O pôr do sol no Egito
Sarah Ishtar
DISCLAIMER
Os personagens de Xena, Gabrielle e os demais que aparecem nessa estória, são marcas registradas da MCA/Universal e Renaissance. Eles são usados sem a intenção de lucro ou de infringir as leis de copyright. O resto da estória foi elaborado por Sarah Ishtar (JS) e, nenhum aspecto original deste fan fiction poderá ser utilizado em outro lugar sem prévio consentimento, por escrito, da autora. Esse texto não poderá ser alterado e esta informação sobre direitos autorais deve sempre aparecer com o mesmo. A estória a seguir contém temas adultos, insinuando relações entre duas mulheres adultas. Se você for menor de 18 anos, ou onde mora é proibido ler esse tipo de material, por favor, não continue. A escritora e a pessoa que mantém o website onde esse trabalho aparece não aceitam a responsabilidade legal pelo não cumprimento desse alerta.
NOTA DA AUTORAEsse texto foi redigido em 2001 e passou por uma revisão antes de ser publicado nesse site.
Após a leitura do texto “Um Lugar Especial”, sendo Ferdi a autora, comecei a questionar QUANDO Gabrielle e Xena se tornaram mais que amigas. Acredito que o relacionamento entre as duas possui um envolvimento sexual e amoroso. Baseando-me nesse tema, comecei a fazer algumas reflexões e análises dos episódios. Há várias possibilidades, aqui nesse fan fiction está uma que achei plausível, respeitando a seqüência do seriado.
Outro ponto de esclarecimento diz respeito ao tempo cronológico do seriado. Fundamentei-me principalmente na primeira e segunda temporada para mostrar quando o relacionamento entre as protagonistas começou. Contudo, utilizei também a quinta temporada na elaboração desse texto, baseando-me no episódio “Antony & Cleópatra”, como ponto de partida para tratar do tema em questão.
No final da fan fiction há duas seções chamadas “Agradecimentos e Declaração de Morte”. Foi uma maneira que encontrei para agradecer e satirizar as pessoas ou situações que atrapalharam ou me ajudaram na elaboração do meu texto.OBS: Qualquer dúvida, comentário, crítica construtiva e sugestão, mande um e-mail para a autora: sarah.ishtar@bol.com.br
Espero que vocês gostem dessa estória e desejo uma boa leitura.
Um grande abraço, paz e felicidade.Sarah Ishtar
Capítulo 1
Xena se encontra deitada de lado, na enorme cama cheia de almofadas em um dos aposentos do palácio de Cleópatra. Ela usa uma veste egípcia, por ser mais confortável, ao invés da sua tradicional roupa. O quarto é imenso, com vários móveis e esculturas de deuses egípcios, além de ser bem arejado e muito confortável. Nesse aposento, a guerreira olha fixamente para a parede que contém diversos desenhos contando a história daquele império. Contudo, Xena não possui nenhum interesse nos traçados e nos seus significados, porque seus pensamentos estão em sua doce e amada poetiza.A princesa precisa entender seus próprios anseios, pior, tentar explicar para Gabrielle o que ela não consegue explicar para si mesma. Por causa disso, decidiu permanecer mais um dia no Egito; para refletir; mesmo morrendo de saudades de sua filhinha, que deixou em Alexandria com sua mãe.
A guerreira tenta imaginar onde a Gabrielle está, porque desde que se despediu de Otávio pela manhã não encontrou mais com sua barda. Gabrielle é uma pessoa muito sensível e está sofrendo com essa situação, e Xena sabe disso, por isso a princesa também sofre, uma vez que magoou a pessoa que mais ama nesse mundo. Mas, conhecendo-a do jeito que conhecia, Xena prevê que mais cedo ou mais tarde Gabrielle aparecerá para conversarem, querendo respostas, e esse era seu medo, já que como explicará para sua amada aquilo que não tem explicação?
Como essa expectativa aflige Xena! Mas não é só isso, os últimos acontecimentos transtornaram por demais a princesa guerreira. A perseguição dos deuses, a morte de sua amiga Cleópatra, a batalha naval provocada por ela na voz do Nilo. Porém, apesar de tudo, o que realmente a perturba são os seus sentimentos confusos. O problema é que Xena teme que a Gabrielle não entenda os conflitos pelo qual está passando: ama sua poetiza, mas sentiu desejos por outros... Pelo deus da guerra... Pelo romano...
Enfim, a rainha amazonas deixou passar em branco o joguinho com Ares em Amphipolis. Tentou até esconder seu despeito, mas Xena conhece Gabrielle, sabe que esse sentimento está corroendo-a por dentro. A princesa também possui o conhecimento que desta vez Gabrielle não irá ignorar seus ciúmes e, que mais cedo ou mais tarde, ela aparecerá para perguntar sobre o que realmente aconteceu entre Xena e Marco Antônio, e disso, a guerreira não tinha como escapar ou negar. Logo, esse é o motivo das duas estarem separadas, visto que, precisam cada uma pensar como enfrentarão esses dilemas: como Gabrielle controlará seus ciúmes? E como Xena controlará seus desejos? E se fosse o inverso?
Tantas são as questões que afligem a alma da princesa guerreira e tamanha é sua angustia, que por fim, a impaciência a fez levantar da cama. Dirige-se para a janela, para tentar suportar sua dor e clarear suas idéias. Respira fundo ao olhar o pôr do sol. Lembra das palavras de Marco Antônio: “Você conquistou minha confiança... Meu amor... E depois me traiu... Eu te amava”. Depois surgem as palavras de Gabrielle: “Cuidado! Ele é seu tipo!” Por conseguinte, Xena se interroga. “Como pude sentir algo pelo romano?... A Gabrielle me avisou, mesmo assim desejei esse homem... Por que esse sentimento me abalou?... A idéia de ver um homem tão poderoso apaixonado pela minha pessoa me comoveu tanto assim? Por quê?... A quem estou enganando... Ele não me amava; amava Cleópatra... Minha amiga, morta por causa da ganância de terceiros... COMO PUDE ME ENVOLVER TANTO... COMO PUDE MAGOAR A GABBY...”. Xena dirige novamente seu olhar para o pôr do sol, talvez lá encontrasse suas respostas. Entretanto, ela ainda não havia parado para reparar como é magnífico aquele alaranjado, quase vermelho que está escondendo-se atrás das pirâmides, como se fosse o próprio olho de Ísis, olhando seus domínios antes do cair da noite... Xena sussurra: Gabrielle, onde você está?... Por favor, me perdoe... Como eu queria que você estivesse aqui comigo!
Várias recordações e reflexões inundam a mente de Xena...
“Como o tempo passa rápido. Parece que foi ontem... Aquela loirinha parada na minha frente, implorando para me acompanhar...”. Um sorriso aparece nos lábios da princesa... “Querendo aventuras, conhecer lugares, ajudar as pessoas... Ser minha amiga...”.
Gabrielle: “Tem que me levar com você e me ensinar tudo que sabe!... Não pode me deixar aqui...”.Relembra Xena”
“No início, senti uma grande admiração por aquela criança. Sua meiguice, sua companhia, sua inocência... Sua pureza... Sua cumplicidade... Seu amor... Uma vez ou outra, era um pouco infantil... Mas ninguém é perfeito... Entretanto, Gabrielle me mostrou que o verdadeiro poder provém do amor... Já com relação à infantilidade... Gabby passou dessa fase. Tornou-se uma mulher madura, mas sem perder sua meiguice e senso de humor, apesar de todo sofrimento que passamos juntas... Pelos deuses eu morreria por ela...”.
A amizade da princesa guerreira foi se transformando em amor através da convivência. No início, ela lutou contra esse sentimento, pois não sabia como Gabrielle reagiria se soubesse, por causa da sua inocência e inexperiência, portanto, Xena preferiu sofrer por um amor platônico, ao invés de se declarar para a poetiza, assim não correria o risco de perde-la.
“Como sofri... Quantas vezes eu lutei contra o impulso de poder acariciar aquele rosto... Beijar aqueles lábios... Tocar aquele corpo...”.
Quando a guerreira bateu na barda em um ataque de raiva, provocado por Ares, Gabrielle a perdoou. Aqui foi o início se um sentimento puro que a princesa nutriria pela poetiza por toda sua vida. Contudo, Xena era emotiva, não conseguindo esconder seus ciúmes se alguém se aproximasse de sua amada. Aconteceu isso quando Xena se deparou com uma cena que a marcou por muito tempo. Ela encontrou sua barda deitada com um jovem chamado Philius, em uma aventura na qual lutou contra os titãs libertados por Gabrielle. A idéia de vê-la nos braços de outro fervia seu sangue. Tentou fugir de seus anseios nos braços de Hércules, achando que voltando para um amor antigo pudesse esquecer esse amor que estava florando em sua alma, mas foi impossível, visto que sua amada ficou nos braços de Iolaus.
“Que tolice... Tentar esquecer minha alma gêmea nos braços de outro... Não é somente a Gabrielle que sente ciúmes por aqui. Quantas vezes já não senti vontade de acabar com algumas pessoas que chegavam perto dela. Até com o meu ex-noivo Petracles. É verdade que ele era um mentiroso, mas no fundo era uma boa pessoa. O que teria acontecido se eu tivesse me casado com ele?... Bom é melhor nem pensar nisso”.
O tempo passava e Xena se apaixonava cada vez mais. Sofreu ao ver a forte atração que Gabrielle sentiu pelo jovem Talus. No entanto, quando salvou Celesta do rei Sisyphus, Gabrielle descobriu que Talus estava muito doente, ficando desesperada. A guerreira se entristeceu ao ver a amiga perder alguém querido. Mesmo a amando, preferiria ver sua barda nos braços de outro e feliz, ao invés de presenciar seu sofrimento. Porém, no momento que o jovem foi levado pela morte, a poetiza procurou consolo abraçando Xena que ficou um pouco sem jeito e surpresa. Mas por fim, considerou aquela atitude de Gabrielle como um presente dos deuses, por poder toca-la e protege-la, mesmo naquela situação.
“Que sensação maravilhosa... Fiquei totalmente desconcertada... Eu sei que Gabby estava sofrendo... Preferiria morrer a presenciar isso... Mas foi impossível evitar minhas emoções e meus pensamentos... Tentei controla-los, pelo menos para que Gabrielle não percebesse... Foi quase impossível...”.
Como Gabrielle estava profundamente amargurada pela morte de Talus, Xena aceitou o convite da rainha Merope de passar aquela noite no castelo do falecido rei Sisyphus, pois a rainha, mesmo com a morte de seu bom rei, entendeu que a hora de Sisyphus havia chegado e que ele agiu mal ao prender Celesta. Por isso, queria mostrar seu arrependimento, por ter ajudado seu marido nessa insana atitude de ter aprisionado a morte, e já que a guerreira não aceitava recompensa, o mínimo que Merope podia fazer era oferecer uma confortável cama, para que a jovem poetiza pudesse descansar e aceitar a morte de Talus.
“Passar a noite nos castelo de Sisyphus foi a melhor coisa naquela situação. Foi a primeira vez que vi minha amada tão abatida. Gabrielle que era e sempre será minha luz, precisava de consolo”.
Naquela noite Gabrielle se encontrava no quarto, desolada em cima da cama. Vestia sua tradicional roupa: saia e blusa marrom com detalhes azuis. Xena não se achava no local, saiu momentaneamente, indo buscar algo para a amiga comer. Ao voltar, percebeu que a barda não havia se mexido, continuando no mesmo alinhamento, ou seja, deitada na posição fetal. O coração da princesa se comprimiu dentro do peito ao ver a enorme tristeza de sua amada, nunca a viu dessa maneira. A guerreira se aproximou, em seguida sentou na beirada da cama e comentou:
Xena: Trouxe algumas frutas, pão, queixo, vinho e alguns docinhos. Ao falar, apontou para a bandeja que deixou em cima da mesa.
Gabrielle nem sequer olhou para Xena ou para a bandeja. Continuou deitada de lado na beirada da cama, olhando para o nada.
Xena passou sua mão pelos cabelos de Gabrielle e comentou de uma maneira suave.
Xena: Vamos Gabrielle, come alguma coisa... Vai, por favor... Você não come nada há horas.
Gabrielle entristecida: Não tenho apetite. A barda enxugou algumas lágrimas que caíram de seus olhos.
Xena afetuosa: Certo, se é assim que você quer, deixarei a comida, caso tenha fome mais tarde. Tudo bem?
Gabrielle apenas balançou a cabeça.
Xena suspirou, não podia fazer mais nada, porém tinha esperança que pela manhã a poetiza estivesse melhor, talvez comesse alguma coisa.
Xena: Agora vou para o meu quarto, para você poder descansar. Mas quando a princesa começou a se levantar Gabrielle a impediu segurando seu antebraço.
Gabrielle: Não... Por favor, fique aqui comigo... Não quero ficar sozinha. Disse angustiada.
Xena se deparou com aqueles olhos verdes e tristes. Acariciou o rosto da barda e em seguida beijou sua testa.
Xena: Você quer que eu fique até você adormecer?
Gabrielle: Não... Por que não quero acordar à noite e perceber que você não está aqui... Eu gostaria que você... Dormisse comigo... Por favor.
Xena sorriu docemente e respondeu: Claro! Nunca deixarei você!
Mas antes de se deitar, para dormir mais confortável, Xena tirou sua roupa, ficando somente com a de couro usada por baixo do traje de guerreira. Gabrielle apenas a observou. Ao terminar, a princesa deitou no espaço concedido pela poetiza. Esta por sua vez, apoiou sua cabeça em cima do ombro da amiga, colocando seu braço por cima do abdômen da mesma.
Naquela noite ocorreu uma coisa que nunca ocorrera antes, era a primeira vez que Xena tinha Gabrielle em seus braços. Pensando nisso, começou a acariciar os cabelos sedosos da poetiza. Xena nunca se mostrou tão carinhosa, mas também Gabrielle nunca se mostrou tão vulnerável. Xena sentiu o perfume dos cabelos da jovem. Gabrielle dormiu rapidamente, mas a princesa não. Ela quis sentir a barda em seus braços o máximo de tempo possível, desejando que Cronos, o deus do tempo, estivesse ali para que esse momento durasse para sempre, mas o cansaço pesou e, algum tempo depois, Xena adormeceu.
Amanheceu e Xena despertou. Notou que mudou de posição. Estavam as duas deitadas de lado, Gabrielle na frente e Xena atrás. A princesa estava com o braço por cima do corpo de sua amada. Ao perceber isso, se aproximou mais, para sentir toda a suavidade de Gabrielle, contudo, notou que tal atitude foi um erro. A poetiza acabou se mexendo, mudando de lado, ficando com o rosto a poucos centímetros da face de Xena. Por pouco a princesa não roubou um beijo da barda e, se isso acontecesse, talvez perdesse Gabby para sempre. Xena se levantou de tal maneira, tão bruscamente, que acabou acordando Gabrielle.
Gabrielle sonolenta: Já amanheceu... Ah, mas eu me recuso a levantar.
Xena que estava de costas para a cama, pegando suas roupas, transtornada por quase não ter conseguido controlar seus impulsos, sorriu quando ouviu a voz da poetiza, alegrando-se com o tom de brincadeira de Gabrielle.
Xena virou seu corpo em direção a cama. Seus olhos azuis se encontraram com os olhos verdes de Gabrielle. Por um momento contemplou sua barda, que estava retribuindo o sorriso da guerreira.
Xena sentou na beirada da cama e disse afetuosamente: Me desculpe, não queria ter acordado você. Como está se sentindo?
Gabrielle elevou seu tronco e sentou na cama: Estou me sentindo bem melhor hoje. A poetiza mentiu, estava triste e angustiada, mas não quis preocupar Xena. As duas tinham que continuar a viagem e Xena não faria isso até que a jovem estivesse melhor.
Xena: Tem certeza? Podemos ficar mais um dia se você quiser.
Gabrielle: Vai demorar um pouco para aceitar o fato de um homem tão bom e jovem ter sua vida interrompida.
Xena: Não havia escolha, ele estava muito doente, sentindo muitas dores, sabia que o melhor era ir com Celesta. Ele está melhor agora.
Gabrielle: Talvez... Eu vou superar isso, só preciso de um pouco de tempo. Ficando aqui não vai adiantar em nada... Temos que continuar com nossas vidas Xena.
Xena acariciou o rosto da Gabrielle, aliviada com suas palavras, em seguida perguntou: Está com fome?
Gabrielle que estava com a barriga roncando respondeu: Estou faminta.
Xena levantou para buscar a bandeja com comida que deixou em cima da mesa, feliz ao ver que o apetite de sua amiga havia retornado: Não é para menos, você não comeu nada ontem.
Gabrielle em tom de brincadeira: Sabe Xena, apesar de tudo que aconteceu, até que está sendo bom ser paparicada por você.
Xena retornando com a comida respondeu de uma maneira bem amorosa: Só paparico quem merece.
“Não era somente o ciúme que me incomodava... A idéia de perder Gabrielle é aterrorizante... Lembro de quando ela decidiu partir, voltar para Potedaia, depois de ter ficado em choque em uma situação de perigo, aonde uma carroça veio em nossa direção e ela ficou sem reação... Ou quando decidi pegar o caminho mais curto para Atenas e, por causa disso, Gabrielle e eu ficamos no meio da guerra entre Thessalians e Mitoans, onde Gabrielle quase morreu... Ou quando Gabby casou com Perdicus... Ou quando Gabrielle caiu com Esperança na lava... CHEGA...”. Xena não consegue mais pensar nas situações que quase perdeu a poetiza. Olha mais uma vez para o pôr do sol. “Em certas coisas é melhor nem pensar... Porque só de imaginar que eu poderia ter ficado sem aquela pequena... Sem sua alegria... Sem sua luz... Sinto um arrepio na espinha... Por isso, ao pensar em Gabrielle, é melhor pensar só nos bons momentos... É... SÓ OS BONS MOMENTOS...”.
“Lembro de uma vez, quando ela me pediu para ensinar-lhe a pescar... Que inocência!... Gabrielle implorando para parar, porque estava com fome... Que novidade!... Achamos um lago... Estava quente... A loirinha foi tirando a roupa e se jogando nas águas...”.
Gabrielle: Xena! Eu estou com fome! Foi a oitava vez que Gabrielle havia falado isso. A guerreira já estava ficando impaciente.
Xena um pouco nervosa: Já sei Gabrielle! Tem um lago por aqui. Você pode esperar, por favor.
Gabrielle resolveu provocar a guerreira: Xena, eu não estou apenas com fome. ESTOU FAMINTA!
Xena que estava em cima de Argo parou o cavalo e olhou para trás e encontrou Gabrielle com a mão na cintura encarando a guerreira.
Gabrielle provocativa: O quê? Será que ficar com fome agora é crime!
Xena que nesse dia se encontrava de bom humor respondeu: Não, mas logo será, pois estou quase cometendo um assassinado.
Gabrielle argumentou e se defendeu: Você não teria coragem... Quem que iria escrever sobre você, cozinhar, limpar, fazer companhia, contar estórias...
Xena: Certo, já entendi. A guerreira voltou a cavalgar.
Gabrielle que naquele momento caminhava ao lado de Xena e de Argo comentou: Viu... Comigo não tem argumento. Então... Falta muito para esse tal lago... É porquê...
Xena: Ok... Já sei... Você está com fome.
Gabrielle brincou: Agora você deu para ler pensamentos?
Xena se segurou para não rir: Sabe de uma coisa Gabrielle... Estou com uma ligeira impressão que você está repedindo essa frase, só para me irritar... Porque, se eu a ouvir novamente só vou parar na próxima cidade.
Gabrielle malcriada: Então eu repetirei “Eu estou com fome” até chegar na próxima cidade.
Xena se rendeu: Está certo. Sobe no Argo que acharemos esse lago mais rápido.
Gabrielle sorriu vitoriosa.
“É impressionante, contra Gabrielle não há como contestar”. Pensa Xena, que não se cansa de contemplar o pôr do sol e de lembrar da poetiza.Elas finalmente acharam o lago. Gabrielle foi logo descendo do Argo. Começou a tirar sua roupa e a pendurar em uma árvore próxima. Xena ficou paralisada. Gabrielle se virou e a chamou:
Gabrielle: Vem Xena. A água parece estar ótima.
Xena: O que... Ah... Já estou indo.
Gabrielle completamente nua correu até as águas, um pouco fria, mais muito refrescante.
Xena entrou em um estado de puro êxtase. Não era a primeira vez que Gabrielle nadava completamente nua, mas toda vez que isso acontecia se tornava cada vez mais difícil para a guerreira suportar.
Gabrielle: Vamos Xena...
Xena descendo do Argo: Calma, vou tirar as minhas roupas.
Xena começou a tirar sua roupa de guerreira, Gabrielle dentro do lago a observava. A princesa notou isso e ficou corada. Gabby começou a rir.
Gabrielle irônica: Qual é seu problema? Está com vergonha de mim? Justamente você! Flagelo de nações!
Xena que ainda estava com sua roupa de couro, colocou sua mão na nuca, era um sinal de embaraço. Em seguida respondeu: Eu não estou com vergonha de você.
Gabrielle: Então por que você ficou toda vermelha?
Xena tirando a roupa de couro: Deixa se ser boba Gabrielle... Você vai querer o peixe ou não... Não era você que estava me atormentando por estar com fome?
Gabrielle: Por que você sempre faz isso?Xena: Faz o quê?
Gabrielle: Foge de um assunto com outro.
Xena: Não estou fugindo de assunto nenhum.
Gabrielle: Então por que você ficou com vergonha de mim? Anda, responde!
Xena ficou com receio de responder: É... Porquê...Porquê...
Gabrielle: Porqueeeê... O quê?
Xena encabulada: Você estava me olhando.
Gabrielle riu: Só por causa disso! Eu sempre olhei para você... Te acho bonita!
Xena ficou mais vermelha: Tá bom... Quer comer ou não... Se não, coloco minhas roupas de volta.
Gabrielle preferiu não continuar com o assunto, apesar de achar estranho e, ao mesmo tempo, engraçado a reação da guerreira.
Gabrielle: Sabe Xena... Você poderia me ensinar a pescar com as mãos.
Xena entrando no lago: Isso vai demorar muito.
Gabrielle: Vai Xena, por favor. O dia está lindo, vamos aproveitar.
Xena se rendeu para aquele sorriso: Está bem.
“Essa Gabrielle!... Somente ela e capaz de me desnortear... Anos de treinamento para controlar minhas emoções e reações... Vai tudo por água abaixo com um simples sorrido dela... São esses pequenos momentos da vida, junto com a Gabby, que foram os mais felizes... Agora com mais um membro na família... Minha Eva... Não poderia ser melhor... Claro! Se os deuses parassem se perseguir-la, melhoraria muito... Mas não se pode ter tudo...”.
“E nossa primeira noite... Nossa!... Eu fiquei tão nervosa... Eu poderia lutar com gigantes, exércitos e até contra os deuses, que eu conseguiria manter a calma... Mas ao ver a luxuria... Desejo nos olhos de Gabrielle... Eu fiquei sem ar... Lembro que...” De repente, Xena ouve alguém chamando por seu nome...
Capítulo 2
Shiana entra no quarto para avisar que todos os preparativos da partida de suas amigas já foram providenciados, entretanto, encontra Xena mergulhada em pensamentos olhando o pôr do sol da janela. Shiana pára um pouco e a observa, receosa em atrapalhar suas reflexões, mas por fim decide chamá-la:
Shiana: Xena!Xena vira-se para a porta e encontra Shiana com um sorriso nos lábios. Xena retribui o sorriso e diz: De todas as terras que já estive, nunca vi um pôr do sol como esse.
Shiana: Eu costumava admira-lo com a minha amada.
Ao dizer isso caminha até a janela para contemplar junto com a Xena esse maravilhoso espetáculo.
Xena: Você a amava muito, não é? Ao perguntar, Xena vira a cabeça para olhar nos olhos de Shiana.
Shiana também olha diretamente nos olhos azuis de Xena e responde: De todo o meu coração. Cleópatra não me tratava como uma simples dama de companhia, mas como uma amiga, confidente e amante. Era a pessoa mais doce e amável, ao mesmo tempo em que era a mais forte e implacável. Dedicava-se de corpo e alma para o bem de seu povo. Não poderia ter existido melhor governante. Tratava bem quem merecia e punia severamente aqueles que tentavam tirar aproveito da sua confiança.
Xena: Ela era mesmo uma pessoa muito especial. Não se corrompeu com o poder. Xena volta a admirar o pôr do sol.
Shiana: Xena, Cleópatra te estimava muito, deste o dia em que você evitou o seu assassinado, quando ela esteve na Grécia.
Xena em tom de lamento: Eu gostaria de ter chegado ao Egito antes, talvez pudesse ter evitado sua morte... Já estava a caminho. Acabei encontrando o seu mensageiro no meio da viagem, senão demoraria muito mais tempo para ter chegado.
Xena pára e respira: Talvez não conseguisse evitar a guerra civil em Roma... Parecia que eu estava adivinhando.
Shiana fica furiosa, dá um passo para ficar na frente da guerreira, não podia permitir que Xena se culpasse, ela havia feito muito pelo Egito e pela memória de Cleópatra, por isso começa falando de uma maneira áspera, mais do que esperava, mas em seguida suaviza sua voz.
Shiana: Não havia nada que você poderia ter feito. Brutus foi muito cuidadoso e inteligente ao colocar aquela cobra dentro da mensagem. O que você poderia ter feito já fez... Ajudou a forjar uma união pacífica entre Roma e Egito, colocou uma pessoa de bom caráter no comando de Roma, além de evitar uma grande guerra civil, onde milhares de romanos inocentes poderiam ter morrido, por causa da ganância de pessoas inescrupulosas como Brutus e Marco Antônio.Xena: Marco Antônio!
Ao dizer isso com um sorriso forçado; com um tom de voz triste e baixo, Xena pára de contemplar o pôr de sol, e caminha até a cama.
Shiana: Você apaixonou-se por ele?
Xena vira-se e responde agressivamente:
Xena: Não!!!
Shiana caminha até Xena.
Shiana fala calmamente: Então por que ele te perturba tanto?
Xena transtornada: Eu senti atração por ele. Em seguida debochando: Tenho uma pequena queda por cafajestes!
Shiana: Ah! Eu entendo! Não é o fato de você tê-lo traído que te incomoda, mas o fato de tal atração ter magoado a Gabrielle.
Nesse instante entra alguns serviçais pedindo permissão para acenderem algumas tochas. Entram também algumas mulheres trazendo frutas e vinho. Shiana acena a cabeça como aprovação, em seguida, chama um dos serviçais e lhe diz alguma coisa. Rapidamente eles fazem suas obrigações e se retiram.
Xena senta na cama. Shiana havia lido sua alma naquele momento. A princesa sabe que Gabrielle está em algum lugar daquele palácio, achando que seu amor por ela estava acabando. Grande engano. Xena nunca havia encontrado pessoa tão doce, companheira e dedicada como Gabrielle. Ela ama de corpo e alma sua barda.
Shiana senta-se ao lado de Xena. Sente que essa grande guerreira está deprimida. Ela sabia o que era perder alguém querido, por isso compreendia o medo da Xena de perder a Gabrielle. Ela também possuía essa angústia, esse sentimento de vazio, desde o assassinato de Cleópatra, contudo sentia-se melhor porque havia cumprido sua promessa: viu punidos os assassinos de sua amada, apesar de Marco Antônio não ser o mandante do crime, Shiana o considerava tão culpado quanto Brutus.
Xena vira o rosto para o lado da amiga. Estava muito fragilizada, mas apesar disso, sente-se à-vontade para conversar com Shiana.
Xena: Nunca conversei com ninguém sobre meu relacionamento com Gabrielle. Por acaso você conversou alguma coisa com a Gabby? Pergunta serenamente.
Shiana responde sorrindo, com um olhar e com uma voz meiga: Não. Deste o início, quando as vi pela primeira vez, eu senti o amor entre vocês duas.
Xena num tom de sarcasmo: Por acaso você é vidente?
Shiana rindo: Até um cego vê isso Xena!
Xena brinca: Pois é! Eu amo tanto a Gabby que fui capaz de ir até ao inferno para ficar com ela. E não estou falando metaforicamente. Agora Xena diz apaixonadamente: Ela é minha alma gêmea, estamos destinadas a ficar juntas.
Xena respira fundo e fala num tom mais sério.
Xena: Não pude evitar. Eu fiquei atraída pelo Marco Antônio, mas não foi só isso, eu estou me sentindo mal por ter conquistado seu amor e depois ter esmagado seu coração. Ele realmente me amava, pelo menos disse que me amava... Em certa ocasião, perguntei a ele o que faria se derrotasse Brutus, sabe o que ele respondeu?
Shiana: Não.
Xena: Ele me respondeu que mataria Brutus e todos os seus homens, até os soldados rasos. Não foi só isso, em seguida perguntei sobre Otávio, ele disse que também o mataria. Nesse instante percebi que ele não tinha compaixão.
Shiana coloca sua mão sobre o ombro da amiga e fala: Isso prova que ele foi um assassino e um monstro em vida. Como um homem assim pôde amar alguém. E como você pode estar certa que ele te amava?
Xena: Tem razão. Ele não me amava, amava a Cleópatra.
Shiana repreende Xena: Ele não amou Cleópatra, mas sim uma imagem que você representou, muito bem por sinal, para poder conquista-lo. Ele amava era a armada do Egito e o poder.
A princesa guerreira olha para a enorme janela, vendo que já anoitecera, levanta e caminha até a sacada do quarto, observa a noite magnífica, com o céu estrelado e uma lua crescente radiante que apontava no céu. Ela então, sem tirar os olhos dessa visão comenta:
Xena: Quem me conheceu, não me reconheceria agora... Nunca fui sentimental. Sempre fiz o que precisava ser feito... Acho que a maternidade me deixou assim.
Shiana mais calma responde: Talvez, mas acho que não foi somente a maternidade que deixou você mais humana, ela apenas fortaleceu esse lado seu, quem mostrou o caminho foi a Gabrielle, apesar de ser uma mudança interna e você mostrar isso para poucos.
Xena vira-se, encontra Shiana sentada na cama observando-a, e brinca: Tem certeza que você não é vidente?
Shiana sorri e caminha até Xena: Não... Apesar de te conhecer pessoalmente há pouco tempo, sempre ouvir falar sobre você, “Xena a destruidora de nações”. Mas também ouvi que você se redimiu, procurando corrigir seu passado lutando contra o mal. Então, nesses últimos dias conheci Gabrielle, compreendi que por trás da sua mudança, houve uma pequenina ajuda de uma certa poetiza.
Xena diz: Agora entendo porque Cleópatra amava você.
Shiana curiosa: Como assim?
Xena: Apesar de estar deprimida pela morte de seu amor, ainda assim ficou aqui comigo, escutando as minhas lamentações. Você é companheira e muito sensível... Você é uma pessoa admirável. Cleópatra teve muita sorte por ter você.
Shiana emocionada: Eu sempre amarei Cleópatra, sentirei muita falta dela, por isso entendo você... Sei o que é perder alguém amado, sei também que está com medo de perder a Gabrielle, pelo fato dela não compreender a situação.
Xena: Eu não culpo Gabrielle, como ela pode compreender a situação se nem eu compreendo? É um fato! Fiquei envolvida pelo Marco Antônio e isso magoou a pessoa que eu amo. Mas o que eu senti por ele foi somente atração, e o que eu sinto pela Gabrielle é amor... Tenho que deixar isso bem claro para ela.
Shiana: Não se preocupe, a Gabrielle te ama, por isso ela vai deixar o ciúme de lado para ouvir o coração.
Xena esperançosa: Eu espero que sim, já passamos por várias coisas juntas, Gabby vai saber me compreender, só precisa de tempo para pensar.
A guerreira depois de dizer essas palavras, vira-se para Shiana, coloca as mãos sobre o ombro da amiga e diz: Obrigada pelas palavras de consolo. Em seguida lhe dá um forte abraço.
Shiana retribui o abraço e responde bem baixinho no ouvido de Xena: De nada.
Nesse instante, Gabrielle entra no quarto, e depara-se com as duas mulheres abraçadas.
Capítulo 3
Algumas horas antes.
Xena decidiu permanecer no Egito por mais um dia. Talvez para refletir... Pensou Gabrielle, que passou todo o tempo, deste a despedida de Otávio, no grande salão do trono de Cleópatra. Na despedida tentou aproximar-se da guerreira, mas ao olhar o seu semblante sério, triste e confuso, desistiu da conversa que deveriam ter e dirigiu-se para o interior do palácio. Estava insegura e magoada, precisava de um tempo para pensar.Neste momento, ela se encontra sentada no chão, com as costas apoiadas em uma coluna, do lado esquerdo e atrás do trono, encolhida, com os braços envolvendo as pernas e o queixo apoiado sobre os joelhos. Está vestindo sua roupa de guerreira. Ao mesmo tempo em que contempla o pôr do sol, relembra todos os momentos com Xena, quando a conheceu, todas as vezes que ela salvou sua vida, todos os momentos difíceis que tiveram que passar, as aprovações e desaprovações, sempre lado a lado. “Então, por que isso agora? Por que o ciúme e as dúvidas? Por que a insegurança?”. Gabrielle levanta a cabeça e apóia na coluna, pensando: “Xena cadê você?Preciso de você”.
A poetiza não consegue entender como Xena pôde se envolver tanto com Marco Antônio. Não era só isso, com Ares também. Em Amphipolis, apesar de Xena negar, a barda tinha certeza de tê-la ouvido confessar que sentiu algo pelo deus da guerra, entretanto, por causa da dúvida, resolveu não tocar novamente nesse tema. Mas agora, no Egito, Xena declarou abertamente sua queda pelo romano. Com isso, Gabrielle começou a questionar sobre o seu relacionamento com Xena. O porquê do fascínio da guerreira por estes homens.
“Será que ela não me ama mais? Será que deixou de sentir atração por mim?... Não é isso. Já passamos por tantas coisas juntas. Eu sei que Xena me ama, mas então por que ela deseja outros?”. Indaga a barda.
Gabrielle suspira, já era quase noite, não se pode mais ver o sol. Sem a poetiza perceber entram alguns serviçais e começam a acender as tochas. Um deles nota sua presença, dirigi-se a ela e pergunta de maneira humilde:
Serviçal: Gostaria de alguma coisa senhora? Frutas, vinho ou cear?
Gabrielle que se encontra sentada junto à coluna, mergulhada dentro de si, se surpreende com a pergunta:
Gabrielle levantando: Ah... O quê... Desculpe-me, não ouvi o que disse.
Serviçal: Gostaria de cear?
Gabrielle: Não obrigada. Estou sem fome.
Serviçal humildemente: Sim senhora. Quando quiser, basta chamar. Com a sua licença.
O serviçal retira-se, Gabrielle o acompanha com o olhar. Em seguida senta-se em um divã, em um dos cantos do salão. Ao sentar, coloca os cotovelos sobre os joelhos e a parte frontal da cabeça apoiada sobre as mãos. Sente o nariz latejando, está um pouco dolorido, Brutus a acertou de jeito. Gabrielle está impaciente por não conseguir achar respostas. Ela levanta a cabeça e resolve deitar. Começa a relembrar como havia conhecido Xena. O fascínio que sentiu. Entretanto, nos primeiros anos de convivência com a guerreira, a poetiza era muito ingênua para entender seus sentimentos. Só compreendeu e aceitou esse amor depois da morte da princesa guerreira em Cirra.
Gabrielle não sabia exatamente quando ou como seu fascínio se transformou em amor e desejo, porque foi um processo lento e gradual. Através da coexistência, a poetiza passou a conhecer as qualidades e os defeitos de Xena, admirando e aceitando-os. Contudo, seus primeiros sentimentos, aqueles ligados a nível mais sexual, Gabrielle os reprimiu, pois não compreendia como duas mulheres poderiam ficar juntas.
“Já passei noites inteiras admirando Xena. Seus traços faciais... Seus lábios... Sentia uma enorme necessidade de tocar aquele corpo... Só que não sabia como... Ficava questionando se isso era certo, esse sentimento que tomou conta de mim... Perguntava-me se a Xena me entenderia... Adorava e ainda adoro observar meu amor se despindo... Admirar as curvas daquela guerreira... No castelo de Sisyphus foi tão bom sentir o seu calor, seu cheiro, sua proteção...”.
Quando ficou drogada, ao comer um pedaço de bolo de nozes em uma caverna, ao tentar ajudar Anteus a não matar o seu filho Ícus, em nome de Deus, Gabrielle acabou confessando que achava Xena linda, apesar de já ter dito isso outras vezes. Mas, nessa ocasião, Gabrielle não conseguiu disfarçar seu enorme fascínio. No estado sóbrio, ela tentou se enganar, falando para si mesma que estava drogada, que a atração que sentiu foi efeito do narcótico, mas foi impossível se reprimir por muito tempo.
Ao ajudar Salmoneus a lutar contra Talmadeus, Xena foi ferida por um tardo envenenado. Obra de Callisto. A guerreira acabou entrando em um estado de hibernação, para que seu corpo reagisse contra o veneno. Porém, Gabrielle pensou que a princesa havia morrido, desesperando-se. Nunca antes sentira uma tristeza como essa.
“Que dor!... Que angústia!... Eu comecei a perceber que meu sentimento para com a Xena era maior que uma simples amizade... Por que precisamos passar por tantas coisas dolorosas para compreender certos anseios?”.A barda lembra como era sua vida antes da guerreira, a tranqüilidade e simplicidade de Potedaia. Como estaria sua irmã Lila? Seu pai Erótubos e sua mãe Écuba? Sentia saudades. “Visitarei minha família ao voltar”. Pensa. Em seguida, vem à imagem de Xena a salvando e as mulheres de sua vila, dos homens de Draco.
“Fugi de casa em busca de excitação e aventura, mas na verdade acabei encontrando minha alma gêmea e me transformando em uma coisa nunca antes imaginada... Uma guerreira.”.
Demorou um pouco para entender o que sentia. Os ciúmes de Marcus, Hércules e de outros. Seu casamento com Perdicus, que na realidade era uma tentativa de fuga dos seus desejos. “Como poderia enganar o meu coração e fugir dos meus sentimentos”.
Quando Xena morreu, depois de visitar as ruínas de Cirra, Gabrielle começou a entender seus sentimentos. Sua relação com Xena era algo muito forte. Ao ser beijada pela guerreira pela primeira vez, a poetiza sentiu algo inexplicável, uma excitação nunca antes sentida, mesmo Xena estando no corpo de Autolycus.
Gabrielle sorri, ao relembrar o seu primeiro beijo com a Xena, mas em seguida, questiona baixinho: “Bem, não foi tecnicamente o primeiro beijo, pois ela estava no corpo de Autolycus, mas foi a primeira vez que Xena demonstrou seu amor, pois sempre achei que ela era só minha amiga... Ééé... Toda vez que um rapaz chegava perto de mim, Xena ficava uma fera, e, quando me casei, Xena ficou desconsolada... Como foi... Ou melhor, quando foi que Xena começou a me amar? Olha, nunca pensei nisso...” A barda fica furiosa com ela mesma... “Mas por que isso agora? Xena atualmente só está tendo olhos para morenos sem escrúpulos! O que adianta ficar divagando sobre o amor dessa guerreira...”. Gabrielle se repreende e muda de posição, virando para o lado esquerdo.
Mas não adianta toda essa censura, pois o coração de Gabrielle não pára de pensar em Xena. A próxima lembrança que invade a mente da poetiza foi o que ocorreu; logicamente o inevitável; depois de Xena ter provado seu grande amor pela barda.
“Xena resolveu lutar contra a morte, invadiu o corpo de Autolycus, só para conseguir a Ambrósia e voltar a vida para ficar comigo... Foi muito romântico...”. Reflete Gabrielle.
O inevitável foi sua primeira noite de amor com a guerreira.
Gabrielle lembra de cada detalhe daquela noite. Agitada, sem conseguir expulsar essas lembranças, a poetiza se move novamente no divã, desta vez com a barriga para cima e com o braço debaixo da cabeça, começa a surgir às imagens em sua mente.
Depois da despedida de Autolycus, perto da entrada da caverna e próximo ao rio, Gabrielle se aproximou da Xena, que estava sentada, limpando sua espada. Gabby chamou pela princesa:
Gabrielle: Xena.
Meio sem jeito de iniciar essa conversa, mais disposta a falar sobre o beijo, a barda inicialmente começou esse diálogo de uma maneira descontraída.
Xena: O quê?
Gabrielle notou que a guerreira continuou limpando sua espada, sem ao menos olhar para ela. A poetisa sabia que quando a guerreira evitava olhar em seus olhos, era uma maneira de fugir de um assunto, ou porque ela estava errada e não queria assumir isso, ou aquele assunto a incomodava de alguma maneira.
Talvez Xena estivesse acanhada... Ééé... Nunca pensei nisso... Que engraçado! Reflete Gabrielle, com um sorriso nos lábios. Em seguida recorda o restante da conversa.
Gabrielle: Promete que nunca vai morrer de novo?Xena: Prometo.
Gabrielle: Sabe que durante alguns momentos eu soube o que é ser você.
Xena: E...
Gabrielle: Foi emocionante, acolhedor, gostoso!
Xena: Gabrielle; foi numa luta!
Gabrielle: Me senti protegida! O mundo precisa de pessoas como você, não é?
Xena: É.
Gabby relembra, que depois dessa conversa, ela colocou sua cabeça no ombro da Xena por alguns momentos, mas como estava muito ansiosa e disposta a conversar sobre seus sentimentos, tirou sua cabeça do ombro da amiga e virou–se para a guerreira, pronta para dizer a primeira palavra.
Por causa do movimento brusco de Gabrielle, Xena virou-se para a poetiza e encontrou com os olhos da amiga. Gabrielle desistiu de dizer qualquer coisa ao deparar com aqueles olhos azuis, em seguida, passou a visualizar os lábios da guerreira, há muito tempo objeto de desejo. Esta percebeu a intenção de sua barda, e por causa disso, começou a aproximar lentamente sua boca, mas nesse momento, chegou Ephiny.
“Se não fosse pela Ephiny, provavelmente naquele momento, eu e Xena nos beijaríamos. E... Tecnicamente, esse seria nosso primeiro beijo...” Analisa Gabrielle.
Rapidamente, Xena e Gabrielle se levantaram, totalmente sem graça. Ephiny acabou se desculpando, sem saber como reagir.
Ephiny: Me desculpe, eu... Eu não queria interromper nada... Eu volto em outra hora... E...
Xena tentou amenizar a situação na qual se encontravam, pois não iria esconder uma coisa verdadeira; seu amor.
Xena disse tranqüilamente: Ephiny. Tudo bem!
Ephiny um pouco aliviada, mas mesmo assim, totalmente encabulada: Certo... É que... Eu vim avisar para a rainha que as amazonas estão esperando por você para voltar para a aldeia.
Gabrielle sem graça: Então tá... É melhor já ir mesmo... Porque já anoiteceu... Já está ficando muito tarde... Então vamos...
Xena segurou o braço da Gabrielle e falou para Ephiny: Podem ir à frente, que já estamos partindo.
Ephiny apenas acenou com a cabeça e se retirou, compreendeu que Xena e Gabrielle precisavam terminar o que ela interrompeu.
Xena continuou segurando o braço da barda. Em seguida, a guerreira ficou de frente para sua amada. Deslizou sua mão pelo braço de Gabrielle até chegar em seus dedos, entrelaçando-os. A outra mão, ela colocou no rosto da poetiza. Apesar do nervosismo, a princesa não o demonstrou. Xena contemplou sua amada por alguns instantes, para em seguida dizer com um sorriso sedutor: Onde estávamos?
Gabrielle retribuiu o sorriso. Xena aproximou seu rosto, olhando fixamente para os olhos verdes de Gabby, esta sentiu seu coração pular. Sem fecharem os olhos, seus lábios se tocaram, doce e suavemente. Xena afastou sua boca por um instante. Seus lábios se tocaram novamente, mas desta vez, as duas fecharam os olhos. Xena brincou um pouco com os lábios de Gabrielle, chupando–os para em seguida explorar melhor a língua da poetiza. O beijo se tornou mais ardente. Gabrielle colocou sua mão na cintura da Xena, aproximando seu corpo do dela. No final do beijo, Xena continuou com os olhos fechados por alguns instantes, ao abri-los encontrou com o mais doce sorriso nos lábios de Gabrielle. Ficou sem fôlego.
“Como Xena deve ter sofrido também... Então por que demorou tanto tempo para me dizer que me queria... Talvez ela sentisse medo... De me perder... Achando que eu não entenderia seus sentimentos...”.
Durante toda a trajetória de volta para a aldeia das amazonas, que não durou muito tempo, Gabrielle que caminhou ao lado da princesa guerreira segurando sua mão, não disse uma só palavra. Ficou tentando imaginar o que viria pela frente. Mas antes de qualquer coisa, decidiu conversar com Ephiny, pois sabia, por alto, que haviam alguns casos parecidos com o dela na tribo amazonas, que de certa forma, era um certo costume duas mulheres ficarem juntas.
A guerreira resolveu não quebrar o silêncio da caminhada, pois ela fazia suas próprias reflexões. Tais como: seria o certo continuar?... Será que Gabrielle realmente quer isso?... Por que me sinto como uma virgem?...
Ephiny, meio receosa, esperava pela rainha.
Gabrielle ao chegar sentiu um alívio, pois viu sua amiga a esperando. Com isso, possuía uma desculpa para primeiramente conversar com Ephiny, antes de ficar sozinha com Xena.
Ephiny: Me desculpe rainha... É que precisamos falar sobre...
Gabrielle mal deixou Ephiny falar, foi logo interrompendo: Oi Ephiny... Precisamos conversar mesmo... Gabrielle virou-se para Xena e disse: Xena... Você se importa?
Xena que já havia entendido e compreendido o que a poetiza queria com a Ephiny, respondeu: Eu vou tomar um banho.
Gabrielle: Isso... Faz isso mesmo... A barda sorriu e disse baixinho, somente para Xena ouvir: Obrigada.
Xena retribuiu o sorriso para a Gabrielle e brincou com a Ephiny: Cuidado com o que você vai falar com a Gabrielle.
Ephiny não respondeu nada, pois não havia entendido o que realmente Xena queria dizer.
A guerreira se dirigiu para a poetiza, acariciou o rosto de sua amada, falou baixinho e de um jeito muito sensual: Depois do banho, encontro com você na cabana da rainha. Tudo bem?
Gabrielle que sentiu um calafrio no estômago respondeu: Eu... Estarei esperando por você.
Ephiny ouviu toda a conversa, não podendo evitar, com isso compreendeu a “ameaça” da Xena.
“Nossa! Como eu era tímida... Não é por menos, eu nunca tinha sequer imaginado que duas mulheres... Um dia poderiam... Se apaixonar... Mas eu fiquei muito envergonhada. Fiquei mesmo... Fiquei toda sem jeito de fazer certas perguntas para a Ephiny... Coitada... Ela ficou toda encabulada...”.
Depois que Xena partiu para a cabana de banhos, Gabrielle pegou o braço da Ephiny e a puxou para a cabana da rainha. Chegando, as duas sentaram na cama. O quarto era muito enfeitado, com vária mascaras e objetos de luta.
Gabrielle totalmente envergonhada e sem jeito para perguntar: Ephiny... Eu não sei como perguntar... Eu só sei que há algumas amazonas que já passaram por isso... Bem, é o que eu ouvi... Como é...
Ephiny decidiu facilitar as coisas para a Gabrielle, já que esta se mostrava um pouco acanhada com o assunto.
Ephiny: Você quer saber como duas mulheres podem ficar juntas, não é isso?
Gabrielle ruborizou: É... Mais ou menos isso...
Ephiny: É muito comum aqui na tribo esse tipo de coisa, só que não seria melhor você saber isso pela Xena?
Gabrielle: Eu acho que ela também está um pouco... Você sabe... Sem jeito... Envergonhada...
Ephiny: Não acredito nisso. Xena é mais velha, é guerreira. Aposto que ela está nervosa pelo fato de gostar de você, não pelo fato de não saber o que vai fazer.
Gabrielle: Xena está em vantagem, pois as duas coisas me deixam nervosa.
Ephiny: O meu conselho é que você relaxe, e deixe que a Xena conduza as coisas.
Gabrielle inconformada: Esse seu conselho está muito vago... Eu preciso ter uma noção de como as coisas vão transcorrer.
Ephiny: Esse tipo de assunto não é resolvido apenas com palavras... Você tem que vivencia-lo. Entendeu?
Gabrielle: Você já passou por isso, Ephiny?
Ephiny: Sim.
Gabrielle: E... Como foi?
Ephiny: Foi carinhoso, excitante, diferente...
Gabrielle: Ah... Pelos deuses... Eu estou muito nervosa... Nem na minha noite de núpcias com Perdicus fiquei desse jeito...
Ephiny segurou a mão de Gabrielle, percebeu que estava fria e unida. Em seguida ratificou seu conselho: Não fique, deixe que a Xena conduza as coisas, era mostrará como fazer.
Xena entrou na cabana.
Ephiny se levantou e disse: Vou deixa-las a sós. Amanhã conversaremos sobre seu reinado Gabrielle.
Gabrielle: Obrigada Ephiny.
Ephiny apenas sorriu, em seguida dirigiu-se para a porta, onde se encontrava a Xena que, estava com o cabelo molhado, segurava suas armas e sua roupa de guerreira, vestia apenas sua roupa de couro.
Antes de sair, Ephiny falou baixinho para a Xena.
Ephiny: Seja gentil, ela está muito nervosa.
Xena sorrindo disse no mesmo tom de Ephiny: Então somos duas, me sinto como uma virgem.
Ephiny riu: Não se preocupe você vai se sair bem.
Xena: Obrigada.
Ephiny se retirou. Do lado de fora da cabana, a amazona deu ordens para as outras não incomodar a rainha.
Após a saída da amiga, Gabrielle perguntou para a Xena.
Gabrielle curiosa: O que vocês cochicharam?
Xena colocou suas coisas em cima de uma mesa, em seguida foi ao encontro de Gabrielle.
Xena sentou na cama: Nada de mais.
Gabrielle um pouco ciumenta: Como nada de mais. Ela praticamente sussurrou em seu ouvido.
Xena respondeu brincando, para descontrair a situação: Tá bom. Eu digo se você me dizer o que ela falou para você.
Gabrielle um pouco revoltada: Isso não é justo!
Xena: Por que não?
Gabrielle suspirou, não sabia como diria aquilo que estava afligindo-a a muito tempo.
Gabrielle: Você sabe o porquê... E você sabe muito bem o que foi...
Xena: Quero ouvir de você.
Gabrielle: Eu estou com medo!
Xena segurou a mão da Gabrielle e começou a acaricia-la, em seguida disse docemente: Não tenha, não vou machucar você.
Gabrielle abaixou a cabeça e respondeu: Eu não sei o que fazer.
Com a outra mão, Xena segurou gentilmente o queixo de Gabrielle, levantando e virando a cabeça de sua amada, fazendo com que os seus olhares se encontrassem.
Xena: Bem... Também vou confessar uma coisa... Estou muito nervosa. Há muito tempo não fico assim... Mas se você não está se sentindo preparada... Eu entendo.
Gabrielle admirou por alguns momentos aquele ser na sua frente. As tochas faziam com que o cabelo molhado da guerreira refletisse as luzes do ambiente. Seus olhos azuis mostravam o profundo amor que sentia pela poetiza. A barda ficou sem ar, seu coração acelerou. Suas mãos tremiam.
Gabrielle aflita: Eu... Eu quero você... Só que não sei como... Sinto vontade de te beijar... Acariciar seu corpo... Só que não entendo...
Xena compreensiva: Você não entende como duas mulheres podem se amar? É isso?
Gabrielle mais calma: É sim. E isso tem mexido comigo... Como foi... É você sabe... Sua primeira vez...
Xena: Foi com uma velha amiga... Sabe Gabby... Xena sorriu. Colocou sua mão no rosto da barda e perguntou: Posso te pedir uma coisa?
Gabrielle curiosa: O quê?
Xena aproximou sua boca no ouvido da Gabrielle, sussurrando provocativamente: Confie em mim!
Gabrielle virou seu rosto, ficando a poucos centímetros dos lábios da Xena: Sempre!
Xena beijou Gabrielle. Em um primeiro momento, foi apaixonante e excitante, terminando de maneira suave. A barda, que se encontrava ao lado da guerreira, sentou no colo de Xena, envolvendo a cintura da princesa com suas pernas e o pescoço com seus braços.
As mãos experientes da guerreira tiraram o colar de penas que envolviam o pescoço da poetiza, pois esta se encontrava com sua roupa de rainha das amazonas. Xena em seguida, começou a beijar o pescoço de Gabrielle, esta gemia a cada toque. Xena abaixou a alça do bustie, beijou o ombro da barda. Primeiro foi o direito, depois o esquerdo. Parou por um momento. Xena levantou a cabeça e encontrou os olhos de Gabrielle, completamente tomados pela luxuria. Xena ficou sem ar. Seus dedos deslizavam pelas costas de Gabrielle. Esta por sua vez acariciava os cabelos molhados da princesa.
Gabrielle pegou a mão direita da Xena e colocou acima do seio esquerdo. A guerreira sentiu o coração acelerado da poetiza. Esta por sua vez disse: Está batendo por você... Xena, eu te amo!
Gabrielle puxou a cabeça da guerreira para um beijo. Sua língua invadiu a boca da Xena. Todo o medo e insegurança que dominou Gabrielle foram substituídos por um enorme desejo, de acariciar e ser acariciada, pela mulher amada.
Xena ao mesmo tempo em que beijava Gabrielle, desamarrava sua blusa. Ao terminar, afastou seus lábios da boca de Gabrielle, redirecionando-os para os seios da barda. Gabrielle entrou em êxtase ao sentir aquela língua e aqueles lábios. Seus mamilos enrijeceram de prazer.
Xena cuidadosamente levantou. Gabrielle continuou em seu colo. A guerreira deitou Gabrielle na cama, sem deixar de olhar em seus olhos. Xena retirou as botas da rainha, bem devagar. Ao terminar deslizou suas mãos pela lateralidade das pernas da poetiza, indo dos pés ao quadril. Em seguida tirou a saia da Gabrielle que, em momento algum, abandonou os olhos azuis de Xena. Ao terminar, a princesa que estava de pé ao lado da cama, contemplou aquela mulher que era a sua luz, completamente nua, disposta a lhe dar seu amor, seu corpo e sua alma.
Xena abaixou a alça de sua roupa de couro. Gabrielle levantou o tronco para poder visualizar melhor sua amada. Em seguida a guerreira abaixou a outra alça. Sua roupa deslizou suavemente pelo corpo, caindo ao chão. Nua, Xena ajoelhou. Puxou as pernas da Gabrielle, fazendo com que ela se aproximasse da guerreira e sentasse na beirada da cama. A cama não era muito alta. Assim o rosto da Xena ficou no mesmo nível do rosto da Gabrielle. A guerreira pegou as duas mãos da poetiza e as beijou. Depois disse:
Xena: Por você fui capaz de voltar de tartarus... O que sinto é mais forte que a morte... Nada nesse mundo e nem ninguém será capaz de mudar o meu amor por você... Eu te amo e sempre amarei... Minha luz...
Gabrielle ficou emocionada. Algumas lágrimas caíram de seu rosto. Nunca viu Xena se entregar desse jeito.
Xena passou seus dedos pelo rosto de Gabrielle, enxugando suas lágrimas. Depois disse: Hei... Não chore...
Gabrielle pegou a mão de Xena e beijou-a: Tudo bem... É que foi tão bonito o que você me disse... Que... Fiquei emocionada... Significou muito ouvir isso de você!
Xena: Eu esperei por esse momento por muito tempo... Dizer que te amo... Xena beijou levemente os lábios de Gabrielle, em seguida continuou: Beijar seus lábios...
Gabrielle: Eu também...
Xena beijou Gabrielle. Enquanto faziam isso, deitaram na cama. A seguir, a princesa guerreira começou a beijar o pescoço da poetiza, descendo devagar, até chegar aos seios, parando para saboreá-los, mesclando leves mordidas com pequenos beijinhos. Gabrielle completamente excitada gemia de intenso prazer. De repente, Xena parou, para recomeçar a beijar a barriga da barda...
Serviçal: Senhora... Senhora... Como não obteve resposta da Gabrielle, o serviçal tocou o ombro da poetiza, e chamou mais alto: SENHORA!
Gabrielle levou um susto, pois estava totalmente concentrada em suas lembranças.
Serviçal: Perdoe-me, não quis assusta-la, é que recebi ordens de chamá-la.
Gabrielle senta no divã e fala: Tudo bem. Quem está me chamando?
Serviçal: Shiana. Ela ordenou que eu procurasse você para comunicar que os preparativos para sua partida e da sua amiga já estão providenciados.
Gabrielle: Por acaso você sabe onde minha amiga está?
Serviçal: Xena está em seus aposentos conversando com Shiana.
Gabrielle: Certo. Obrigada.
Serviçal: Com licença.
A rainha das amazonas ainda não havia chegado há uma conclusão sobre a atração que Xena, ultimamente, andava sentindo por alguns homens. Mas de uma coisa ela tem certeza.
“Nada nesse mundo e nem ninguém será capaz de mudar o amor que Xena sente por mim... Ela é minha alma gêmea... Estamos destinadas a ficar juntas... Para todo o sempre...”.
Pensando nisso, Gabrielle levanta, pronta para deixar o salão e expressar para sua amada o que o seu coração nunca duvidou: Xena ama Gabrielle, e a barda ama sua guerreira. Nada e nem ninguém irá mudar isso.
Capítulo 4
No quarto.
Gabrielle com uma voz debochada: Olá gente! Estou atrapalhando alguma coisa! Foi a única frase que a poetiza conseguiu dizer, depois de encontrar as duas mulheres abraçadas.Xena e Shiana surpreenderam-se com a presença de Gabrielle, afastando-se uma da outra.
Gabrielle que já havia esquecido o motivo que a levara até o aposento, dá seqüência a sua cena de ciúme.
Gabrielle: Se eu estiver, posso voltar em outra hora... Ah... Melhor... A poetiza encara Xena: Não voltar nunca mais...
Xena sente uma apunhalada no peito. Começa a falar algo, mas Gabrielle não a deixa terminar.
Xena: Eu sei o motivo de suas aflições... Eu mesma queria entender...Gabrielle nervosa: Você queria entender?... Eu é que queria entender!... Primeiro foi Ares...
Xena: Ares... A guerreira tenta se justificar, mas novamente foi interrompida por Gabrielle.
Gabrielle: Por favor, me deixe terminar... E quero que você seja sincera... Isso está entalado na minha garganta há muito tempo.
Xena desiste de explicar, simplesmente diz: Tudo bem! Termine!
Gabrielle: Em Amphipolis você sentiu algo por Ares... E não tente negar... Eu sei...
Xena fica receosa em confessar, mas o fez: Sim... Eu senti... Mas não significou nada...
Gabrielle: Eu sabia... Agora só falta me dizer que Marco Antônio também não significou nada...
Xena fica aflita, não consegue fazer Gabrielle entender que não ouve nada entre ela e o romano.
Xena: Por favor Gabrielle, me escute... Eu fiquei atraída por Marco Antônio... Apenas isso...
Shiana defende Xena: Você está sendo injusta...
Gabrielle explode: Injusta... Como você se sentiria se encontrasse a pessoa que você ama abraçada com outros...
Shiana irritada: Feliz... Pelo menos Cleópatra estaria viva... Shiana pára por um instante, recuperando assim a tranqüilidade e continua.
Shiana: Gabrielle... Eu sei o que você está pensando, e lhe digo, eu e a Xena somos só amigas. O motivo de a Xena estar abraçando-me foi um gesto de agradecimento...
Gabrielle impaciente interrompe Shiana: Agradecimento pelo o quê...
Xena entra na conversa, com isso, Gabrielle desvia o seu olhar para a guerreira, deparando com os olhos mais doce e verdadeiro que Gabrielle já havia visto.
Xena: Por me fazer entender que amo você... E sempre amarei...
Gabrielle fica atônita, não com o que Xena lhe disse, mas sim por perceber que ultimamente a barda era a responsável por todo o sofrimento, tanto dela e da Xena, por causa do seu imenso ciúme.
Shiana caminha até a entrada da porta onde a cabisbaixa Gabrielle está. Coloca sua mão no ombro da barda. Esta levanta a cabeça e encontra um olhar amigo.
Shiana: Eu sei que você está insegura, querendo respostas. Então não se deixe levar por falsas suposições e escute o que a Xena tem a lhe falar... Agora vou deixa-las a sós...
Antes de deixar o quarto Shiana dirige o olhar para a Xena, como uma forma de incentivo e se retira.
Gabrielle anda até a cama e senta. Sua cabeça continua abaixada. Xena da janela a observa, receosa em se aproximar.
Gabrielle mais equilibrada: Sabe... Eu estava no salão do trono de Cleópatra e... Vieram na minha mente algumas recordações... A poetiza perde a voz, queria entrar direto no assunto. Ela respira fundo, olha para a Xena e diz de maneira triste: A minha vida ultimamente tem girado em torno da palavra POR QUÊ... E estou odiando isso... Mas agora... Percebo que a causa desse sofrimento todo... Fui eu... Com essas cenas de ciúmes... Minha insegurança...
Xena também se sente abatida, queria apenas abraçar Gabrielle, mostrar que não há motivos para incertezas.
Gabrielle: Eu apenas queria entender... Seu fascínio por estes homens...
Xena rapidamente vai até a barda, ajoelhando em sua frente e colocando suas mãos sobre as coxas da poetiza, fazendo uma leve pressão, abrindo suas pernas. Com isso, Xena aproxima seu tronco. Em seguida segura o rosto da Gabrielle; não de maneira brusca, pelo contrário, bem carinhoso, fazendo com que a poetiza olhasse nos olhos da guerreira.
Xena aflita: Por favor, me escute... Eu fiquei atraída por Marco Antônio... Mas não significou nada para mim... Eu te amo...
Gabrielle levanta, indo para a sacada da janela.
Xena, ainda ajoelhada de costa para Gabrielle, diz: Eu não sei o que fazer, ou o que falar, para que você entenda... Que é a única...
Gabrielle angustiada: Eu sei...
Xena levanta, vai até Gabrielle e diz: Lembra quando lhe disse que, nada nesse mundo e nem ninguém será capaz de mudar o meu amor por você... Entenda isso, por favor... Ares não é nada para mim, muito menos Marco Antônio... Xena acaricia o rosto da barda e continua: Você é tudo... Eu morreria por você...
Gabrielle sente um grande alívio, porque sabe que o que acabou de ouvir é verdadeiro, por isso sorri e comenta: Isso não seria nada bom... Deixaria uma criança órfã e o meu coração desamparado.
Xena se alegra porque as duas estão começando a se entender.
Xena: Você me perdoa?... Por ter de magoado... Por te fazer sofrer...
Gabrielle: Só se você me prometer que vai ficar longe de morenos sem escrúpulos...
Xena: Eu prometo.
Xena abraça Gabrielle.
Gabrielle sente um enorme conforto quando está nos braços da princesa guerreira. Com isso, toda sua insegurança, medo e angústia se vão, ficando apenas a certeza que essa mulher a ama.
Ainda com a barda em seus braços, Xena comenta: Já passamos por tantas coisas juntas, Gabrielle... Lembro... Na aldeia das Amazonas... Quando você pegou a minha mão e colocou sobre o seu coração... Batia forte... Xena afasta um pouco a poetiza para fazer o mesmo, pega a mão da Gabrielle e coloca sobre o seu coração, a seguir continua a falar: Bate por você... Somente por você... Se nem a morte é capaz de nos separar... Não será outra pessoa que fará.
Gabrielle sorrindo: Eu estava recordando exatamente isso... A nossa primeira noite de amor...
Xena sorri: Nem lutando contra gigantes fiquei tão nervosa quanto naquela noite...
Gabrielle acaricia o rosto de Xena: Se você estava nervosa, imagine eu... Uma inocente camponesa...
Xena sarcástica: Inocente... Nem tanto...
Gabrielle: Não entendi...
Xena: Para uma pessoa que só havia passado uma noite com um homem, você aprendeu rapidinho... Fora que beijava muito bem para uma pessoa... Inocente...
Gabrielle Indignada: Beijava... A poetiza puxa a princesa para um beijo ardente.
Xena sem ar: Com certeza ainda beija... E a inocência... Perdeu-se há muito tempo atrás... Xena diz no ouvido da Gabrielle: Ainda bem... Prefiro você assim... Sem nenhuma inocência e pudor...
Gabrielle segura a mão da Xena e a conduz até a cama. Queria provar para a guerreira que está arrependida por toda a suas cenas de ciúmes. A seguir, a barda dá um leve empurrão, apenas para desequilibrar a guerreira, forçando a cair, por conseguinte deita por cima da princesa e diz:
Gabrielle provocativa: Você prefere assim... A poetiza finge que vai beijar Xena, deixando que seus lábios se tocassem por um momento, depois continua: Dominadora...
Xena: Adoro...
Gabrielle amorosa: Quero me redimir com você... Por todo o meu despeito... Eu te amo... E toda a minha insegurança é fruto do enorme medo que tenho de te perder...
Uma das mãos da Xena, que se encontravam envolvendo a cintura da poetiza, se desloca para a nuca da Gabrielle, com o propósito de abaixar a cabeça da rainha para que a guerreira a beijasse. Depois de um beijo demorado e carinhoso, Xena diz:
Xena: Você nunca vai me perder, sabe por quê?
Gabrielle: Não.
Xena brincando, mas de um jeito bem sexy: Porque eu te amo, sua barda ciumenta...
Gabrielle sai de cima do corpo da Xena e deita na cama.
Gabrielle pensativa: Eu sempre fui assim?...
Xena se vira, apóia o cotovelo na cama e a cabeça sobre a mão. Sua outra mão livre acaricia os cabelos de Gabrielle.
Xena curiosa: Como?...Gabrielle: Possessiva?...
Xena brinca: Só quando eu tenho quedas por cafajestes... Por que eu também morro de ciúmes de você.
Gabrielle: Só que eu não fico me passando por rainha e conquistando romanos...
Xena: Golpe baixo... Já está apelando...
Gabrielle: Desculpe.
Xena: Olha... Você por um momento não achou Marco Antônio atraente? Ou qualquer outro homem?
Gabrielle fica sem argumentos: Ta’... Eu confesso... Sim... Por alguns...
Xena: Posso até adivinhar...
Gabrielle: Então tá sabichona, fala.
Xena: Aidan... Lembra dele... E não venha me dizer que ele era um monstro por absorver a bondade das pessoas, porque aquele papo todo de bondade mexeu com você... Tem Eli...
Gabrielle: Quem está apelando aqui?... Quer jogar? Então vamos jogar... Lembra do Ulysses...
Xena: Ah Gabrielle...
Gabrielle: Confessa Xena! Ele era o seu tipo. Alto, moreno, charmoso, só não era cafajeste...
Xena: Já reparou como é maravilhoso o pôr do sol daqui.
Gabrielle: É impressionante... O tempo passa e você continua a mesma... Sempre mudando de assunto... Não esqueça que foi você quem começou.
Xena: Ta bom... É que eu não tenho escolha... Você sempre tem argumentos mais fortes... Não há competição contra você.
Gabrielle: É... Eu sei.
Xena: Convencida!
Gabrielle: Você me perdoa por toda aquela cena com Shiana?
Xena: Vamos esquecer isso... Ficou no passado.
Gabrielle: Amanhã pedirei perdão para Shiana... Fui insensível... Ela sofreu uma perda muito grande... Cleópatra.
Xena: Não se preocupe, Shiana possui um bom coração...
Gabrielle: Vamos voltar amanhã mesmo?
Xena: Estou com muita saudade de Eva.
Gabrielle: Eu também... Gabrielle se vira, apoiando seu cotovelo na cama e sua cabeça em cima da mão, assim consegue ficar face a face com Xena. Em seguida continua a falar amorosamente: Só que queria passar mais um dia com você... Agora que nos entendemos... Admirar juntas o pôr do sol...
Xena se rende para aquela proposta e brinca: Acho que consigo te aturar por mais um dia...
Gabrielle: Bobona... Sabe Xena... Até que você fica muito bem com esse vestido egípcio.
Xena: Você acha?
Gabrielle com uma malícia na voz diz: Só que ficaria melhor sem nada...
Xena simplesmente levanta. Começa a tirar o vestido. Gabrielle ri. Ao terminar a princesa fala: Assim está melhor?
Gabrielle cheia de luxúria: Muito melhor!
Xena sorri. A guerreira estava aliviada. Conseguiu fazer Gabrielle entender que ela é toda a sua essência e, o que sentiu com Marco Antônio foi meramente passageiro.
Gabrielle retorna o sorriso, feliz com a certeza que Xena estará sempre ao seu lado e, que nada nesse mundo será capaz de destruir esse eterno amor... Isso se a barda conseguir controlar seus ciúmes pelo próximo moreno e cafajeste que se aproximar da princesa guerreira, mas isso seria um outro fan fiction.
Fim
Agradecimentos
1) Para a Cris, por emprestar-me as fitas com as gravações dos episódios desse maravilhoso seriado, porque eu não tenho TV a Cabo, além de todo o apóio e incentivo.
2) Para a Caloura Ferdi, por confiar em mim ao me mandar seu texto para analisar, sendo ele, a fonte inspiradora para escrever esse fan fiction.
Sugestão: mandem e-mails para Ferdi, pedindo que coloque o texto “UM LUGAR ESPECIAL” na internet, porque a estória é muito boa. Para quem não sabe, ela também é conhecida como Gabbys – gabbys@terra.com.br - a webmaster do site Friends Forever.
3) Para o meu pai que comprou um computador, mesmo que tenha sido para a sua empresa, mas como não tem espaço em seu escritório, o computador ficou em casa, e se isso não tivesse ocorrido, talvez esse texto não chegasse a existir.
4) Para o meu amigo pervertido Rodrigo, que sempre me fez rir com suas imitações, sendo o responsável por me dar uma idéia genial, para escrever as partes mais picantes desse fan fiction.
5) Para Einstein (nome do computador), mesmo com um difícil começo entre nós, acabamos nos entendendo... É... Mais ou menos... Estou sendo gentil, travamos uma verdadeira luta de foice no escuro; porque, de vez em quando, eu não o compreendo, tendo que recorrer ao meu irmão... Mas mesmo assim, apesar desses altos e baixos, ele foi o único que ficou ao meu lado durante a elaboração desse texto, sendo muito prestativo.
Agora vou falar bem baixinho. Coloquei Einstein em agradecimentos porque ele é muito sensível, podendo ficar magoado se ele entrasse na minha lista de declaração de morte. Então só para vocês ficarem sabendo, ele merecia estar lá também. Certo?
6) Para o meu irmão mais velho que, apesar de ser inoportuno e curioso, sempre querendo saber o que eu escrevo, me ajudou muito quando Einstein tinha seus problemas.
7) Para Lucy Lawless, pelo apoio e incentivo. Desculpe-me por trata-la como criança, fui eu a infantil.
Sugestão: Lucy é um nome fictício de uma excelente escritora de fan fictions. Suas estórias são engraçadas e cheia de boa imaginação, quem quiser saber mais sobre seus textos, escreva para lucylawless@users.dtlink.com.br
Declaração de morte
1) Para os pedreiros que trabalharam em minha casa, pois todas as vezes que tinha um tempinho para escrever - uma coisa rara - eles sempre arranjavam algo para martelar.
2) Para o meu irmão mais velho, por ser inoportuno e curioso.
3) Para a minha única irmã que adora falar mal da Xena, mas todas as vezes que eu estava vendo o seriado, ela sempre sentava na poltrona para assistir e me fazia mil perguntas.
4) Para a grande maioria dos meus colegas de classe, pois eles sempre dizem: - Você assiste Xena? Eu não acredito! Uma pessoa inteligente como você assiste aquela porcaria! - Como podem criticar algo que não conhecem?... Mas eu entendo, é da natureza humana julgar sem conhecer, sendo mais trabalhoso você parar, analisar e questionar o que realmente há de bom ou ruim nas coisas ou nas pessoas ao seu redor.
5) Para o meu amigo Rodrigo, que apesar de me fazer rir com suas imitações, sempre chegava nas horas mais inconvenientes.
6) Para o meu ex-namorado que odiava esse seriado.
7) Para São Pedro, porque a minha região é uma das áreas que contém maior número de descargas elétricas do Brasil, por causa disso, todas as vezes que começava a chover, era obrigada a desligar o computador rapidamente, muitas vezes perdia o raciocínio e a inspiração ao recomeçar... Bem acho melhor retirar o que disse, se não, São Pedro me barra na porta do céu... E não seria nada bom para a minha pessoa... Mas quem disse que eu vou para lá?...
8) Para aqueles parentes, primos de décimo grau, que você não vê há anos... Agora uma pergunta... Por que eles sempre resolvem nos visitar, no dia em que você tem uma folga e está louco para descansar ou, no meu caso, escrever um fanfiction? Ah... Detalhe, não avisam. Eles chegam de repente, com isso todo o seu planejamento para curtir aquele dia vai para o espaço... O pior não é isso, é passar uma tarde ouvindo aquelas conversas interessantes... Se eu estivesse com uma arma, sinceramente, cometeria suicídio...
9) Para a Caloura Ferdi, você achou que escaparia de mim? Agora que é acadêmica, ela nunca tem tempo. Sendo preciso mandar 500 e-mails para obter uma resposta... Observação... Estou esperando pelas respostas das minhas perguntas até hoje... Acho que vou enviar mais 500 e-mails...
10) Para mim mesma. Quem sou eu para fazer uma lista com declaração de morte?
Novamente agradeço a todos que leram essa estória. Espero que tenham gostado. Um grande abraço.
Sarah Ishtar.