A Imperatriz e a Guarda Real

By M. N. Silva

Contato: xena.m.n.silva@gmail.com


Uma fanfic de

 

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Uma amazona na Guarda Real

 

Ao nascer do sol a Capitã das amazonas assomou na entrada do jardim, encontrando a princesa a contemplar o surgir do carro de Apolo.

- Querias me ver Gabrielle?
- Sim Ephiny. Vamos caminhar, por favor.
- Claro.

Andaram por um tempo, cada mulher imersa em seus pensamentos e a capitã da guarda real, comandante das forças amazonas e amiga de Gabrielle não tinha a menor ideia no que poderia estar incomodando a princesa das amazonas  trácias.

- Ephiny, quais são os procedimentos se uma guerreira une-se à Nação,sendo já uma adulta treinada em combate?
- Bom... Primeiro ela deverá receber autorização da Casa Real para ingressar na Nação e depois ser devidamente testada pela mestre de armas,  e se for uma guerreira que realmente merece este nome entre nós,  irá compor as fileiras no clã de defesa. Ali será definida, após avaliações das comandantes, em qual Elidia prestará serviço.
- Você não prestou atenção Ephiny. Eu quero saber como ocorre quando a mulher é acolhida já sendo uma guerreira.
- Existe uma grande diferença entre ser uma guerreira e ser uma guerreira amazona Gabrielle.
- Mesmo?
- Uma guerreira amazona precisa de sentido de grupo e cumprir ordens sem segundos pensamentos. Deve entender sua oficial como a voz da comandante, esta como a Casa Real que por sua vez representa a própria Artemis .
- A cadeia de comando?
- Mais que isso. Em nosso caso pode ser a diferença entre a vida e a morte da amazona, suas irmãs ou da Nação.
- Tão grave assim?
- Temos uma metodologia própria na batalha e fora dela que deverá ser conhecida e respeitada. É nossa força. Posso perguntar o que está acontecendo Gabrielle?
- Sim, você pode Ephiny. Você saberá mais cedo ou mais tarde, embora eu desejasse que fosse mais tarde. Quero dizer não é como se fosse uma guerra ou algo assim né...  E eu posso aceitar pessoas na Nação.
- Claro. Você já fez isso muitas vezes, por isso não estou entendendo qual é a dúvida.
- Eu recebi uma guerreira na Nação. Adulta, já treinada, mas com a benção e permissão de Artemis .
- O que você quer que eu diga Gabrielle? Não me cabe contrariar você,  muito menos uma permissão de Artemis. Que ela seja bem-vinda à Nação onde certamente haverá uma Elidia adequada às suas habilidades e provavelmente ela não terá problema algum em absorver nossas normas, técnicas, táticas e costumes. Será apenas uma questão de treinamento. Qual é o verdadeiro problema?
- Ela permanecerá muito tempo junto a mim e eu gostaria que ela fosse aceita na guarda real sem mais demora.
- Isso dependerá muito de suas qualificações como combatente e da força de seu caráter. Não é algo que se faça por simpatia ou descritério. A permanência de um elemento na guarda depende muito do desejo da Casa Real , mas sua inclusão é de livre acolhimento e competência exclusiva da capitã da guarda, mesmo que seja chamado Zorah. É feita de forma independente e sem pressão. Tem sido assim desde o princípio dos tempos, pois sua segurança deve prevalecer sobre seu conforto ou momentâneas alegrias.
- Por favor, Ephiny, é muito importante pra Nação.
- Dependerá mais dela do que de qualquer outra coisa. Conheço?
- Sim.
- Posso saber quem é?
- Xena de Amphipolis.
- Quem?!?!!
- Xena de Amphipolis. A Conquistadora, capitã.  Suas habilidades são adequadas aos seus padrões Ephiny?
- Claro! Quanto às suas habilidades como guerreira não há dúvidas, mas eu não tenho muita certeza quanto a sua capacidade de agir em grupo quando ela não está no comando.
- Por favor, Ephiny. É realmente muito importante pra Nação e pra mim.
- É uma ordem alteza?
- Não comandante. É um pedido. Um pedido com muita esperança de que seja atendido.
- Eu não sei o que está acontecendo Gabrielle, mas prometo que irei considerar seriamente a possibilidade da Imperatriz do mundo na guarda real, com uma condição.
- Qual?
- Que ela passe nas etapas de treinamento específico como toda guarda, não recebendo nenhuma concessão especial devido a sua posição. Não aceitarei na guarda nenhum membro, que mesmo por um breve momento, possa destoar do conjunto e colocar sua segurança em risco por acreditar-se maior ou melhor do que suas irmãs ou mesmo você.
- Posso aceitar isso, mas tal treinamento não pode por em xeque sua posição como Imperatriz do mundo.
- Não colocará, ao menos não publicamente. Realizarei o treinamento da forma mais privativa possível, mas tem mais uma coisa Gabrielle.
- O quê?
- Você não irá interferir no treinamento dela. Existe um objetivo para tudo que é feito e quem não conhece a dinâmica pode se surpreender ou mesmo achar injusto. Esta é a razão pela qual o treinamento das guardas reais é realizado nos campos do extremo noroeste do território, longe dos olhares do restante da tribo.
- Você tem minha palavra.
- Certo. Ordene que se apresente em meus aposentos em uma marca de vela, quando o sol estiver iniciando sua subida desta manhã, para que eu possa avaliar como irei organizar seu treinamento . Farei meu melhor Gabrielle, mas não acho que você ficará muito satisfeita com os resultados. Ela realmente não sabe seguir ordens.
- Ela estará lá. Obrigada Ephiny.
- Meu privilégio alteza. Com sua licença irei providenciar os preparativos.
- Claro.

Sem que houvesse uma explicação razoável seria improvável que a Senhora do Mundo estivesse junto a capitã amazona em uma marca de vela, mas Gabrielle contava com algo que Xena sempre dissera: a principal vantagem em ser senhora de tudo que vê, é todos olharem em outra direção, evitando serem pegos mirando. Ela faria o que desejasse e não haveria alma viva que questionasse algo. Ao menos não viva por muito tempo se o fizesse.

Entrando no estúdio da Conquistadora a princesa das amazonas trácias aguardou o término do assunto entre a Senhora do Mundo e o capitão da guarda, levando aos poucos o assunto para o tema de sua visita.

- Bom dia majestade.
- Bom dia Gabrielle. Como está tudo? Algum problema?
- Não realmente majestade, apenas minha capitã necessita organizar a entrada de uma irmã na guarda e será a primeira vez que isso é feito fora de nossas terras, mas será levado a termo acertadamente. Tenho fé em Artemis que ela não será mal avaliada.
- Certamente não haverá problemas, pois a capitã não iria realizar tal feito de própria mente. É algo que requer habilidades específicas e treinamento rígido.  Passa-se o mesmo com os falcões, não Palaemon?
- Sim majestade, mas entendo as dificuldades. A nova guarda deve valer a pena para tal risco princesa.
- Certamente que sim capitão, eu faço muito gosto que assim seja, pois ela me é agradável companhia. Ephiny aceitou a presença na guarda da nova amazona, contanto que ela passe por todas as etapas do treinamento. Garanti a ela que seria aceito, contanto que feito em privado.
- É aquela que me falaste? Ela tem potencial. Como sua capitã pretende realizar tal feito?
- Não sei. Isso sempre foi algo feito distante da vila e por períodos estipulados entre as comandantes e o Conselho, mas as guardas reais passam por todas as Elidias e comandantes antes de chegarem neste estágio.
- Pelo que conheço é algo muito adequado às tarefas que são chamadas a desempenhar, mas há uma parte que não é conhecida de ninguém que não tenha estado na guarda. Depois de determinado estágio e uma vez aceita, apenas a morte retiraria uma amazona da guarda real.
- Talvez deva repensar isso tudo Imperatriz e minha nova irmã ser apenas mais uma irmã em nossa tribo.
- Não Gabrielle. Agora mais que direito é uma obrigação dela fazer parte de sua guarda. Fique tranquila que ela passará pelas etapas, afinal ela tem muitas habilidades. Quando será a entrevista?
- Ephiny quer sua presença nos aposentos dela em uma marca de vela a contar de agora. Estará esperando.
- Então irei ter com sua capitã e determinaremos os locais e horários que ela poderá usar. Palaemon, eu pretendo fazer parte deste treino amazona, então será de bom jogo que mais tarde você converse com Ephiny e mantenha as áreas que ela desejar usar livres da presença de qualquer pessoa, mesmo Falcões, pois não queremos uma repetição do que aconteceu com Hutanis. Terquien levará Corinto na minha ausência. Diga a Janis que me encontre em meus aposentos em meia marca, por favor. Dispensado.
- Ao seu comando, Conquistadora.
- Agora se me der licença princesa, desejo me banhar e me preparar para tal encontro. Deverá ser divertido.
- Claro. Até mais tarde Conquistadora.
- Até o almoço princesa. Você é minha convidada para um almoço privado em meus aposentos.
- Estarei lá.

Xena vai aos seus aposentos e se lançando nas águas da piscina, com braçadas calmas e contínuas faz meia marca de vela flutuando no percurso. Ao sair, Janis aguardava junto ao divã e fazendo uma massagem com atenção a cada grupo muscular, passa óleo de amêndoas com toques de canela, relaxando completamente a musculatura de sua senhora.

- Obrigada Janis. Como tens sido tratada?
- Muito bem majestade. Gostaria de agradecer a oportunidade para treinar e praticar tanto com armas, como minhas massagens. A idade chega para todos e quando o corpo não puder mais lutar, ainda será tempo para as mãos que dão alívio.
- Tens razão. Podes te dirigir ao pátio e executar tua série de exercícios por duas marcas e depois estás com o tempo livre para o que quiseres fazer em qualquer lugar de Corinto. Estejas de volta ao palácio antes da noite, mas peça para Cassandra lhe entregar algumas dracmas e uma amazona te acompanhar, ou duas se quiseres. Sei que podes te defender, mas é melhor ter apoio nesta tua primeira excursão à cidade.
- Obrigada, majestade.
- Meu prazer Janis.

Janis secou os cabelos de sua senhora e escovou-o como sempre fazia após a massagem antes dos treinos, prendeu-os em um rabo de cavalo no alto da cabeça com grampos.

- Você pode se retirar e não precisarei de você após o treino. Explore Corinto e compre algo que lhe agrade Janis. Dispensada.
- Conquistadora.

Erguendo-se do divã Xena escolhe um conjunto de calça de couro e camisa branca que seus homens sabiam ser traje de treino. Uma vez que declarou assistir ao treino de uma amazona, ninguém estranharia. Xena pegou sua espada e ajustou na cintura, colocou uma adaga na bota esquerda, posicionou os braceletes e se dirigiu aos aposentos da capitã amazona, que era na porta frontal aos aposentos de Gabrielle.

- Gaius, desloque a guarda para as escadas de acesso a este andar e ninguém sobe sem ser amazona ou que eu determine pessoalmente isso. Vou me divertir e não quero interrupções.
- Ao seu comando, Conquistadora.
- Bom dia Squiona.

Squiona saudou a Senhora do Mundo e abriu a porta enquanto Kleith anunciava sua presença para a capitã da guarda real.

- A Conquistadora capitã.

 

 

Confianças

 

- Obrigada Kleith, por favor, você e Squiona peçam para Daiki  vir até aqui e aproveitem para confraternizar com nossas irmãs. Irei assim que acabar com os assuntos da guarda.
- Certo.

Ambas descem as escadas rapidamente e a capitã da guarda real amazona vira sua atenção para a Senhora do Mundo.

- Então.
- Desejava me ver Ephiny?
- Eu recebi um pedido de Gabrielle para aceita-la na guarda. Garanti a ela que seria imparcial, não levando contra você suas atitudes anteriores ao seu acolhimento na Nação e ela prometeu não interferir em nenhum momento com sua posição. Vou trata-la como trataria qualquer aspirante a atuar neste grupo. Você está entendendo a situação?
- Sim Ephiny e realmente agradeço por isso.
- Não agradeça. Você realmente não está preparada para o que virá, mas é desejo de Gabrielle que eu lhe conceda uma chance. Uma guarda real sempre estará em pé, alerta, aguardando ordens. Se você quer entrar para a guarda, deverá fazer o pedido e o comprometimento com esta função de sua própria mente, confirmando-o quando for solicitado. Então, eu estou esperando Conquistadora. Peça!

Xena decide usar o protocolo que impõe aos Falcões e posicionando-se em prontidão, olhando reto a frente, e sabendo do respeito que as amazonas tem por suas genitoras, faz o pedido que formulara mentalmente ao entrar.

- Eu, Xena de Amphipolis, filha de Cirene, respeitosamente solicito permissão para ser treinada como membro da guarda real capitã. Farei tudo ao meu alcance para respeitar suas normas e terminar cada etapa do treinamento específico, conforme for de seu arbítrio. Manter Gabrielle segura é meu maior significado.

Chegando bem próximo de Xena, Ephiny propositalmente lhe toca no cordão da camisa, entre os seios com a ponta de seu punhal, parando a pressão da arma um pouco antes de furar a pele.

- Veremos isso Xena. Veremos se esse desejo é real ou apenas mais um de seus jogos.
- Eu sou sincera Ephiny. Nem você, nem ninguém me impedirão de ficar junto a Gabrielle.

Sem nenhum aviso a capitã gira a empunhadura e golpeia Xena na altura do estômago violentamente e Xena se curva ao sentir o golpe, esforçando-se por respirar corretamente.

- Resposta errada. Tu te afastarás de quem eu desejar, pelo tempo que for. Farás apenas o que for permitido, quando e se for permitido. Não falarás comigo desta maneira, nem dirás novamente o nome da princesa das amazonas sem minha autorização. Erga-se Xena! Queres permissão para ingressar no treinamento específico, no mesmo regime de qualquer aspirante? Se conseguires êxito em seu treinamento, serás como toda guarda real, sem distinção. Ainda desejas entrar neste grupo?
-Sim Ephiny.

Mais um golpe é colocado.

- Tom errado! A guarda real é lugar para poucos Xena e vais descobrir que temos a devoção dos religiosos, a força dos militares e a dedicação dos amantes. Ainda desejas entrar neste grupo?
- Sim Ephiny.

Mais um golpe é colocado.       

- Estas serão a partir de agora tuas diretrizes e terás a chance de recuar em teu pedido após ouvir cada uma delas, depois, apenas o fracasso no treinamento ou a morte, te afastarão da guarda. Tu entendeste?
- Sim Ephiny.

Xena se preparou para mais um golpe, mas ele não seria dado.

- Minha palavra é lei e seja o que for que eu diga, deverá ser feito sem segundos pensamentos. Minha voz estará para ti mais alta que qualquer outra voz mortal, mesmo Gabrielle ou Melosa. Tu aceitas estes termos?
- Sim Ephiny.
- Treinarás com toda e qualquer amazona designada, nos termos indicados.  Ela irá dizer o que espera de ti e tu o farás imediatamente, sem questionar. Tu aceitas estes termos?
- Sim Ephiny.
- Permanecerás como Imperatriz, pois assim foi o parâmetro decidido entre eu e Gabrielle, mas sempre ficarás em pé na minha presença; independente da hora do dia, lugar ou situação. Tu aceitas estes termos?
- Sim Ephiny.
- Manterás tuas rotinas, mas jamais irás comer na presença de uma treinadora sem permissão e vais te abster de qualquer bebida que não seja água, sendo, no entanto permitido que o faça em situações de Estado, visando manter as aparências. Tu aceitas estes termos?
- Sim Ephiny.
- Por teu livre pensamento e aceitação dos termos, você foi aceita no treino específico para guarda real amazona, filha de Cirene. Saiba que os termos são simples. Fracasse no treinamento e esta possibilidade estará fora de alcance para ti de maneira irrecorrível e apenas eu terei uma palavra sobre isso. Estás inserida!

Algum tempo se passa sem que mais nada seja dito e Xena decide não mover um músculo sem permissão.
A porta do quarto é aberta e uma amazona entra no aposento. Xena não pode vê-la, mas sentiu sua aura.

- Bom dia Daiki.
- Bom dia Ephiny.
- Espero não ter atrapalhado seus planos para esta manhã.
- Eu estava tendo um bom tempo com Karin e Lara. No que posso ser útil capitã?
- Precisamos conversar. Tomaria um chá comigo?
- Seria uma honra.

Aguardando alguns instantes para que sua irmã pudesse registrar com calma a presença da Imperatriz na sala, Ephiny serve um chá para ela e outro para Daiki e ambas sentam nas almofadas próximas a uma mesa baixa a um canto da sala, fora do raio de visão de Xena, mas Ephiny sabia que desenvolvida audição da Imperatriz do mundo captaria tudo que fosse dito.

- O que vou dizer é estritamente confidencial, independente de sua resposta.
- As suas ordens capitã.
- Recebi das mãos de Gabrielle uma aspirante à guarda real, mas uma vez que não estamos em nossas terras e esta aspirante possui outras funções que a princesa deseja que continuem sendo desempenhadas, preciso de ti. Obviamente tu podes recusar esta missão se não a encontrar digna de teu esforço.
- Se a aspirante tiver o desejo de pertencer à guarda como esperado, é possível tal feito mesmo aqui em Corinto.
- Daiki, ela já possui a arte do manejo de armas e estratégias, mas acredito ser quase impossível que consiga obedecer. Seu treinamento e aproveitamento na guarda devem permanecer sigilosos. Preciso de teus conhecimentos, tempo e paciência para treina-la.
- Ela quer pertencer à guarda real?
- Vire-se e responda Xena.
- Sim senhora, eu quero.

Se a amazona se surpreendeu com fato da Senhora do Mundo ser a aspirante em questão, ocultou-o muito bem.

- Eu aceito treina-la capitã, se for de sua livre mente a aceitação dos termos de seu acolhimento.
- Tens minha palavra Daiki. Ela solicitou e confirmou seu pedido por sete vezes.
- Então eu aceito e farei meu melhor para que ela tenha êxito e a segurança da Casa Real receba mais esta filha de Artemis. Ela leva muita roupa para uma amazona Ephiny.
- Tire a roupa Xena.

Sem esperar uma batida, Xena começou a retirar a espada, o chakram, as botas, a camisa, as calças, o apodeseme e o pequeno triângulo que usava amarrado na cintura, ficando completamente nua.

A amazona recém-chegada se coloca na sua frente. Com cabelos pretos cortados rente ao pescoço, pele amarela e seus olhos puxados em muito lembrava a Sátrapa do reino de Chin, embora  de aproximadamente 5,4 pés de altura. Por seu posto na Nação deveria ser da mesma idade de Ephiny ou próximo disso.

- Meu nome é Daiki e eu sou uma mestre na guarda real. Aceitei você, mas é de sua própria palavra me aceitar.
- Sim senhora.
- Ainda não estamos na guarda real ou entre os Falcões Xena, este é um contrato livre entre eu e tu. Se não me aceitares, a capitã procurará outra amazona para treinar-te sem que nada seja segurado contra ti, mas se me aceitares, esta parte de tua vida me pertencerá. Me aceitas como tua treinadora Xena?
- Sim senhora, eu agradeço e aceito sua orientação.
- Sei que falas a língua de meus antepassados. É costume na guarda utilizarmos outro nome para designar aquela que está sendo treinada. Eu irei me referir a você como Jun’Ichi  e se referirá a mim como Yuu. Você entendeu Jun’Ichi?
- Sim Yuu.
- Deste momento em diante, deverá considerar que a capitã e eu estaremos sempre treinando você, mas quando este nome for usado, você estará em treinamento específico, então saberá qual procedimento é esperado. Você compreendeu?
- Sim Yuu.
- Deite-se no chão.

Xena não se moveu, apenas fechou os olhos e pensou em Gabrielle, esperando para receber um golpe a qualquer momento, pois este tinha sido o uso até ali. Surpreendentemente apenas uma voz suave quebrou o ar.

- Alguma pergunta Jun’Ichi?
- Sim Yuu. Como poderei executar suas ordens se devo permanecer em pé perante a capitã?
-Esta diretriz é importante Jun’Ichi. O respeito com a capitã é fundamental e nenhuma aspirante deitou ou sentou em sua presença, desde o início da Nação. Você não vai querer ser a primeira, quer?
- Não Yuu.
- Ao executar uma missão ou receber uma ordem específica a missão ou a ordem tem primazia, não sendo considerado desrespeito. O fundamento do manter-se em pé perante a capitã está no pronto atendimento de qualquer ordem, o que seria mais difícil e lento se estivesse sentada ou deitada. Você compreendeu?
- Sim Yuu.
- Deite-se no chão com as pernas estendidas unidas e o rosto virado para baixo. Apoiando-se apenas nas mãos e nos pés, você deve estender os braços, afastando o corpo do solo e flexionando os cotovelos, aproximar o corpo do solo. Deverá fazer isso permitindo que seu seio toque levemente o chão, mas não o seu peito ou ventre. Você me entendeu Jun’Ichi?
- Sim yuu.
- Cada vez que você tocar o solo irá dizer seu nome de treinamento, até atingir três centos de contagens. Comece.
Xena começou a fazer conforme tinha sido dito e já havia realizado vinte flexões quando ouviu o nome de Gabrielle sendo dito na conversa entre Ephiny e Daiki, perdendo por algumas contagens a fluidez de seu exercício. Rapidamente se concentrou, esperando não ter sido notado este lapso de tempo. Quando atingiu a marca de uma centena e meia, foi instada a parar.
- Levante-se Jun’Ichi.  Flexionando teus joelhos, deves quase sentar em teus calcanhares e tocar o solo com ambas as mãos, ao mesmo tempo e voltar a ficar em pé. Cada vez que tocar o solo, dirás teu nome de treinamento, até atingir dois centos de contagens. Comece.

Novamente Xena executou o que era esperado dela e ao atingir cento e oitenta contagens novamente foi modificada a ordem.

- Deite com as costas no chão Jun’Ichi e cruze seus braços na altura do peito, elevando os joelhos e com ambos os pés firmes no solo, aproxime os calcanhares do corpo.

Segurando um bastão dois pés acima da cabeça de Xena, Daiki apenas orienta.

- Toca o bastão com tua cabeça Xena, e cada vez que o fizeres, dirá o meu nome de treinamento até atingir cinco centos de contagens. Comece.

Quando acabou este rito Xena apenas começava a aquecer sua musculatura e pensava que tal treinamento não seria tão difícil quanto parecia.

- Levanta e te veste Jun’Ichi, depois venha aqui.

Xena fez o mais rapidamente possível, parando na frente desta jovem amazona da mesma altura de Gabrielle e que trazia tatuados em seu braço direito cinco Shurikens de quatro pontas semicirculares, do tamanho de três vezes uma pupila.

- Este teste é apenas para ver teu tempo resposta. Vou te dar uma pequena esfera que guardarás em teus aposentos. Ela simboliza tua hesitação quando realizaste o primeiro exercício. Mesmo que atentes às conversas na tua volta, não poderás interromper tuas atividades. O número de esferas que receberes indicará teu fracasso em teu propósito. Você entendeu Jun’Ichi?
- Sim, Yuu.
- Agora volta para tua vida e nos veremos mais tarde Jun’Ichi.

Curvando-se como é comum entre seu povo, a amazona da terra do sol nascente se despede da Senhora do Mundo.

- Bom dia, Conquistadora.
- Bom dia Daiki.

Xena ficou aguardando o que aconteceria, e continuou aguardando por quase uma marca de vela, pois Ephiny propositalmente dirigiu-se aos banhos e foi nadar. Saindo das águas após meia marca de vela e escorada na porta às suas costas, sem dizer uma palavra, apenas observando, a capitã amazona testava a firmeza de propósitos da Conquistadora. Colocando uma túnica simples voltou aos seus aposentos passando pelas costas daquela que domina o mundo e faz a volta na sala, ficando à sua frente.

- Você é bem-vinda Xena e espero sinceramente que tenha êxito. Está com uma das mais competentes mestres da guarda real. Aproveita esta oportunidade para aprender. Como Daiki disse antes, volta para tua vida e nos veremos mais tarde. Bom dia Conquistadora.
- Bom dia Ephiny.

Era uma sensação estranha ter aquela mulher entre suas irmãs e agora sob seu comando.

 

 

Treinamentos

 

Xena se dirigiu aos seus aposentos determinada a ocultar de Gabrielle qualquer marca deste primeiro encontro com sua nova função. Certamente Ephiny não seria mais exigente em seus treinamentos do que ela era com os falcões e não seria nada com o qual não poderia lidar. Um banho frio ajudaria a não ocorrerem inchaços, diminuindo em muito as contusões e certamente a armadura proporcionará um bom escudo contra os olhares atentos da princesa amazona. Sua princesa.

Ainda não tinham retomado a intimidade que conseguiram na vila amazônica, em Amphipolis ou no navio e ela não tinha bem certeza de como isso seria feito, mas sabia que a iniciativa agora cabia à Gabrielle.
O olhar de Gabrielle veio a mente e um sorriso se abriu no rosto da Senhora do Mundo enquanto nadava tranquilamente, buscando esvaziar seus pensamentos.
Vestindo-se rapidamente encaminhou-se para o campo de treino, onde um Volair observava atentamente a sequencia de movimentos, executados por Palaemon com a espada, sobre seu adversário.

- Parece que nosso capitão adquiriu algumas novas manobras com sua espada. Este giro na empunhadura com a estocada para trás é muito eficiente para quando atacam por trás e não se tem oportunidade para girar o corpo.
- Realmente, embora não me pareça que seja útil realmente, pois deixa a frente a descoberto.
- Como todo treino, ele cobre apenas uma possibilidade. Cabe ao guerreiro verificar quando e de que forma será usado Major.
- Sem dúvidas majestade.
- Aceitaria um treino?
- Certamente.

Volair e Xena treinaram com espadas por uma marca de vela. Dois verões mais velho que a Conquistadora e de igual estatura, era um adversário digno, embora não tivesse a mesma força ou agilidade de sua oponente, compensava com seu arrojo. Ele era um dos poucos homens que não se importavam em realmente atacar a Senhora do Mundo e confiava que ela não arrancaria sua cabeça fora por algum descuido. Confiava que Xena nunca se descuidaria e se fosse arrancar sua cabeça seria por desejo próprio, caso em que ele a daria de bom grado à sua soberana.

Repentinamente Volair consegue bloquear o ataque da Conquistadora e seguindo com o giro se agacha, apoiando seu peso sobre a perna esquerda, com ambas as mãos no solo, completa o giro visando acertar seu calcanhar nas costelas de sua adversária e derrubá-la. É bloqueado por uma mão enquanto a outra aplica um ponto de pressão que paralisa sua perna, fazendo com que perdesse o equilíbrio. Ato contínuo firmando sua espada no pescoço do major a imperatriz do mundo dá por encerrada a contenda.

- Meus parabéns major! Sua manobra foi excelente! Sem meus conhecimentos e agilidade eu estaria em sérios apuros. Vamos beber a isso. Palaemon, você e seu companheiro de treino estão convidados!

Xena faz um sinal para três jovens que estavam em pé aguardando qualquer manifestação da Senhora do Mundo e ao ouvirem estas palavras e verem o sinal dado, foram correndo até onde estavam jarras da cozinha, presas por correntes de forma a não afundarem em um barril com água fria. Trazendo taças e as jarras com vinho, aproximaram-se dos guerreiros e a um sinal de Xena serviram em todas as taças e beberam até o ultimo gole.

- Meu prazer majestade. Estaremos aí no tempo de tirarmos um pouco o suor do rosto e dos braços. Vamos rapaz, que vou apresentar você para nossa soberana.

O acompanhante de Palaemon era um jovem que chamara a atenção de Xena alguns dias antes da partida para Esdel, quando o exército entrou em manobras e Dínia recebeu sua missão. Xena lembrava que o soldado chamara sua atenção por manter-se em pé contra Dínia, Milenti e Novaes.

- Majestade, este é Shuma, aprendiz de falcão. Shuma, esta é Xena, a Conquistadora.
- Você deu um trabalho considerável para Palaemon, Shuma. Estás gostando de seu novo trabalho?
- Sim majestade, mas treinar com o capitão é muito mais divertido.
- É raro um soldado que goste de limpar estrebarias e ainda tenha esta habilidade que demonstras com a espada Shuma.
- Permissão para falar livremente, majestade.
- Adiante.

Enquanto conversavam o vinho era novamente servido e entregue aos oficiais e à Xena.

- Quando fui designado para esta tarefa passei dias me perguntando o que fiz de errado para tal castigo.
- O que concluíste?
- Eu passei e repassei minha conduta senhora e não cometi nenhum deslize, então não poderia ser um castigo, mas apenas tarefas que deveriam ser feitas. Empenhei-me a realizá-las com o mesmo empenho que coloco no meu treinamento com armas, e com o tempo fui me dedicando a manipular todo e qualquer instrumento que pudesse ser usado como uma arma, mesmo os forcados ou os pequenos garfos para separar os cereais com a maior atenção e buscando vários ângulos de pegada, giros e usos. Isso ajudou a soltar meu pulso e criar outros padrões de movimentos que mais tarde, quando voltei a treinar, passei a aplicar com o bastão, a espada e a lança. Então eu entendi minha transferência apenas como ter sido enviado para um lugar muito especial de treinos. Ademais eu gosto dos cavalos e em batalha o comportamento deles pode ser a diferença entre viver ou morrer. Eles merecem o melhor tratamento que pudermos dar.
- Gostei de você Shuma. Ele será um belo falcão se aprender a voar, Palaemon.
- Também penso assim minha senhora. O senhor concorda Major?
- Talvez. Primeiro precisa chegar ao ninho.

Somente Terquien e Volair arriscavam discordar de um parecer de Xena tão frontalmente. Uma vez perguntaram pra ele por que agia tão na beira do abismo e ele respondera que já tinha feito as pazes com os destinos e era direito dela puxá-lo ou empurrá-lo no vazio se assim desejasse. Não havia então motivo para se preocupar, mas apenas em servi-la corretamente e isso incluía opiniões honestas.

- Como sempre você está descontando no rapaz sua frustração Volair. Na segunda marca antes do inicio da noite chame-o e tenha um bom tempo com ele e se depois disso você não aprová-lo, ele deverá cuidar das estrebarias e cocheiras até o próximo verão, no entanto se ele passar por tua opinião antes de voltares para Atenas, Palaemon iniciará o treinamento dele entre os Falcões já aceitos. Especializando-o em armas de curta distância. Concordas?
- Plenamente Majestade.
- Agora devo ir almoçar com certa princesa amazona e ficarei ocupada esta tarde. Leva-o para os banhos e que seja bem tratado Palaemon.  Acredito que qualquer uma das atendentes faria uma boa acolhida ao nosso jovem candidato a falcão e cuidaria de servi-lo bem. Conduza-o e faça saber meu desejo, mas elas são livres para recusar, e você também deveria relaxar até o treino desta tarde Volair. Até o jantar desta noite senhores. Bom treino Shuma.

Todos saúdam a Senhora do Mundo como é devido. Volair sinaliza à Palaemon para tocar no ombro do jovem Shuma e tira-lo de seu olhar de adoração que acompanhava o afastar da Soberana.

- Vamos rapaz e tome cuidado como olha, pois pode perder a visão desta maneira.
- Sim, capitão.

 

 

A Caçada Real

 

Xena se dirige aos seus aposentos. Pelo adiantado do sol, já iniciando seu declínio, sabia que Gabrielle não tardaria a chegar e desejava ainda tomar um banho. Seria o primeiro almoço que teria com suas novas diretrizes e estava pensando em como faria para não falar mais o nome de Gabrielle sem magoá-la. Ao menos não teria de lidar com Ephiny tão cedo.

Suas escravas estavam a postos nos banhos e sabiam que não deviam falar em sua presença. Xena tinha certeza que não se atreveriam, depois do corretivo que tomaram antes dela partir para a Trácia e apenas um pedido de Gabrielle fez com que reconsiderasse a ideia de mandá-las atuar num bordel de Corinto .

Um pedido de Gabrielle...

A ideia era ridícula, pois foi mais como uma sugestão muito efusiva da realeza. Ela sabia que não poderia ter erros para com Gabrielle se desejava ser aceita na Nação como igual. Fazendo uso da banheira pequena, sentou-se nas pedras e deixou-se esfregar completamente com o sabonete de jasmim e canela. Usava sempre este aroma desde que Gabrielle manifestou sua preferência por ele. Depois de ter tirado de cima de si o suor e a sujeira, dispensou ambas que não perderam uma contagem cardíaca para sumir de sua frente.

As águas da piscina sempre foram convidativas após o treino, principalmente quando tinha assuntos marcados no Tribunal para a tarde e precisava pensar. As águas frias e os movimentos suaves, ao ficar mirando o teto quando boiava de costas, lhe permitiam pensar com clareza. Com a conspiração debelada e os arranjos para a segurança das fronteiras, caberia ainda julgar os nobres capturados e o grupo de Tarsus de Ciros finalmente seria julgado, pois Thoez não fora gentil e eles estavam em péssimo estado. Não se deve condenar homens sem que estejam devidamente bem para aproveitar cada contagem do castigo.

Saiu da piscina colocando um himation leve de algodão branco e não se surpreendeu do almoço estar sobre a mesa no canto próximo à sacada, pois ouvira a entrada das enviadas de Cassandra. Servindo vinho para ela e Gabrielle, sentou-se na poltrona para rever alguns pergaminhos.

A porta se abre em poucos instantes e um falcão aguarda ser reconhecido. Sem erguer a cabeça Xena deixa seu guarda mais tranquilo.

- O que é Milenti?
- A princesa amazona majestade.
- Que entre.

Xena se levanta e aguarda Gabrielle com duas taças na mão.

- Um vinho ?
- Obrigada. Como foi sua conversa com Ephiny?
- Ela aceitou que eu participasse de um treinamento específico. Pelo que conversamos terei as mesmas chances de qualquer aspirante e não acredito que Ephiny seja injusta. Tudo está como deveria ser.
- Tenho sentido sua falta.
- Eu também amor. Ordenei a Palaemon que verificasse com Ephiny a região onde desejam caçar. Provavelmente as florestas mais a oeste.

Milenti entra neste instante.

- A capitã amazona majestade.
- Faça que entre Milenti e recue a guarda isolando o andar. Ninguém sobe sem minha ordem.
- Ao seu comando.

Assim que Milenti sai a Conquistadora busca a janela do aposento observando os jardins abaixo e ficou pensando as alternativas de comportamento, optando pela abordagem direta.

- Boa tarde majestade. Alteza.
- O assado está com um tempero especial trazido das terras orientais, para além das pirâmides. É uma das especialidades de Cassandra. Almoça conosco capitã?
- Eu agradeço Xena, mas tenho um grupo me esperando para organizarmos o treino mais tarde. Vim apenas pedir autorização de Gabrielle para um evento externo.
- Do que se trata Ephiny?
- Tudo já está acertado conforme sua solicitação Gabrielle e o processo do treino de Xena já foi iniciado, no entanto, uma vez que terei de me afastar de você, preciso de sua autorização para organizar a partida de caça com a Trial de Karin. Assoyde ficará responsável pela guarda na minha ausência e acredito que a presença da Imperatriz na caçada dará uma ótima oportunidade de experiência para verificarmos como nossas irmãs respondem sobre ela junto a nós, ao mesmo tempo em que nos dará maior mobilidade pelos bosques escolhidos.
- É desnecessário que eu fale isso Ephiny, mas sei o quanto te é caro o protocolo. Estás autorizada. Você está bem?
- Sim, obrigada Gabrielle. Todas estão ansiosas por este treino final e depois será determinada Elidia da Trial. Eu gostaria de agradecer por esta partida de caça, pois é muito importante para elas e Melosa foi enfática em determinar que esta decisão deveria ser feita aqui em Corinto, inclusive com abertura para que entrem na guarda se for conveniente.
- Não há de que Ephiny.  Sei o quanto estas atividades urbanas podem ser estressantes para elas. Vai ser bom retornar às matas para variar, mas algo mais está preocupando você. O que é?
- Não tenho boas recordações das matas de Corinto Gabrielle. Sem ofensas Imperatriz.
- Nenhuma tomada. Quanto a isso você pode ficar tranquila capitã, pois aonde irão, será averiguado pelos falcões quatro vezes e eles manterão dois anéis de segurança num perímetro amplo suficiente para não interferir nem observar vocês.
- Com todo o respeito Conquistadora, a flecha que vitimou a princesa partiu de um de seus falcões, então isso não me é muito tranquilizador.
- Palaemon é tão ofendido com o acontecimento quanto você capitã e por sua honra não tornará a acontecer. Garantirá este fato com sua vida e ele é um homem honrado.
- Então devo me retirar. Sairemos amanhã a noite após o jantar, esteja pronta Xena e leve apenas a roupa do corpo, sua espada, faca e arco. Poderá levar seu chakram, mas apenas para compor seu auto de governante sem deixar suspeitas em seus homens, ciente de que ele não deverá ser usado. Nada mais.
- Que Artemis te acompanhe e vocês sejam felizes na empreitada Ephiny.
- Obrigada princesa. Conquistadora.

Ephiny sai deixando uma Gabrielle confusa e bastante intrigada com o comportamento formal e cortez de Xena.

- Xena o que foi isso?
- Não sei do que está falando amor.
- O que foi esta tua formalidade e esta inesperada cortesia com Ephiny?
- Apenas dei a ela o respeito devido de uma aspirante à guarda e nada mais. Foi acertado que eu teria a mesma chance de qualquer aspirante, mas também o treinamento correspondente. É coerente e justo que resguardadas as aparências e formalidades inerentes ao Império eu esteja sob as mesmas normas e costumes que qualquer outra.  Ephiny indicará o caminho.
- Eu não sei se gosto disso amor. Não me parece correto e deixa muita margem para erro, pois sendo você minha consorte deveria ter o tratamento adequado a sua estação, mas quanto ao almoço você tinha razão! Este assado está divino! Cassandra se superou.
- É correto. Eu não posso entrar na Nação como igual requerendo tratamento diferenciado, burlando as regras que afetam a todas. Ephiny é justa, querida, muito mais do que eu seria, mas farei o que você quiser. Posso desistir ou simplesmente fracassar se é o que deseja.
- Não. Você tem razão, eu só estou preocupada que você saia ferida.
- Não confia que eu passarei pelo treinamento? Você realmente pensa que sou menos que as amazonas que compõe a sua guarda?
- Não, claro que não! Absurdo! Eu estou apenas sendo cuidadosa. Você é a maior guerreira que a terra já viu! Não há teste ou treinamento amazona que vença você.  Vá e faça o que deve fazer e saiba que meu coração, meu pensamento e meu espírito estarão acompanhando cada batimento, cada respiração sua. Está certo, você tem a minha benção e minhas orações.
- Obrigada. Agora tenho de ir, pois o tribunal aguarda minha presença em uma marca.
- Vou cavalgar com Cora. Vemo-nos no jantar?
- Certamente alteza.
- Boa tarde Conquistadora.
- Boa tarde princesa.

Xena começa a colocar suas vestes e a assumir seu mais terrível auto, começa a se transformar na Conquistadora, Senhora do Mundo conhecido. Importava manter o mundo sabendo que ela não estava mais suave ou transigente e os que iria julgar serviriam de exemplo para que não fosse tentado algo assim novamente tão cedo. Perdera bons homens, alguns estiveram com ela desde o início e ela não iria fácil sobre aqueles que causaram esta perda.

 

 

Homens de Tarsus no tribunal

 

O tribunal estava em polvorosa. Não havia uma alma na sala que não desejasse justiça. Sentiam-se ultrajados pelas ações daqueles homens que avançaram sobre as famílias e desta vez não apenas campesinas, mas também das famílias de posses das cidades guarnecidas e isso era intolerável.
Gabrielle havia mencionado à Xena que enquanto os atacados eram os pobres a elite não havia se manifestado, mas quando doeu em sua própria carne o crime passou a ser considerado hediondo. Hipócritas. Obviamente a punição deveria ser exemplar e Thoez já havia iniciado em Mikonos, mas ali no tribunal todos iriam testemunhar a justiça e ainda precisava ultimar a apuração se havia mais envolvidos. Ainda não ficara clara a intenção de buscarem imputar às amazonas tal ação e isso deveria ficar esclarecido neste julgamento.
Xena se preparou para entrar ajeitando o manto que indicava estar agindo não apenas como governante ou autoridade máxima na justiça do Império, mas principalmente como Escolhida de Atena, Deusa da Sabedoria e da Justiça.
Kahina abriu as portas e Eliano anuncia ao tribunal a presença da Imperatriz.
- Sua majestade Xena, a Conquistadora, Senhora do Mundo, Imperatriz da Grécia e Escolhida de Atena!
Xena entra ao recinto do tribunal advertindo no semblante da audiência. Era um experimento raro verificar expectativa e algo de orgulho substituindo o medo e quase tristeza que tem feito parte da paisagem nos últimos verões.
Sentando em seu trono Xena tranquilamente comanda ao oficial responsável pelos trabalhos da tarde.

- Traga-os Ovidio.

Tarsus e seus homens são conduzidos até o tablado e as acusações são lidas uma a uma. Eles não eram nem sombra do que já foram. As torturas a que foram submetidos mais a vida nas masmorras profundas do palácio, com alimentos escassos, água racionada e muito pouco de abrigo oferecidos, faziam daqueles homens quase esqueletos respirantes.

- Vocês ouviram as acusações contra vocês. Todas elas corroboradas com provas e testemunhos, então direi apenas uma vez o que desejo e vocês farão exatamente isso ou suportarão as consequências. Desejo saber qual a verdadeira razão de tentarem jogar o povo do Peloponeso contra as amazonas. Respondam a isso e serei misericordiosa, ocultem a verdade de mim e providenciarei que recebam ainda muitas luas de hospedagem nos calabouços desejando terem morrido no primeiro ataque. É sua chance Tarsus.
- Fomos chamados a criar tal confusão para que os povos do Peloponeso e principalmente Ghitio e Esparta não acorressem em socorro das prostitutas quando fosse acontecer o ataque em massa.
- O que foi prometido a vocês?
- Todas as escravas que conseguíssemos obter, as terras entre o mar e as montanhas a leste do rio Olietier e um bom tempo com as aldeãs que encontrássemos no caminho.
- Qual seu interesse nestas terras?
- Dizem que as montanhas a noroeste possuem jazidas de ouro e mais ao norte prata quase ao nível do solo.
- Quem disse?
- Um homem, um mensageiro, disse ser sacerdote de Ares. Ele vestia de negro em couro. Possuía cabelos encaracolados e uma barba que fechava o cavanhaque unindo com o bigode. Possuía espada de metal mais brilhante que já vi.
- Por que atacaram a casa de Tiontes?
- Foi indicado o local exato e a menina que devíamos pegar. Teríamos de nos certificar que as mulheres fossem vistas e o mito sobre a tatuagem se espalhasse para garantir que haveria ódio contra as vagabundas.
- Quem tocou nestas meninas? Qual de vocês?
- Elas permaneceram intocadas e apenas as fizemos trabalhar muito para merecer a comida. O homem foi muito claro quanto ao fato delas não serem tocadas, dando indicação e permissão para podermos agir como quiséssemos com qualquer outra. Disse que eram do interesse exclusivo entre o Deus da Guerra e Atena e não deveríamos interferir.
- Que seja! Todo homem comum de Tarsus de Cirus nesta sala, acusados e comprovadamente participante do grupo da ilha de Mikonos deverá ser executado amanhã pela manhã à moda romana, com uma espada transpassando o coração, descendo do pescoço, rente à clavícula. Tarsus e seus oficiais deverão ser crucificados, após dois dias esfolados vivos e eviscerados. Que fique claro que não é aceito este comportamento contra súditas deste império, mesmo que atendendo indicações de um pretenso sacerdote. Nem fomentar inimizades, rancores e revoltas.  Esta é a sentença pelos seus crimes e agradeçam a Atena a misericórdia de uma morte rápida.  Encerramos por hoje Ovídio.

 

 

Treino no Passadiço

 

No passadiço superior interno Daiki aguardava a Senhora do Mundo que surgiu na porta de acesso em todo seu esplendor banhada pela luz da lua cheia. Artemis parecia estar indicando o caminho que seria trilhado.

- Você veio rápido Jun’Ichi.
- Assim que pude dispensar o oficialato e abandonar meu estúdio Yuu.  Tenho dois falcões guardando o pé da escada de acesso a este lugar. Teremos toda privacidade que você julgar necessária.
- Aproxime-se.

Xena aproximou-se de sua treinadora sem saber exatamente o que esperar, pois não a via desde que foram apresentadas, quando iniciou seu treinamento para a guarda real.

- Como eu disse quando nos conhecemos, você leva muita roupa para uma amazona, mas desta vez isso não será considerado uma falha. Entendo que devido a sua posição no Império, devemos manter seu treinamento o mais discreto possível então olhe para o centro deste espaço e me diga o que você vê no chão Jun’Ichi.
- As pedras do passadiço e uma corda estendida de leste a oeste, a um pé do solo, bem no centro, sustentada em duas pedras.
- Escolhi o centro do passadiço para que você não seja vista por ninguém que esteja observando do solo ou de alguma construção mais longínqua. Você deve caminhar de uma extremidade a outra sobre a corda, fazendo o possível para não tocar o solo. Cada vez que você chegar ao final da corda deverá dizer seu nome de treino. Comece.
Para Xena aquilo seria uma brincadeira de criança, pois exigiria apenas seu senso de equilíbrio e força muscular, ou seja, uma enorme perda de tempo. Mas se agrada às amazonas pensarem que estavam adestrando a Senhora do Mundo como se fosse um animal, que assim seja.

Após uma marca Daiki chama Xena novamente.

- Por favor, venha aqui Jun’Ichi.
- Ao seu comando Yuu.
- Não há necessidade desta resposta Jun’Ichi, apenas cumpra o solicitado em silêncio e o mais rapidamente possível. Aliás, fale somente quando o que tiver que dizer seja extremamente importante ou estiver respondendo uma pergunta. Você compreendeu?
- Sim Yuu.

Tirando uma venda do bolso de seu colete, Daiki faz com que a Senhora do Mundo não consiga mais usar sua visão, sendo apenas instada a ocupar novamente seu lugar sobre a corda.

- Agora faça o mesmo exercício, porém sem ver seu trajeto.

Xena utilizou seu incrível senso de direção e caminhou em direção a corda, encontrando-a rapidamente, então recomeçou sua atividade. Não era mais tão simples, mas ela sabia que não podia fracassar. Não tinha noção de quantas esferas a retiraria definitivamente de sua oportunidade, mas não daria chances.
Mais duas marcas se passaram e seus movimentos eram lentos, porém não caíra da corda nenhuma vez.

- Tire a venda dos olhos e venha aqui Jun’Ichi. Como você está se sentindo?
- Eu estou bem Yuu, Obrigada.
- Agora me diga quantas vezes tu disseste teu nome e quantos passos deste?

Xena ficou petrificada. Estava tão concentrada em não cair que não contara. Sabia que tinha dito seu nome de treino toda vez que chegara às pedras, mas não lhe ocorreu contar.

- Eu não sei Yuu.
- Bom. Suba na pedra mais a leste ao lado da corda, no centro do passadiço, e em pé, com o corpo de frente para os raios que virão, fique observando o surgir do carro de Apolo. Falarei com você depois. Comece.

Após duas marcas a alvorada apenas dava prenúncio de chegada e a treinadora amazona surge por trás de Xena.

- Pegue sua espada Jun’Ichi, estendendo os braços na frente do corpo com as mãos espalmadas, apresenta-a para que tome os raios de luz em toda sua extensão. Nenhum dedo deverá segurar por cima da espada. Comece.

Xena toma sua espada nas mãos e faz conforme fora determinado. Sabia de antemão que sentiria os efeitos de tal procedimento em breve.
Daiki se afastou e buscou abrigo nas pedras do anteparo, deixando a Senhora do Mundo só com seus próprios pensamentos a sentir o vento que principiava a ser mais violento e a resposta de sua musculatura à esta posição.
Quando o carro de Apolo surgiu, Xena estava esgotada, começando a ter cãibras nos braços.
Sua treinadora aproximou-se pela frente após uma marca de vela com a luz do sol.

- Você deve se recolher aos seus aposentos e descansar Jun’Ichi. Deseja perguntar algo?
- Sim Yuu. Eu falhei, não contei o que deveria ter contado. Eu sinto muito por ter falhado e por isso significar mais uma esfera.
- Sim, mas você aprendeu que se deve prestar atenção no todo e não somente em algumas partes. Não haverá esferas. Descanse Jun’Ichi. Dispensada.

E a Imperatriz da terra desceu para seus aposentos, sem ao menos perceber o sorriso no olhar daquela que lhe ensinara durante toda madrugada.

 

 

Janis

 

Não poderia se dar ao luxo de dormir por muito tempo, pois ficaria muito estranho se não comparecesse a alguns de seus compromissos e principalmente, desejava deixar Gabrielle sem saber o quanto este treinamento estava cobrando pedágio sobre ela.
Entrou em seus aposentos deixando claro para a sentinela que não devia ser interrompida e enviou recado para Cassandra que desejava um pequeno lanche preparado nos jardins em três marcas de vela para o qual Siana deveria convidar a princesa das amazonas trácias e Janis.
Era momento de dar para Gabrielle um pouco mais de alegria e após um breve banho deixou-se cair na cama, dormindo logo em seguida. Faltando meia marca de vela para o carro de Apolo iniciar seu declínio a Conquistadora do mundo conhecido entrou em seu jardim onde uma Gabrielle ansiosa aguardava sua presença.
Janis imediatamente se colocou em alerta total, cuidando para não estar apoiada em nada nem fazer um gesto que pudesse dar a mensagem de desleixo ou desatenção. Gabrielle ergueu-se e saudou a Senhora do Mundo.

- Boa tarde majestade.
- Boa tarde princesa. Vejo que Siana e Cassandra foram eficientes como sempre. Está com fome?
- Na verdade sim. Estive cavalgando e fui visitar uma vila ao sul onde o império mantém uma de suas escolas para crianças e atuei como barda. Cheguei a duas marcas e recebi seu convite. Obrigada.
- Você não deve andar assim na cidade princesa. É perigoso, pois não sabemos o quanto daquela animosidade realmente não está oculta entre as casas ou nos becos.
- Palaemon graciosamente cedeu duas Falcões para a escolta e Ephiny não fez por menos. Parece que enviaram guardas por todo o trajeto, embora eu não tenha visto nenhuma realmente.
- É a maneira usual quando saio do palácio. Eles sabem realmente seu trabalho. Por favor, sente-se e vamos comer.
- Obrigada.

Então algo inusitado acontece. Xena deixa um pouco de lado sua formalidade quase cruel e sorri daquela maneira tão cara à Gabrielle.

- Sirva três taças de vinho Janis.
- Sim minha senhora.

Enquanto Janis servia as taças de vinho, Xena estabelece três postas de carne em uma tábua e corta de maneira que poderia ser pega com os dedos e faz o mesmo com o pão. Gabrielle apenas observava encantada e curiosa o que viria, mas conhecendo Xena sabia que rapidamente faria seu pensamento se tornar claro.

Entregando uma taça para cada uma das mulheres no jardim, Janis ficou segurando a terceira imaginando que haveria uma terceira convidada.

- Você gosta de vinho Janis?
- Nunca bebi senhora.
- Sente-se, coma e beba conosco, mas coloque um pouco de água para não ser tão forte tua primeira experiência.

Janis imaginou que Xena se referia a servir de provadora, mas este pensamento foi apagado ao ver a Conquistadora servir-se e alcançar a tabua com alimentos para Gabrielle e logo a seguir para ela. Com a outra mão a Imperatriz da Grécia entrega um pequeno saco de couro contendo oito talentos de prata e um de ouro.

- A princesa das amazonas tem sido constante em salientar teu bom trabalho e dedicação Janis. Insistentemente tem se posicionado no sentido de pedir por você. O que pensa sobre isso?
- Somente posso agradecer à princesa sua generosidade minha senhora e irei para onde a senhora determinar.
- Resolvi que se este ainda for o desejo de sua alteza, ele será atendido em conformidade. O que me diz princesa? Insistes em pedir por esta mulher?
- Se for de vosso agrado majestade, confirmo minhas intenções. Janis é muito dedicada e tem feito o máximo dentro de suas competências como se esperaria inclusive de uma amazona. Reitero minha posição de que ela merece mais do que ser uma escrava sempre insegura sobre seu destino ou sua vida. Mais de uma vez ouvi homens se referirem a ela como um brinquedo a ser ganho e ela é uma mulher íntegra, não merece ser tratada como um objeto.
- Não irei entregar-te às amazonas Janis, embora se este for teu desejo deverás solicitar à princesa que te receba na Nação. Nesta bolsa tens algum dinheiro que poderás usar para começar uma nova vida longe daqui se preferires. Mandarei buscar quem tu quiseres em Roma, na tua localidade de origem ou te proporcionarei os meios para chegares junto aos teus familiares em qualquer lugar. Se desejares permanecer em serviço desta casa, fale com Siana que te proporcionará um quarto no segundo piso e uma remuneração justa, mas caso desejes ficar como hospede ela providenciará alguém para servir-te pessoalmente e os aposentos. Considere este almoço como a comemoração de sua liberdade e decida calmamente. Siana tem ordens de providenciar que tua decisão seja acolhida e tu fiques bem.
Janis fica olhando para Gabrielle sem saber o que dizer, pois tinha a impressão de que a Senhora do Mundo estava fazendo um jogo muito cruel para com sua escrava romana. Em sua breve vida jamais ouvira falar de algo parecido e muito menos que a Conquistadora fosse capaz de tal bondade. Se fosse algum jogo sádico, estaria contentando sua senhora, mas se fosse real estaria sendo minimamente grata por ter recebido mais do que sonhara. Em um só momento recebeu a vida, a liberdade e recursos para manter-se no mundo real fora das paredes de uma propriedade onde era apenas mais um item do patrimônio.
- Obrigada majestade, muito obrigada. A ideia de ser livre é mágica para qualquer escravo e somente posso agradecer a vossa majestade por sua bondade e misericórdia. Infelizmente não há ninguém de minha família, minha senhora, pois todos foram mortos quando fui capturada. Se a princesa permitir eu gostaria de conhecer seu povo e se autorizada, dar uma destas moedas para Siana e outra para Cassandra que foram muito boas pra mim.
- Você é bem-vinda na Nação Janis e não vejo impedimento algum para que possa ficar com minhas irmãs aqui em Corinto se você quiser. Quanto a Siana e Cassandra eu concordo plenamente com você que elas são merecedoras de nosso reconhecimento, pois souberam nos guiar no serviço de sua majestade com bondade e correção. Se me permites, vou me unir a ti nesta homenagem e acrescentar igual valor.
- Quem sou eu pra dar permissões alteza, mas serei honrada se acompanhar-me neste pequeno gesto.
- Há alguém com o qual você deseja reunir Janis?
- Se não for ousadia, há uma jovem mulher que é como uma irmã pra mim e ainda está sob a propriedade do senhor Shumedes em Roma, se não tiver sido vendida ou morta. Eu entregaria todo dinheiro que me resta para que ela fosse resgatada majestade e trabalharia para a senhora até o fim de meus dias para pagar o restante das despesas se houvesse a possibilidade de sermos reunidas novamente.
- Qual seu nome?
- Uriel de Morgador majestade. Fomos criadas na propriedade do senhor Shumedes desde os nove anos.
- Ela tem as mesmas habilidades com armas que tu?
- Não majestade. Ela foi treinada para lidar com cavalos e é uma sanadora para eles em seu próprio direito.
- Verei o que conseguirão descobrir, mas até lá podes esperar como hóspede do palácio enquanto decides tua vida. Procura Siana para isso, porém se decidires entrar pra Nação a princesa indicará como deves proceder.
- Boa tarde Janis.
- Boa tarde princesa. Obrigada majestade. Obrigada alteza.

Ainda sem saber se era um jogo malicioso ou um sonho realizado Janis sai a caminhar para a saída do jardim em busca de Siana, mas ao passar o portão começa a correr desabaladamente com medo que a demora fizesse sumir as boas novas.

- Obrigada Xena.
- Meu prazer. Vai aceita-la na Nação?
- Claro. Vai procurar sua amiga?
- Claro. Imediatamente darei ordens a Elthor para que me traga notícias e a menina se for o caso. Não deve ser difícil, mas ainda assim irei testar sua fidelidade quando chegar o momento.
- Permitirás que se unam?
- Sim, mas averiguarei o quanto estará disposta a pagar para isso. Ela é muito boa com armas e pertenceu a Shumedes. Deve ser testada antes de estar tão próxima a ti e tenho certeza que a Ephiny concordará.
- Não estou gostando disso Xena.
- Será apenas um teste alteza. Se ela tiver o coração limpo viverá com sua amiga em paz no local que escolher com todo o conforto. Coloquei nas mãos dela uma pequena fortuna que muito comerciante grego não consegue em toda sua vida. Elas ficarão bem.

O restante do dia corre normalmente, com o jantar sendo restrito aos oficiais mais chegados da Conquistadora e alguns nobres vindos das terras da Britania e Egito, com mensagens de seus respectivos governantes. Foram assumindo tratativas que seriam encaminhadas pelo General Terquien e decididas pela Conquistadora em meia lua.

Era tarde da noite quando a Conquistadora encerrou as atividades oficiais do dia.

Montadas no patio interno com saída para as matas ao Leste, as amazonas da guarda real não sabiam porque estavam esperando uma marca de vela para sair, mas confiavam em sua capitã.

As armas estavam postas e cada uma levava sua equipagem de caça que consistia em suas armas e dois cobertores. Taíra levava ainda um cavalo extra, com o embornal contendo as ataduras e medicinas, cordas, cobertores, alguns alimentos, armas  e outros materiais.Ela era a encarregada de controlar a saúde e do grupo uma vez que nem Iodia nem Iliênia ou Zenit estavam presentes.

Com a lua quase em seu ponto máximo, surgem nas escadarias a capitã da guarda real, Gabrielle e a Conquistadora. O General Terquien aparece logo atrás seguido de Cora, Palaemon  e Assoyde, que ficaria responsável pela guarda de Gabrielle na ausência de Ephiny.

O capitão dos falcões faz um sinal e Cambis, totalmente equipado,  é levado até os degraus. Em seu porte amplo, o grande cavalo de guerra branco ressaltava na noite, iluminado pela lua cheia.

- Palaemon cuida para que a princesa amazona esteja segura e tenha tudo que desejar, fazendo saber que a voz dela será a minha no palácio durante minha ausência.
- Ao seu comando majestade.
-Terquien, deixo Corinto  contigo e que a princesa possa assistir os debates do tribunal se desejar, mesmo ouvindo os casos, principalmente em disputas civis. Ela está interessada em conhecer o funcionamento de nosso tribunal e em Corinto tens também o poder de juíz, estende-o a ela. Sugiro que consideres bem o que ela indicar como decisão, e se concordares e estiver dentro da legislação deverá ser feito. As questões criminais julgarei quando voltar. Para todos os efeitos, estou em contato com a Deusa e não quero ser incomodada. Qualquer emergência tu saberás me encontrar.
- Ao seu comando Conquistadora. Boa caçada!

Ephiny saúda sua princesa e monta tranquilamente em seu cavalo. Gabrielle se despede fazendo votos de boa caçada.

- Viagem segura e que Artemis guie seus olhos e o jogo seja produtivo. Àquelas que estarão fazendo seu teste final, entrego meus melhores votos de sucesso e assim com todas que serão testadas em outras etapas. Artemis às guiem!
Todas se curvam em suas selas.
- Creio que seria melhor indicar para tuas irmãs o teor de nosso acordo princesa ou elas não ficarão a vontade com minha presença.

Gabrielle se surpreende com esta abertura oferecida publicamente por Xena, mas rapidamente utiliza, antes que as amazonas conseguissem processar a fala da Conquistadora.

- Minhas irmãs! A Conquistadora manifestou o desejo de viver como uma amazona e com a benção de Artemis, estabelecemos esta caçada como o tempo certo para esta experiencia. Tudo bem com vocês Ephiny?
- Há um problema de ordem técnica alteza. Os protocolos relativos à Imperatriz teriam de ser anulados. Eu não gostaria de ser obrigada a punir uma de minhas irmãs se a senhora do império resolver que não deseja mais participar do treinamento e chamar suas prerrogativas quando algo lhe desagradar.
- Isso não será problema capitã. A Escolhida de Atena deu sua palavra final sobre o assunto ainda a pouco e realmente deseja ver como são treinadas as filhas de Artemis.
- Certamente alteza.

Ephiny se dirige para Xena que estava observando a troca de palavras entre a capitã e sua princesa.

- A Senhora do  Mundo deseja faze-lo em qual nível de treinamento?
- Quais são minhas alternativas capitã?
- Exército regular, Escoteiras, uma trial e a Guarda Real.
- Qual a mais completa?
- Cada uma possui sua própria característica e função específica, mas a amazona da Guarda Real passa por todos os treinamentos antes de tornar-se aspirante à Guarda.
- Então é aí que entrarei.
- Há uma questão a ser considerada majestade. Uma vez aceita na guarda, somente o fracasso  ou a morte pemitiriam a saída do grupo. Ademais, é um treinamento muito duro e talvez a Senhora do Mundo não esteja preparada para suportar seus revezes. A Guarda não comporta questionamentos de ordens.
- Será como nos Falcões capitã. Eu estarei bem, fique tranquila que conseguirei seguir seus padrões. Acordei com a Escolhida de Artemis em realizar esta experiencia e o farei até o final. Iniciará agora e terminará ao retornarmos neste mesmo lugar e quanto a isso não existirá empecilhos.
- Assim seja majestade. A partir deste momento vossa majestade está consagrada como uma aspirante da guarda real, afeta aos mesmos regulamentos que as demais aspirantes. Será chamada por seu nome indicado e o restante irá sendo posto durante a caçada e se a senhora concordar, tal situação passará a vigorar imediatamente.
- Eu concordo capitã. Vamos?
- É desejo da Caçadora que sua experiencia junto ao meu povo seja proveitosa e a Escolhida de Atena  encontre o que busca majestade. Tenha a certeza que cada uma de minhas irmãs fará seu melhor para que Vossa majestade tenha exito. Melhor vocês irem logo Ephiny e que Artemis esteja com vocês.
- Assim seja princesa.
- Vão e estejam de volta inteiras.
- Ao seu comando alteza. Deves deixar teu cavalo aqui Xena. Montarás o cavalo de suprimentos e te responsabilizarás pelo equipamento. Leve apenas as armas que conseguires carregar contigo e nada mais.
Xena estanca no ato sua pretensão de montar em Cambis e fazendo a mesma saudação que exige dos Falcões, monta em um salto no cavalo guiado por Taíra.

Ephiny comanda a expedição:
- Todas prontas? Vamos!

Saem a trote marcado do palácio, iniciando um galope leve na direção leste. A lua alta no céu ia indicando o caminho e a poucos estádios de distância estava tornando-se mais difícil de visualizar as feições, ficando apenas silhuetas na noite e Gabrielle eleva seu pensamento à Artemis para que seu amor consiga superar mais este obstáculo e incontinente as amazonas disparam em galope desenfreado.

- O que a senhora deseja fazer alteza?
- No momento apenas descansar general e por favor, me chame de Gabrielle. Depois de ter segurado o Império enquanto a Conquistadora defendia meu povo, tal formalidade é desnecessária entre nós.
- Claro Gabrielle. Qualquer coisa que voce deseje estará disponível e Palaemon coordenará com sua guarda o que for necessário.
- Obrigada general.
- Por favor, use meu nome indicado Gabrielle.
- Obrigada Terquien. Vamos entrar Cora, pois existem algumas coisas que gostaria de ver e vou precisar de tua ajuda.
- Imediatamente Gabrielle.

Chegando aos seus aposentos a princesa das amazonas se lança no divã com os olhos fechados enquanto uma Cora atenciosa coloca a piscina para encher com águas termais.
Assoyde entra para ver se tudo está de acordo e comunicar os procedimentos escolhidos para a temporada de afastamento de Ephiny. Ao encontrar Gabrielle de olhos fechados repousando dirige-se aos banhos e encontra uma Cora ocupada em permitir a entrada de águas termais na quantidade certa para equilibrar a temperatura ao gosto de Gabrielle.

- Como está Gabrielle, Cora?
- Aparentemente muito cansada. O jantar exigiu muito dela, pois foi requisitada além do costumeiro. Parece que há uma grande curiosidade sobre a Nação, nossos hábitos e costumes entre os nobres de Corinto. Muitos não esquecem que ela já foi uma escrava da Conquistadora e fizeram questão de lembrar isso o tempo todo. Exigiu muito da diplomacia e habilidade dela não criar um conflito
- Isso é algo que nós não deveríamos esquecer também Cora. Embora voce esteja casada com o comandante Palaemon, não podemos esquecer onde repousa nossa fidelidade e certamente não é com aquele animal que agora cavalga com nossas irmãs. Não sei como a capitã aceitou este monstro no grupo neste momento tão crucial para a trial de Karin.
- Você não deve falar assim da Imperatriz Assoyde. A princesa determinou que assim fosse e somente ela sabe realmente as causas deste arranjo.
- A princesa pode ter perdoado o que aconteceu em Esdel, mas eu não esquecerei tão cedo a humilhação que passamos, nem aqueles homens nos olhando como se fossemos gado para compra. Terem lutado na Tracia não modifica o que aconteceu.
- Não deixe que Gabrielle saiba disso Assoyde e reze para que Artemis lhe ajude a superar isso. A rainha Melosa aceitou estes homens como aliados e nós não podemos mudar isso.
- O que Gabrielle passou em Esdel não era necessário nem justo e se você aceita isso, não me peça pra fazer o mesmo. Vou manter esta perspectiva porque ela é a verdadeira. A Conquistadora é um monstro e continuará sendo. Uma hidra não deixa de ser uma hidra apenas porque canta como uma sereia.
- Não acredito nisso comandante, nem nossa princesa e recomendo que não deixe ela saber o quanto seu coração é fechado em relação à Imperatriz.
- Guardarei tua recomendação Cora, mas agora tenho coisas mais importantes pra verificar. Coloquei duas sentinelas na porta, uma no passadiço superior e uma nos jardins guardando a sacada. Temos todas as possíveis entradas cobertas. Comunique a princesa quando ela acordar e qualquer coisa mande me chamar, pois estarei nos aposentos da guarda. Boa noite Cora.
- Boa noite Assoyde.

Gabrielle ouvira tudo do divã, mas não manifestou estar desperta. Seu pensamento estava longe, nos campos de caça onde sua amada poderia estar em grandes apuros, dependendo de como Ephiny usaria seu novo poder sobre a Senhora do Mundo e esta possibilidade clara de vingança por Esdel.

O pensamento manifestado por Assoyde tinha coerencia e era adequado, pois ela não sabia dos novos arranjos e tudo que havia se passado. Talvez Karim tenha vislumbrado algo de possibilidade que acalmou seu coração com o que vira no navio, mas neste caso específico, é provável que ainda tivesse Xena como uma escrava da princesa e isso poderia modificar a maneira da jovem amazona trata-la na caçada.

Ephiny sabia apenas que tinha aceitado Xena na Nação e solicitara sua entrada na Guarda Real, mas ela confiava na promessa de Ephiny de dar uma chance limpa para a Conquistadora.

Levantando do Divã, Gabrielle se dirige à banheira sem muitos cuidados, certa que Cora havia feito o melhor possível para tudo estar confortável.

- Obrigada Cora, por favor organize algo de alimento e coma também. Percebi que no banquete você demorou em comer, estando o tempo todo em alerta.
- É meu dever estar cuidando para que tudo esteja bem para ti e Ephiny, Gabrielle. Sempre terei tempo de comer mais tarde e Palaemon tem o mesmo procedimento nos banquetes a anos, pois é dele a responsabilidade pela segurança de todos na sala, mas principalmente da Conquistadora e do general Terquien.
- Então vá e te sirva minha amiga. Tomarei meu banho e irei fazer-te companhia em breve.

Deitada nas águas tépidas por algumas contagens, Gabrielle fica um quarto de marca a absorver o calor e a tranquilidade das águas. Pensando em como ela iria resolver a questão com Assoyde. Ergue seus pensamentos àquela que guia seu povo.

“Sagrada Caçadora, por favor guia meus pensamentos e auxilia a tirar de minhas irmãs esta dor e orienta-las na direção do apoio a esta que amo. Ajuda-me Artemis para que teu povo possa brilhar ao lado do Império como povo livre e justo”

Saindo da água Gabrielle ainda lança seu pensamento para Artemis auxilia-la. Artemis  materializa-se no divã, olhando para Gabrielle com um misto de curiosidade e divertimento.

- “Já com problemas no matrimônio, escolhida?”

Gabrielle vai a seus joelhos e saúda a patrona de seu povo como é devido.

- Artemis.
- “Isso não é necessário Gabrielle, pois sei a reverencia em teu coração”.
- Minha Deusa, eu não sinto um problema entre nós, mas algumas de minhas irmãs ainda guardam ira em seu coração contra Xena, pois não sabem de Seu perdão, nem de que acolheste minha amada entre nós como igual. Suplico tua orientação, pois não é justo que minhas irmãs sigam com esta dor e não sei como auxilia-las.
- “Parece que em tua súplica já encontraste a solução Gabrielle. Já te disse antes que sempre apoiarei nas decisões que tomares seguindo seu coração.  Parece que é serem mantidas no escuro quanto a situação atual que faz tuas irmãs não entenderem completamente tua disposição em perdoar Xena e aceitar sua presença como igual. Torna conhecida toda a situação que tua irmã encontrará uma maneira de lidar melhor com ela. Confia na coragem e lealdade de tuas irmãs Gabrielle e elas não te decepcionarão”.
- Obrigada Artemis.
- “Fica bem Gabrielle e lembra que sempre estarei aqui pra você escolhida.”

Aguardando alguns instantes para acalmar seu coração, Gabrielle veste um peplos branco e vai até a mesa buscar algo de alimento.

- Cora, por favor, chame Assoyde e nos deixe a sós. Desejo falar com ela sem ser interrompida.
- Claro Gabrielle.

Assoyde entra com certa preocupação, pois não era próprio de Gabrielle ser tão formal ao mandar chamar, reivindicando privacidade. As palavras de Cora iam ecoando na mente da agora responsável pela guarda real: “Desejo falar com ela, sem ser interrompida”. Certamente não seriam boas notícias.

- Mandou me chamar Gabrielle?
- Sim comandante. Diga-me sem reservas Assoyde, qual o seu sentimento sobre a Imperatriz? Como você está lidando com o que aconteceu em Esdel, na Trácia e no Palácio? O que pensa sobre a Senhora do Mundo?
- A Imperatriz lutou bravamente na Trácia para preservar nosso povo alteza. Desejo que sua experiência com nossas irmãs seja a mais produtiva possível.
- Tens consciência que apenas a verdade pode circular entre nós, comandante? Artemis seja minha testemunha como questiono de alma limpa e mente sincera, então peço que faça o mesmo Assoyde. Em nome da Caçadora, seja completamente honesta.
- Eu não consigo esquecer Esdel e a inutilidade de tudo aquilo. A dor de Dieynisa, o esforço de Karin no lago ou a humilhação que sofreste.
- Nós estávamos erradas em Esdel e agradeço a Atena sua misericórdia.
- A Conquistadora é um animal Gabrielle. Um animal que fica feliz com a dor e o medo que causa. A situação que ela causou em Esdel levou Leah ao desespero e Solari a agir da única maneira honrada possível, mesmo sangrando em seu coração e chorando em sua alma por sua irmã. Alcançou o máximo da intolerância e quase comete um desatino, salvo apenas pela intervenção da rainha Melosa.
- Nós estávamos erradas em Esdel e foi minha doença que colocou Leah e todas vocês em perigo comandante, não a Conquistadora.
- Peço teu perdão Gabrielle, mas é um erro este monstro solto com nossas irmãs neste momento tão importante para as quatro jovens amazonas que estão entrando na irmandade das guerreiras, em seu ultimo teste.
- Como você enxerga a força das tradições e a confidência na guarda Assoyde?
- Não estou entendendo a questão Gabrielle.
- Você está no lugar e com as funções de Ephiny. Como você assumiria um segredo que nem a ela foi contado?
- Juro pela Caçadora, pela honra de minha família e por minha vida que manterei secreto qualquer coisa que seja revelada alteza.
- Não é necessário Assoyde, apenas peço sigilo absoluto até que saiba como lidar com isso publicamente.
- Assim mesmo, eu juro.
- Quero te contar uma história, a história de uma escrava que se tornou senhora daquela que detinha sua vida e passou a deter sua alma e seu coração. Vou te contar como e porque é importante que a Imperatriz vá nesta caçada.
- Não é necessário Gabrielle. Eu confio em você, apenas fico indignada com o que ela fez e agir como se fossemos aliadas.
- Artemis Caçadora, em sua sabedoria cobrou pedágio sobre a Senhora do Mundo e a Escolhida de Atena colocou-se aos pés da Casa Real, como uma escrava por muito tempo aqui em Corinto. O impensável aconteceu e nos apaixonamos Assoyde, com toda a força que os ditames de Afrodite podem inspirar. Artemis perdoou seus crimes contra a Nação, mesmo aqueles que nem sabíamos que haviam sido impetrados e ela foi aceita na Nação Amazona como filha de Artemis. A Imperatriz da Grécia é uma de tuas irmãs e está sendo testada por Ephiny para entrar na Guarda Real.
- A Comandante Ephiny sabe disso? Quero dizer de seus crimes anteriores, além de ter tornado nossa princesa uma escrava em Esdel?
- Não e nem deverá saber. Artemis perdoou e isso que conta.
- Que crimes foram estes?
- Não vem ao caso comandante. A própria Deusa em pessoa cobrou, puniu e perdoou, aceitando-a na Nação como uma de suas filhas.
- Se Ephiny souber disso vai envia-la para o mais longe possível da Casa Real. Jamais aceitaria na Guarda alguém com um passado assim Gabrielle.
- Ela pagou por ele comandante. Levou minha marca e foi minha escrava desde antes de sairmos para a Trácia. Entrou para a Nação como uma mulher livre e foi aceita. Ephiny sabe disso.
 - Aquele monstro forçou você a isso Gabrielle?

Em desespero para que Assoyde entendesse a extensão do perdão da Caçadora e da sua proximidade com Xena a princesa das amazonas trácias dá sua última carta.

- Preste atenção Assoyde: somos casadas com a benção da Caçadora. Artemis em pessoa, a Deusa da sabedoria e Afrodite realizaram nossa união para a eternidade comandante. Eu e a Conquistadora somos casadas pelas leis amazonas e com a benção pessoal da própria Caçadora.

Aos poucos a realidade da situação foi caindo na mente de Assoyde e ela não pode conter o olhar de espanto, desaprovação e aceitação. Todos eles em um mesmo momento.

- Seja feita a tua vontade princesa. Procurarei rever os conceitos para com a Imperatriz e aceita-la como minha irmã e sua consorte, embora não possa garantir que terei sucesso na empreitada, afirmo que farei meu melhor para tentar ver por outros ângulos todo o acontecido e de mente limpa abraçar tua esposa.
- Obrigada Assoyde. Tenho certeza que não farás por menos e se facilita tua busca, pensa que ela salvou a Nação na Trácia e me ama. Artemis nos abençoou e isso por si faz esta união verdadeira aos olhos da Nação. Retoma tuas funções e entenda porque Xena está se submetendo ao treinamento da guarda: por amor a mim e para que possamos ficar mais próximas o tempo todo.  Ephiny não sabe que somos casadas, apenas que ela foi aceita na nação e a quero na guarda, então gostaria que continuasse assim até achar uma maneira de dar a notícia sem chocá-la.
- Será feito como queres Gabrielle e juro que tentarei repensar e reavaliar a respeito da Conquistadora. 

Assoyde sai dos aposentos para efetuar seu trabalho e uma princesa mais tranquila busca os braços de Morfeu.

 

 

Continua...