A Imperatriz e a Guarda Real

By M. N. Silva

Contato: xena.m.n.silva@gmail.com


Uma fanfic de

 

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Chegando no acampamento- rastreios e pontarias

 

Chegando na mata que fica a quatro marcas de vela, em um galope franco de cavalos potentes, no lado leste de Corinto a capitã da guarda real amazona dá inicio a esta experiência ímpar de comandar a Senhora do Mundo  ao mesmo tempo em que organiza o teste final de suas irmãs.

Estabelecendo acampamento junto a clareira dos grandes carvalhos Ephiny estabelece as funções de cada grupo.

- Tenham em mente que estou representando Gabrielle para todas vocês, então cuidem para que isto seja entendido e esteja em seus pensamentos a cada momento. Não é uma encenação. Represento a princesa para qualquer situação enquanto durar a expedição e ainda que tudo que eu fale seja inquestionável na guarda real, nesta expedição em especial  deverá ser previsto, antecipado e sagrado. Vocês entenderam?
- Sim capitã.
- A trial de Karin pegará o primeiro turno de guarda e Xena ficará com a guarda intinerante do campo, que consistirá em ir de um posto a outro cobrindo o espaço entre eles initerruptamente. Assim será  até o carro de Apolo surgir no céu, quando serão substituidas, e deverão apresentar-se a mim. Vão.

As amazonas rapidamente se dispersam e tomam suas posições mais afastadas, cumprindo cada uma, com exatidão seu papel.

O sol começava a despontar, quando a Trial de Karin e Xena apresentaram-se à comandante das amazonas depois de terem feito a guarda por todo resto de madrugada.

- Bom dia Capitã.
- Bom dia meninas. Bom dia Xena. Karin, sua trial fica responsável por encontrar um bom jogo de caça e Xena deverá abater, providenciando o transporte até aqui. Nesta ordem de acontecimentos. Vocês  entenderam?
- Sim comandante.
- Voce entendeu Xena?
- Certo Ephiny.
- Xena! Você não pode usar meu nome, você não pode usar o nome de nenhuma amazona. Diga simplesmente: certo! A única ocasião em que poderá usar algum nome indicado é em situação de aviso de perigo ou relatório, caso contrário usará o posto ou simplesmente nenhum a menos que seja autorizada expressamente. Você entendeu?
- Sim comandante.
- Taíra, certifique-se que tudo seja como deve ser e faça relatório posterior.
- Certo Ephiny.
- Vão e estejam de volta até o carro de Apolo estar totalmente cerrado e a lua começar a subir amanhã.
 - Sim comandante.
- Kleith! Você, Salina e seu grupo fazem a guarda. Vamos dormir mais um pouco que o dia será longo.

Enquanto Karin, Lara, Dieynisa e Deian se afastam na direção leste, procurando alguma pista que indique onde estaria sua presa. Xena ia um pouco atrás armada apenas por um arco e uma alijava carregada, levando na cintura uma espada curta e o chakram.

As quatro jovens amazonas se dispersaram por sobre as árvores buscando cobrir mais território, distantes do solo o suficiente para não perturbar a fauna, e Xena manteve uma distância considerável para não atrapalhar o ritmo do grupo nem ser confundida com uma rastreadora. Após duas marcas de vela do segundo dia, Lara avistou um pequeno grupo de cervos que estava se aproximando do rio para beber permaneceram tempo suficiente para serem alcançados e tendo saciado sua sede foram mais a leste por um quarto de marca de vela.

Lara avisou suas irmãs de sua posição emitindo o chamado da coruja. Deian foi a primeira a chegar e Dieynisa veio junto com Xena. Karin estava mais afastada e não conseguiria ouvir o chamado de Lara, então Xena repetiu o chamado e solicitou às duas amazonas maiores que tomassem posição além do grupo de cervos.O pequeno cervo seria muito pouco para atender as necessidades do grupo e Xena era contra matar femeas que estivessem com filhotes. Sua escolha caiu nos jovens com força e garbo que acompanhavam o grupo, um pouco mais distantes. Aparentemente já haviam saciado suas necessidades, pastando tranquilamente e um tanto quanto alertas para qualquer movimento ou som.

Observando com cuidado percebeu que havia femeas entre eles e não desejava ferir nenhuma delas. Posicionando-se com cuidado para não cair da árvore, Xena faz uso de seu incrivel senso de equilíbrio, mirando no alvo com precisão, porém sendo interrompida pela mão de Karin que se aproximava por trás.

- Qual deles você está mirando?
- O terceiro depois da pedra negra.
- Não. Ele é muito grande Xena e não há necessidade de desperdiçarmos vida. Voce consegue pegar o que está no meio?
- Acredito que sim, mas terei que buscar uma posição melhor.
- Então faça isso. Cuidarei de seguir os movimentos dos animais pelo norte. Me dê duzentas contagens.

Xena apenas assente com a cabeça e novamente busca uma melhor posição, mas agora havia um impedimento maior pois seu alvo era menor e se escondia entre outros animais.

Tomando ciencia do vento, escolhe outra flecha da alijava, calcula a trajetória necessária, alisando as penas e coloca a flecha na corda. Puxou a corda até seu rosto, quase tocando os lábios e elevando levemente o arco, sem tirar os olhos de seu alvo faz algumas correções parando de respirar para soltar a seta entre as batidas do coração. Quase no último instante o pequeno cervo e sua mãe se aproximam do seu alvo e a Conquistadora segura sua mão, deixando passar o melhor momento. Seu alvo move-se mais para o norte, tornando o tiro quase impossível.

Avançando um galho mais acima e indo perigosamente onde já não havia no que segurar-se, bem próximo ao ponto em que o galho começa a vergar com seu peso, Xena retira algumas plumas de um lado da flecha e passa as restantes pelos lábios, afinando um pouco estas penas.

A Conquistadora coloca a flecha em posição, mas deixando as penas trabalhadas e com menos plumas para o lado interno, ocultando-as na mão. Novamente tensiona a corda de  seu arco e entre batidas de seu coração dispara a seta que sai em linha reta passando rente ao queixo da femea, por sobre a cabeça do filhote e muito próximo do cervo que ela tinha escolhido primeiro, fazendo uma curva e acertando o coração do cervo que Karin tinha apontado. A caçada tinha sido um sucesso.

Em um salto a Senhora do Mundo estava com os dois pés no solo, estudando agora a melhor maneira de conduzir seu troféu até o acampamento. As quatro jovens amazonas não poderiam ajudar e ainda estavam abismadas com a precisão de um tiro quase impossível.

- Foi incrível!
- Parabéns Xena. A Caçadora com certeza guiou sua mão.
- Obrigada. Agora tenho de transportar até o campo e não será muito fácil, pois não trouxemos montarias.
- Nós poderíamos ajudar a carregar se não fossem as ordens da capitã Xena. Sinto muito.
- Eu sei e agradeço, mas é algo que devo fazer sozinha. A mecânica é simples, se colocar dois troncos de cada lado e amarrar bem ele poderá ser puxado até o campo. Me dêem algum tempo.
- Claro Xena. Iremos com você pra lhe fazer companhia.
- Certo.

Imediatamente Xena se coloca a cortar dois galhos de bom tamanho, relativamente retos e os desbasta com sua espada. Fazendo uma padiola, semelhante aquela usada para transportar feridos e coloca o cervo sobre os troncos, amarrando-o cuidadosamente.

Propositalmente havia deixado um trançado de cipós bem forte, unindo os dois troncos em uma das extremidades, com folga suficiente para passar por trás de seu pescoço. Teve o cuidado de colocar outro bastão na horizontal, evitando assim que eles se unissem e criando uma base firme para utilizar seus braços. Assemelhava-se  muito com alguns equipamentos agrícolas que viu serem usados em Amphipolis para arar a terra. Chegava a ser irônico: a Senhora do Mundo usada como boi de arado.

- Acredito que está pronto. Teremos que usar um passo firme se desejamos chegar no tempo marcado.Vamos?
- Claro. Se desejar parar para descansar é só avisar Xena.
- Sem problemas.

E aquele grupo impensável começou a deslocar-se em direção ao campo das amazonas.

Taíra abriu um sorriso quando a Conquistadora do mundo, ladeada por suas irmãs, começou a se mover na direção do campo como se fosse um animal de trabalho. Reconheceu a disciplina do grupo e acompanhou-o um bom tempo através das copas das árvores, imprimindo um ritmo maior à sua jornada para prestar relatório antes que as caçadoras chegassem.

Chegando ao campo, Taíra  encontra uma Ephiny treinando com parte do grupo na luta corpo a corpo e encosta-se em uma árvore para observar o treino.

- Então?
- Elas já estão se deslocando. Foi o tiro mais incrível que já vi Ephiny. Aquela mulher não é deste mundo.
- Já sabemos das habilidades dela com as armas e isso não deveria ser surpresa. Como se portou a trial?
- Encontraram o jogo e cercaram suas rotas de fuga, deixando a atiradora livre para agir. Pelo que percebi o alvo foi escolhido por Karin. O transporte está sendo feito apenas pela Conquistadora e elas não participaram em nenhum momento da confecção dele. Voce vai se surpreender.
- Dificilmente esta mulher irá me surpreender em algo Taíra .
- O quanto você vai exigir da imperatriz Ephiny?
- Quanto for necessário para que ela aprenda o que deseja e leve o que veio buscar. Foi um pedido de Gabrielle então deverá ser atendido no melhor de nossa capacidade, como sempre.
- O que faremos se ela não vencer? Como lidaremos com uma Conquistadora furiosa?
- Acredito que ela conseguirá. Esta mulher conquistou a maior parte do mundo conhecido e comandou exércitos imensos, então sua capacidade, foco e força são inquestionáveis. Em seu coração é que eu tenho dúvidas.
- E as meninas? Qual o avanço que já temos na avaliação delas?
- Elas cumpriram as duas primeiras missões de forma muito adequada. Quero ver como elas se comportarão agora que estão com Xena.
- Verão ela como uma aspirante ou como Imperatriz?
- Acredito que como amazona. Foi decreto de Gabrielle.
- O que faremos com elas agora?
- Vamos seguir o planejado para a Trial e quanto a Xena farei que ela aprenda a reconhecer e assumir seus erros.Quero ver a Conquistadora aprender e demonstrar humildade, agir com ênfase no grupo e ser menos egoísta. Deixo com voce o ensino de tiro de arco amanhã de manhã após o cuidado com os cavalos e prepararei a formalidade adequada ao retorno das caçadoras, depois coloque a trial de Karin em treino de luta de mão e espada curta.
- Certo.

 

 

A volta

 

Xena e as jovens amazonas chegaram algumas batidas antes do prazo determinado. Cansada Xena arfava buscando cada vez mais bocados de ar pois o esforço de quase sete marcas de vela transportando um cervo de considerável tamanho tinha exigido muito dela. Ainda com sua carga no alto da colina, ela desceu com Karin, Dieynisa, Deian e Lara ao encontro da capitã amazona. Ephiny as recebe sem ao menos interromper a arrumação de suas flechas e reconhecendo sua presença emite novas ordens.

- Karin! Vocês  devem descansar até o jantar estar quase pronto. Voce não Xena. Deixe sua carga junto à fogueira, vá ao rio e providencie alguns peixes para o jantar. Provavelmente o cervo somente estará pronto para o almoço de amanhã.

Xena parou com o veado ainda apoiado nas costas e olhou para Ephiny. O acampamento inteiro parou e ficou na expectatifva de como a Senhora de Tudo que Vê iria se comportar frente a esta imposição e ordem direta. Ela voltou-se para a fogueira onde seria preparado o cervo e já havia um fosso aguardando o resultado da caçada. Utilizando um sinal imperceptivel para as cinco caçadoras Ephiny indica a três amazonas que deveriam ajudar.

- Eu devo fazer este transporte sozinha, obrigada.
- Já o fez Xena. Nós agimos como um grupo e vamos auxilia-la. Apenas pegue na outra ponta.

Xena aceitou o auxilio entendendo que se tal estava sendo oferecido era por que Ephiny havia autorizado. As amazonas responsáveis pela organização já tinham na fossa troncos em brasa e toda a estrutura para assados. Juntamente com suas tres ajudantes, ela largou com cuidado sua presa que imediatamente passou a ser preparada.

Sozinha, foi caminhando em direção ao rio, até ouvir a voz de Ephiny chamando-a para uma maior velocidade:
- Agora Xena! É para o jantar e não desjejum!

Xena dispara em uma corrida desenfreada, detendo-se somente quando chegou na beira do rio. Ali estavam esperando alguns ferros torcidos presos em linhas e uma rede pequena. Desprezando os equipamentos Xena entra na água e começa a pescar na maneira que fazia quando era jovem, usando as mãos como isca. Calculando dois peixes para cada amazona Xena se esforça para entrega-los todos na fogueira antes que a lua esteja em seu meio caminho para a subida. Sua presença mais tranquila com o cordame de peixes junto à fogueira é reconhecida e deixando os animais no gramado baixo,  correndo vai se colocar a disposição da comandante totalmente molhada até a cintura.

- Ao seu comando capitã.
- Certo. Busque uma árvore e descanse Xena.
- Ao seu comando, capitã.

Xena estava cansada e com fome. A sede estava pregando peças na Conquistadora, mas ela não iria se entregar. Não ainda. Não tão cedo.

Estes testes de Ephiny apenas serviam para que ela revivesse alguns momentos de sua jornada, o início do Império. Um tanto leve, Xena começa a recordar.

 

“Um dia de verão, logo após vencer Corteze, Xena e seu grupo começavam a formar um cinturão em torno de Amphipolis. Seu exército já estáva de consideravel tamanho e era quase sete vezes maior que o de Corteze. Estavam a algum tempo cavalgando no vale, fazendo acampamento próximo ao rio Silion e ela estava satisfeita que seus padrões de recrutamento foram mantidos e os responsáveis pelo princípio de incêndio em Cirra foram devidamente punidos. Os que fizeram tentativas de estuprar foram emasculados pessoalmente por ela antes que as cruzes fizessem parte da paisagem. O verão que sucedeu Cirra trouxe alguma dificuldade para encontrar caça e os peixes fizeram uma importante contribuição ao cardápio tendo sido feita uma tradicional pasta com trigo, mas não era suficiente. A população do último povoado dividiu com eles algo que tinham, mas Darphus tentou fazer um levante e insubordinação entre seus homens, querendo uma votação para decidir quem levaria o exército. Defendia entre outras coisas que os homens deviam ter o direito de usufruir das mulheres e não apenas do trigo e outros víveres. “Afinal não só de pão vive o homem”, havia sido uma de suas frases mais repetidas. Enquanto ela tinha ido com um grupo de batedores para o sul em uma de suas excursões para  sondar o terreno, Darphus e seus seguidores seguiram para o norte e em seu nome começaram a destruir um povoado. Ela chegou com o grosso do exército e seu grupo de confiança que daria origem aos Falcões. Colocando homens em posição estratégica arrebanhou mulheres e crianças em um prédio para protege-los. Mandou executar um jantar regado a vinho, garantindo que Darphus e seus principais oficiais estivessem em sua mesa. Rindo e contando o resultado de sua excursão fez o vinho circular cada vez mais rápido e em maiores quantidades.
- Senhores! Que todos saibam que as regras neste exército irão mudar. O meu tenente Darphus tem deixado sua discordancia com a forma que eu uso decidir as questões ou o objetivo maior de nosso exército. Hoje a noite irei recompensar cada um conforme seu merecimento e nós somos guerreiros, devendo ter a devida recompensa. Amanhã distribuirei a cada um o premio que lhe compete por seu esforço. Na manhã seguinte Xena acordou como sempre fizera e reunindo os homens nas colinas desafiou Darphus para um combate pela liderança do exército.
- Pelas minhas costas Darphus tramava expulsar-me de meu exército, de meu comando. Vocês devem decidir agora se são um bando de malfeitores como Corteze e Krikus ou homens de honra! Vocês são guerreiros ou vermes!
Os homens se olham e Xena está preparada. Aqueles que apoiaram Darphus tentam sacar suas espadas, sendo contidos por soldados em toda parte. Xena continua sua explanação:
- Ouvi que um complô contra sua comandante estava sendo organizado. É insubordinação. Organizar tal complô é traição e não são permitidos no exército. Meu exército. Nosso exército. Darphus sua única chance de sair desta com vida é me vencer num combate. Reuna seis de seus oficiais traidores e venha!
Darphus sabia que era sua única chance e os sete homens cercaram sua comandante e fizeram a melhor investida que conseguiram, mas não eram páreo para Xena que simplesmente ia fazendo corte sobre corte nos homens a sua frente. Era tal sua perícia que nenhum órgão vital foi afetado, mas os homens não conseguiam mais segurar a espada ou manter-se em pé com um equilíbrio mínimo adequado para um duelo. Darphus estava sem conseguir mover os dedos e segurar a espada, pois em um jogo de empunhadura  Xena esmagou os dedos daquele que havia sido seu braço direito. Em pouco tempo todos estavam desarmados e no chão. Ela então voltou-se para seus homens.
- É isso que voces querem à lidera-los?
Aos poucos um clamor foi subindo pelas colinas e se perdendo nas rochas, matas e campos como um hino de louvor à maquina de guerra que era garantia de vitória.
- Xena! Xena! Xena! Xena! Xena! Xena! Xena! Xena! Xena! Xena! Xena! Xena! Xena! Xena! Xena! Xena! Xena! Xena! Xena! Xena! Xena! Xena!”

 

Em meia marca de vela o jantar estava pronto e os peixes foram distribuídos, ficando Xena sem nenhum peixe.

- Parece que uma aspirante não sabe contar.

Xena não fez um movimento, moveu um músculo ou disse uma palavra. Se Ephiny imaginava que ela iria protestar estava totalmente enganada. Fechou os olhos e procurou meditar como Lao Ma ensinara uma vez e quando abriu os olhos ela tinha quatro partes de peixe na folha a sua frente. Deian estava oferecendo uma folha com partes de peixes.

- Nós caçamos como um grupo Xena e iremos nos alimentar como um grupo. Não sabemos o que aconteceu com seu jantar, mas uma companheira de caçada não irá passar fome em nosso grupo.
- Obrigada Karin, mas não quero que vocês  tenham problemas.
- Sem problemas. Isso é nosso e faremos o que for de nosso agrado. O que não é proibido, está permitido. Coma.

Sem esperar mais Xena começou a comer, intrigada com o fato de Ephiny não considerar desrespeito a sua ordem. Ela consideraria e não deixaria passar assim.

 

 

Uma conversa entre amigas

 

No amanhecer, Xena foi acordada por uma capitã um tanto apressada.

- Providencie ajudar no desjejum e um pequeno abrigo que aumente a sombra para aproveitarmos esta brisa agradável junto à fogueira das refeições, depois vá cuidar dos cavalos.

Ainda desta vez ela não faria nada para dar margem a uma retaliação e auxiliou em tudo que foi solicitado. Chegando junto aos cavalos, um a um eles receberam a melhor atenção que um tratador poderia dar, incluindo um banho no rio e uma escovada no pelo.

O sol já ia alto, a meio caminho do topo e Xena não havia ainda chegado à metade da manada quando a trial de Karin surge no campo dos cavalos sujas e cansadas após um treino de lutas e manejo do arco. Cada uma pega um animal, iniciando a revisão das patas e a escovação.

Xena olha pras quatro e opta por continuar o que estava fazendo sem tomar conhecimento da presença delas e depois de vários batimentos cardíacos, Karin estabelece uma relação simples.

- Xena, por favor, me alcance uma escova maior e traga algo de frutas para os cavalos.

Xena rapidamente reagiu a este pedido e entregou a escova solicitada e saiu correndo em busca das frutas que tinha agrupado ao pé de uma Hitinia para entregar aos animais depois.

Xena colocou as frutas aos pés de Karin e ficou aguardando novos comandos ou pedidos que não chegaram. Voltou então sua atenção para os cavalos restantes.

Quando terminaram de atender a todos, Karin chamou suas irmãs:
- Amazonas! Cada uma pegue frutas para seus cavalos e depois de contempla-los vamos nos sentar sob aquela sombra. Você também Xena.

Era a segunda vez que Karin falava com ela daquele jeito e ela ainda não decidiu se era despeito, desrespeito ou apenas camaradagem. Fez o que fora dito e caminhou até o grupo.

Xena esperou todas sentarem e sentou-se um pouco afastada. Não queria ferir nenhum protocolo.

- Sente conosco Xena.

Aproximando-se e sentando no circulo, Xena aceita o odre de água que Deian estava lhe passando.

- Vocês rastrearam aquele cervo com muita habilidade.
- Obrigada, mas você não deve falar sem ser convidada Xena. Vamos aceitar que quando te convidamos para sentar conosco, colocamos junto um convite para trocarmos ideia. O que voce realmente pensa de nossa caçada?
- Se não fosse sua eficiência no rastreio nós não teríamos conseguido a tempo.
- Acredito que nosso rastrear não teria importancia sem a pontaria certeira da Conquistadora.  Seu equilíbrio sobre a árvore foi excepcional
- Aquele tiro foi muito difícil Xena, realmente foi preciso muita técnica para alcançar o cervo por entre os outros dois.  A hitínia, embora de pequena espessura, também atrapalhava um pouco.
- É algo mais de atenção que devemos cuidar na inclinação do arco, juntamente com a direção e velocidade do vento Lara. As penas também devem ser preparadas para compensar e realizar as curvas certas.  Com certeza a comandante Assoyde irá ensinar isso a vocês quando for o momento certo. Quanto ao equilíbrio Deian, é só treino.
- Então Xena, porque a Conquistadora do mundo decidiu conhecer a guarda real?
- É necessário que a princesa esteja segura, principalmente quando estiver ao meu lado. Quanto mais eu souber do funcionamento de sua guarda melhor.
- Não é incompatível a Escolhida de Atena se dedicar a guardar uma princesa amazona?
- A Escolhida de Atena  faz o que é melhor para os povos do Império Deian e acredito que a guarda faça o que é melhor para a princesa.

Dieynisa insistiu naquilo que estava lhe aguçando e surpreendentemente Karin não fez pergunta alguma sobre o assunto.

- Isso não responde a questão feita Xena. Por que a Escolhida de Atena deseja passar pelo treinamento da guarda real amazona?
- Me importo com todos os povos que formam o império e não é segredo que me importo muito com sua princesa e seu povo Dieynisa, mas a verdade é que há algo na guarda real amazona que deve ser aprendido. Assim deverá ser feito.
- Não tive a oportunidade de agradecer por ter salvo meu braço e minha vida Xena. Sei que poderias ter deixado que a natureza seguisse seu curso.
- Fiz o que me pareceu correto frente aos argumentos da princesa. Os homens que provocaram tal ferimento foram devidamente punidos e não apenas por ferir voce mas por desrespeitar as regras e assim seus companheiros e a mim. Partiram de uma ideia errada que dependendo quem fosse atingido tal procedimento seria aceito. Em jogos de guerra e no treinamento do exército as regras devem ser claras e seguidas por todos, inclusive por mim e meus oficiais para evitar mortes desnecessárias e ser produtivo o evento. Não há sentido em mortes quando há um treinamento.

Voltaram para o campo e foram designadas para serviço de guarda na periferia do campo, com Xena fazendo a guarda intinerante entre os postos sendo substituídas por Adriana e seu grupo após duas marcas de vela e recebendo ordens de almoçarem e descansarem um pouco e depois retornarem para prática de arco e arremessos. A luta com a espada curta estaria também na ordem dos acontecimentos.

 

 

Flechas e corridas

 

Duas marcas de vela antes do crepúsculo Xena estava sozinha com Daiki na clareira próxima ao rio, afastada dez estádios do acampamento principal.

- Jun’Ichi, você foi incumbida de adquirir os peixes para o jantar e conseguiu realizar dentro do tempo previsto. Então qual foi o problema?
- Realmente não sei Yuu. Cheguei com o cervo antes do nascer da lua e ele foi rapidamente posto para assar, visando o almoço de hoje e providenciei os peixes para o jantar de todas imediatamente.
- Você obteve peixes em número suficiente?
- Caculei dois por amazona Yuu, mas a comandante referiu que eu não sabia contar, deixando-me sem alimento então eu calculei duas amazonas a mais e melhorei a quantidade para hoje de manhã e ainda assim a capitã usou o mesmo argumento para me deixar sem alimentos.
- Mas você se alimentou ontem. Hoje não? Porque?
- Não foi dito. Ontem as meninas dividiram sua refeição comigo, hoje elas não estavam no local. Não foi dito a quantidade, eu apenas pressupus dois por pessoa e acrescentei mais duas pessoas na contagem.
- Uma guarda real deve estar preparada para tudo Jun’Ichi, deve fazer mais que pressupor. Deve pressupor acertadamente. No caso de ficares responsável pelo alimento, cuidarás que nada falte a ninguém e deverás supor o imprevisto. O que farias se a princesa visitasse o campo? Ou a própria Melosa? É fundamental que vislumbres as diferentes possibilidades e cubras o melhor possível cada uma delas.
- Sim Yuu.
- Voce deve estar alerta para o todo na sua volta Jun’Ichi. Quando em guarda sobre a árvore, deve ouvir o farfalhar do vento nas folhas e colocar atenção em qualquer modificação.
- Sim Yuu, eu sei.
- O mesmo acontece com as flechas. Se você perceber a mudança no deslocamento de ar, deve ser capaz de identificar o que causou tal deslocamento e impedir ou auxiliar sua trajetória. É dito que voce consegue pegar uma flecha disparada contra você. Isto é verdadeiro?
- Sim Yuu.
- Eu gostaria de ver isso.
- Quando quiser Yuu.
- Depois. Agora me fale sobre a caçada do cervo.
- Não há muito a dizer. A trial rastreou com bastante eficiência e eu apenas precisei escolher o alvo.
- Qual o critério de seleção que utilizou?
- Não acredito em abater femeas ou filhotes, pois se fizermos isso em pouco tempo não haverá mais caça nas matas.
- O cervo que trouxeste não foi de tua escolha. O que modificou tua mente?
- Karin decidiu diferente e a capitã havia dito que eu deveria me colocar a serviço de qualquer amazona, então foi uma decisão fácil.
- Como ela fez saber sua decisão?
- Tocou em mim e perguntou o alvo, manifestando sua discordância. Suspendi o tiro e busquei o que ela indicou.
- A ouviste chegar. Por que deste tempo para ela manifestar sua opinião ao invés de executar o tiro que planejaste?
- Elas haviam rastreado a caça e ela merecia decidir o alvo ou ao menos que eu a considerasse Yuu.  Se estava chegando perto era com algum objetivo e eu podia esperar.
- Atuaremos sobre teu perceber. A tua capacidade de capturar flechas também é acionada se não enxergas Jun’Ichi?
- Sim Yuu.
- E quanto ao te desviares delas?
- É razoável, mas existe um limite de espaço para a quantidade que eu consigo me colocar fora da linha da seta. Se forem muitas ao mesmo tempo torna-se quase impossível.
- Veremos isso Jun’Ichi. Quando o evento começar, você deverá alcançar as árvores do outro lado da clareira onde eu estarei esperando para novas intruções. Procure fazer isso sem nenhum arranhão. Você entendeu?
- Sim Yuu.

Daiki afastou-se para a margem da mata e encoberta pelas folhas das árvores, deslocou-se rápida e silenciosamente para o outro extremo da clareira. Xena ficou impressionada com a técnica de sua treinadora, pois se não tivesse visto seu deslocamento e acompanhado cada movimento não conseguiria dizer que havia alguém observando no alto da apônia que reinava soberana naquele ponto da mata.

Em silêncio naquele momento Xena começou a ponderar que sua treinadora era realmente uma grande amazona e repensar as características dominantes de cada comandante e irmã que conhecia. A Conquistadora por alguns instantes imaginou a grande força que teria uma unidade assim no seu exército.

Havia se passado quase uma marca, quando mais do que ver ou ouvir ela sentiu.

Uma flecha passou zunindo próximo de seu ouvido, um pouco mais alto que seu ombro e sistematicamente ela recebia flechas que a obrigavam a abaixar-se, pular ou saltar de lado. A chuva de setas era constante e Xena disparou em direção ao outro lado da clareira, ainda sem entender como ou porque este ataque, no entanto sabia que deveria agir ou seria atingida.

As setas estavam sendo lançadas por quatro jovens amazonas. Karin mantinha suas flechas sempre próximas da cabeça da Conquistadora, fazendo-a agachar-se constantemente. Dieynisa garantia que a Senhora do Mundo permanecesse em constante alerta pelas laterais, desviando e Deian fazia as flechas serem direcionadas da cintura para baixo, visando as pernas de Xena, fazendo-a saltar constantemente.

Era necessário muita perícia no arco e uma grande coordenação entre elas para que chegassem próximo mas sem o risco de matar sua irmã. Lara lançou apenas cinco setas e todas direcionadas ao pescoço e ao coração da Conquistadora, que foram apanhadas por Xena enquanto corria. Ela ainda não sabia se desejavam mata-la, mas que deveria chegar ao outro lado sem ser tocada e sua incrível velocidade contribuiu muito para isso.

Assim que chegou a cobertura das árvores a chuva de flechas sessou.

Daiki aguardava escorada na Aponia.

- Você está bem Jun’Ichi?
- Sim Yuu.

Daiki estendeu a mão e recebeu as flechas que Lara tinha lançado e Xena logrou agarrar.

- É um feito muito impressionante agarrar flechas ao invés de desviar delas Jun’Ichi. Obrigada por permitir que eu presenciasse isso.
- Meu privilégio Yuu.
- Vá se lavar e volte aqui. Pode levar o tempo que quiser para relaxar.

Xena dirige-se ao rio com toda velocidade que consegue e nada algumas braçadas, buscando depois a pedra mais a oeste da clareira, onde jazia um pedaço de sabão e um pano. Lava-se rapidamente e volta para junto de Daiki. A Mestre da Guarda estava fazendo exercícios muito lentos, acompanhados de uma suave respiração e novamente Xena lembrou da Sátrapa de Chin.

Xena resolve aguardar próximo as armas que descansavam apoiadas na aponia. Quando termina seu exercício Daiki suavemente se dirige à Conquistadora.

- Como você está Jun’Ichi?
- Bem, Yuu.
- Parece que você andou servindo de ponte pra um centauro.
- Apenas torci o tornozelo na ultima corrida Yuu.
- Você não deve atuar se estiver machucada seriamente Jun’Ichi. A dor em excesso prejudica sua percepção do entorno e a capacidade de reação adequada, por dificultar a concentração.
- Realmente não foi nada grave Yuu.
- Isso é para eu julgar e você executar. Chamei-te para um exercício de precisão no qual lançarei uma flecha para o alto Jun’Ichi e caberá a você recebê-la no meio de seu escudo. Você entendeu?
- Sim Yuu.

Lentamente com cálculo em cada movimento Daiki colocou uma flecha em seu arco e puxou a corda.

Xena imediatamente toma do escudo e sai correndo para a região que calculava que a seta cairia. Realmente torcera o tornozelo e sabia ser sério, mas não iria se entregar facilmente à dor. Nunca o fizera e não iria começar agora, para satisfação de Ephiny. A Senhora do Mundo não seria quebrada.

Lembrando a batalha de Crionéia onde lutou dois dias com uma costela fraturada, chegou a achar graça deste pequeno teste amazona.

Conseguiu pegar a flecha quase no centro de seu escudo. Sem dizer nada, Daiki arma outra seta e novamente Xena pega a seta, mas desta vez, um pouco mais afastada do centro. Assim foi feito mais sete vezes e cada vez se tornava mais difícil para Xena correr, mesmo com seu incrível poder de recuperação a imperatriz tinha suas limitações e estava começando a perceber isso. Nas últimas três vezes pegou a seta quase na lateral do escudo.

- Venha aqui Jun’Ichi.

Xena vai claudicando e sua velocidade estava muito diminuída.

- Você pode perceber que sua precisão diminuiu consideravelmente.
- Sim Yuu.
- Entre no rio e permita que as corredeiras ajudem seu pé.

A lua já havia surgido e o carro de Apolo totalmente recolhido quando Daiki afastou-se e foi cuidar da fogueira que estava montada a dez pés de distância, na beira do riacho, onde três peixes assavam deixando aromas que mexiam com a imaginação. Uma marca de vela depois Daiki chamou Xena que estava meditando com os pés dentro d’água, quase num sussurro.

- Jun’Ichi .

Imediatamente Xena abriu os olhos e correu para junto de sua instrutora.

- Sim Yuu.
- Sente-se e vamos conversar.

Xena sentou-se e ficou aguardando.

- Como está seu pé?
- Dói menos Yuu, obrigada.

Daiki abaixou-se e pegando uma faixa de seu alforje começou a firmar o tornozelo de Xena.

- Você somente retirará esta faixa quando formos voltar para junto da princesa. Se Ephiny perguntar o que aconteceu, dirá que eu quis assim. Somente isso.
- Sim Yuu.
- Como foi o exercício de coletar a flecha com seu escudo Jun’Ichi ?
- No começo foi simples, mas à medida que maior velocidade era requisitada, meu corpo não respondia a contento.
- Ser membro da guarda real é pensar primeiro na realeza e depois em si mesmo. Como vamos ficar, sentir ou parecer não importa Jun’Ichi . Seu pensamento em não se dobrar e entregar o orgulho à capitã foi primordial em seu julgamento, quando o correto seria admitir sua fraqueza e passar a tarefa adiante, admitindo a dificuldade para que fosse suprida a falha na cobertura. Não importa seu sentimento Jun’Ichi, mas a eficiência do grupo na tarefa proposta.
- Sim Yuu, peço desculpas por minha falha.
- Não se trata de pedir desculpas, mas de não errar. Não existe espaço para falhas na guarda real Jun’Ichi . Esta é a razão de apenas algumas irmãs serem admitidas para o treinamento específico e destas, somente poucas chegarem ao final. Proteger Aquela que representa Artemis é mais que um trabalho de guarda costas, é a atuação que vale uma vida inteira, se tiver sorte.
- Sim Yuu.

Retirando os peixes das brasas, Daiki estende sobre uma tábua colocada sobre umas pedras ao lado.

- Coma. Você deve refazer sua força e depois busque o galho mais alto que encontrar, onde possa estabelecer algum descanso. Você consegue dormir sobre as árvores?
- Sim Yuu.
- Ótimo. Faça isso. Durma por três marcas de vela, não mais, e apresente-se à comandante Ephiny. Se ela perguntar o que estavas fazendo, diga-lhe apenas: Arvorismo. Se Ephiny exigir detalhes, você deve indicar a árvore e o galho em que esteve nas últimas horas, mas não mencione o sono. Isso é entre eu e você Jun’Ichi.
- Sim Yuu.
- Agora diga-me Jun’Ichi , qual a verdadeira razão de você desejar pertencer à guarda real.

Xena olhou firmemente para Daiki, ponderando até onde deveria revelar as nuances de sua nova situação para esta amazona. Se Ephiny não o fez, nem Gabrielle, ela deveria fazê-lo? Após algumas batidas de coração, elevou seu pensamento à Artemis  e com dobrada confiança lançou os pudores ao vento e um cuidadoso silêncio foi substituído por uma voz firme, clara  e com uma suavidade insuspeita em guerreira de tal fama de crueldade.

- Eu a amo Yuu.  Amo mais que a honra, minha vida ou meu império. Ela me é mais cara que minha alma. Desejo garantir que nenhum mal lhe alcance, proporcionar seu conforto, tranquilidade e proteger a princesa de qualquer dor física, emocional ou espiritual.
- Você certamente se refere à Gabrielle, mas a guarda real é muito mais ampla do que atender apenas as necessidades da princesa das amazonas trácias.  É muito mais ampla do que atender Gabrielle. Você compreende isso?
- Sim Yuu.
- Realmente? Compreende que podes ser enviada em missões por luas ou ser designada para um posto junto a uma oficial ou ainda servir a Melosa? Amar Gabrielle é um bom motivo para desejar estar na guarda real Jun’Ichi , mas é um motivo muito pequeno. Durante seu treinamento, espero que você desperte para a verdadeira razão da guarda real existir.

Xena tinha como certo que o seu treinamento era uma questão protocolar e ao ouvir estas palavras começou a se preocupar com o rumo que as coisas iriam tomar dali pra frente.

- Sim Yuu.
- Você não deve concordar quando não estiver de acordo Jun’Ichi. Quando este for o caso, apenas guarde silêncio e faça o que foi determinado. Você compreendeu?
- Sim, Yuu.
- Desejo saber como você está com esta sua primeira experiência no grupo, Jun’Ichi.
- Está sendo fácil a parte física, embora eu tenha que fazer um esforço para recordar o que sou agora e não o que fui. Muitas vezes minha tendência é reagir à ordem de maneira inadequada Yuu. Sinto muito por isso.
- Não sinta, aprenda. Agora vá e procure descansar Jun’Ichi . Durma bem e não se atrase.

Xena dirigiu-se para o leste, onde sabia estar um aglomerado de aponias que ultrapassavam as figueiras altas. As aponias ultrapassavam facilmente 60 pés de altura, enquanto as figueiras apenas chegavam a este valor. Encontrar um galho largo o suficiente para que pudesse se equilibrar e dormir não foi problema e passadas três marcas de vela, Xena procurou o grupo de Ephiny, onde a luz da fogueira parecia um farol na escuridão da noite.

Chegando próximo à capitã, Xena permanece em pé aguardando ser reconhecida sua presença. Ephiny conversava animadamente com as amazonas e a trial de Karin fazia parte desta conversa. Pela primeira vez Xena percebeu as meninas como parte integrante do grupo, que em pé de igualdade riam com as brincadeiras e contavam suas perspectivas sobre o serviço de guarda no campo e as artimanhas que usavam para estarem alertas sobre as árvores.

Ephiny propositalmente fez Xena aguardar, pois desejava verificar a capacidade da Imperatriz de estar alerta e aguardando.

Depois de quase uma marca Ephiny dá atenção à aspirante e novas ordens que a manteriam ocupada até a terceira marca de vela após a lua iniciar sua descida.

 

 

 

Continua...