Era uma vez na Grécia...
Mary Stocks
Contato: Marylda_xwp_@hotmail.com
[Como autora que sou em nível de autora que sempre serei, me sinto gratificada e emocionada com os elogios que recebi. Confesso que foi tudo muito inesperado, pq. eu realmente achava que ninguém iria gostar da minha fic. Quero agradecer aos meus betas (bati recorde em betas): Alessandro, Luh, Kaka, July, Shi, Bidi e Mary Anne pela paciência e compreensão com as minhas inseguranças e indecisões ao escrever. Espero que o segundo capítulo esteja igual, ou melhor, ao primeiro. Enjoy].
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Capítulo 02
“Casar? Depois de tudo que nós passamos, ela resolve casar? Que tola que eu fui ao acreditar que nós estaríamos juntas para sempre. No fim das contas, acho que nós não éramos tão amigas quanto supúnhamos. Se ela acha que é o melhor pra ela, eu só tenho que aceitar, mas nunca irei entender como foi que isso aconteceu. Espero que ela seja realmente feliz com este homem. Mas não posso evitar que a dor que eu sinto em meu coração consuma a minha alma também. Estou só.” – Gabrielle divagava a respeito dos últimos acontecimentos enquanto caminhava sem rumo, sem direção. Sua última conversa com Xena não havia terminado exatamente como ela desejava. Após uma longa discussão com a guerreira, Gabrielle decidiu que não agüentaria ficar ali e compactuar com essa idéia maluca de sua amiga. “Se é que posso chamá-la de amiga”.
Resolveu que iria voltar para a casa de seus pais e tentaria levar a vida como uma aldeã qualquer. Não queria mais saber de aventuras em sua vida.
Enquanto caminhava, uma garoa fina começara a cair, o que logo se transformou em uma forte tempestade. Correu apressadamente para ver se encontrava alguma gruta ou caverna que pudesse abrigá-la, mas ao invés disso, encontrou um templo abandonado. Entrou e logo tratou de se enxugar. Pelas oferendas deixadas no local, logo percebeu que lá se tratava de um templo de Afrodite. “Muito conveniente”.
Deitou-se em uma espécie de divã aveludado que serviria de cama durante aquela noite. Embora o cansaço estivesse tomando conta de seu corpo, não conseguia parar de pensar na discussão que tivera naquela tarde.- Casar? Que história é essa? Você perdeu sua cabeça? – Gabrielle gritava.
- Vou casar sim, essa é a MINHA vida Gabrielle, você não tem nada a ver com ela.
- Então eu não represento nada pra você? Você vai simplesmente me abandonar assim? – a loirinha se segurava para não desabar em choro.
- Claro que representa, mas essa é a minha chance de ser feliz, e não vai ser você que vai estragar isso.
- Ser feliz?- “Então você não é feliz comigo?”, pensou ela - Tudo bem! Eu já entendi. – enxugou os olhos – Então eu espero que você alcance o que você tanto almeja. – pegou suas coisas no chão - Eu vou embora, não quero atrapalhar tanta felicidade.
- Gab... – disse Xena enquanto observava sua amiga partir.
Com passar do tempo, a chuva parecia que só engrossava mais, e Gabrielle continuava com insônia. Numa tentativa de distração, pegou um de seus pergaminhos, e começou a escrever uma carta que enviaria para Xena. Uma espécie de despedida.
“Nunca pensei que este dia chegaria, mas agora que aconteceu, a única coisa que eu posso desejar a você é que você seja realmente feliz. Não direi que compreendo a sua decisão, mas a respeito. O fato é que eu não sei mais o que farei sem você. Não faz nem um dia que eu saí de sua companhia, mas só o pensamento de que não a verei nunca mais é como uma flecha que me rasga o peito...” – Eu não sei o que vou fazer agora – disse enquanto rasgava o pergaminho.
A expressão séria que tinha deu lugar a um choro descompassado e desmedido. No instante em que a loirinha se deitou no divã, um feixe de luz clareou todo o templo.
- Gabby, querida, pare de chorar. Você vai acabar ficando com o rosto todo inchado.- Afrodite, assim você me assusta. O que você ta fazendo aqui?
- Não sei se você lembra doçura, mas este aqui é o MEU templo.
- Claro que eu sei. Desculpa, eu não quis ser rude.
- Tudo bem querida. – caminhou em direção a barda – Apenas me conte... O que aconteceu?
Gabrielle ponderou se era realmente uma boa idéia contar o que havia acontecido para a deusa. Mas no momento em que se viu completamente só, percebeu que apenas o fato de ter alguém para desabafar já era suficiente para deixá-la mais aliviada.- Bom... Tudo começou há duas semanas. Eu havia acabado de acordar e Xena tinha saído para caçar o nosso almoço. Só que ela não voltou e estava me deixando preocupada...
- Vocês brigaram porque ela não trouxe o almoço?
- Afrodite, quer me deixar terminar? – estressou-se – Como eu ia dizendo... Ela não trouxe o almoço e já estava ficando tarde. Eu estava realmente muito preocupada. Quando já havia anoitecido, Xena voltou para o acampamento com este homem, um tal de Julius que era amigo dela enquanto crianças.
- E qual o problema com isso, doçura?
- Afrodite eu juro que... – esboçou uma cara zangada – O fato é que este homem balançou o coração de Xena, ela se apaixonou e agora eles vão casar. E eu sobrei nessa família. Agora estou sozinha.
- Isso não se parece com Xena.
- Nem me diga! – encostou a cabeça no divã – Eu queria entender por que ela está agindo tão estranha.
- Querida, você tentou conversar com ela?
- Diversas vezes. Quando ela estava longe dele, até parecia estar sã, mas assim que ele aparecia era como se ela voltasse àquele estado de hipnose. Era como se eu não tivesse mais ali. O amor faz isso com as pessoas.
- Acho que você está enganada. O amor não faz as pessoas esquecerem os amigos. Tem alguma coisa errada nessa história. – fez cara de pensativa.
- Como assim Afrodite? Você tem que entender que Xena se apaixonou, e agora ela não precisa mais de mim. Seria besteira minha pensar que nós estaríamos juntas para sempre. Nada dura para sempre.
- Docinho, não fale o que você não sabe. A sua história com Xena vai além do que você poderia imaginar. Mas ainda é muito cedo para você entender isso.
- Do que você está falando?
- Existem coisas além da sua compreensão humana, Gab.
- Você ta me deixando confusa, Afrodite.
- O fato é que essa história está muito mal contada, e eu vou descobrir o que há de errado.
- Afrodite, chega de confusão! Esqueça esse assunto ta bom? Xena tem que seguir com a vida dela, e eu também tenho que seguir com a minha. No mais, você não conseguiria descobrir nada se não há nada a se descobrir.
- Embora você subestime as minhas capacidades investigativas sendo tão descrente, terei o deleite de lhe provar que eu tenho razão. Enquanto isso tente dormir e descansar. – e desaparece em um novo clarão.
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Alguns dias se passaram e Afrodite não dava notícias, deixando Gabrielle presa em uma ansiedade quase mortal. “Por que ela faz isso comigo? Não basta o surto de Xena e agora eu vou ter que esperar a boa vontade de uma deusa que anda por aí usando somente a roupa de baixo?”
Cansada de tanto esperar, resolve que já está na hora de parar de dar ouvidos às insanidades de Afrodite e decide continuar com seu plano inicial: ir para casa. Quando termina de pegar suas coisas, um clarão surge atrás dela.- Sabe Gabby... Não acredito que você já estava indo embora sem ao menos se despedir. – disse enquanto caminhava em direção à barda.
- Afrodite, já se passaram 09 dias e você não deu notícias. A essa altura Xena já deve estar casada, cheia de filhos e morando em uma fazenda.
- Sempre exagerada! Saiba que paciência é uma virtude – sentou-se no divã cor de rosa – Eu demorei sim, mas tenho novidades.
- Fale logo, estou morrendo de ansiedade – mordia os lábios nervosos.- Bom. Na verdade são duas novidades. A primeira é boa: eu descobri o que está acontecendo, e quem está por trás disso tudo.
- Fala logo Afrodite, pelo amor de Zeus.- Alguns dias antes desse tal de Julius aparecer no seu acampamento, estava tendo uma happy hour no Olimpo, e todos os deuses estavam lá festejando o aniversário de Zeus. - Gesticula para Gabrielle se sentar – Enfim, todos os deuses estavam presentes, exceto Ares. – olhou para a expressão de asco que a barda fez quando pronunciou o nome do deus – Eu realmente estranhei a ausência do meu irmão, mas não me importei. A festa estava tudo de bom, e eu...
- Afrodite... Será que da pra ser mais rápido e sem todos os detalhes? – interrompeu a deusa já impaciente.
- Nossa você anda tão nervosa Gab. – pôs a mão na cintura - Resumindo: Ares estava ausente porque estava no meu templo roubando uma de minhas poções.
- E o que isso tem a ver com o tal de Julius e Xena? – fez cara de confusa.
- Alôô... Julius é Ares! Bom, assim que ele roubou a poção, ele invadiu os domínios de Morpheu, e penetrou nos sonhos de Xena. Coincidiu de ela estar sonhando com Julius, seu amigo de infância. Só que ele morreu a alguns anos em uma batalha. Se aproveitando das lembranças dela, Ares se transformou em Julius e enfeitiçou Xena com a poção e agora ela só voltará ao normal se você conseguir o antídoto.
- Então Xena está enfeitiçada? – levantou-se – E onde eu arranjo esse antídoto?- Bom, essa é a parte complicada dos planos. – mexeu nos cabelos loiros – Quando eu criei a poção do Amor Eterno, errei em algum ingrediente básico, e acabou dando tudo errado. Se alguém a tomar, em vez de ficar apaixonado por outra pessoa, vai desmaiar e por fim, morrer.
- Xe-xena vai morrer?? – gaguejou espantada
- Não se você agir a tempo.
- E o que eu tenho que fazer? Vamos, me diga rápido.
- Como já se passaram três semanas. O prazo está se acabando. Você terá uma semana para conseguir o antídoto. – olhou nos olhos da barda - Xena só acordará se receber um beijo de amor verdadeiro.
- Beijo de amor verdadeiro? – levou a mão à boca – Mas como eu vou descobrir quem é o amor verdadeiro de Xena?
- Isso você terá de fazer sozinha. Boa Sorte, querida. – e desaparece em um novo clarão.
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Continua...