O Retorno à Idade de Ouro
Leandro P. Silveira
Disclaimer
As personagens Xena e Gabrielle,bem como outros que aparecem na fanfic são marcas registradas da MCA/Universal e Renaissance. Esta é minha primeira fic, por isso não sei se ficou boa. Ela é uma reflexão do mundo cruel em que vivemos e o mundo em que gostaríamos de viver. A história tem o envolvimento romântico entre duas mulheres, então se você é homofóbico, menor de 18 anos ou é preso por ler esse tipo de conteúdo é melhor cair fora!
Boa Leitura!
Xena e Gabrielle estavam caminhando pela Grécia, porém uma Grécia mais violenta, um mundo mais perigoso. Um mundo onde a vida ficava cada vez mais difícil, as guerras eram muito mais freqüentes e epidemias estavam assolando com mais velocidade as pessoas nas aldeias. Inclusive a família de Gabrielle havia saído de Potédia por causa de uma febre que se abateu na região.
“-Xena,olhe que gozado. O nosso mundo está piorando cada vez mais. As pessoas estão sendo movidas pelo egoísmo e a paz está ficando cada vez mais rara. Sempre por onde passamos só vemos guerra, guerra e mais guerra!” - filosofa a doce Gabrielle.
“-Também percebi isso. E a tendencia é só piorar!”
-”Nossa Xena! Quanto pessimismo.”
“-Não estou sendo pessimista e sim, realista.”
“-É verdade você tá certa Xena. Além do mais não é só guerra e injustiça que afligem o mundo. Há também as doenças e a fome.”
“-Por falar em doenças. A sua família já se instalou na nova aldeia?
“-Sim já! Lila até chorou quando abandonou Potédia, mas a epidemia obrigou todos à saírem de lá.” - comenta Gabrielle entristecida.
A guerreira e a barda continuavam a conversar pelo caminho quando estavam entrando em um povoado que acabara de ser destruído, haviam destroços de cabanas, armas jogadas pelo chão e o mais triste: corpos ensangüentados caídos no chão. E Gabrielle virando-se para sua companheira comenta:
“-Que horror Xena. Pobres homens mortos no chão. Imagine a tristeza de viúvas e órfãos ao saberem da morte dos maridos e dos pais. É Xena, hoje é pura sorte uma aldeia ou até mesmo uma cidade ficar invicta a uma guerra.”
“-Oh Gabby,você deveras é uma mulher de bom coração. Preocupa-se ternamente com as pessoas.”
Gabrielle sorri e se abre com Xena: - “Sabe Xena, há muito tempo eu sonho com um mundo justo, onde não existe nem guerra e nem violência. Um lugar onde reina a verdadeira paz, onde um homem não machuque seu semelhante,onde o amor impera soberano sobre todos os mortais e um lugar onde as pessoas vivam em completa harmonia umas com as outras.”
“-É...esse mundo que você sonha existiu apenas uma vez na Idade de Ouro”.
“-Eu sei. Já tive a oportunidade de ler a obra Os Trabalhos e os Dias de Hesíodo. Adorei saber que os mortais viveram numa era de perfeita paz e por isso eu almejo um mundo desse jeito.”
Xena e Gabrielle ainda estão andando pela estrada, debaixo de um sol quente quando avistam ali perto, num campo, guerreiros lutando contra aldeões. E Xena parte para cima dos guerreiros para enfrentá-los. Pula em cima de um e o derruba no chão, golpeia três de uma só vez, saca sua espada e ataca outros. Gabrielle avista um celeiro e percebe que ali dentro estão trancadas mulheres e crianças e corre para abrir as portas para poder soltá-las. Xena continua socando os guerreiros até que uma fileira de soldados aponta arcos com flechas para sua direção. Ela pega seu chakram e lança numa árvore fazendo-o bater nela e ir em direção das flechas até arrebentar todas. Amedrontados os homens abandonam a luta. Porém, quando Gabrielle estava correndo em direção ao celeiro, um covarde dispara uma flecha em chamas para o lugar atingindo-o e de repente o celeiro começa a se incendiar. As labaredas se alastram e tomam conta de tudo condenando assim aquela gente inocente.
Gabrielle se ajoelha e grita:-“Nãããããoo!!!!”
Xena, nesse instante olha para Gabby e para o celeiro e suspira demoradamente. Estranhamente ela sente seus pêlos se arrepiarem mas não liga para isso porque está vendo sua amiga chorar por aquelas pessoas que sequer ao menos conhecia, mas por empatia sentia pesar. Acontece que Ares estava ali perto, invisível, rindo de toda aquela situação.
“-Por que Xena? Por que? Estava prestes a salvar eles e num instante tudo começa a arder em chamas. Ai Xena, como eu queria viver num mundo aonde essas coisas não existissem, onde a dor não pudesse se abater sobre ninguém...”
Ares encabulado começa a ficar pensativo. Parece que ele está tendo alguma idéia. Uma idéia para afastar Xena de Gabrielle e fazer ela voltar para o lado dele. Logo ele desaparece sem antes dar um sorriso sinistro. Xena aproxima-se de Gabrielle e a abraça e diz:
“- Eu também gostaria de saber o porquê dessas tragédia Gabby...mas isso é comum e atrocidades sempre irão acontecer.”
“-Sim, sempre irão acontecer” - repete Gabrielle com lágrimas escorrendo pelos olhos.
Mas elas não podiam ficar ali imaginando o porquê de situações horríveis como aquela que acabaram de presenciar, pois Gabrielle estava indo visitar sua família na nova morada.
O sol já está se pondo e a noite já está chegando, as heroínas agora precisavam parar num lugar e descansar para amanhã continuar andando até chegar à nova aldeia da família de Gabby. Xena encontra um bom lugar no meio de um bosque e ficam por ali mesmo.
“-Ai Xena eu não vejo a hora de rever meus pais e a Lila. Estou com saudades deles. Quero ver se estão bem.”
“-Vamos então descansar para amanhã seguir em frente.”
Xena então acarícia o belo rosto de Gabrielle e dá a ela um selinho de boa noite. Gabby sorri e passa delicadamente suas mãos na cintura de Xena e deita abraçada com ela e segurando a mão da guerreira. Logo elas adormecem debaixo do céu noturno lindíssimo repleto de incontáveis milhões de estrelas brilhantes. A noite passa e o sol começa a raiar em meio às nuvens no horizonte, os pássaros já estão cantando e Xena é a primeira a acordar se espreguiçando com Gabrielle ao lado ainda dormindo.
“-Gabby vamos acordar e levantar linda! Olhe que dia bonito!”
“-Eu vou acordar mas me recuso a levantar” - responde sonolenta.
“-Ah é? Então eu acho que teremos que adiar a nossa visitinha. Mais tarde quem sabe veremos sua família.”
“-Ops... esqueci que temos que ir ver eles. Vou tomar um banho no lago e preparar o café da manhã.”
“-Pode ir tomar seu banho que eu mesma preparo o café.”
“-Puxa Xena como você é gentil. Obrigada!”
Xena faz um delicioso lanche de frutas silvestres enquanto Gabrielle se esbanja nas águas frescas do rio. Elas comem e põe de novo o pé na estrada, mas ingenuamente não sabem o que está por vir. Ares já tinha um plano secreto que estava prestes a ser revelado. Xena e Gabrielle partem e depois de algumas horas chegam a nova aldeia dos pais da barda. Ao ver Lila, Gabrielle corre para cima dela abraçando-a e dizendo:
“-Que saudade minha queridinha irmã. Você está bem? Cadê nossos pais?”
“-Também senti saudades de você Gabby. Eu estou bem,bom...quase bem, deixar o lugar onde nascemos e crescemos é meio complicado.”
Hécuba e Heródoto aparecem em seguida e abraçam sua filha que fazia tempo que não viam e lágrimas de alegria rolavam pelos seus rostos. Xena fica um pouco afastada, pois ficava sem jeito quando estava perto dos pais de sua amiga já que não gostavam muito da decisão de Gabrielle segui-la. Hécuba emocionada diz:
“-Minha filha querida nós estávamos com tanta saudade de você!! Que bom que você veio nos visitar. A aldeia é boa e as pessoas daqui também são de paz.”
“-Também senti saudades de vocês.”
Sem ninguém perceber, uns guerreiros se aproximavam daquele povoado para atacar. Eles haviam sido enviados por Ares para executar o seu plano de separar Xena de Gabrielle. Porém Xena não é boba e nota a movimentação anormal e soa o alerta:
“-Gabrielle tome cuidado! Vocês aldeões também! Estão vindo nos atacar”
“- Ops,problemas” - diz Gabrielle levando sua família para trás de uma árvore.
“-O que está havendo Gabrielle, quem são os que estão querendo nos atacar?”-pergunta Lila.
“-Não sei, mas é bom que você fique aqui atrás.”
Os guerreiros anônimos começam uma luta de espadas com Xena. Ela vai driblando e derrotando eles, atinge chutes na cara de dois e derruba a espada de mais cinco. Gabrielle vai ajudar e com seu velho bastão golpeia vários deles tomando cuidado para não ser ferida na briga. Mas o pior para ela está por vir: três guerreiros armados de arco-e-flecha aproximam-se de Hécuba, Lila e Heródoto e disparam atingindo-os com uma mira perfeita e certeira. Gabrielle ouve os gritos de Lila e vira-se para ver o que tinha acontecido e vê seus pais e sua irmã caídos no chão com o peito transpassados pelas flechas. Imediatamente ela corre até eles e entra em pânico não sabendo o que fazer, apenas chorava desesperadamente.:
“-Nãããããoooooooo!!!!. Pai!! Mãe!! Lila!! Porque teve que acontecer isso? Eu mal acabei de chegar e tragédias já acontecem!!!Ahhhhhhhhh!!!!!!!”
Xena vira-se ao ouvir os gritos de sua amiga e a vê sentada no chão ao lado de seus parentes feridos. Ela, então, põe o resto dos guerreiros para correr e chega até Gabrielle abraçando-a.
Nesse momento Ares surge juntamente com os três Destinos- Cloto, Láquesis e Átropos- e olha com uma cara falsa de piedade para Gabrielle e diz:
“-Seus pais e sua irmã Lila. Feridos mortalmente. Oh Gabrielle você nem imaginava que isso poderia acontecer não é? Sua família fugiu da epidemia para acabar sendo destruída por um ataque de assassinos. Bom.. .isso tinha que acontecer, né. Afinal vocês mortais vivem num mundo ímpio e cruel.”
“-O que você quer aqui seu desgraçado!?” - pergunta Xena com um semblante cheio de raiva.
“-Não vim aqui por sua causa minha cara Xena.”- diz Ares sarcástico e vira-se para Gabrielle para continuar a falar. - “Sei que você sonha com um mundo livre de guerras e desastres não é garota? Então eu estou aqui para transformar o seu grande sonho em realidade. Você abandona a Xena e vai viver com sua família sã e salva na Idade de Ouro. O que acha? Destinos!!! Agora é com vocês.
Os três Destinos, sem perder tempo, puxam o fio da vida de Gabrielle e alteram assim o destino dela fazendo a barda voltar a Idade de Ouro junto com sua família. Gabrielle desaparece subitamente daquela realidade e parte para a outra. Xena espantada grita para o deus da guerra:
“-O que Você fez com ela, para onde Gabrielle foi???”Vamos diga!!
“-Oh Xena eu já disse. Ela foi mandada de volta para a Idade de Ouro onde os mortais vivem sem preocupação e sem lutas. O que acha?”
“-Ares faça ela voltar para essa realidade. Você sabe muito bem que o lugar dela é nessa época.”
“-Tarde demais Xena. Gabrielle finalmente tem o seu sonho concretizado. Ela não viverá mais num mundo perigoso e sombrio. Ela jamais vai querer voltar para cá depois que estiver estabelecida na Era Áurea. Adeus Xena.”- e desaparece junto com os Destinos.
Xena inconformada ajoelha-se no chão aflita. Aquele acontecimento foi marcante para ela. Gabrielle, sua companheira, não estava mais com ela. Era um amor perdido. Um sentimento de solidão tomou conta do coração da guerreira. Porém ela não era mulher de se render fácil. Decidiu ir ao templo dos três Destinos para tentar recuperar Gabrielle. Ela pegou emprestado um cavalo na aldeia, chutou levemente o estômago dele e partiu galopando velozmente.
Já Gabrielle estava agora na Idade de Ouro. Estava no mundo sem guerras e nem doenças. Ela agora ia se deliciar nessa vida sem perturbação. A barda caminhava entre as flores mais variadas, borboletas passavam por ela e passarinhos a sobrevoavam. Gabrielle tinha como vestimenta uma roupa branca feita de tecido leve, afinal naquela época os humanos viviam numa eterna primavera. Observava a sua família sorrindo alegremente no bosque de árvores eternamente fecundas. Parecia que ela esquecera por alguns instantes sua amiga Xena. Perto dali uma bela mulher de cabelos morenos está olhando para Gabrielle e fica encantada com a beleza da loira e decide ir conversar com ela.
“-Oi! Posso saber qual o nome dessa criatura encantadora?”- diz a mulher com um sorriso na boca.
Gabrielle rindo com o elogio responde:“-Meu nome é Gabrielle e o seu?”
“-Que nome lindo. Eu me chamo Astréia. Prazer em conhecê-la Gabrielle.”
“-Astréia!!!??? Quer dizer então que você é a filha de Zeus e Têmis?”
“-Nossa que espanto. Todos aqui sabem que sou a deusa da justiça. Aquela que ensina as atividades caseiras e a sabedoria aos homens.”
“-Desculpe é que eu não sou dessa realidade.”
“-Não entendo?”
“-É que eu sou do futuro. Mas os Destinos me mandaram para cá para viver na paz num lugar repleto de amor e amizade.”
“-Não entendi muito bem mas prazer em conhecê-la. Aqui você viverá sob o governo pacífico de Cronos.
Era uma cena lírica. Gabrielle estava nostálgica com tudo o que via, parecia até que não era verdade de tão bom que estava, mas Gabrielle realmente estava lá. Aquela agora seria a sua nova realidade, ela viveria com sua família em paz, sem nenhum conflito, sem doenças, sem fome e sem morte, afinal, ela nem existia nessa Idade.
Na outra realidade, Xena estava avançando para o templo dos Destinos para tentar recuperar de alguma forma, sua amada companheira de aventuras. Ela jamais sobreviveria sem Gabrielle aquela doce garota que pediu, já faz algum tempo, para seguí-la em sua jornada. Gabrielle havia dado à ela um novo sentido na vida, um novo rumo ...e ficar sem Gabrielle tornaria sua vida vazia. Passa um dia e Xena chega rapidamente ao templo, abre os portões e vai logo na sala central e grita:
“-Destinos!!!!!!!!!! Cloto, Láquesis, Átropos!!!!!!!!!!!Apareçam.”
“-O que quer de nós?” - perguntam os Destinos tecendo alguns fios da vida.
“-Eu quero Gabrielle de volta. O lugar dela é aqui comigo!” - responde revoltada
Nesse instante Ares surge e fala pra guerreira:
“-Oh Xena! Você não terá mais sua Gabrielle. Entenda e deixe os Destinos em paz!”- diz Ares com seu jeito irônico de sempre.
“-Ares foi você que tramou isso. Reverta essa situação agora! Você sabe muito bem que a realidade de Gabrielle é essa em que estou vivendo.”
“-Xena, você vai querer mesmo estragar a felicidade dela?” Que amiga hein? - responde Ares ainda mais sarcástico.
“-Não estarei estragando a felicidade de ninguém. Ela me ama muito e deseja ficar comigo aqui.”
“Tudo bem Xena. Vamos fazer o seguinte: Os destinos mandarão você de volta a Idade de Ouro. Se Gabrielle escolher ficar com você, as duas voltarão para cá. Mas sei que você não terá êxito. Ela jamais vai abandonar o mundo de paz e alegria em que está para voltar a esse e continuar seguindo uma guerreira arrependida que se envolve em lutas e batalhas.”
“-Certo Ares. Porém se ela me escolher eu quero que os pais e a irmã delas estejam curados, livres de morrer pelas flechadas.”
“-Feito Xena. Adoro a sua determinação. Destinos!! Mandem Xena também para a Idade de Ouro para junto de Gabrielle”.
Os três Destinos puxam fortemente o fio da vida de Xena fazendo a guerreira sumir daquela realidade e partir para a outra, no passado. Logo Xena aparece no belo mundo da Idade de Ouro. Ela vê animais, tidos por ela como selvagens, vivendo em harmonia com humanos. Vê mortais sendo felizes e dançando. Perto dali, Xena via alguns deles tecendo alegremente a lã de carneiros multicores.
Enquanto isso Gabrielle estava com Astréia colhendo pequenas frutas. Ela faz uma cara triste e dá um breve suspiro dizendo:
“-Tudo está tão bom...mas eu queria mesmo a Xena.”
Xena está perto de Gabrielle mas não a vê. As duas sentem algo no peito, no coração indicando que uma estava bem perto da outra. Gabrielle vira-se para a direita e não acredita: ela está vendo sua guerreira! Xena vira-se também e vê a sua poetiza querida. Não contendo as lágrimas elas vão em direção uma à outra e se abraçam demoradamente.
“-Oh Gabby!!!!Que bom que eu te encontrei!!” - diz Xena felicíssima.
“-Ah Xena. Pensei que não a veria mais. Mas você está aqui” - e virando-se em sua volta continua - “Olhe como tudo é belo. Esse mundo que eu sonhei é tudo de bom Xena. Aqui não há guerras, doenças, fome e a morte não existe.”
Xena fica meio sem jeito pois sua missão não era permanecer na Idade de Ouro e sim voltar pra a realidade original delas. Porém ela não quer estragar a felicidade de Gabrielle e sabe que a barda vai ter que fazer uma escolha crucial: ir embora com Xena ou ficar naquele mundo.
Astréia interrompe o reencontro delas perguntando:
“-Quem é essa sua amiga Gabrielle??”
“-Esta é Xena que por sinal eu considero mais do que uma amiga. Xena significa tudo pra mim.” - elogia Gabrielle.
“-Muito prazer Xena, eu sou Astréia, filha de Zeus.”
“-O prazer é todo meu”
Xena olha para Gabrielle e diz:“- Gabrielle eu preciso lhe falar uma coisa que...” - mas é interrompida por Astréia.
“-Ei,vamos nós três ali. Estão todos em festa no campo.”
“-É venha Xena vamos nos divertir um pouco.” - instiga Gabrielle contente.
Xena faz uma cara de indiferente mas esboça um pequeno sorriso para não estragar a alegria de Gabrielle e vai com as duas para o campo. Xena teme pela resposta de Gabby à sua pergunta, afinal, seria uma tremenda escolha.
Chegando ao festival Gabrielle se afasta um pouco para dançar com Lila e Hécuba, enquanto Astréia aproxima-se da princesa guerreira para perguntar:
“-Eu não entendi esta história que Gabrielle me contou de outra realidade, mas mesmo assim percebo que você não está muito contente, não é?”
“-Exatamente. A Idade de Ouro é realmente uma excelente época mas nosso lugar não é aqui.”
“- Mas se você se julga tanto amiga dela assim deveria respeitar a opinião dela. Se você possui meios para voltar a não sei aonde, deveria deixar Gabrielle tomar a decisão. Você não pode controlar a vontade dela.”
“- É isso mesmo que eu vou fazer Astréia e é claro que não posso controlar as vontades e desejos dela.” - responde Xena encarando ameaçadoramente a deusa, e completa sua fala ironicamente - “ e bem atirada você para estar vivendo numa Era de Ouro onde não há ciúmes e nem rixas.”
Astréia um pouco ofendida vira as costas para Xena e vai dançar com Gabrielle. Xena sozinha encosta numa pedra e derrama uma lágrima, logo já está chorando. Os sentimentos que a guerreira nutria pela sua barda eram tão fortes que a faziam chorar como um nenê.
Xena começa a relembrar de seu passado.
“-Aquela loirinha parada na minha frente, implorando para me acompanhar, querendo viver aventuras, conhecer lugares e ajudar os inocentes...”
Gabrielle:“-Tem que me levar com você e me ensinar tudo que sabe!... Não pode me deixar aqui...".
Gabrielle estava amadurecendo com as aventuras que Xena e ela vivenciavam. Xena agora pensava: “-Gabrielle é igual a um pássaro. Cria asas e tem que voar. Mesmo se a decisão dela for machucar meu coração eu terei que respeitar sua vontade.”
Xena olha para Gabrielle e a vê toda sorridente se esbaldando na dança. Ela estava muito feliz em viver naquele mundo perfeito. Finalmente Gabrielle havia encontrado a paz. Mas se ela decidir ficar para sempre naquela época, Xena jamais iria ser feliz de novo, pois aquela que a completa não estaria mais ao lado dela sempre sorrindo e a amando. Gabrielle olha para Xena e sai da dança. Aproximando-se da guerreira ela percebe que Xena havia chorado e resolve perguntar:
“-O que houve Xena?? Estava chorando?”
“-Sim Gabrielle estava.”- e passa a mão nos olhos para secar as lágrimas.
“-Porque?”- pergunta novamente e segura as mãos da guerreira.
“-Porque eu tenho que te perguntar algo muito complicado. Sei que você está muito feliz nesse mundo que sempre almejou viver ...mas essa não é sua realidade nem sua época Gabrielle. Sabe porque eu estou aqui???Vim pra cá para te levar de volta para o nosso mundo original. Mas te imploro, não pense que sou uma amiga má que não quer te ver feliz”
“-Xena... esse lugar é fantástico. Aqui todos são perfeitos. Os mortais vivem igual os deuses, sem labuta e nem dor. Eu ficaria aqui por mim, mas eu tenho você. Xena, eu sei que aqui não é minha realidade. Ares está me iludindo pois não posso ficar sem você. “
Gabrielle sorri e derruba algumas lágrimas enquanto falava e Xena segurava firmemente em suas mãos. Xena toma a palavra:
“-Gabrielle...você decide...”- Gabrielle interrompe.
“-Sim Xena. Eu sei que você quer me perguntar. E a resposta é que eu escolho voltar com você para o nosso mundo. Ares fez os Destinos me mandarem para cá só para ver se eu desistiria de você, mas ele falhou pois jamais ficaria sem você. Irei voltar e dar um enterro digno aos meus pais e a Lila e...”
“-Não Gabrielle!! Fiz Ares me prometer que se você quisesse ficar comigo e não aqui, ele iria reparar os danos e fazer sua família ficar sã e salva.
Nesse ponto Gabrielle percebeu mais ainda que sua guerreira estava disposta a fazer tudo pelo bem dela. Sentiu um calor no coração. Xena realmente demonstrava amor por ela.
“-Bom Xena mas ...e agora? Como faremos para voltar. Eu não tenho a mínima idéia do que vamos fazer.”
“-Eu tenho! Gabby, Ares quer que você demonstre sinceramente que quer ficar ao meu lado, por isso apenas uma demostração genuína do seu amor incondicional por mim vai nos fazer retornar.”
“-E como seria essa demostração?”
Xena então se levanta junto com Gabrielle e segura uma de suas mãos pondo a outra na cintura da loira. Xena aproxima seu rosto ao de Gabrielle e lhe dá um beijo apaixonado. Ahhh...aquele beijo era muito delicioso. Xena redescobria Gabrielle passando sua língua ternamente na boca de Gabrielle. Para Xena o sabor do beijo de Gabrielle era muito melhor do que o mel...ou ainda...melhor que o da Ambrosia!
Enquanto as duas se beijavam calorosamente ela iam sumindo daquela realidade e logo já estavam no mundo original em que viviam, mas como o beijo estava tão gostoso elas só percebem minutos depois. Ao abrirem os olhos e interromperem aquele momento divino Gabby vê que sua família está vivendo feliz na nova aldeia. Ares havia falhado de novo. Ele não poderia separar duas almas gêmeas.
“-Oh Xena que esquisito. Mesmo voltando para o nosso mundo da Idade de Ferro eu estou me sentindo tão bem.”
“-Se você está se sentindo assim eu estou igualzinha.”
“-Xena essa escolha mudou muito minha vida pois sei que você é o meu caminho e meu mundo.”
“-Gabby eu tenho uma curiosidade e preciso perguntar uma coisa.”
“-Pergunte”
“-Você tinha em mente que não ficaria muito tempo na Idade de Ouro? Digo isso pois sei que quando Zeus se tornou o deus supremo no lugar de seu pai ele acabou com aquela idade pondo os homens de ouro num sono profundo para depois transformá-los em gênios da Terra.”
“-Xena eu nem me toquei nesse detalhe. E sabe que foi bom, pois isso torna a minha decisão em ficar contigo ainda mais válida.”
As duas se abraçam e Gabrielle olha para Xena como quem quer algo e pergunta:
“-Xena vamos ali perto daquela árvore?”
“Vamos.”-responde Xena entusiasmada já sabendo o que seria.
Xena se encosta no tronco da árvore florida e Gabrielle põe delicadamente suas mãos na cintura da guerreira e esta começa a lhe alisar os cabelos. Xena abaixa um pouco o rosto e dá um beijo apaixonado na sua barda que corresponde na mesma intensidade. Xena passa suas rijas mãos no esbelto quadril de Gabby e ainda beijando-se sentam na relva embaixo da copa da bela árvore. Xena e Gabrielle se despem, uma tirando amorosamente a roupa da outra e se envolvem, deitadas no chão, em um terno abraço. Xena lança um olhar sedutor para Gabrielle que retribui, sorrindo maliciosamente, com seus lindos olhos verdes presos aos olhos belos e azuis da guerreira e se beijam novamente com mais ardor.
O sangue das veias de cada uma esquentava cada vez mais. Era uma excitação e tanto! O sabor dos lábis macios de Gabrielle acendia o fogo da princesa guerreira que delirava de amores pela loira. Gabrielle esfrega ternamente suas delicadas mãos nas coxas fortes de Xena e lá continuam a se amar. O prazer e o deleite era tanto que elas pareciam estar vivendo numa legítima Idade de Ouro.
Fim