O futuro presente no passado
Bruna Caetano
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Elas andam pela aldeia amazona, sempre acompanhada pela mulher ruiva. A mulher as leva para o aposento da Rainha, ela olha para a garota e Xena lhes indicando a saída, A barda notando isso se mostra presente.
- Xena fica comigo, arranje apenas um lugar para Nahara e que este seja próximo ao meu.
- Sim minha Rainha. - diz a mulher virando-se e indicando o caminho a Nahara.
- Espera. - diz a barda em um sobressalto, após conseguir novamente a atenção da mulher ela continua. – Não me disse seu nome.
- Meu nome é Neliah. - diz a mulher de costas e saindo.
Xena olha o local, se senta em uma cadeira e Gabrielle a acompanha.
- Você viu além de Neliah, alguma amazona mais velha?!
- Não, não vi! Mas vi o jeito que essa Neliah te olha... - erguendo altamente a sobrancelha.- Ela vai me causar problemas!
- Xena não é nada demais, pelo contrário acho que ela me odeia! - diz segurando uma das mãos de Xena.
- Isso é o que veremos... Descanse, eu vou dar uma olhada por aí.
- Que te preocupa Xena?
- É isso que eu quero descobrir, mas enquanto isso relaxe!
Xena sai e deixa Gaby só, esta resolve aproveitar para tomar um banho. Xena anda pelas sombras, apenas observando a movimentação, ela avista Neliah, então resolve observá-la, esta parecia ser um membro importante da tribo, falava com todas, dava instruções e gesticulava bastante, se movimentava rapidamente entre as outras. Ao conversar com uma amazona mais nova, ela se irrita e manda-lhe um tapa no rosto da garota, Xena apenas olha ao longe não gostando do que estaria por vir.
A guerreira continua a observar tudo, até ver Nahara com as armas que esteve tão fascinada.
- Quem as deu? - diz a guerreira pegando as armas das mãos da menina.
- Foi aquela mulher ruiva, acho que o nome dela é... A menina para de falar ao ver o desempenho de Xena com os “cassetetes”.
Xena os giravam fazendo-os uivar ao vento, abaixava e levantava, sempre os movimentado, no suporte em que a mão segurava. Xena o vira e utiliza como se fosse uma alavanca puxando e fazendo movimento de bater com o outro “cassetete”.
Nahara que observava tudo:
- Me ensina, por favor?!
- Tudo a seu tempo, tudo a seu tempo! - diz deixando a garota só, que imediatamente começa a refazer os movimentos como podia.
Xena a olha de longe, não consegue parar de ver a semelhança entre ela e Gabrielle, mas logo espanta esse pensamento ao ver Neliah caminhando em direção aos aposentos da rainha.
Gaby estava relaxada em uma banheira, quando Neliah entra sem bater na porta, esta para e a analisa descaradamente.
- Não sabe bater na porta Neliah. - diz a poetisa pegando rapidamente um roupão para se cobrir.
- Perdão minha Rainha... Eu esqueci como se trata uma rainha, já que não há vejo muito por aqui!
- O que quer? Seja breve por favor!
- As amazonas que não a conhecem, acham injusto você... Ela refaz seus pensamentos. - Quer dizer a senhora, ser a Rainha.
- Elas querem me desafiar.
- Sim minha Rainha... E eu vim lhe dizer que terá três dias para preparar sua campeã.
Nesse momento Xena entra.
- Não preciso de três dias, se quiser pode ser agora.
- Xena, não... Eu irei lutar! - diz uma Gabrielle completamente cheia de confiança. Virando a atenção a Neliah. – Mande que elas escolham sua lutadora!
- Eu serei a lutadora, minha Rainha. - diz abaixando a cabeça seguindo em direção a porta, mas antes que esta saia ela se vira novamente, com toda sua confiança. – Aquela garota, Nahara, também foi desafiada. Vira-se novamente e vai embora.
Gabrielle que se sobressaltou ao saber que Nahara foi desafiada, começa a se perguntar o por que.
Dia passa e tudo começa a ser preparado para a grande luta, um ringue está sendo construído no meio do território, Nahara se banha em um rio enquanto Xena treina com Gabrielle.
- Você tem certeza de que quer lutar?! - diz a guerreira preocupada.
- Tenho... Elas não irão me respeitar se outra pessoa lutar por mim!
Parando de treinarem, elas continuam a conversar baixo, se dirigindo aos aposentos da Rainha.
- Você tem razão quanto a isso, mas não entendo o porque da Nahara também ser desafiada!
- Também não consigo entender... A propósito, descobriu o porquê de não acharmos nenhuma amazona mais velha?
Fazendo com que Gaby se sente em uma cadeira, a Princesa Guerreira se posiciona em suas costas e começa a massagear levemente.
- Huuum... Você sabe como me agradar! - diz a barda em um gemido. - Mas diga, descobriu algo?
Continuando com a massagem:
– Sim, houve uma batalha há um certo tempo entre elas e uns guerreiros que queriam tomar este território, já que este é próspero. Nesta batalha, as crianças e idosas foram poupadas, mas as que hoje seriam as mais velhas morreram em batalha ou em conseqüência desta, as idosas morreram de desgosto por perder um ente querido ou por alguma doença. Então restaram as crianças e adolescentes, por isso quase nenhuma sabe que você é a Rainha.
- Então terei que mostrar a elas! - diz Gabrielle em um olhar de confiança.
Neliah conversa com uma outra amazona, lhe dando instruções para algo ser feito, sempre se certificando de que esta saiba exatamente o que fazer. A amazona assente e corre para cumprir o dever que lhe foi dado. Neliah se vira, observa a construção do ringue, que já está quase pronto, esboça um sorriso maléfico no rosto e vai ao encontro de Gabrielle.
Ela vê que Xena está ali, mas como sempre a ignora.
- Minha Rainha, estou aqui para comunicar, que faremos uma confraternização hoje a noite. Queremos passar a todas aqui, que não será uma luta contra uma inimiga e sim uma luta para que possamos ter certeza de que você é a verdadeira rainha!
- Entendo, Xena e eu estaremos presentes. Ah e Nahara também!
- Assim espero minha Rainha! - diz a amazona com um pequeno sorriso no rosto.
- Neliah... Eu tenho uma pergunta e sei que você é a pessoa certa a me responder... Porque Nahara foi desafiada? Ela nem mesmo é uma amazona!
A amazona que já estava se retirando, vira-se novamente para encarar A Rainha. Xena se mantinha alerta atrás de Gaby, não gostava daquela mulher, não gostava do que ela representava, sempre estava encarando-a e observando. Pensamentos de Gabrielle surrando essa mulher faz Xena esboçar um grande sorriso e erguer altamente a sobrancelha.
- Ela foi desafiada porque uma de nossas amazonas ficou impressionada com o seu desempenho com uma de nossas armas, das mais novas, apenas uma sabe manuseá-las e é esta que a desafiou! Mas não se preocupe, cuidarei pessoalmente para que ela não saia machucada.
- Então somos duas, porque também cuidarei para que isso não aconteça. - diz a guerreira em um rosnado.
Gabrielle que estava sentada, ergue uma de suas mãos, para conseguir a atenção de todas. Em um leve sorriso.
- Que coisa mais linda, somos três então!
A mulher lhes devolve um sorriso, que ao se virar para ir embora, se desfaz rapidamente.
- Gaby, vou procurar a Nahara, não sei se ela já sabe do desafio! Fique aqui e relaxe, precisa estar bem disposta a noite!
- Se não fosse por esta situação adoraria estar bem disposta a noite!
- Calma, o seu banho relaxante em uma boa estalagem será providenciado. - diz Xena se retirando.
Nahara ainda estava no rio, estava em sua margem, sentada olhando para o nada.
- Um dinar por seus pensamentos! - A guerreira se mostra presente.
- Eles não valem tanto. Apenas pensando em minha origem ou melhor tentando pensar, pois estou mais preocupada com o desafio.
- Então você sabe?! - diz Xena sentando ao seu lado. – Está com medo?
- Não vou mentir pra você, eu a vi, ela é enorme, eu vou morrer nessa luta!
- O medo é um sentimento importante, sem ele não há coragem, ele é um limite pra que não cometa besteiras. Sabe, eu não tenho medo com algo relacionado diretamente a mim, mas quando se trata de Gabrielle, o medo toma conta da minha alma e por temer que algo aconteça com ela é que tenho mais coragem. Entendeu?!
- Sem medo não há coragem. É entendi!
- Então quer treinar um pouco? - diz a Guerreira se levantando.
O olhar de Nahara é como se sua heroína estivesse ali, na sua frente, seus olhos brilham em emoção.
- Claro que sim!
O véu escuro da noite chega e a confraternização das Amazonas começa. O ringue já ficara pronto, tanto Gabrielle quanto Nahara o olham perdidas em seus pensamentos. Xena coloca as suas mãos no ombro de cada uma, dando seu apoio, com certeza não estava contente por esta situação, apesar de Gaby ser muito boa com os sais, na luta enfim, não gostava de vê-la em perigo e com Nahara, sinceramente, não entendia o motivo de tanta preocupação, pois a conhecera há tão pouco tempo, mas a sente tão... Tão perto, como se soubesse seus pensamentos e atitudes. Ela tinha muito da Gabrielle, mas também tinha muito dela mesma, foi difícil reconhecer isso e mais ainda de entender.
Uma mesa enorme foi colocada no que seria o centro do território, estava cheio de comida, de vários tipos, Grãos, Carnes, saladas, doces...
As duas guerreiras e Nahara foram acomodadas, ao se sentarem logo foram servidas de vinho. A Princesa guerreira cheira o vinho antes de tomá-lo impedindo que Gabrielle bebesse, não sente nada de anormal, assentindo que este podia ser sorvido. Constantemente sendo observada por Neliah.
Havia amazonas na mesa que as guerreiras não haviam visto em suas caminhadas pelo local. Elas comiam e bebiam, aparentemente todas se divertiam.
Após algumas horas de festa, algumas guerreiras se mostram pálidas e lerdas, algumas mal conseguiam erguer suas mãos.
Gaby nota isso e começa a olhar todo o local a procura de Nahara, que havia sumido, mas só agora notara. Ela se levanta tenta andar, mas suas pernas não têm controle, elas se cruzam e a visão que Gabrielle tem é a imagem de Xena se esvaecendo em uma enorme escuridão, tudo se apaga. Xena estava tonta, em tropeços agarra o pescoço de Neliah, esta apenas a olha, sem demonstrar nada, apenas a olha em um vazio. A guerreira olha em volta e vê varias amazonas adormecidas e as que estavam lúcidas, começavam a retirar cordas de um esconderijo.
-Você planejou tudo isso não foi?! - diz Xena em um rosnado.
Sem demonstrar nada no olhar:
- Sim, planejei, você nem sentiu o veneno...
- Como fez isso?... Me diz, agora fiquei curiosa. - Fala a Guerreira sentindo sua força esvaecer.
- Te direi, mas quando estiver lúcida, quero ver sua cara de decepção.
Xena cai ao chão, perdeu rapidamente suas forças, se arrasta até Gabrielle e antes que apagasse totalmente, ouviu Neliah Gritar uma ordem.
- Achem Nahara, meu assunto é com ela!
Todas as Amazonas que comeram e beberam na festa, estão amarradas a troncos, deixando seus braços totalmente abertos sem nenhum movimento.
Três amazonas vão ao encontro de Nahara.
- Venha conosco, agora! - diz uma das amazonas agarrando o braço da mulher.
- Me solta! Pra que tanta violência, sei caminhar muito bem sozinha!
Ela caminha sendo escoltada pelas amazonas em seus calcanhares, estava ficando nervosa, odiava se sentir assim, pois perdia completamente o controle de seus atos. Ao ver a Imagem de Xena e Gabrielle, com os braços amarrados e estendidos jogadas ao chão desacordadas, ela corre, as amazonas a seguram, ela se abaixa, dá uma banda em uma e ao se levantar se aproveita de sua posição e golpeia com um soco o queixo da outra mulher, esta gira pra trás e cai no chão desacordada. Um fogo subiu em seus olhos, que se dilataram ao sentir tanta raiva. Ao ver os olhos de Nahara a última amazona que a segurava sai de perto, com as mãos erguidas, demonstrava medo em seus olhos. O olhar daquela garota a sua frente estava completamente diferente, ela rosnava e gritava pra que as Guerreiras fossem soltas. Ao se distrair com a amazona que estava à sua frente, Neliah a golpeia pelas costas, ela sente uma dor enorme. Ergue sua mão à nuca e pressiona no intuito de parar a dor, se virando ela vê apenas o olhar de Neliah e cai ao chão.
Nahara está amarrada, jogada em um canto longe de Xena e Gabrielle, que já estavam acordadas tentando desesperadamente se soltar. Ao contrário das Guerreiras, Nahara só tem as mãos amarradas a sua frente. Ela abre os olhos devagar observando o local, vê que Neliah não está sozinha, está acompanhada de uma senhora, que aparentemente é bem respeitada e poderosa já que esta tinha Neliah a seus pés. Ela finge estar desacordada e ouve a conversa.
- Mãe... É esta a mulher que havia dito, a mulher que roubaria minha vida? - diz Neliah aos pés da mulher idosa.
- Roubará sua vida, impedindo o seu destino, a mulher que possui o azul, verde e a fúria do fogo em seus olhos...
- Achei que fosse a nossa rainha! Mas de onde ela veio Grande mãe?! O que ela é?!
- O futuro está no nosso presente, que um dia será o passado! Ela é a união de duas Almas, ela é a evolução dessas duas almas, ela está aqui não só para impedi-la com seu destino, mas também para impedir a outros e aprender!
- Ela é a evolução de que almas mãe???!
- Das guerreiras que carregam a luz a escuridão e o amor incondicional no coração.
Neliah se levanta dos pés da mulher, vai ate Nahara e a chuta diretamente no rosto.
- Como essa garotinha ridícula, é a união das almas de Xena e Gabrielle! Ela não sabe nem segurar uma espada!
- Quer tirar a prova?! - diz a garota se levantando, com o olhar de fúria em seus olhos.
- Sua hora irá chegar sua atrevida!
Xena ouviu tudo o que foi dito com sua audição apurada, começava a entender o porquê de tanta semelhança entre elas. Agora que sabia disso mais do que nunca precisava se soltar e soltar Gabrielle. Começou a se mexer em vão, estava muito bem amarrada.
- Quero comunicar-lhes um fato, eu sou a nova rainha e todas vocês que foram contra, vão morrer! - diz Neliah gritando para as Amazonas presas.
- Nossa Rainha irá nos libertar. - diz uma amazona ao fundo.
- Não se depender de mim! - diz a mulher enraivecida, dando um tapa no rosto da Amazona.
Neliah vai até Gabrielle e a solta, esta ainda estava sob o efeito da droga colocada na comida, mas se colocava em uma postura de alerta.
- Haverá a luta, mas eu vencerei de qualquer jeito.
Ela é jogada no ringue, enquanto Neliah entra com pose de vencedora.
- Escolha sua arma, projeto de gente!
Gabrielle sente tanta raiva que por um segundo se sentiu lúcida, espera continuar assim ao decorrer da luta. Ela escolheu o cajado, enquanto Neliah, escolheu os “cassetetes”.
A luta começa, elas caminham pelo ringue observando cada movimento feito, Gabrielle cambaleia, não consegue manter os olhos totalmente abertos. ”Por Zeus, eu vou fazer essa mulher engolir cada gota desse veneno” Pensa Gabrielle, ao receber o ataque.
Ela se joga no chão do ringue, dando uma cambalhota se desviando do ataque, ao se erguer ela da golpes com o cajado nas costelas da mulher, e em seguida da um no rosto. A Amazona cambaleia para trás.
- É confesso que a subestimei... Mas não acontecerá novamente!
Ela começa a girar as duas armas, fazendo-as uivar ao vento. A poetisa a ataca, gira o cajado para acertar-lhe as pernas, mas é impedida, por um dos cassetetes, o outro rapidamente atinge-lhe a cabeça. Gabrielle que já estava zonza cai ao chão.
Xena que via tudo de longe, está agoniada, odiava se sentir impotente, gostava de ter o controle da situação, mas naquele momento... Não tinha nenhum.
- Vêem como sua rainha é fraca, ela não consegue nem ficar de pé! Eu sou a mais forte, a mais ágil, eu sou a melhor!
Gaby se levanta aproveitando a distração de Neliah, a derruba com o cajado. Estava muito lenta, não conseguia coordenar seus golpes e Neliah se aproveitava disso. Esta da um salto e se erguendo novamente, corre ate a poetisa e com os “cassetetes” lhe bate várias vezes na barriga. Gaby cospe sangue, não agüentava mais lutar, seu corpo estava pesado, sem coordenação, sem agilidade, ela cai e não se levanta.
Xena sai em disparada, mesmo estando com os braços amarrados e sem nenhum equilíbrio, ela cai e levanta varias vezes.
- Gabrielle... Gabrielle... Não... Não pode ser!
Chegando até Gabrielle acaricia-lhe o rosto com o seu.
- Gaby, levanta... Você consegue!
- Xena... Meu corpo não me obedece, está lento e pesado, eu não consigo! - diz a poetisa em um balbuciar.
Vendo toda aquela cena, explodindo de raiva, Nahara consegue se soltar, as guardas vão ate ela, mas logo são interrompidas por dois chutes. Nahara não pensava em nada, mas ao ver os “cassetetes” com uma das amazonas, pára bruscamente, ela ergue uma sobrancelha, se abaixa para pegar as armas, dando leves tapinhas na dona das armas.
- Amor obrigada, não precisava me dar esse presentinho!
Sai correndo e se esgueirando pelas sombras, Xena a nota, mas fica quieta, Nahara vai na direção das amazonas presas.
- Tudo vai se resolver amor, pode esperar. - diz a guerreira ao ser retirada por Neliah.
- Você vai se arrepender de tudo que esta fazendo! - continua Xena
- To pagando pra ver! - diz Neliah rindo.
- Ah e como você irá pagar! Diz em um rosnado.
Xena é colocada junto a outras amazonas.
Nahara se esgueirando entre as amazonas, solta aquelas que estão nas sombras, pra que não seja notada as ausências, pede para que as outras façam silencio, ela também pede que estas ao seu comando fechem todas as saídas com fogo. “Vou fazer festa no inferno!” Pensa Nahara ao ver Gaby sendo arrastada para fora do ringue.
Uma das amazonas avisa da fuga de Nahara, Neliah ri. “A hora chegou!” Diz em pensamento.
- Apareça nahara, chegou a nossa vez!
Nahara se levanta, cheia de confiança, com passadas fortes, vai ate o ringue, ela a olha diretamente nos olhos, não desvia em nenhum momento, mas se lembra do que Xena lhe havia dito “sem medo não há coragem” se agarrando a esse pensamento, ela sobe no ringue.
- Vejo que você já tem suas armas! Diz Neliah.
- Sério... Não havia notado! Foi cortesia de uma das suas garotas, linda ela, mas agora acho que não está mais! - diz com um sorriso no rosto.
Uma das amazonas que foi solta por Nahara, se aproxima de Xena, começa-lhe a soltar as amarras.
Neliah começa a rodear Nahara, a observa, não consegue entender como ela pode ter as almas de Gabrielle e Xena. Afastando esse pensamento ela a ataca. Os barulhos de ferro se batendo pode ser ouvido por metros, Nahara defende de todos os golpes deferidos. Elas se afastam e ambas se posicionam em defesa.
- É... Luta bem... Pena que vai morrer! - diz atacando novamente.
Em uma cambalhota a garota se desvia e estando ao chão, ela vira a parte de punho do “cassetete” e utiliza como alavanca para puxar a perna da amazona, mas esta nota o que seria feito e pula. Elas param e se olham novamente.
– É você é boa também! - diz Nahara.
Quem ataca dessa vez é Nahara, ela corre e com os dois pés atinge a barriga da amazona, esta voa e bate nas cordas do ringue caindo, fica irada enquanto Nahara gargalha dizendo:
- Nossa é assim que quer que eu morra?!
- Vai se arrepender!
Ela corre em direção a Nahara girando suas armas, chegando bem próxima ela da um salto e ao cair, com um dos lados do Cassetete lhe bate no topo da cabeça ao terminar de pousar com o outro cassetete lhe atinge as costelas. Nahara fica zonza, ela cambaleia com as mãos na cabeça, mas anda em direção a Neliah. Posiciona o cassetete em sua parte mais longa, a atinge nas pernas com uma velocidade tamanha, não se conformando ela começa a atingi-la nas costelas com toda a força. Estava cansada de jogos e com muita raiva. Aparentemente os golpes tem seu efeito, Neliah cai colocando suas mãos na cintura. A garota se aproveita e tenta pisá-la, mas esta rola ao chão do ringue.
Xena já havia se soltado, estava dando água a Gabrielle, que estava muito preocupada com a luta. Após beber um pouco da água, Xena se sente disposta, certificando-se de que sua barda estivesse bem, ela começa a organizar as guerreiras que estavam soltas, para atacar as que apoiavam Neliah. Assim como havia dito no meio da luta Nahara faz um sinal quase imperceptível, vendo isso as Guerreiras colocam fogo nas saídas e essa é a deixa para que Xena, junto com Gabrielle lute contra as outras.
A visão do território amazona, parece um verdadeiro inferno, lutas são travadas, Gabrielle que na medida do possível já se sentia melhor, lutava com três guerreiras. Xena em seu grito de Guerra desafiava todas que chegavam perto, mas estava louca para chegar a Neliah.
Ela tentava abrir caminho, mas as amazonas voavam nela como bacantes sedentas por sangue.
Nahara já estava começando a ficar mal na luta, cambaleava, mas se mantinha de pé, batia, surrava, caia e levantava. A luta sai do ringue e começa a ser travada na terra, que já estava vermelha de sangue, uma guerra entre amazonas divididas em opinião e atos.
Gabrielle recebe de umas das amazonas, que a apoiava, suas armas e as de Xena.
- Xena!!! - grita a barda se aproximando e lhe entregando as armas.
- Agora que a festa começa! - diz em um enorme sorriso, olhando para Neliah.
A Princesa Guerreira se desvencilha das amazonas e entra na luta com Nahara, agora era duas contra uma.
- Será que eu posso entrar no joguinho! - diz girando habilmente sua espada.A garota sorri, ela que já estava cansada, se enche de confiança. Fazendo uma reverência, ela assente.
As amazonas que apoiavam Neliah, já estavam praticamente dominadas. Gabrielle afunda um dos sais na perna de uma delas e girando rapidamente, atira o outro na barriga de uma outra que estava prestes a atacá-la.
- É... Já estou me sentindo ótima! - diz correndo em direção ao trio de lutadoras.
A luta já corria em seu auge, tanto a garota quanto Xena, atacavam simultaneamente. Em um golpe dado pela Guerreira, a amazona vai ao chão, se aproveitando, ela pega uma espada, em um salto ela levanta e ataca Nahara, que no susto consegue se defender.
- Amor vem brincar comigo... Eu disse que iria pagar! - diz A Princesa Guerreira que a ataca, lhe dá um soco com o cabo da espada e rapidamente, gira abaixando-se, dando uma banda na amazona.
Ao tentar se erguer, ela se coloca em uma base de joelhos, um estava ao chão e o outro servindo de alavanca para se levantar, Nahara aproveita, corre, pisa no joelho que estava de apoio, fazendo-a dar um salto para cima, ao cair, bate com o cabo do “cassetete” no topo da cabeça da amazona, esta cai ao chão na hora.
- Adorei isso! - diz a garota ao ver a amazona no chão. - É ruim quando é feito com a gente né?!
Gabrielle chega até elas, na verdade, ela poderia ter chegado antes, mais ficou observando, vendo que não era necessária ali naquele momento.
- Vejo que não precisaram de mim!
- Nós precisamos sempre de você! - diz a guerreira a envolvendo em um abraço.
- É ótimo saber disso! - diz em um sorriso, que logo se perde ao ver a devastação que o território amazona ficou. - Custava usar o método de votação, meu Zeus! - diz baixo.
A guerreira e a barda começam a sair do local da luta, Nahara ainda fica parada observando Neliah caída, mas depois resolve seguir as guerreiras.
A amazona se ergue, com uma enorme pedra em punho, concentrando toda sua força restante, e a joga. A pedra acerta em cheio Nahara que cai no chão, completamente atordoada.
O sangue escorria da cabeça da menina, Gabrielle a socorria enquanto a luta entre Xena e Neliah retornava a toda. A guerreira estava com raiva, achou uma tremenda covardia à amazona atacar Nahara pelas costas, os sons das espadas eram fortes, em seus encontros saiam faíscas, diante da força utilizada.
- Ela não vai viver! - diz a amazona apontando para a garota.
- Isso é o que veremos!
Nahara começa a sofrer pequenos espasmos musculares e mentais, começa a lembrar de onde conhece, A Poetisa e a Princesa Guerreira, lembra-se de vê-las na TV, de quando era criança e tentava imitar os golpes, de como passava horas assistindo a série e repetindo as falas, imagens e imagens vinham a sua mente, não conseguia controlá-las, lembra-se de conversas que tinha com amigas na Internet e que o assunto predileto eram as Guerreiras.
Ela começa a ordenar a mente, só não conseguia entender como foi parar ali, lembra-se do que a senhora falava, que ela era a união das almas de Xena e Gaby, mas que a união era a evolução.
Gabrielle rasgara uma parte de sua saia e pressionava o ferimento, observava Nahara ficar calma a cada instante, até abrir os olhos, apesar de estar de noite, quase amanhecendo, Gaby vê o tom de anil que se forma naquele olhar. Nahara levanta devagar.
- Eu sei quem é você, de onde a conheço! Pelo menos a sua historia eu conheço.
Xena aplica o golpe de pressão em Neliah, e esboça no olhar a mínima vontade que tem de desfazê-lo. Ela ergue a sobrancelha enquanto vê Neliah ofegar por ar, seu nariz começa a sangrar.
- Eu disse que iria pagar!
- Xena... Xena - diz Gaby atordoada.
- Que é? - diz a guerreira sem tirar os olhos de Neliah
- Desfaça o golpe!
- Não sei se quero isso não! - diz entre os dentes.
- Xena... Desfaça!
- Ela queria pagar pra ver... Então só estou dando o troco!
Gaby se levanta vai até Neliah e desfaz o golpe.
- Nossa você ta ficando tão abusada! - diz Xena se virando e andando.
Alcançando Xena.
– Xena... Ela se lembrou!
- Ela quem... Ah ta... Ela te disse de onde era?!
- Não ainda... Você sabe de algo?
- Só o que eu ouvi, vamos, vamos sair daqui!
Elas estavam indo em direção a Nahara, quando esta pega um dos sais de Gabrielle. Ela aponta e atira, acerta bem na coxa de Neliah, que estava prestes a atacar novamente, esta cai ao chão.
- Nossa ela não se cansa não é? - diz Xena em um rosnado.
Nahara vai até Neliah, no caminho ela pega uma espada, anda girando-a em oito.
- Xena, o que ela vai fazer? - diz Gaby observando.
Ela se preparava para segurar Nahara, quando sente a mão de Xena segurando-a.
- Olha! - diz a guerreira.
Nahara gira a espada mais rápido. Neliah estava ao chão, estava com os olhos fechados esperando o golpe final. Nahara Grita em toda sua raiva e crava a espada.
A espada fica a poucos milímetros do pescoço de Neliah.
- Submeta-se a mim!... - Grita ainda mais forte: - Submeta-se a mim!...- Seu castigo, é ficar viva e ser submissa àquelas que tentou massacrar.
Se vira e vai embora.
- Amazonas! Prendam-na e providenciem que ela não veja o sol por muito tempo! - diz Gabrielle.
A resposta de várias amazonas:
- Sim minha rainha!
O território começa a ser reconstruído, tudo corre bem. As Guerreiras se despedem e vão em direção ao poente.
Nahara ficou calada durante todo o caminho, claramente estava pensando em algo. Gaby preferiu não interromper. Elas chegam próximas a um rio, já era noite e resolvem acampar.
- Vou dar uma volta, daqui a pouco eu volto, talvez consiga trazer algo para jantar! - diz Nahara em um meio sorriso, se virando.
- Xena... Sei que você já me disse o que ouviu, eu não consigo acreditar, mas... Ela realmente, tem muito de nós. - diz Gaby andando de um lado a outro.
- Só não sei de uma coisa e isso me deixa realmente intrigada. - Fala coçando o queixo e gesticulando. - Como que uma pessoa no futuro, pode vir para o passado?!
De repente, faíscas rosa começam a surgir no ar e um “puff” é ouvido.
- Olá docinho e gata de couro! Isso eu posso responder!- diz um ser em um alto tom de rosa.
- Sabia que tinha dedo de um Deus nisso... Ou melhor, uma Deusa! - diz Xena em um alto rosnado. – Por que Afrodite, por quê?
- Eu ouvi Gaby dizer que queria algo diferente em suas vidas, então eu pensei, que tal uma filha?! Porque é isso praticamente que ela é, já que ela tem uma parte sua. - diz apontando para Gaby. - E sua! - Apontando para Xena. – Tadinha dela! - diz colocando as mãos nos quadris. – Quanto conflito interno ela deve ter?! - diz em alto pensamento.
- Eu não acredito nisso! - diz Xena.
- Pode acreditar é verdade e tudo isso faz parte de um ciclo que ela tem que cumprir e blá blá blá! É a evolução e união de suas almas em amor, harmonia entre luz e escuridão! Gente como ela vai sofrer! - diz a Deusa em alto pensamento novamente.
Gabrielle se sentara numa pedra ao ouvir a palavra filha, elevava suas mãos ao rosto, na tentativa de absorver as explicações da Deusa do amor.
Indo até Gabrielle:
- Não gostou da surpresa Gaby?! - questiona a Deusa.
- Eu acho que ... Adorei!
- Espera... O que ela tem que aprender aqui?! - pergunta a guerreira.
- Não sei... Está fora da minha jurisdição de Deusa! Só consegui trazê-la aqui, por que é de interesse do Deus que “eles” veneram!
Virando para Xena:
- Se duvida, joga o seu chakram nela, com certeza ela irá pegar sem problemas. Ela acha que as conhece por causa de uma coisa chamada série do mundo em que ela vivia, mas na verdade ela as conhece, porque ela é vocês! A propósito, as mulheres que colocaram para contar a história de vocês eram lindas, mas não tão linda quanto quem fazia A Deusa do Amor. - diz a Deusa desaparecendo. - Tchauzinho!
Nahara volta, ouvira tudo que a Deusa falara, estava parada atrás de uns arbustos, havia um conflito de pensamentos e sentimentos. Ela sai de trás dos arbustos com um grande coelho.
Gabrielle corre e a abraça. Se afasta e observa os detalhes do rosto da menina, tentando identificar a quem ela mais “puxou”.
Nahara retribui o abraço e olha para Xena que se mantinha a distancia. - Sei o que está pensando! - diz a garota fitando-a.
Antes de responder Xena joga o chakram.
- Xena não! - grita Gaby desesperada.
Com um jeito desajeitado a menina consegue pegar o chakram, ela o olha com surpresa, realmente não esperava conseguir pegar. A guerreira se aproxima e pega o chakram de volta, pega o coelho que estava ao chão.
- Vou preparar o jantar! - diz se virando e sentando em uma pedra.
- Acho que ela não gostou de saber, que sou parte dela e sua!
- Não se preocupa.... Ela sempre age assim com os filhos! - diz Gaby em um sorriso. Estava gostando dessa idéia, principalmente porque não teve que engravidar e ficar enjoada.
- Gaby, eu não sou sua filha!
- Que é um filho?! É uma união de dois seres não é?! Que resulta em uma pessoa que possui as características desses dois seres. Você tem as nossas características, então é nossa filha!
O jantar estava pronto e todas se alimentavam. Xena e Nahara não trocavam olhares e nem palavras. A noite segue assim até a hora de dormir. Nahara foi se deitar em um lado mais afastado da clareira, se afastou para dar “privacidade” as guerreiras.
Xena e Gaby estão deitadas lado a lado!
- Xena você tem que falar com ela. - diz a barda se apoiando em seus cotovelos.
- Gaby todas as nossas histórias com filhos não terminaram bem, Esperança, Solan, Eve, você sabe!
- O melhor disso tudo, é que ela não é nossa filha Xena, mas eu a considero como tal, ela não é uma criança, tem opinião e as impõem, não teremos tanto trabalho! - diz em um sorriso.
A guerreira se vira e toca o rosto de Gaby.
– Realmente está adorando essa idéia né?
Em um largo sorriso.
– Estou! Xena tudo foi diferente, as coisas não ficaram ao redor de nós somente, aconteceram por ela, um dia apenas foi diferente, por um lado isso foi bom, mas também é ruim, mas fazer o que é o Destino.
- O Destino quem faz somos nós!
- Mas nesse caso teve um dedo de uma Deusa!
Gaby ri e com isso contagia Xena. Afrodite sempre aprontava no intuito de ajudar Gabrielle, mas sempre dava errado, pelo menos dessa vez, foi um erro muito agradável.
O dia chega. O sol já brilhava alto no céu, quando todas acordam, muitas emoções vividas em uma questão de dias e isso as deixaram cansadas. Gaby e Nahara, tomam café enquanto Xena tomava seu banho matinal, aproveitava esse tempo para relaxar, já que toda vez que terminava, tinha um bandido para surrar. Assim que a Guerreira termina seu banho e se veste, a garota passa por ela correndo e pulando no rio com roupa e tudo. Xena a olha com uma das sobrancelhas altamente erguida, esboça um pequeno sorriso e se vira para ir de encontro a Gabrielle.
- Ela tem o seu senso de humor! - diz A Princesa Guerreira secando os cabelos ao se sentar.
A barda se levanta, caminha vagarosamente e sensual, se senta no colo de sua Guerreira, acariciando-lhe o rosto com as costas da mão, a fita diretamente nos olhos.
- Ela tem o seu olhar na luta! Mas o que eu realmente quero agora é saber quando é que eu vou ter o meu banho quente, em uma boa estalagem e você providenciando que tudo seja relaxante?!
Sentindo a pele macia das pernas de sua barda, sem tirar os olhos da imensidão verde que eram aqueles olhos.
- Estaremos na próxima cidade em algumas horas, no máximo ao anoitecer... Eu disse que iria ter uma noite de rainha e terá, é só esperar.
A barda aproxima seu rosto do pescoço de Xena, respira profundamente, pára observa a reação de sua guerreira, que é um arrepio. Gabrielle sabia muito bem como mexer com Xena, sabia deixá-la “a ponto-de-bala”. A guerreira que mantinha suas mãos nas pernas de Gaby, começa a deslizá-la sobre a pele subindo e descendo. A barda continua com o “joguinho”, com a língua, ela percorre toda a extensão do pescoço, chegando até o ouvido, ela morde a pontinha da orelha e com a voz sensual.
– A noite promete! - Diz Gaby se levantando e rindo do olhar de Xena que diz muito “quero mais!”.
A guerreira se levanta e a segue, a agarra por trás envolvendo-a pela cintura fortemente, beijando-a no pescoço.
– Assim espero!
Nahara começa a se perguntar o que ela realmente é, se suas atitudes eram por ser ela ou parte das duas guerreiras, estava extremamente confusa, mas ao mesmo tempo feliz, sabia que as amigas que tinha, no seu tempo, dariam tudo para estar no lugar dela, para estar ao lado das heroínas preferidas, se não as únicas. “A história da Princesa Guerreira ganhou o mundo”. Pensa ela. Ela termina o banho e volta ao acampamento.
- Preparada para continuarmos?! - pergunta a guerreira para as duas mulheres.
Gaby e Nahara se olham e juntas:
- Mas é lógico!!!
- Se lembrou do seu verdadeiro nome Nahara? - questiona Xena.
Nahara a olha, pensa, repensa e depois olha para Gabrielle que a fita com um olhar triste.
- Sim... Eu me lembro agora!
- E não vai nos dizer? - continua a questionar.
- Não... Não vou dizer... Apesar de ser do futuro, me parece que terei que ficar aqui por um bom tempo... Tenho alguém aqui... Que me quer como uma filha, então... Nada melhor do que utilizar o nome que ela me deu. - diz olhando para Gabrielle, que esboçava um olhar de emoção. A barda a abraça e deixa uma lágrima escorrer em seu rosto.
Xena e Nahara observando aquela cena:
- Gaby, por favor, não chora!
Gabrielle ri ao ver a preocupação das mulheres e o quanto são parecidas.
- Façamos uma coisa então... No dia em que tiver que ir, nos revele seu verdadeiro nome está bem?! - diz a barda secando as lagrimas.
- Direi... Eu direi. - diz caminhando passando a frente das duas mulheres.
As três mulheres estão paradas na frente da estalagem, como Xena havia dito, chegaram ao anoitecer. A estalagem era limpa, com boa comida e bons quartos, digamos que era luxuosa. Gabrielle olhava a estalagem com desejo, queria passar a noite ali, mas sabia que não teriam dinheiro nem por uma noite.
- Vamos há dois quartos nos esperando! - diz a guerreira encaminhando as mulheres.
Apontando para a estalagem com um olhar de interrogação enorme:
- Xena...Nós não temos dinheiro!
- Eu já te disse que tenho muitas habilidades não é?!
- Sim mas...
Antes que Gaby termine de falar, Xena a empurra levemente para que continue a andar. Ao entrarem um senhor com belas roupas, aparentava ser o dono do local, as recebe, claramente observando cada detalhe de Xena.
- Xena! - diz abrindo os abraços
- Olá... Como vai Áttilius?! - fala a guerreira recebendo o abraço do amigo.
Gabrielle e Nahara observam meio distante, Gaby não conhecia o homem, mas notava a intimidade com que ele tocava Xena e definitivamente não gostava.
- Pensei que havia desistido de minha estalagem, seu aviso chegou e você não! - reclama Áttilius.
- Houve uns pequenos problemas... hum... Será que você pode arranjar mais um quarto para mim?... Trouxe mais uma pessoa conosco!
- É claro que posso!
Xena o leva até as duas mulheres, Gabrielle demonstra claramente que não gostou do homem.
- Áttilius... Esta é Gabrielle e Nahara.
Eles se cumprimentam, mas então surge uma duvida no homem:
- Não acha melhor três quartos? - virando sua atenção a Xena.
Gaby olha diretamente para Xena com um olhar ”só quero ver agora?”. Ao perceber o olhar Xena ri levemente.
- Apenas dois e obrigada... Será que eles já estão disponíveis, nós precisamos relaxar.
- Já irei prepará-los, enquanto isso porque não se sirvam de nossa boa comida, será por conta da casa!
As mulheres se sentam numa mesa ao fundo, tendo toda a visão do local, uma “garçonete” lhes serve a bebida e comida.
- De onde o conhece Xena? Notei que ele tem uma certa intimidade com você! - questiona Gabrielle.
Xena que estava com comida na boca, da uma leve engasgada, Nahara percebe e ri.
- Eu o conheço de quando éramos adolescentes... Nós meio que... - a guerreira enche a boca de comida, claramente não querendo falar.
- Vocês meio que o que? - continua a questionar
Xena engole a comida, olha para Gabrielle:
- Nós meio que... namoramos, é isso... nós namoramos.
- Ah... Isso não da a ele o direito de te tocar e babar daquela forma!
Tocando-lhe os ombros:
- Isso foi há muito tempo Gaby, com certeza não tem mais importância agora!
Gabrielle a olha com desconfiança, que se perde ao ver claramente o olhar de total amor que lhe é dado.
Após terem terminado de jantar, Attilius aparece novamente.
- Os quartos já estão prontos, é só seguir as escadas e virar a direita é um ao lado do outro.
As mulheres se levantam e vão em direção aos seus quartos. Nahara entra tão rápido no quarto que nem vê Gabrielle lhe dando boa noite.
- Nossa ela está com pressa!
Xena apenas dá um leve sorriso:
- Hoje ninguém irá nos incomodar!
Gabrielle estava terminando seu banho enquanto estava sendo observada por Xena, que estava se secando e se preparava para passar o óleo de Afrodite. A guerreira se senta, Gaby vai ate ela e pega o frasco com o óleo, se afasta, pega uma cadeira que estava próxima a ela e apóia uma das pernas. Ela vira um pouco do conteúdo do frasco na mão e começa a espalhar pela pele, Xena se levanta.
- Deixe-me te ajudar! - diz a guerreira pegando o frasco de óleo e caminhando sensualmente para trás de sua barda, a envolvendo em um abraço pela cintura e a outra acariciando sua pele com o óleo. Xena passava o óleo na perna de Gaby de forma sensual, deixando que ela sentisse muito bem sua mão. A mão que estava na cintura de Gaby agora passeia naquele corpo que ardia em desejo. Com a outra mão Xena agora acaricia lentamente a parte interna da coxa de sua amada, beijava-lhe a nuca, dava leves mordidas.
- Deixa-me passar na outra perna. - diz a Guerreira.
Antes mesmo de esperar a aprovação de Gabrielle a vira de frente, lhe ergue a outra perna ate próximo à altura de sua cintura. Gaby estando bem à frente do colo de sua guerreira olha com desejo.
O desejo aumentava a cada instante para ambas as mulheres, este era como uma droga que as entorpecia, não havia mais nada alem delas, do Amor e paixão que sentiam naquele momento. Xena passava o óleo completamente consciente de seus movimentos, na intenção de excitar Gabrielle, levando sua mão até os quadris a trazia para mais perto a apertando contra si. A cada toque sentido era uma doce e excitante tortura. Gaby desprende a toalha que estava encobrindo a guerreira, deixa suas mãos passearem naquele corpo que tanto deseja, passeiam por toda a extensão das costas, acariciando sensualmente, chegando até a altura da nuca. Xena esboça um sorriso maroto e sensual ao ver que suas caricias tem o efeito desejado, leva seus lábios ao de sua poetisa, que os toma como se estivesse com sede, tamanho é o desejo. Gaby estremece ao sentir o toque da língua de sua guerreira que brincava com a sua. A barda por sua vez não ficava atrás ao notar a brincadeira de Xena, que prolongava aquele momento, mordia-lhe levemente o lábio inferior, passava sedutoramente a língua entre os lábios de sua princesa, novamente leva sua atenção ao lábio inferior e o suga, deixando-o vermelho. Ao se afastar, olha sensualmente nos olhos de sua amada e coloca um sorriso nos lábios, daqueles que de tão sensual, leva a loucura. O semblante angelical da barda dava lugar a mulher sensual, que desejava, que seduzia e amava ser seduzida por sua única e principal vitima, ver aquela guerreira forte, tocando-lhe não só seu corpo, mas também sua alma. Era mais do que afrodisíaco.
Sentindo um completo desejo, enquanto se perdia ao beijar os seios rijos de sua guerreira, de forma inconsciente ia levando-a em direção a cama. Gaby olha nos olhos de sua Princesa, com um olhar muito malicioso, Xena nota e adora a forma safada e sedutora de sua barda. A guerreira é derrubada na cama, de forma agressiva, a barda “monta” na guerreira e começa um rebolado sensual acima de sua parte intima. As mãos da guerreira que pousavam na cintura da barda começam a se aventurar pelas curvas, subia acariciando a barriga ate chegar aos seios pelos quais os toma, Xena se ergue e leva seus lábios, queria sentir a pele de sua amada, beija, passa a língua ao redor do mamilo, suga, brinca de varias formas com um dos seios e com a outra mão vai posicionando nas costas de Gaby, vendo que sua barda estava distraída pelo prazer, Xena a vira na cama e se posiciona entre as pernas dela.
- Gaby... eu quero você... Eu te amo tanto!
Xena toma os lábios de sua barda, enquanto sua mão percorre todo um caminho, ela desce sua mão ate a coxa da barda, chegando, aperta com vontade, sobe sua mão ate o seio, enquanto desce em meio beijos com os lábios entre abertos, às vezes passando a língua até o umbigo, enquanto massageava o seio de Gaby, passava a língua em volta do umbigo.
- Xena...
Só isso que Gaby consegue pronunciar, o nome de sua amada guerreira que a deixava no auge de sua excitação.
A guerreira vê isso como um pedido, que prontamente atende, ela leva seus lábios até o sexo de sua mulher, passa a língua delicadamente provocando em gaby um suspiro que ela não consegue conter, Xena beija e brinca da mesma forma com a qual beijava a boca de Gaby.
Vendo que sua barda estava praticamente em seu auge, volta a lhe beijar os lábios enquanto sua mão desce para o local que antes era tomado por sua boca, lhe beija de forma sensual, ardente, com todo fogo que estava sentindo. A guerreira invade a poetisa, que estremece ao sentir a movimentação de sua princesa, seu corpo responde inconsciente a cada movimento e toque daquela mulher. O pequeno corpo que ardia em fogo tem seu desejo saciado ao se contorcer com a chegada do orgasmo.
Ambas as mulheres descansam uma ao lado da outra, respirando ofegantemente.
- Desta vez ninguém nos interrompeu! - diz Gaby em um sorriso, depois de beijar levemente os lábios da guerreira.
Em um meio sorriso:
- Ai daquele...Ou daquela que viesse aqui!
As duas mulheres riem, mas logo surge um olhar que faz Xena parar de rir lentamente ao perceber do que se trata. Gaby mostra um sorriso maléfico e sensual, enquanto sua mão passeia pelo corpo da guerreira...
Olhando nos olhos de sua barda que agora ardia de desejo em possuí-la.
- Você é insaciável!
Balançando a cabeça em assentimento.
- Muito insaciável...
E toma-lhe os lábios de sua grande guerreira...
Nahara já estava em uma mesa, mas no canto tomando seu café da manhã, pensamentos lhe invadiam a mente cheia de questões que não sabia como responder. “Quem eu sou? Eu ajo por mim ou por elas? Eu sou eu ou elas?”
Deixa seu pensamento esvair-se ao notar a presença das guerreiras lhe observando.
- Que foi? Eu num fiz nada! - diz a menina assustada.
Gabrielle se senta a mesa ao lado da menina enquanto Xena chama a “garçonete”.
Nahara olha para o semblante relaxado de Gaby e não resisti a um pequeno e atrevido comentário.
- Eh.... Vejo que a noite foi boa! E coloca-se a rir.
Gabrielle cora e quase se engasga com o vinho que tinha acabado de beber, Xena ouve o comentário e ri levemente.
-Eh ... foi ótima... ninguém nos atrapalhou! - Disse a guerreira olhando diretamente nos olhos de Nahara ao se sentar, esta abaixa a cabeça envergonhada ao lembrar-se do que ela se referia.
As três mulheres tomam o café em harmonia. Se despedem de Áttilius e seguem em sua jornada.
-Xena pra onde vamos? - Pergunta Nahara curiosa.
Virando sua atenção a Gabrielle Xena pergunta:
- Algum lugar que lhe interesse?
Esta pensa um pouco:
- Hum... que tal Amphipolis?!
- Porque Amphipolis? - perguntam as duas outras mulheres.
Gabrielle enlaça Nahara pelos ombros com um pouco de dificuldade já que esta era um pouco mais alta:
- Acho que você merece conhecer uma de suas avós!
Xena ri.
Na taberna - Estalagem de Cyrene...
Espantada após ouvir as explicações de Gabrielle e Xena:
- Então... Ela é minha neta?!
- Praticamente sim mãe!
- Como praticamente?... É lógico que é.... ela tem a sua cara!
Tanto Xena quanto Nahara em uníssono:
- Eu não acho!
- Eu disse que elas são parecidas em tudo, até nas discordâncias e elas não acreditam! - diz a poetisa em meio riso.
Cyrene vai até a Nahara que a olha assustada, eleva suas mãos e aperta com força as bochechas da menina, que como reação fala bem alto:
- Ninguém merece!!!
Todas riem...
O dia seguiu agradavelmente, bem como a semana, ate que um guerreiro com seu exercito resolve invadir a aldeia. As pessoas corriam enquanto três mulheres ficavam paradas a frente do tal guerreiro.
- Acho melhor vocês saírem da minha frente, principalmente essas duas crianças! - diz o guerreiro se referindo ao tamanho de Gabrielle e a idade aparente de Nahara.
Xena ri e segura os ombros das duas mulheres que já estavam exaltadas para atacar.
- Amigo... Você mexeu com as mulheres erradas! - diz soltando-as.
As duas mulheres trocam olhar de cumplicidade e vão ao ataque, enquanto uma girava os sais nas mãos a outra fazia as armas conquistadas na luta contra Neliah uivar ao vento, assustando alguns guerreiros.
Xena observa toda a luta que se inicia, a movimentação de Gabrielle, a de Nahara, o semblante orgulhoso surge junto a um sorriso, é esse o sentimento que ela se encontrava naquele momento de total orgulho.
Com um meio sorriso nos lábios:
- Essas são as minhas garotas!!!
Continua...