabos pensa estar fazendo no "meu" navio?__Olhos verdes e olhos azuis miraram-se com fúria, nem por um momento, a garota menor pensou em desviar o olhar e embora calada, manteve-se firme diante daquela poderosa mulher que a suspendia no ar.

__ Me larga! __ A moça fazia grande esforço para escapar das "garras" de ferro de sua opressora, sem sucesso.

__Bem, você não é escravo, não é tripulante, não é passageiro, é simplesmente uma maldita clandestina, então, como capitã e dona desse barco, eu digo que ninguém, pode entrar no meu barco, sem a minha autorização, sendo assim vou encontrar uma forma de fazê-la pagar pela viagem!__Dizendo isso, inclinou o rosto em direção á jovem, aprisionando-lhe os lábios com volúpia. O beijo parecia interminável, atônita, a garota loura, ficou de boca aberta, o que foi um convite inesperado para os lábios sequiosos de Xena. Assim como começou, o beijo terminou inesperadamente. A alta guerreira soltou a moça, fez um giro encaminhando-se para a porta da cabine. Saiu sem dizer palavras.

Sozinha, o coração batendo loucamente, a pequena garota segurou-se na grande mesa que havia na cabine, aquele, não havia sido um beijo carregado de fúria. Firme e doce, era carregado de promessas, de coisas que nunca experimentara antes, e isso, deixou-a completamente apavorada.

O tempo pareceu-lhe interminável dentro da cabine, que representava bem o porte daquela embarcação, era enorme!!! Sem ter o que fazer, olhou tudo ao seu redor, descobrindo um espaço para banho com uma grande tina, vendo que esta estava cheia, resolveu tomar um banho, mas para seu desgosto, a água era de mar, mesmo assim haviam incontáveis frascos com diversas essências e óleos para serem utilizados. Olhando melhor o local, pode ver que havia uma bomba de água que fazia o bombeamento direto na tina, e um sistema de escoamento também. Enquanto fazia suas observações, lembrou-se de ter ouvido que o nome da mulher que a beijara era Xena, e até onde podia recordar, todos no barco falavam seu nome com temor e respeito. Após ter tomado banho com água do mar, descobriu um recipiente com água doce, não teve dúvidas, despejou uma boa quantidade do líquido sobre o corpo, agora sim, sentiu que tomara um banho.

A porta da cabine foi aberta subitamente, com todos os sentidos em alerta, a jovem, que terminara o banho, buscou com os olhos um lugar para se esconder, não queria admitir, mas temia muito aquela alta mulher de longos cabelos negros. Ouviu os passos se aproximarem, sabia que não tinha para onde escapar, segurou com força o pano que envolvia seu corpo. A morena de olhos azuis brilhantes passou por ela como se não a visse, despiu-se, e, ao invés de entrar na tina, preferiu banhar-se em pé com água doce. Os olhos verdes como esmeraldas, não contiveram um olhar de curiosidade, em direção à ela, antes de sair rapidamente para outra parte da cabine, escondendo-se atrás de uma pilha de baús.

Seu esconderijo resultou num verdadeiro fiasco, pois tão logo terminou o banho, Xena, a descobriu e puxando-a levemente pelos cabelos, empurrou-a em direção a cama. A moça fazia incontáveis esforços para livrar-se dela, sem obter êxito... Aos poucos foi perdendo a resistência para os beijos de Xena e para as intermináveis carícias que esta fazia em seu corpo. A forte pirata dominou completamente a situação beijando aquele corpo dourado como se fosse um presente dos deuses.

A moça loura, sentindo que todo seu ser estava adorando cada momento daquilo, cravou as unhas nas próprias palmas da mãos, se punindo, e os enlouquecedores beijos e carícias continuavam; a língua de Xena deslizou pelo ventre da garota loura, escorregando até o meio das pernas dessa; sentindo a umidade dela, a bela morena deu um gemido abafado, enquanto se enfiava no calor paradisíaco do sexo da jovem.

Perdeu a noção do tempo, fazendo movimento de entrar e sair com a língua, hora se deliciando com o clit da moça, hora indo fundo, sugando, mordiscando, lambendo e se deliciando com os movimentos ritmados dos quadris da outra... Enquanto a mulher menor, mordia os próprios lábios agarrando-se fortemente nos lençóis da cama, explodindo em incontroláveis gozos que ocorriam independentes de sua vontade devido às muitas habilidades de Xena em tocá-la.

O enorme barco singrava o mar com seu leve balançar. Dentro da cabine uma torrente de desejos, desconhecidos para a jovem garota e saciados pelas experiente Xena, cujos anseios pareciam não ter fim. Intensificando sua trajetória pelo corpo da linda loura, penetrou-a com os dedos, apagando qualquer vestígio de virgindade que havia antes daquela entrega, nesse momento a moça agarrou-se firme nas costas de Xena, mordendo-a no ombro esquerdo, o que não diminuiu em nada o ritmo dela, que continuou saboreando cada toque.

Quando finalmente tudo terminou os olhos de esmeralda fitavam o teto envergonhados. Xena resssonava profundamente ao seu lado com um braço envolvendo sua cintura delgada, a moça não tinha coragem de se mover, pois aquilo poderia despertar novamente todo aquele arroubo de paixões, vividas momentos atrás. Tinha medo, nunca, em seus dezenove anos poderia imaginar que relações sexuais entre mulheres, pudessem ser tão intensas e cheias de prazeres! Precisava encontrar um meio de fugir das garras de Xena, só não sabia como fazer já que estava em pleno mar. Pensou, então, em fazê-lo quando o barco aportasse para ser reabastecido, aproveitaria para escapar. E com esse pensamento, adormeceu.

O sol entrava pela escotilha e incidiu fortemente sobre o corpo delgado deitado na cama, de um pulo, estava de pé olhando assustada ao redor, Xena havia saído, mas as marcas da paixão da noite anterior estavam impregnadas no corpo da moça. Sentindo a barriga roncar alto, olhou para a mesa e lá encontrou um farto café, com queijos, frutas secas e pão, além de leite de cabra. Já estava repetindo pela terceira vez, quando a porta da cabine foi aberta, ficou com a comida parada no meio do caminho:

__Qual é seu nome?__Perguntou Xena, enquanto caminhava na direção da garota. "Maldita, me possui a noite inteira e agora quer saber meu nome", pensou a garota de louros cabelo, antes de responder num fio de voz:

__ Gabrielle.

__Gabrielle__repetiu Xena como se não tivesse escutado direito. Gabrielle olhou para a mulher parada á sua frente e como estava sentada, esta, pareceu-lhe mais alta do que realmente era.

__Nunca,__Falou Xena, erguendo uma sobrancelha com ar ameaçador__Saia dessa cabine, NUNCA, ENTENDEU BEM?

__Que é? Tem medo da concorrência?__Disse Gabrielle, para logo se arrepender, diante do olhar ameaçador que recebeu e de sentir as mãos fortes de Xena erguendo-a do banco onde estava sentada, pelas dobras do lençol, o movimento brusco machucou a garota, que reclamou:

__Você está me machucando... Se você pensa que eu vou ficar aqui obedecendo suas ordens, ta muito enganada, meu pai é um homem muito rico lá em Potédia e pagará qualquer valor para me ver de volta, mais do que valem toda essa droga de escravos que está levando__Explodiu a loura.

__Aqui, você é minha prisioneira, e posso fazer o que me der cabeça, se pensa que vai me intimidar com essa conversa de "filhinha de papai" ta muito enganada, se eu vir um único fio de cabelo seu fora dessa cabine, eu pessoalmente entrego-a para os marujos. Ou você é tão inocente que não pode nem imaginar o que poderia acontecer com uma garota linda como você nas mãos desses rudes marinheiros?

__Não deve ser pior do que ontem à noite!!!__ Ao ouvir essa resposta, Xena rodopiou sobre os próprios calcanhares, bateu a porta da cabine com violência, deixando Gabrielle sozinha.

O dia pareceu monótono, sem poder sair da cabine, restou a ela fazer incursões no próprio lugar. Descobrindo pergaminhos em branco, penas e tintas, sentou-se num canto, escrevendo as aventuras que vivera, desde o momento em que se disfarçou de homem, fugindo do enorme e rico palácio onde vivia com seus pais e uma irmã mais nova chamada Lilah, para pegar um barco que a levaria à China. Inexperiente, só percebera que se encontrava em um navio que transportava escravos quando já era muito tarde para mudar de idéia. Como havia pagado uma grande quantidade de dinheiro, fazia uma viagem confortável, mantendo sua identidade secreta. Relatou tudo, porém, estacou no momento em que pensou na noite anterior, o rosto ardendo, ruborizado, no seu íntimo sabia, não era só a vergonha que a estava deixando vermelha.

Como um fantasma que surgisse dos seus pensamentos, Xena apareceu novamente na cabine e bastou um olhar para Gabrielle saber exatamente o que ela queria.

__Venha aqui!__Era uma ordem, mas Gabrielle continuou exatamente no mesmo lugar, sem sequer erguer a vista. Sentiu que a outra se aproximava e em segundos foi levada nos braços pela linda morena de olhos cintilantes, sendo depositada com muito cuidado na cama. Jurou a si mesma que iria permanecer impassível, uma vez que não tinha como "lutar" contra aquela insinuante mulher que a olhava com os olhos carregados de paixão. Preparou-se cerrando os olhos verdes e quando esperava ser novamente possuída, nada aconteceu, pois Xena deixou-a só, dirigindo-se ao local de banho. Gabrielle deu um frustrante suspiro de "alívio".

Pensando que estivesse livre de Xena, Gabrielle, sentou-se na cama, foi só um instante e lá estava ela novamente, levando-a ao local do banho, firmemente presa por um braço. Antes que pudesse esboçar qualquer reação viu-se despida pelas mãos hábeis de Xena. A tina estava cheia e ao entrar nela pode perceber que não era água do mar. Se não estivesse presa entre as longas pernas de Xena, teria apreciado muito o contato daquele banho refrescante, mas tudo o que sentia era o contato morno do exuberante corpo da mulher mais alta. Graças aos Deuses que esta não podia ver seu rosto rubro. Sentiu o delicioso e quente toque acariciante das mãos de Xena percorrendo seu cabelo, os dedos longos dela fazendo massagens circulares e excitantes nos rosados bicos dos seus seios. Na tina havia espaço suficiente para as duas, mas não permitia uma distância segura para Gabrielle, que se viu mais uma vez envolvida com os carinhos da linda pirata. Como havia se prometido, permaneceu o mais indiferente possível aos carinhos de Xena, que procurava diferentes formas de despertar desejos na garota, beijando, lambendo, friccionando o próprio corpo de encontro ao da pequena garota.

Levada para a outra parte da cabine onde estava a cama, Gabrielle, descobriu que a tina foi só um prenúncio do que estava para acontecer naquela cama imensa, dentro de um navio enorme, navegando em alto mar, entre aquela mulher de longas pernas, olhos azuis brilhantes e uma pequena loura, quase menina, dona dos mais maravilhosos olhos cor de esmeralda. E dessa vez, todo e qualquer pensamento de negação fugiu de sua cabeça, entregando-se sem pudores, entreabriu as pernas para receber a língua morna de Xena, assim como os dedos, em enlouquecedores movimentos. Gabrielle segurou firme a cabeça de Xena junto ao seu sexo sentindo que ia explodir num orgasmo ímpar. Ainda tremia em espasmos orgásticos, quando bateram à porta da cabine. Praguejando, a morena afastou-se a contragosto enquanto respondia.

Ainda deitada na cama Gabrielle viu Xena vestir sua indumentária, pois mesmo sendo uma navegadora/pirata, preferia vestir-se com sua antiga roupa de guerreira. Pelo movimento lá fora, percebeu que estavam atracando, era sua chance. Colocou sua roupa masculina prendendo os cabelos no turbante, dirigiu-se para a porta, notara que devido a pressa de Xena ficara apenas encostada. Esperava ter sorte e passar despercebida entre aquele contingente, misturou-se com os escravos, esperando o momento em que esses fossem levados ao mercado de escravos para fugir. Devido a viagem, todos estavam fatigados e não prestaram atenção ao pequeno escravo que se juntara ao grupo.

Mal tinha colocado os pés na rampa improvisada para a descida, quando sentiu uma mão segurá-la pelo braço, virando-se, viu que era um jovem escravo que se segurou nela para não cair, pois havia tropeçado. Bem que Gabrielle tentou, mas não encontrou nenhum bom momento para escapar e foi obrigada seguir para o mercado junto com os demais, lá ficou sabendo que boa parte dos escravos estavam destinados ao rei Gurcan, famoso naqueles lados por manter um harém composto especialmente de homens. Diferente dos demais, "o pequeno homem” logo despertou o interesse dos compradores de Gurcan, quando foi apresentado. A miúda figura, destacada entre homens corpulentos, chamou a atenção dos olhos de Xena, que se aproximando dela gritou em alto e bom som:

__ Este, não está à venda!__disse puxando-a para baixo.

Inconformados, os compradores de Gurcan puxaram suas espadas e uma terrível luta teve início, nem a guarda palaciana foi capaz de deter a fúria de Xena e de seus marujos, assim, depois de uma longa luta, Xena e seus subordinados retornaram ao barco,tendo perdido boa parte dos escravos que aproveitaram a chance para fugir, o que não foi a caso de Gabrielle,pois todo o tempo em que durou a luta, esteve segura pela mão de Xena e era obrigada a seguir os movimentos ágeis da guerreira para não atrapalhá-la. Por fim, cansados, mas vencedores, embarcaram no navio, partindo em seguida.

Arrastada por uma guerreira irada, Gabrielle foi atirada sem qualquer cerimônia dentro da cabine. No calor da batalha, seu turbante havia se desprendido, deixando-lhe o louro cabelo á mostra, e a túnica, esgarçada, mostrava um esboço dos seios. Ao vê-la, ninguém teria dúvidas que era uma garota .Um sonoro tapa desceu sobre seu rosto, o que a fez cambalear, surpresa, caiu na cama em prantos. Foi deixada sozinha pela furiosa pirata.

Chorou um longo tempo, de frustração e de medo. Decidida a tomar um banho, levantou-se da cama, seguindo para o anexo da cabine, optou por tomar banho com água doce, mesmo correndo o risco de ser punida por desperdiçar água. O navio em que navegavam, funcionava tanto com sistema de velas, quanto com eficientes e numerosos remadores, Gabrielle, percebeu que este desenvolvera uma boa velocidade, afastando-se rapidamente do reino de Gurcan. Sentiu fome, passara o dia inteiro praticamente sem comer nada, lembrou-se da mesa farta de sua casa e uma lágrima solitária escorreu-lhe pelo rosto.

Mergulhada num sentimento de tristeza, voltou para a ampla cabine, lá, encontrou comida e uma calada Xena, que sequer lhe dirigiu um olhar, apenas indicou a comida. Desse dia em diante, não mais a tocou, embora continuassem a dividir a mesma cama. Enquanto dormiam, a mulher de olhos azuis, permanecia com um braço ao redor da fina cintura de Gabrielle, que, por sua vez, durante o sono, aconchegava-se no peito da forte mulher,colocando muitas vezes uma de suas pernas entre as dela, o que inevitavelmente a despertava, cheia de desejos, e como se negava a satisfazê-lo, virava-se emburrada para o outro lado sem conseguir dormir.

Muitos dias e muitas noites se passaram, naquela situação. Gabrielle sentia-se a cada instante vigiada por olhos atentos que tentavam enxergá-la através das pequenas frestas da porta, da escotilha, eram os homens da tripulação. Vivia com medo, cada ruído fazia-a estremecer. Lembrou-se da promessa de Xena de entregá-la para os marujos.

Um outro e mais importante porto estava na rota do navio, entretanto, no meio do trajeto ocorreu uma inesperada tempestade que destruiu o mastro e outras instalações do enorme barco, atrasando em muito a viagem para a China. Para compensar, os negócios foram realizados com sucesso e lucro. Gabrielle ficou presa na cabine, inconformada por não poder sair e andar um pouco pela cidade, afinal, o mar nunca tinha sido seu lugar predileto e se não passou mal durante todo esse tempo, foi por ter aprendido com um velho servo alguns pontos de compressão no pulso que a livrava do enjôo.

Surpreendeu-se uma noite ao ver a formosa morena adentrar o recinto com algo nas mãos;era uma belíssima túnica de festa e sandálias muito bem elaboradas:

__Iremos a uma festa hoje à noite. Quero que vista isso...

__Eu não quero ir!

__Quando vai entender que eu dou as ordens por aqui? Vista a roupa  antes que eu mesma o faça!__Coagida pelo semblante enraivecido de Xena, pegou as vestes para se trocar,demorando o dobro do tempo que levaria normalmente para fazê-lo, só pelo prazer de aborrecer sua opressora. Ao retornar para sua presença, encontrou-a simplesmente maravilhosa, vestida numa túnica verde que lhe caía harmoniosamente.

Um coche as aguardavam quando desceram da nau. Conduzidas até o local da festa chamaram a atenção de quase todos quando belíssimas, entraram no salão. Logo, Xena estava discutindo assuntos com os negociantes da cidade, enquanto Gabrielle era cercada por simpáticos jovens, que logo ouviam embevecidos o que ela lhes contava. De onde estava, Xena mantinha os olhos bem atentos e os ouvidos também, escutando parte da conversa da moça loura:

__É uma barda!!! __disse, sem esconder a surpresa.

__Como disse, senhora?__Indagou o cavalheiro que estava ao seu lado.

__Disse que talvez eu contrate um bardo.__E continuou as conversas de negócios.

Empolgada com a oportunidade de falar, Gabrielle se distraiu e aceitou todos as bebidas que lhe eram oferecidas. Um dos rapazes que estava mais próximo e parecia querer ficar muito íntimo, notando o esforço da garota para se concentrar no que estava dizendo, puxou-a pela mão, conduzindo-a até um amplo jardim. Lá, inclinou-se em direção aos lábios de Gabrielle com o propósito de beijá-la, mas, tudo o que sentiu foi a dureza do punho de Xena contra a sua cara. Certamente ficaria desacordado por muito tempo. Num ímpeto, a linda morena puxou Gabrielle para si, apossando-se dos seus lábios num beijo ensandecido, mordiscando-lhe com paixão a boca rosada, as mãos fazendo carícias nos seios da jovem loura. Sentindo que não poderia controlar seu desejo e sua raiva, murmurou roucamente nos ouvidos de olhos de esmeraldas:

__Vamos embora...__O caminho de volta ao barco foi feito em meio a muitos afagos e graves acusações contra Gabrielle, que era acusada incessantemente por Xena de ter sido permissiva quanto a aproximação do rapaz. Quando finalmente embarcaram, Gabrielle chorava tentando se livrar tanto dos beijos quanto das acusações infundadas. Embora zangada, Xena foi extremamente carinhosa na hora de fazer amor com Gabrielle, convencendo-a a se entregar totalmente. Enquanto a possuía, achava insuportável a idéia de que aquela garota pudesse ter desejado estar em outros braços. Descobriu no exato momento em que ela correspondia com ondas de prazer aos seus carinhos estar perdidamente apaixonada pela pequena e dourada mulher.

Aquela noite, ajudada pela bebida, Gabrielle estava totalmente sem inibição, não apenas aceitava, mas também correspondia em igual intensidade aos carinhos de Xena, estavam fazendo amor, juntas. Era uma troca, compartilhavam as sensações de se tocarem mutuamente. Quando a língua morna da pequena mulher tocou intimamente o interior do seu sexo, Xena entrou em êxtase, tendo orgasmos múltiplos. E a noite foi uma festa que durou até altas horas...

Nos dias que se seguiram, quase não se viram, pois, quando uma acordava, a outra ainda dormia, havia muitas coisas a serem providenciadas antes da nova partida e quando a capitã voltava era tão tarde que a moça loura já estava adormecida.Toda manhã encontrava sempre um farto café disponível. Sabia que fora deixado por Xena. Chegou o dia da partida e barulhos característicos de barco zarpando foram ouvidos por toda parte. Fazendo um enorme esforço para visualizar o que ocorria lá fora, a barda ergueu-se nas pontas dos pés, vendo pessoas apressadas para realizar suas obrigações.

Mais tarde, percebeu pelas sombras da cabine, que o tempo havia passado e o barco se distanciara a muito do porto onde estivera ancorado. Lá em cima, Xena olhava o horizonte, segurando o leme com perícia, guiando o barco para seu destino, a China. Sentindo-se cansada e com vontade de ver Gabrielle, passou o leme ao imediato, dirigindo-se para a cabine. Entrou:

__ Oi.

__ Oi.__Gabrielle era prolixa, entretanto, toda sua eloqüência sumia diante daquela mulher de expressão sisuda que estava parada diante dela.

__ Em duas semanas ... Chegaremos à China...__ Disse Xena, ofegando suavemente. Caminhou em direção à Gabrielle, mas, ao ver os olhos da moça cheios de lágrimas, afastou-se, indo para o local de banho.

Aquela foi a última vez durante o percurso para a China que Xena tentou aproximar-se de Gabrielle. Ao notar a rejeição da garota, decidiu que deveria afastar-se. Por outro lado, olhos de esmeraldas não compreendia o que tinha provocado tão brusca mudança entre as duas, vivendo das recordações da última noite de amor que tiveram. Os dias passaram, as noites vieram, o mar estava calmo, as noites eram estreladas e dentro do imenso barco, próximas e isoladas, duas moças, uma loura, uma morena, suspiravam uma pela outra, sem que nenhuma uma delas soubesse.

Aprisionada na cabine, Gabrielle sentia cada dia um desespero maior, não apenas pelo sentimento que descobrira em relação a pirata, mas pelo fato de permanecer longos dias trancada. Nem sequer sabia das intenções de Xena em se reunir ao navegador chinês em busca de novos mundos, chorava continuamente pensando na possibilidade de ser abandonada num país distante sem nada e nunca mais ver sua família. Agora, então, que a bela morena não demonstrava interesse por ela, certamente seria vendida como escrava para algum rico senhor. E quando Xena entrou na cabine, vestindo sua roupa de guerreira teve certeza que alguma coisa importante estava para acontecer. Irritada com a constante choradeira de Gabrielle, Xena, sacudiu-a de leve pelos ombros, recriminando-a:

__ Você é mesmo um bebezinho, como diabos, foi se meter em toda essa confusão? Não, não, não me conte, eu li os seus pergaminhos. Enquanto você dormia, nós atracamos. Vou providenciar sua viagem de volta para a Grécia...__O rosto da moça mais alta estava transtornado, embora fizesse um enorme esforço para disfarçá-lo.Limpando o rosto com as mãos Gabrielle fitou boquiaberta a linda mulher à sua frente e falou:

__ Eu não vou!!

__ Como assim, eu não vou? Vai sim, não posso deixá-la para sempre presa nessa cabine, (embora seja tudo que mais desejo) __Pensou.

__ Eu não posso voltar, descobri que não sou tudo o que meus pais esperam de mim, não sou a menininha deles preparada para casar com um cidadão próspero, eu quero escrever, contar histórias e aventuras, como faço desde criança... e quero ficar com você, mesmo que seja presa nessa maldita cabine!

Sem poder acreditar no que ouvira, Xena envolveu o corpo de Gabrielle num quente abraço, beijando-lhe os lábios, porém, não puderam continuar, já que uma voz forte vinda do lado de fora da cabine, avisou que tudo estava preparado para o desembarque. A China mostrava-se em efervescente movimento nas proximidades do porto. Tão logo desceram foram informados que o navegador Zheng He havia partido muito antes do previsto, pretendendo chegar no novo mundo antes de qualquer outro, tão péssima quanto essa notícia, para Xena, foi descobrir que Ming Tien, filho de Lao-Ma, assassinara a própria mãe para tornar-se imperador. Um enorme sentimento de vingança tomou conta de Xena, em toda sua vida Lao-Ma pregou a paz, a união, o amor... A forte guerreira, carregada de ódio, retornou ao barco, preparando-se para o ataque. Todos os anos de treinamento vieram á tona, os instintos aguçados, a cabeça funcionando, verificando cada detalhe. Não adiantava tentar fugir daquilo que sempre tinha sido: uma fenomenal guerreira. Esperou a noite cair e com um punhal entre os dentes nadou até a orla, e como conhecia bem o palácio não foi difícil entrar em sua dependências por uma rede complicada de esgotos.

Deitado em sua rica cama, o jovem imperador parecia dormir o sono dos justos:

__Desgraçado, poderia matá-lo enquanto dorme, mas não vou fazê-lo, quero ver o medo em seus olhos, como deve ter tido Lao-Ma__Dizendo isso, cutucou o imperador com o punhal, despertando-o. Acuado, este, se pôs a gritar pelos guardas que entraram no quarto lutando com a poderosa guerreira, ao derrubar o primeiro guarda, tomou-lhe a espada. Vendo que toda sua guarda estava sendo derrotada, o imperador fez menção de fugir, sendo atingido de forma fulminante por um objeto perfurante, na têmpora, era uma espécie de prendedor de cabelo, presente de Lao-Ma para Xena. A vingança estava completa. Do mesmo jeito que chegou, a vingadora foi embora, como não houve testemunhas do ocorrido, ela, pode ficar o tempo necessário ancorada no porto, até descobrir, que uma filha de Lao-Ma, assumira o lugar do irmão assassinado.

Toda as situações vividas por Xena na China pareciam contribuir para que ela e Gabrielle não pudessem se entender. A dona do barco passava o dia inteiro fora só retornado muito tarde. A barda era dorminhoca e por mais que tentasse não conseguia encontrá-la acordada ou desperta ao amanhecer, quando tinha que se ausentar de novo. Inconformada com o fato de não poder empreender viagem com o navegador chinês, Xena preparou-se para retornar à Grécia.

Apresentando-se à filha de Lao-Ma, Xena foi reconhecida por esta como amiga de sua mãe, conseguindo assim carregar o barco com os ricos produtos chineses, além é claro, de abastecê-lo para a viagem de volta. Aproveitou o momento para tirar Gabrielle de seu "claustro", mostrando-lhe o lugar onde estavam e a beleza da cultura chinesa. A moça loura esta completamente excitada com tantas novidades. Sair da cabine fez efeitos colaterais maravilhosos em Gabrielle que se refletiam na hora de fazer amor à noite com a querida guerreira. O tempo correu rápido chegando finalmente o dia de zarpar e este, foi um dia de muita faina, correria e gritos. De onde estava, Gabrielle podia ouvir tudo, mas quase não via nada. Estavam partindo! De volta á Grécia! A porta foi aberta, vislumbrou a alta figura parada na soleira. Sentiu vontade de se atirar naqueles fortes braços, mas, conteve-se, afinal, mesmo tendo declarado seu desejo de ficar em sua companhia, nos últimos dois dias Xena praticamente a tinha ignorado, deitando-se pesadamente ao seu lado e adormecendo em seguida. Por isso, Gabrielle ficou acanhada, e quieta, esperou. Caminhando com passos lentos, mas firmes ,Xena chegou perigosamente perto, tão perto, que a moça menor podia sentir sua respiração ofegante:

__ Estamos voltando para a Grécia... Eh, não ficou feliz?__disse Xena, segurando-lhe o rosto.

__ Fiquei...

__WOW!!! Que jeito de ficar feliz...

__É que estou pensado na minha família, vai ser difícil para eles, eu tinha um pretendente chamado Pérdicas__ Gabrielle, sentiu que os olhos de Xena escureceram de ira e ciúmes.

__Então eu vou mudar a rota do navio__Estava agora com a boca há milímetros dos lábios de Gabrielle__Ou você pensa que vou deixar alguém, além de mim chegar perto de você?

Arrastou-a carinhosamente em direção ao local de banho e lá, entre jogos de amor ficaram entretidas um longo tempo.

A viagem de volta seria totalmente tranqüila, não fossem as reclamações de Gabrielle por ficar tanto tempo presa na cabine, segundo ela mesma "uma escrava sexual", à mercê dos desejos de Xena; tal afirmação deixou a forte guerreira tão irritada que não voltou á cabine nos três dias seguintes, dormindo em outro lugar. Aproveitando uma noite estrelada, retornou á cabine, surpreendendo Gabrielle, levou-a para dar uma volta no convés, centenas de olhos, fitavam sequiosos a pequena figura, deixando-a constrangida, não demorou muito, pediu para retornar à sua "prisão", finalmente entendendo por que Xena a mantinha isolada.

Tudo parecia tranquilo, o mar plano, ventos apropriados, perfeito. Então, de repente, no meio de uma noite, já navegavam em mar grego, um grande número de marujos decidiram tomar o navio, expulsar sua dona e mudar de rota. Foi aí que teve início uma enorme briga. Dentro da cabine Xena, apenas estava começando a se despir, quando ouviu o estrondo da porta sendo arrebentada pelos marinheiros, comandados principalmente por aqueles de cujo navio haviam sido capturados os escravos, onde Gabrielle era passageira.

Preparada para as adversidades a ágil guerreira lançou-se na batalha com fúria, preocupada todo o tempo em defender Gabrielle e a si mesma. Vendo que os seus aliados eram em menor número, conduziu a luta para o convés, onde havia mais espaço. Se estivesse sozinha certamente, nenhum daqueles homens seria páreo para ela, mas sua adorável companheira apenas a acompanhava em cada movimento, escondendo-se às suas costas, num balé sincronizado. Xena sabia que não sustentaria aquela situação por muito tempo, agarrando Gabrielle pela cintura, deu seu inconfundível grito de guerra, saltando para o mar em meio a escuridão.

Nesse momento, um terrível estrondo se ouviu,olhando para trás, viram o mastro quebrando como um palito, por um poderoso raio, pois uma tempestade, assim como a luta, caíra abruptamente sobre eles. Afastando-se do local com largas braçadas, as duas mulheres tiveram que enfrentar não só as ondas, mas também a tempestade que se abatera sobre elas. Parecia que Poseidon queria demonstrar todo seu poder aquela noite. Lutando bravamente contra a situação, nadaram mais de oito horas em alguma direção que Xena parecia conhecer, e quando, Gabrielle exausta, deu sinais de não poder continuar,ela, a princesa guerreira,a pirata, a mercadora, simplesmente não se deu por vencida e nadou pelas duas até tocarem os pés em terra firme.O dia amanhecia.

Caíram sem forças na areia enquanto as ondas, agora calmas, lambiam-lhes os pés.

__Gabrielle...__Disse Xena com sua voz sussurrante, tocando de leve os ombros da moça loura__Você está bem?__esta respondeu apenas com um aceno de cabeça, afirmativamente. Ficaram desacordadas um longo período, acordando quase simultaneamente. Ainda zonza, Xena Falou:

__Pelos meus cálculos estamos em Mikonos, eu conheço um grupo de amazonas que vivem mais ao norte daqui, mas primeiro, o primeiro: água, comida...

Encontraram um delicioso rio nas proximidades com peixes abundantes e milagres dos milagres, uma caverna. Enquanto investigavam as redondezas descobriram que a praia se encontrava coalhada com restos do enorme barco no qual navegam, inclusive dois corpos que foram enterrados pelas duas. Após alguns dias de descanso puseram-se em marcha para a aldeia das amazonas. No meio do caminho encontrou-as em guerra com os minotauros que queriam tomar seu território. Numa atitude instintiva, Gabrielle ao perceber que uma flecha ia atingir uma das mulheres, atirou-se na frente dela, tendo o seu ombro perfurado. O que ela não sabia era que uma outra flecha, já estava cravada fundo no pulmão da jovem mulher caída sob ela, que num último suspiro passou seu direito de casta das amazonas para ela.

As amazonas superaram os minotauros, vencendo a batalha, levaram suas mortas e feridas para aldeia, sendo recebidas com júbilo pela vitória, embora lamentassem imensamente as perdas. Enquanto a cerimônia do enterro era preparado, Gabrielle e Xena ficaram sabendo que a amazona que Gabrielle tentou salvar era uma princesa e portanto, teria o direito de princesa.

Aborrecidas por não poderem partir como o planejado, se viram envolvidas nas festividades destinadas a Gabrielle. Nesse tempo, as duas ficaram juntas numa cabana, onde se entregavam plenas de amor, entre beijos e trocas de carinhos intermináveis. Quando soube que Gabrielle teria que ficar três dias, sozinha, num ritual de purificação, Xena esbravejou, reclamou, ameaçou, mas nem assim deixaram-na ficar junta com sua amada. Assim só depois de Gabrielle ter sido feita uma princesa amazona puderam partir.

De volta ao litoral dirigiram-se à uma cidade portuária, e lá, compraram um pequeno barco, usando parte da pequena fortuna em pedras preciosas, que Gabrielle ganhara de suas irmãs amazonas. Mal tinham atracado em Atenas e a notícia espalhou-se, a famosa guerreira estava no porto, muitos inimigos apareceram tentando atingi-la, mas ela, desvencilhou-se de todos com graça e força:

__ Ooops! Isso vai doer mais em você do que em mim!

Enfrentar inimigos era comum para Xena, o que não esperava encontrar, era a rica comitiva que apareceu em frente onde estava ancorada, pedindo permissão para subir a bordo. De dentro da pequena cabine, Gabrielle reconheceu a voz, era seu pai. Uma vez a bordo, o homem que encabeçava a comitiva disse num tom arrogante:

__Tenho informações que você mantém minha filha prisioneira, estou disposto a negociar com você, ainda que eu ache que deveria ir presa!__E mostrando um rapaz, que estava ao seu lado__ O noivo tem pressa de casar...__Só de pensar que aquele sujeito poderia tocar em Gabrielle, Xena sentiu o sangue ferver de ódio, tentando manter-se calma, resmungou entre dentre:

__ Quem informou, estava errado, sua filha pode ir no momento que quiser.__Ouvindo essas, palavras, Gabrielle compreendeu que o desejo de Xena, era que ela partisse, portanto, saiu rápido da cabine onde se escondera e correndo para os braços do noivo deu-lhe um longo e inesperado beijo. Atônita, Xena apertou tanto o chacram, que feriu a mão.

__ Bem, creio que aí tem sua preciosa filha, agora saiam do meu barco!

Os dias passaram, Xena percebeu que o amor que sentia por sua pequena barda havia modificado seu modo de ver o mundo, a vida, a sua própria existência e que nem um exército ou uma frota de poderosos navios seriam capazes de satisfazê-la. Tudo o que ela queria agora era uma pequena loura, dona dos mais maravilhosos verdes olhos que já tinha visto. Vendeu o barco, foi procurar sua égua Argo que deixara aos cuidados de um amigo chamado Joxer. Não foi difícil descobrir onde a família de Gabrielle morava, necessitava ouvir com todas as letras que tudo o que houve entre elas foi apenas resultado do medo e da coerção. Enquanto cavalgava velozmente Xena pensava como Gabrielle beijava-lhe a boca, como a tocava de forma enlouquecedora... Um gemido escapou-lhe dos lábios, falou baixinho no ouvido de Argo:

__Quando conhecê-la também vai amá-la...

Dirigindo-se com pressa para a residência da família de Gabrielle, passou por um grupo de pessoas elegantemente vestidos, alguns montados em belíssimos cavalos, outros em grandes carruagens decoradas com fino acabamento, principalmente a que conduzia uma jovem loura, ricamente trajada, pronta para o casamento num templo não muito longe dali.

Dando um dos seus magníficos saltos, Xena apeou de Argo, quando encontrou a casa que tanto buscava. Informada por um escravo sobre o casamento, logo se encontrava outra vez a galope, sabendo exatamente onde deveria ir. Cortando caminho chegou na porta do templo no exato momento em que Gabrielle descia da carruagem.

__ GABRIELLE!!!

__XENA!!!!__Um olhar de cumplicidade, de entendimento foi trocado, e, sem mais palavras, Gabrielle correu com nunca em sua vida ao encontro da princesa guerreira, foi o tempo de Xena estender o braço e a jovem loura estar sentada na garupa de Argo, que saiu em grande disparada, deixando a todos estarrecidos, e alguns, como o pai e o noivo, enfurecidos!

Bem longe de toda aquela confusão em um acampamento, as duas belas mulheres puderam enfim dar vazão aos sentimentos que surgiram em suas vidas de forma tão inesperada. O chão,coberto com uma pele, tinha sido testemunha muda de todo carinho, amor e desejo. Não se permitiram falar, umidades se misturavam, bocas ávidas se buscavam, mãos, dedos em penetrações longas e curtas, beijos duradouros e molhados e só, muito, muito tempo depois, foram capazes de conversar:

__Fico louca só de pensar que você ia casar...

__ Na verdade, não ia, tinha combinado com minha irmã de escapar pelos fundos, eu ia voltar para seu barco!

__Já vi que a vida não vai ser fácil com você...

__ E não vai mesmo, eu te amo e não quero saber de você por aí traficando escravos ou comandando exércitos...__Xena riu, enquanto erguia uma sobrancelha:

__Assim a vida vai ser muito chata, Gabrielle!__sabia que sua lourinha tinha razão, usaria suas habilidades para ajudar vilarejos e povos oprimidos a se defenderem dos terríveis senhores da guerra, como ela tinha sido um dia.

Ainda com a sobrancelha erguida e beijando o topo da cabeça de Gabrielle, falou:

__ Te amo, baixinha.__A voz saiu num sussurro quase inaudível.

__ O que você disse?

__Nada...

__Há,é? Quer bancar a durona comigo?__Disse Gabrielle, dando-lhe em seguida um apaixonante beijo, o que fez Xena se entregar completamente. Assim foi a noite, guardadas pelas estrelas, duas moças enamoradas se entregaram à paixão. E aquilo, foi só o começo.


FIM