O resgate de Gabrielle
Betinha
Capítulo 04
Xena esperava pacientemente enquanto Gabrielle devorava toda a comida oferecida. Ela adorava ver sua amiga comer daquele jeito, era divertido. Enquanto Gabrielle comia três maçãs, dois pães e um punhado de amoras, Xena se contentava com bananas e um cacho de uvas.
Os animais estavam em perfeita condição.
– Xena, ashumchompehsuimb?
Xena estreitou os olhos e inclinou um pouco a cabeça.
– O que?? Isso é grego??
A barda engoliu e sorriu. Realmente, nem a própria conseguiu entender o que disse.
– Xena, e o plano? Como será? Como sairemos daqui?
– Agiremos quando vierem lhe buscar. Provavelmente será a noite. – respondeu a guerreira dando uma última mordida na banana e jogando a casca para trás.
– Como só tem quinze homens será mais fácil. – disse Gabrielle
Xena consentiu com a cabeça e tornou a procurar algo para comer no balde.
– Xena. – disse Gabrielle seriamente. – Você não me respondeu...
– Perdão, foi uma pergunta? Sim, será mais fácil. – respondeu a guerreira achando um mamão.
– Sobre a esposa de Hiróclitos... Você a matou?
A guerreira deu um longo suspiro e olhou nos olhos de Gabrielle.
– Sim. – Xena mira o chão após a resposta. – Mas foi uma acidente, Gabrielle. Na verdade, não apenas autorizei o ataque ao acampamento dele, como também resolvi ir junto com eles... Eu não ia ter muito o que fazer naquele dia... Seria um passatempo. – a guerreira continuou sua história com um grande pesar em sua voz. – Lembro–me de ter entrado na tenda dele. Ele estava me esperando. – a guerreira continua falando enquanto Gabrielle ouvia atentamente. – No meio da nossa batalha, ela apareceu e atingi–a com minha espada acidentalmente.
– Tudo bem Xena, foi um acidente. – Gabrielle toca o rosto de Xena e ergue–o, olhando–a nos olhos.
Xena responde com um meio sorriso. O toque de Gabrielle era a coisa mais reconfortante do mundo para a guerreira. As mãos eram suaves, macias, o toque era quase angelical... Ela realmente sabia como animar a guerreira.
– Vamos nos preocupar em sair daqui, sim? – perguntou a Barda sorrindo – Afinal... Você veio me salvar.
Xena sorriu.
– Que resgate fracassado. – lamentou–se. – Prometo que não vai acontecer de novo.
O sorriso das duas é então interrompido por passos largos que se aproximavam. Um homem jovem, magro, usando roupas comuns e velhas adentra no local. Sua expressão era assustada, como quem estava se escondendo.
– Ouçam! – disse o homem. – Eu tenho como tirá-las daqui!
As duas se olharam sem entender o que era aquilo.
– Vejam bem... – o homem ofegante fechava a porta com cuidado. – Temos que ser rápidos, em breve sentirão minha falta. Meu nome é André, faço parte da tripulação.
– Um marinheiro... – disse Xena se erguendo para examinar o homem de perto.
– Sim, sou um marinheiro. Escutem–me, vou tirar vocês daqui. Será muito simples... Pra vocês... Que são guerreiras... – disse o homem coçando a cabeça.
Xena revira os olhos e cruza os braços olhando friamente para o homem ordenando, com esse ato, que ele prosseguisse com seu plano.
– É simples. Primeiro entenda que nós, os marinheiros, não estamos ao lado de Hiróclitos. Somos apenas escravos.
– Escravos? – perguntou Gabrielle posicionando–se ao lado da amiga.
– Sim e estamos dispostos a ajudá-las, contanto que nos deixem fugir. – disse André nervosamente apertando as mãos. – Acredite, com nosso grupo do seu lado, tudo será mais fácil! E vice-versa.
Xena apenas ergueu a sobrancelha esquerda enquanto deixou surgir um meio riso de seus lábios.
– Não é certo deixar escravos escaparem... Mas ajudarei vocês. Será uma... Troca de favores, certo? – perguntou Xena.
– Sim, e faremos o possível para ajudá-las. – o marinheiro sorriu.
– Preciso apenas de cobertura e, claro, armas. – disse a guerreira. – Vocês são quantos?
– Todos os tripulantes são escravos, exceto quatro soldados de confiança do Hiróclitos.
– Ótimo!! – disse Gabrielle. – Temos a maioria ao nosso favor agora!
– Suas armas estão guardadas na cabine do capitão. É um pouco difícil tirá–las agora. – lamentou o rapaz. – Mas conseguirei uma espada para você! Quando escurecer um dos guardas virá buscá-la... – aponta para a barda – ... será a hora perfeita!
– Sim, será. – Xena sorriu maliciosamente.
– Estarei exatamente no andar superior e baterei três vezes quando o soldado estiver descendo. – disse o marinheiro animadamente.
– Parece que esse bandido realmente nos subestimou. Apenas quatro homens! – brincou a barda cruzando os braços e olhando para a amiga com um lindo sorriso de vitória no rosto.
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A noite estava próxima. Gabrielle estava deitada sobre as palhas fingindo estar dormindo amarrada. Eles poderiam chegar a qualquer momento e ela devia manter seu disfarce.
Xena estava posicionada atrás da porta, imóvel. Perguntava–se se Gabrielle havia adormecido, pois fazia um bom tempo que não saía daquela mesma posição e mantinha os olhos cerrados. Xena sorriu. Amava ver sua barda dormir, mesmo que estivesse “supostamente fingindo”.
Gabrielle abre os olhos lentamente e percebe que Xena a observava. Aqueles olhos azuis pareciam um lago de águas límpidas, claras e calmas. Aquele olhar causava uma estranha paz na barda que corou e sorriu.
Ao ver que Gabrielle percebera seu olhar, Xena transforma sua expressão numa mais séria e gagueja um pouco para dar começo a um assunto sério:
– Er... – pigarreando – Está... Tudo bem aí? – perguntou a guerreira.
– Sim... sim! – respondeu Gabrielle. – Estou bem confortável...
O sinal. Três batidas no chão, vindas do andar de cima, são ouvidas pelas guerreiras.
Xena muda a expressão drasticamente quando consegue escutar passos fortes na sua direção e dá sinal para Gabrielle fechar os olhos novamente.
A porta de madeira se abre e um homem com armadura entra. Xena bate a porta e a tranca rapidamente.
– O que está havendo aqui? – perguntou o guerreiro.
Antes que pudesse fazer algo, Xena aplica–lhe o golpe dos pontos de pressão, fazendo–o cair paralisado ao chão. Desfaz o golpe e soca–o no nariz, fazendo o homem desfalecer.
– Lá se foi um. – Disse a guerreira tirando sujeira das mãos. – Vamos Gabrielle, amarre-o e vamos sair daqui.
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O sol havia acabado de se por e o céu ainda estava claro. No convés, os três soldados conversavam debruçados no parapeito enquanto os marinheiros executavam suas tarefas.
– Onde está aquele inútil com a garota? – perguntou um deles.
– Tem razão, ele já deveria ter voltado.
– Vamos parar de sonhar com a recompensa prometida por Cezar e vamos ver o que aconteceu.
Mal os homens se viraram e deram de encontro com certa guerreira que os olhava com cinismo e imponência.
Os soldados imediatamente sacaram suas espadas e ficaram em posição ofensiva.
– Como fugiu? – perguntou um deles.
– Achou mesmo que aquilo ali podia me segurar? – retrucou a guerreira.
– Vamos pegá–la! – os três partiram para atacar Xena que esquivou com perfeição dos golpes desferidos.
Logo todos os marinheiros se aglomeraram para ver a briga de perto.
Xena estava entre os três homens esperando por qualquer ataque. Ainda estava desarmada, mas esse não era um problema para a guerreira, que chutou um dos soldados que a atacou por trás. Prontamente os outros dois atacaram ao mesmo tempo. Xena consegue dar uma rasteira, derrubando os dois no chão. Os marinheiros/escravos vibravam enquanto levantavam seus esfregões, baldes e outros instrumentos de trabalho. Um deles joga seu esfregão e Xena o agarra no ar. Após uma breve examinada na ferramenta de limpeza, Xena sorri e começa a andar em círculos, sem desgrudar o olhar dos seus três oponentes que estavam levantando, enquanto girava o esfregão como se fosse um bastão.
– Agora já chega com essa palhaçada! – disse um dos soldados levantando e correndo para atacar a guerreira.
Este é recebido pelo esfregão, ainda molhado, no rosto. A pancada faz com que ele dê um passo para trás. Xena imediatamente golpeia–o em cada lado da face com o mesmo lado do esfregão.
– Hora de lavar essa cara suja. – disse fazendo com que os escravos rissem.
Desmoralizado, o soldado enfurecido parte novamente para cima da guerreira que gira o esfregão sobre a cabeça, golpeando–o, desta vez com o lado de madeira, no estômago. Novamente girando o esfregão, golpeia–o nas costas e este cai de bruços no chão. Os outros dois novamente atacaram e foram recebidos da mesma maneira que o outro.
Porém um deles golpeia a guerreira com a espada que, ao defender–se, tem o seu esfregão quebrado em dois. Descartando a arma, Xena dá seu grito de guerra e pula, chutando o homem com os dois pés e girando no ar, cai atrás dos outros dois. Ela os agarra pelas orelhas e choca as duas cabeças violentamente, fazendo–os desmaiar.
O terceiro guerreiro gira a espada em oito.
– Você é bem persistente. – disse o soldado. – Mas agora já chega... Mais cedo você sentiu a força do meu punho, agora conhecerá minhas habilidades com a espada.
Quando ia atacar, Xena com um chute circular desarma–o. Com o outro pé, o chuta no rosto fazendo o soldado capotar no chão, atordoado.
– Tem razão. Já chega. – Xena senta–se na barriga do homem e soca–o violentamente no rosto. O homem desmaia com a boca e o nariz cheios de sangue. – E isso sim é um soco.
A multidão vibra e grita o nome de Xena.
– Amarre–os e leve–os para o porão. – ordenou para alguns homens. – André!
– Sim! – respondeu o marinheiro.
– Onde está Gabrielle?
– Deixei onde você ordenou.
– Certo. Vá com eles e certifique que eles estejam bem presos e amordaçados. – ordenou mais uma vez. – O restante, façam mais barulho...
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Atraído pelo barulho da confusão, Hiróclitos deixa a sua cabine e parte para o convés. De tão preocupado, ele não percebe que, escondida atrás de uns barris perto da porta, estava Gabrielle. Assim que o homem toma uma distância, Gabrielle sorrateiramente entra na cabine.
Ao fechar a porta, constatou que a cabine estava mais organizada do que pensara. Era maior que as cabines normais, tinha uma cama de casal, um baú à esquerda da cama, uma escrivaninha na frente da cama, com vários pergaminhos abertos e fechados, e mais um baú no canto esquerdo.
Percebeu também, um pouco mais além, duas antecâmaras. De dentro de uma delas, um cheiro característico de comida a fez se distrair um pouco. Curiosa, Gabrielle entrou e viu uma mesa posta para dois com um banquete. “Será que era pra mim?” pensou confusa. Logo sorriu e disse para si mesma:
– Será meu de qualquer forma. – deixou o lugar e voltou ao quarto. – Por onde eu começo a procurar? – perguntou Gabrielle.
Então se dirigiu ao baú do lado da cama. Abriu–o e não encontrou nada além de roupas e objetos pessoais. Fechando, ela observou o outro baú e cruzou o quarto até chegar nele. Sorriu ao ver que se tratava de um baú de armas.
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– O que está havendo aqui??? – bradou Hiróclitos fazendo com que toda a algazarra no convés cessasse imediatamente. – Xena???
– O que está havendo é que seu plano falhou! – respondeu a guerreira. – Esperava mesmo que fosse funcionar por muito tempo?
– Onde estão meus homens??? – gritou para os marinheiros.
– Devem estar curtindo uma boa soneca lá no porão. Não quer ir também?
Furioso o homem ignorou a guerreira e gritou com seus escravos.
– Solte–os agora!! – gritava. – Vamos, por que não se mexem?
– Não somos mais seus escravos! – disse André.
– O que?! Claro que são, eu os comprei com meu dinheiro!
– Dinheiro roubado! – O jovem escravo respondeu no mesmo tom, criando sobre eles olhares temerosos, outros confiantes. – Muitos aqui também foram sequestrados, tirados covardemente de seus lares, de suas famílias... Não, Hiróclitos! Já chega! – disse André. – Foi estupidez viajar sozinho conosco.
– Ah, seus vermes! – O homem desceu furioso e foi de encontro ao jovem rapaz, ameaçando–o com a espada. – Você vai ver agora...
Xena que assistia à cena, pulou na frente do jovem e golpeou o homem com um soco no estômago.
– Gosta de ameaçar pessoas desarmadas?? – perguntou a guerreira enquanto via o homem recuar três passos largos com a mão sobre o estômago. – Me ameace... Seu caolho... – Xena abriu os braços, chamando–o com as pontas dos dedos, ironicamente.
Xena estava se arriscando. Conhecia as habilidades do seu oponente e lutar desarmada com ele seria mesmo um perigo. Mesmo assim não deixaria que ele maltratasse aqueles homens. Contava com Gabrielle para trazer as armas, mas onde se metera aquela barda?
Hiróclitos partiu para o ataque com a espada em punho e Xena esquivou da primeira investida. Porém foi surpreendida com uma rasteira, da qual não foi capaz de desviar. Xena caiu de costas para o chão e só teve tempo de ver uma lâmina brilhante descendo rápido. Rolou para a sua direita e a espada fincou no chão de madeira do convés.
Aproveitou enquanto o homem tirava a espada do chão e pulou chutando–lhe no rosto.
Com raiva, ele levanta e corre com a espada nas mãos, e, num movimento cruzado, tentou atingir a princesa guerreira que conseguiu com muito esforço desviar daqueles golpes. A lâmina passou por duas vezes quase rente à sua cabeça, chegando a cortar uma pequena mecha dos negros cabelos da guerreira.
Impaciente, Hiróclitos a atinge com um soco no rosto que Xena não esperava, fazendo–a novamente cair no chão.
– Xena! – Gabrielle surge empurrando os outros escravos trazendo a espada de Xena e o chakram.
Primeiro a barda atira a espada que se arrasta até as mãos da guerreira caída. Xena só teve tempo de erguer os braços pra bloquear outro violento golpe.
Então se inicia uma luta com espadas, de igual para igual. Ataques, esquivas, bloqueios, chutes e socos. O céu já apontava suas primeiras estrelas e uma grande lua cheia estava nascendo, porém ainda não estava totalmente escuro.
– Xena, seu chakram! – disse Gabrielle arremessando o chakram.
– Não G... – Xena tentou avisar, mas foi tarde demais. Por jogar de maneira errada, o chakram subiu cortando todas as cordas que seguravam a vela principal do barco e fincando no mastro principal.
Xena lança um olhar gélido, como se dissesse um irônico “parabéns, Gabrielle...” que apenas mordeu o lábio inferior e se encolheu entre os escravos, limitando–se a dizer apenas um “ops!” enquanto a vela caía lentamente sobre a cabeça dos combatentes e de alguns escravos.
A pequena barda ergueu–se de novo, ao olhar enquanto a vela caía e viu Hiróclitos mover–se rapidamente.
– Xena! – alertou quando o homem pulou sobre a guerreira.
Tudo o que se via agora eram reboliços embaixo da vela. Barulhos de espadas, gemidos de dor e barulhos de golpes violentos. Arrastaram–se por menos de cinco minutos sob o olhar apreensivo dos espectadores. Gabrielle estava tensa, não sabia quem estava vencendo ali. Mordia o nó do dedo indicador nervosamente e sentiu a mão de André confortando–a.
– Calma. – disse o jovem marinheiro.
Então se ouve dois gritos de dor vindos debaixo do enorme pano caído, um barulho de uma queda. Pela silhueta, eles podiam ver que um estava sentado sobre o outro que estava deitado. Logo viram o sangue que escorreu sujar a vela que absorvia o líquido, fazendo uma mancha vermelha.
O sobrevivente se ergueu com certa dificuldade. A silhueta mostrava um corpo grande e largo subindo. O barulho da lâmina sendo retirada do corpo foi escutado pelos escravos assustados. Imediatamente essa lâmina, suja de sangue, rompe a vela e duas mãos fortes, porém femininas, rasgam o tecido libertando Xena.
Gabrielle ri aliviada e corre para abraçar a ofegante amiga.
– Pelos deuses, Xena... Me desculpa! – recostou o rosto no peito de Xena que apenas sorriu e a envolveu com um braço sobre os ombros. Gabrielle conseguia ouvir a respiração descompassada e as batidas fortes de Xena e ficou preocupada. – O que houve? – perguntou apreensiva.
– Ta perdoada. – sorriu a guerreira.
Gabrielle retribui o sorriso.
– Gabby... – diz Xena olhando–a serenamente.
– Sim, Xena? – pergunta Gabrielle corando. Xena raramente a chama por esse apelido carinhoso e a Barda amava ser chamada assim por ela.
A expressão de Xena muda para uma mais dura e a guerreira aponta para cima com o polegar.
– Vai buscar. – aponta para o chakram fincado quase no fim do mastro e dá duas tapinhas no ombro da amiga.
O grupo de escravos grita alegremente. Eles cercam Xena com os olhos de felicidade e a levam para outro canto. Outros procuravam retirar dali o corpo do vilão. No fim, restou apenas Gabrielle indignada, com as mãos na cintura.
– Ora essa, sua...
André se aproxima da barda com um sorriso no rosto.
– Não se preocupe, eu pego pra você. – sorriu gentilmente. – É o mínimo que eu posso fazer.
– Obrigada. – disse a Barda concentrada na Guerreira.
Gabrielle amava ver Xena em ação. Sentia seu coração pular ao ver aquele olhar, aquelas posições ofensivas e aquele sorriso sarcástico e sádico que brotava no rosto... Ao mesmo amedrontava e provocava desejo na barda que não conseguia parar de olhar para a guerreira que estava cercada de homens que a admiravam, enquanto ela dava instruções.
– Aqui está! – disse André descendo as escadas com o chakram na mão. – Senhora? – perguntou.
– Oh... Desculpe... Me chame de Gabrielle. Obrigada por pegar o Chakram. – sorriu gentilmente para o marinheiro e andou até a guerreira. – Vai assumir agora, Capitã?
Xena sorriu e apanhou o Chakram das mãos da barda.
– Você não pegou o Chakram. – a barda respondeu com um sorriso. – Desculpas aceitas. Só não o lance mais.
– Sim senhora. – deu a língua. – O que iremos fazer, capitã?
– Teremos que ancorar aqui. – Xena apontou para o norte, rumo que tomavam. – Tem uma tempestade muito forte logo em frente e estamos sem a vela principal graças a uma certa lourinha. Os homens consertarão isso amanhã logo cedo e partiremos de volta pra casa.
Xena abraçou Gabrielle pelos ombros e andou.
– Droga. – Xena pôs a mão no ventre como se sentisse dores no local.
– Cólicas? – riu a barda.
– Não... Um chute... Mas como eu dizia...
– Um chute??? – perguntou a barda assustada.
– Sim, Hiróclitos me deu um chute bem aqui...
– Ah, que susto. – suspirou Gabrielle.
Xena girou os olhos e balançou a cabeça.
– Você não tem jeito mesmo... Vem, vamos para a cabine do capitão. Acho que precisamos descansar...
– Sim, precisamos! Lá tem um banquete maravilhoso e uma cama enorme! Não precisaremos disputar espaço.
– Talvez eu não acorde com seus braços e pernas em cima de mim novamente! – a guerreira brincou e a barda corou.
E as duas seguiram até a cabine, do agora defunto, Hiróclitos.
Continua...