A Imperatriz e a Guarda Real

By M. N. Silva

Contato: xena.m.n.silva@gmail.com


Uma fanfic de

 

Traduzir página Web de:

 

 

Acidentes

 

No início da manhã Ephiny reunira todas ao nascer do sol e determinara novas diretrizes.

- Agora vamos fazer a primeira etapa do último teste e será um teste da força amazona. Sua trial realizará este teste juntamente com Xena, Karin. As chances serão as mesmas para todas. Vocês entenderam, estão de acordo?
- Sim comandante!
- Sobre a pedra vermelha estão cinco sacas com marcações de seus nomes, cada uma com quatro pés de altura e algumas cordas. Vocês deverão ir até a curva do rio e enche-las com pedras maiores que suas duas mãos unidas e menores que sua cabeça, até a altura de dois pés e meio, preenchendo o restante com areia. Amarrem a saca de forma a não caírem os elementos guardados e mergulhem-nas inteiramente no rio. Entenderam?
- Sim comandante.
- As regras são simples: deverão levá-las até a fogueira do campo antes do carro de Apolo iniciar seu declínio. Mulher e equipagens deverão chegar juntas ao destino, não sendo aceito apenas uma delas. Tenham sucesso e seguirão nos testes finais, porém fracassem e estarão para sempre longe da guarda e talvez da Elidia de defesa. O julgamento será individual e não da Trial por inteiro. Comecem!

Ephiny embrenha-se na mata e subindo na aponia mais alta tornando-se invisível para as outras amazonas, encontra uma Taíra observando.

- O que você pensa Taíra?
- Os termos são fortes e talvez Lara e Karin não consigam devido a sua pouca idade e tamanho, mas o coração delas está no lugar correto capitã. Darão um jeito, apenas não acredito que este animal conseguirá agir como uma mulher de honra. Ela não pensa como uma amazona comandante.
- Vamos ver. Aproxima-te da margem ao alcance da voz, mas longe dos olhos. Desejo saber como se deram as decisões entre elas.
- Certo Ephiny.

Observando o afastar da amazona que instruiu a Trial em toda sua formação, Ephiny não se volta ao perceber a presença de alguém mais na aponia, apenas cumprimenta reconhecendo sua presença.

- O que você pensa Daiki?
- Xena ajudará as meninas. Ela já está com o espírito no grupo e irá vencer esta etapa, embora o seu teste não esteja em sua saca de pedras.

Enquanto isso, no rio as cinco amazonas começaram a buscar rochas do tamanho indicado até que passada uma marca de vela, Deian chama suas irmãs com uma ideia.

- Perderemos muito tempo assim, as rochas que descarto serviriam para Lara ou a Conquistadora. Proponho cada uma de nós fazer cinco grupos de pedras, relativos aos tamanhos indicados para nós e as outras. Assim as que encontrarmos úteis para outra irmã já ficariam selecionadas e não voltariam para a margem ou leito do rio.
- Concordo contigo, mas o que pensam vocês?
- Acredito que todas nós concordamos Lara. Você também Xena?
- Sim Dieynisa, vai nos economizar tempo na procura das rochas. Muito boa ideia Deian, mas se permitem uma sugestão, seria melhor se todas estendessem os braços com as mãos unidas, para termos um padrão adequado de tamanho Karin.
- Certo Xena, mostremos as mãos e vamos ao trabalho.

O sol já começou a se fazer sentir inclemente e o trabalho não dava tréguas. Já estavam a quase três marcas e de vela selecionando pedras. Resolveram encher as sacas e cada amazona ia até o monte correspondente a si e guardava as pedras. Já era momento de conduzi-las até o rio e preencher os espaços com areia, quando as cordas seriam usadas para fechar e lançar para submergi-las completamente nas águas.

Com muita dificuldade Karin e Lara conseguiram levar suas sacas com pedras e areia até o rio, pois embora o tamanho de suas pedras fossem relativamente menores que os de suas irmãs a quantidade era maior, tornando assim o peso a ser carregado aproximadamente o mesmo, com alguma diferença para cima ou para baixo.

A distância que separava o rio naquele ponto da fogueira do campo era consideravelmente grande e para o alto da colina. Tendo enchido sua saca com areia Deynisa observou suas pequenas irmãs fazerem o mesmo e se apercebeu que seria praticamente impossível para ambas chegarem a bom termo neste desafio.

Karin percebeu o mesmo e assumindo de alma leve sua decisão, abandonou sua saca e foi ajudar Lara a puxar a dela para fora do rio. O esforço máximo das duas conseguiu mover a saca com a marca LR até a beira do rio, pois a água tem o poder de aliviar o peso, no entanto não conseguiram move-la mais que dois pés fora d’água.  Respirando com dificuldade pelo esforço, sorriram uma para a outra e Lara foi buscar a saca de Karin, onde a marca KR flutuava indicando o lugar.

- É inútil Lara, vamos nos concentrar em você. Eu ficarei bem.
- Não! Faremos isso ou fracassaremos juntas, mas pretendo ir o mais próximo que conseguir do objetivo e que você faça o mesmo.

Sorrindo resignada, Karin concorda e se levanta indo ajudar sua pequena e corajosa irmã. Deian e Dieynisa chegam ao mesmo tempo e auxiliam as duas pequenas a colocar suas sacas uma ao lado da outra.

- Vamos com vocês até onde forem. Chegamos unidas neste ponto e iremos unidas até o fim.
- Isso não é necessário Dieynisa. Vocês tem maiores chances se forem adiante sem nós.
- Não existe Trial sem vocês Lara. Somos um grupo e iremos como um grupo.
- Deian isso não é verdade. A capitã foi clara de que o julgamento será individual!
- Já resolvemos Karin.
- Eu posso falar?

Parada atrás delas estava a Conquistadora totalmente molhada com dois galhos de aponia relativamente grossos e de bom comprimento.

- Você é bem-vinda Xena. Diga.
- Posso fazer uma estrutura semelhante a que eu fiz para transportar o cervo e cada uma de nós puxará por uma corda. Concordo com vocês sobre chegarmos juntas ou não chegarmos ao fim.

As jovens entenderam e ficaram gratas e surpresas, pois a Senhora do Mundo se dispunha a ajudá-las e era óbvio que Xena não necessitava delas para lograr êxito. Amarraram as cordas de forma a poder ser puxada, deixando cinco cabos trançados de maneira a ter quatro vezes a força de uma corda normal e colocando as sacas molhadas sobre os troncos, amarrando-os como se fosse uma rede, se puseram a puxar marcando o passo para que o movimento fosse uniforme.

O almoço já estava preparado com o vinho esfriado segundo técnicas antigas, usando as águas correntes do rio. As cinco amazonas chegaram ao acampamento cansadas, mas com a sua carga intacta e dentro do prazo marcado. A Conquistadora não conseguiria ir muito mais longe, pois carregara a corda do meio, arcando com a maior parte do peso, mas estava feliz que suas pequenas irmãs não haviam sido excluídas, pois eram mulheres de valor e ainda teriam a possibilidade de entrar pra guarda real quando chegasse o momento.

Aproximando-se de Ephiny, todas reconheceram sua posição e apresentam o item solicitado.

- Comandante!
- Coloquem as sacas umas sobre as outras próximas ao carvalho e busquem descansar um pouco. O almoço será servido e apenas uma de vocês receberá permissão para buscá-lo, então decidam qual receberá alimento e reúnam-se sob a hitínia mais ao leste, aproveitando para organizar suas armas e cordas. Vocês estão cheirando mal. Após o almoço assumam seus postos de vigilância do campo imediatamente.

Xena foi a escolhida e com seu imenso senso de equilíbrio conseguiu carregar mais alimento do que duas delas conseguiriam e guardadas as proporções foi um verdadeiro banquete para as cinco amazonas famintas.

No meio da tarde as amazonas foram autorizadas a descansar e buscando uma sombra acolhedora adormeceram incontinenti. Ephiny surpreendeu-se com o semblante da Conquistadora e o quanto ela relaxou estando completamente tranquila e confiando em suas irmãs para garantir sua vida.

Algo estava mudando em Xena e talvez Gabrielle tivesse razão. Era uma grande aquisição da Nação a Conquistadora da Grécia. Tudo indicava ela estar de espírito franco se dispondo a respeitar e buscar cada norma, cada técnica e cada ordem. Com um sorriso a capitã da guarda real se afastou para não atrapalhar o sono das cinco amazonas que venceram com louvor a primeira parte da ultima etapa de testes.

No princípio da noite Xena e a Trial de Karin foram acordadas por Taíra que não perdeu tempo em dar as ordens competentes.

- Apresentem-se junto a fogueira e levem seus arcos e seus punhais.

As cinco amazonas correram ao encontro da capitã com o corpo ainda cansado, mas espírito renovado.

- Vocês passaram com louvor no primeiro bloco de testes. A força da Nação consiste na equipe e na Guarda isso é muito mais evidente. Esta noite será uma noite de alegria e vocês são aguardadas para comerem conosco o fruto da caçada de Kleith, Salina e seu grupo, logo após experimentarem sua coragem e sua destreza.
- Sim comandante!
- Coloca as sacas de areia sobre aqueles tocos e fica na frente delas sem mover um músculo. As tuas irmãs necessitam experimentar a mão Xena.

Xena percebeu onde aquilo iria dar, porém não se furtou e calmamente foi cumprir o determinado. Uma a uma as amazonas do grupo de caça lançaram seus punhais e setas sem tocar na Senhora do Mundo e depois deste exercício a Conquistadora foi convidada a participar com o grupo e experimentar da caça, onde contou com detalhes a história da caçada que fizera e que terminara na propriedade de Heidi de esparta sem que nenhum nome real fosse pronunciado.

Naquela noite, Xena e a trial de Karin ficaram com a sentinela do campo de último turno, saudando o surgir do carro de Apolo.




O dia seguinte foi usado em jogos de vigilância, onde se alternavam os papéis de vigias e atacantes entre todas as amazonas do grupo. Quase ao final da manhã Xena foi extraída do jogo e mandada para a clareira do outro lado do rio, onde uma Daiki a esperava pacientemente e a escolhida de Atena teve muitas decisões a tomar algumas marcas de vela depois.

Era no meio da tarde quando Daiki olhou para a Senhora do Mundo com um olhar parado, quase transparente e totalmente sem luz. Xena por algumas batidas ficou preocupada se não havia extrapolado em muito os limites da abertura que lhe fora dada e imaginava que castigo sua treinadora estava engendrando por sua impertinência. Mas tinha de fazer algo para trazer sua treinadora de volta para a vida, ela tinha que desejar viver.

No final daquela manhã estavam ambas em uma excursão de treinamento longe de todas, quando resolveram saltar na cachoeira. Daiki batera com a cabeça em um tronco que não devia estar ali, mas estava submerso e não tinha como divisá-lo do alto. Tudo que Xena conseguiu fazer foi buscá-la nas águas e levá-la para a beira, na relva sob as sombras das aponias gigantes.

Daiki começou a delirar em seu sono.

- Riki, deixe as armas e venha. Vamos logo! Temos de passar antes que a ponte caia!
- Não! Somos as responsáveis pelas armas sagradas e eu não vou deixar que se percam.
- Nós temos de ir agora!
- Leve o punhal sagrado e as taças que eu levo a espada. Vamos!
- Rikiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii  !!!

Em seu sono Daiki não conseguia distinguir o que era sonho de realidade e continuava a chorar lágrimas torrenciais, acompanhadas por convulsivas aspirações de ar. Xena ficou apenas observando quando repentinamente seu movimento cessou, parando também todo choro e já era perto do carro de Apolo iniciar seu declínio quando a Mestre de Xena sentou-se e ficou parada olhando para o nada. Xena aguardou pacientemente, mas passadas duas marcas de vela resolveu tentar algo para tira-la de seu estado.

- Quem é Riki?

Por muitas batidas parecia que ela sequer tinha ouvido, mas reagiu ao nome.

- De onde você tirou este nome Jun’Ichi?
- Falaste em teu sono Yuu.
- Riki é meu coração, um que eu não soube guardar e proteger como devia quando a aldeia onde morávamos foi atacada por um exército há muitos anos atrás Jun’Ichi e até hoje sua lembrança é o que faz meus dias mais suaves e as noites amenas.

Levando a mão à cabeça, tocando o local onde batera Daiki rapidamente se recompõe e busca voltar ao seu foco.

- Traga água e busque alguns peixes Jun’Ichi. Temos muito que fazer antes de voltarmos para a comandante Ephiny esta noite, depois vá até nossas coisas e traga meu embornal.

Não era nada surpreendente que Daiki soubesse que ela havia buscado os equipamentos, considerando estar com seus cobertores e mantas. Rapidamente buscou o que fora pedido.

Daiki mexeu em suas coisas e pegou uma planta que Xena conhecia muito bem, pegou três folhas de liótia e ginco, colocando-as na boca e mastigando pausadamente. Depois pegou uma folha que Xena nunca vira e realizou o mesmo processo.

- Passe a água Jun’Ichi.

Após beber alguns goles, a mestre da guarda real indagou.

- Você sabe o que aconteceu Jun’Ichi?
- Ao que parece você bateu em um galho submerso indecifrável do alto Yuu.
- Vamos recomeçar seu treinamento e desculpe por atrapalhar seu momento de lazer Jun’Ichi.
- Sem problemas Yuu, mas seria mais aconselhável você continuar descansando por mais algumas marcas.
- Seria mais aconselhável se você mantiver cuidando de não fracassar ao invés de tentar fazer o meu trabalho.

Xena não disse mais nada. Apenas ficou olhando aquela pequena guerreira levantar-se ainda inteiramente tonta e com algo de náusea.

- Não podemos permitir que algo assim se repita. Retire o galho das águas Jun’Ichi.

Xena apenas escuta e sai correndo para remover o galho solicitado e Daiki volta-se de costas para o lago, começando a executar complexos movimentos muito lentamente, acompanhados de uma forma específica de respirar utilizando o diafragma e não o peito para fazer o ar entrar nos pulmões. Seu ventre expandia e recolhia-se com o movimento do músculo e tudo que havia eram a harmonia e o silêncio.

Xena iniciou sua luta com o galho. Ao que parece alguma hitínia que nascera na beirada das rochas não venceu sua luta contra a tempestade e despencou, pois se apresentava com raiz e tudo, justamente estas ficavam presas sob algumas rochas.

Xena não conseguia se furtar de pensar que Daiki estava superestimando sua força de “dez homens” como rezava a lenda mais comum a seu respeito. Já ouvira até doze vezes este número. Os bardos realmente gostam de exagerar.

Subiu para respirar oito vezes, mas não conseguiu mudar o tronco de lugar. Foi até a superfície e pegou um galho quebrado já a algum tempo que havia visto caído na beira. Voltando para o tronco em questão com um equipamento que acreditava que solucionaria o problema. Firmou a madeira sob as rochas que trancavam a movimentação da hitinia, tentando colocar todo seu peso nesta alavanca rústica. Sua estratégia funcionou, mas não como esperava.

Colocando dois pés nas rochas e jogando seu peso para baixo com toda dimensão possível, conseguiu mover a grande rocha que fazia a maior pressão, mas trancou um dos pés no processo e com o movimento da hitinia as outras rochas se moveram prendendo o pé da Conquistadora.

Xena estava presa e não tinha o que fazer a não ser observar o tronco de hitinia subir até a superfície.

Mantendo seus exercícios em foco, Daiki percebeu que fazia muitas contagens que Xena não subia para respirar. Saiu correndo e lançou-se na água e rapidamente localizou Xena e verificou a situação. Com suas mãos aplicou um ponto de pressão na perna da Conquistadora neutralizando aquele membro.  Segurando nas mãos de Xena, utilizando seu próprio corpo como um aríete, toma impulso toca seus pés nas pedras que impediam o livre movimento do pé da Senhora do Mundo.

Impulsionando-se para a superfície buscam o ar onde o tronco de hitinia ironicamente aguardava para ser usado como suporte por uma Xena cansada pela resistência sob a água. Daiki liberta o ponto de pressão e ambas com muita calma se dirigem para a beira onde estavam seus cobertores e dois coelhos que Daiki capturara pela manhã já assavam na fogueira.

Enquanto comiam nada era comentado sobre a experiência na qual receberam de longe a visita de Celesta e por providencia de uma e de outra tal visita não chegou a se concretizar. Daiki quebrou o silêncio, conduzindo o foco novamente para o treinamento da Senhora do Mundo.

- Esta noite você deverá atender a capitã em seu leito. É necessário aprender como deixar a Casa Real confortável em todas as dimensões, sendo claro para a capitã que não haverá dificuldades. Tuas peripécias no reino de Afrodite são por demais conhecidas e cantadas pelos bardos em todo Império.

Xena empalidece, mas não diz nada. Daiki estranhou não haver nenhuma resposta e observando as alterações na respiração da amazona percebe que algo não está certo.

- Há algo errado Jun’Ichi? Diga-me o que está alterando teu espírito.
- Eu não poderei realizar esta tarefa Yuu, lamento. Não posso servir a comandante Ephiny em seu leito.
- Seu orgulho não deve interferir em sua missão Jun’Ichi. Você é muito melhor que isso.
- Não é orgulho Yuu. Farei qualquer coisa que me for ordenado sem pensar uma batida, mas isso eu não posso fazer. Juro pela Caçadora Yuu.
- Então acredito que devo me desculpar com você Jun’Ichi, pois eu falhei em minha missão e não soube detectar esta sua dificuldade para resolve-la a tempo. Este impedimento quanto à ação ou sentimento irá criar uma barreira para a obtenção de seu propósito. É claro que provavelmente estás acostumada a dirigir o jogo e Ephiny quer ter certeza que saberás colocar os interesses daquela que cuidas acima dos teus.

Enquanto falava, Daiki ia afiando sua espada, mas pegou a súbita mudança no semblante de Xena. Sua palidez tornou-se extrema e um suor começava a brotar em sua testa.

Xena começou a não saber mais como explicar e não tinha ideia se caberia revelar sua condição para Daiki. Em silencio eleva seu pensamento para a Deusa da Sabedoria e para a Caçadora.

- “Atena, patrona do Império e em tudo acompanha minha vida desde o juramento de fidelidade em Eiraskan, Artemis Protetora, guia das amazonas e padroeira de minha nação. Guiem meus pensamentos para que consiga ser clara sem comprometer minha princesa e não usar minha posição, mantendo-me fiel ao propósito de ser uma guarda real digna da Representante de Artemis e possa honrar a casa de minha mãe, ser digna da Caçadora, honrar meu grupo e minha capitã”

Brevemente um sentimento de paz envolveu a Senhora do Mundo e a voz de Artemis  se fez ouvir em sua mente:

- “ Atena levou a mim seu parecer sobre teus pensamentos e angústias Xena e acredito que tu tens a resposta em teu coração, pois sabes que o treinamento de uma Guarda Real é de livre arbítrio da Capitã e assim tem sido desde o inicio dos tempos. Não irei interferir nele, mas diga o que está te preocupando realmente.”
- “Caçadora, não me é estranho estar em leito de mulheres, pois conhecido é este aspecto da minha vida por todo o Império e certamente não me furto de servir a capitã por orgulho. O que realmente me preocupa é tudo estar mudado e eu não ser digna daquela que me acolheu em seu coração de espírito livre e mente limpa, mesmo sendo quem sou e quem fui. Sou casada agora Artemis  e não iria trair sua Escolhida de livre mente. Não estou encontrando caminho para servir à capitã e me manter fiel a minha esposa. Ajuda-me caçadora, pois sou pequena frente a este desafio.”
- “Lembra-te das palavras de Daiki quando te uniste a ela e dos termos de tua aceitação neste propósito Xena e age em conformidade. Fica bem filha de Cirene”.


Xena então recorda-se das palavras da mestre na guarda real e dos termos utilizados:

“...se me aceitares, esta parte de tua vida me pertencerá”.


Daiki apenas aguarda pacientemente que Xena se manifeste e rompendo o silêncio, com a decisão tomada Xena olha para sua treinadora, procurando transmitir toda angústia de seu coração, sabendo que apenas a verdade poderia circular entre elas, diz apenas três palavras, esperando que fossem suficientes:

- Sou casada Yuu.

Daiki ouve e fica olhando para a Senhora do Mundo, tentando medir a sinceridade das palavras e mais que isso, do tom com que foram proferidas.

- Já eras casada quando aceitaste teu treinamento e vocês conversaram sobre isso ou não terias aceitado. Tua esposa certamente sabe das condições em que ele se daria. Ela consentiu Jun’Ichi?
- Sim Yuu.
- Então não há razão para uma recusa Jun’Ichi. Qual a verdadeira razão? Aceitaste livremente os termos e estes não são negociáveis. Incluíam claramente tua liberdade, teu corpo, tua vida e tua alma. O princípio do treinamento é preparar-te para servir e proteger Jun’Ichi e tu sabias disso. A Conquistadora não aceitaria menos daqueles que a servem, ficando claro que a Casa Real merece o melhor de cada súdita e isso se torna mais verdadeiro quando falamos da Guarda Real. Explique-se com cuidado Jun’Ichi pois esta será tua última chance antes de eu tomar uma decisão definitiva quanto ao teste a partir deste pensamento de recusa.

Confiando nas palavras de Artemis, Xena decide dar a Daiki a única resposta que sua treinadora aceitaria: a verdade total.

- Se eu deitar com a comandante ou qualquer amazona, estaríamos cometendo crime de alta traição Yuu e além da dor que este ato causaria, destruiria minha esposa ordenar nossas execuções. Atena, Afrodite e Artemis efetuaram nosso casamento. Minha esposa é a princesa das amazonas trácias.

Daiki percebeu mais que as palavras ditas em uma respiração. Viu o sorriso involuntário nos olhos e o brilho que o acompanhou num misto de alegria e resplandecente devoção imensurável, pois em toda a linguagem corporal Xena demonstrava exatamente a mesma coisa.

- Quem mais sabe disso Jun’Ichi?
- Você é a primeira mortal, a saber, Yuu. Em tuas mãos e tua vontade deixo a decisão, mas peço que considere aquela que melhor preservar minha amada.
- Farás qualquer coisa que eu decidir sem segundos pensamentos ou argumentos, mesmo que eu determine que aceites o desafio e estejas com Ephiny?
- Sim Yuu. Juro pela Caçadora.
- Então aceitarei isso decidindo em conformidade e no futuro, quando houver algum impedimento desta ordem, manifesta-o imediatamente e não espere ser interpelada. Você compreendeu?
- Sim Yuu.
- Terminemos aqui, pois ainda tens tarefas a desempenhar.
- Sim Yuu. Obrigada.
- Volte ao acampamento e retire a espada da capitã da guarda real, trazendo-a para cá. Não se deixe ver ou seguir. Quando a capitã indagar de sua arma diga que sua espada a espera onde a figueira deita sobre o rio e apenas isso. Ela entenderá. Tome muito cuidado, pois se for pega, sete açoites serão apenas o início de seu castigo. Não utilizamos castigos na Guarda Jun’Ichi a não ser em momentos muito especiais como este, que será em sete blocos de sete punições. Suas irmãs ainda não sabem de minha presença nesta excursão e eu desejo que continue assim.
- Sim Yuu.
- Vá agora.

Xena se dirige ao acampamento e como estava ainda a uma marca da lua surgir e o carro de Apolo ser guardado, a Conquistadora mostraria o motivo de ser tão pertinente este nome. Aguardou que Ephiny saísse de sua pedra e fosse corrigir algumas posturas na luta mão a mão que as amazonas estavam desempenhando e sorrateiramente pegou a espada da capitã da guarda real que ficara escorada na pedra.
Por alguns instantes seu olhar cruzou com o de Lara, que deliberadamente voltou sua atenção para outro lado, levando um tombo providencial que conduziu a comandante da expedição para longe da pedra em questão. Xena aproveitou a oportunidade para deslizar para longe e levar a espada de Ephiny até as mãos de Daiki.

- Alguém viu você?
- Lara viu Yuu.
- Então reze para que ela não indique seu nome antes de você voltar ou não terá tempo de dizer nada.
- Sim Yuu.
- Retorne por aonde veio e envie a comandante até aqui.
- Sim Yuu.
No acampamento, Ephiny retornou para junto da pedra no mesmo momento em que Xena entrava em seu campo de visão pelo outro lado da fogueira de reuniões, distante vinte e cinco pés.
- Onde você esteve?
- Cumprindo sua ordem comandante.
- Certo. Suas irmãs estão treinando combate corpo a corpo. Aproxime do grupo e corrija suas posturas e ângulos de ataque. Use seu conhecimento Xena para que suas irmãs tenham mais chances na próxima vez que precisarem lutar.
- Sim comandante.

Dando falta de sua espada Ephiny percebe que fora objeto de um jogo muito bem feito e por mais improvável que fosse, pois seus olhos viram Xena vir da direção oposta, ela tinha certeza que a Conquistadora era responsável pelo desaparecimento de sua espada.

- Xena!

Xena vem correndo como era de se esperar e a cada passo rezava a Artemis que a capitã ouvisse sua explicação.

- Sim comandante.
- Você sabe onde está minha espada?
- Sim comandante. Sua espada a espera onde a figueira deita sobre o rio.
- Certo. Volte para sua tarefa e a desempenhe com o coração e toda sua capacidade.

Como Daiki dissera, o recado tinha perfeito significado para Ephiny e a capitã da Guarda Real não pode deixar de admitir a capacidade de surpreendê-la que a nova aspirante apresentava. Pelo visto, Xena era uma mulher de muitas habilidades.

- Desejava me ver Daiki?
- Precisamos conversar comandante.
- Sem problemas Mestre.

Sem tirar os olhos do rio, Ephiny aguardava pacientemente que a Mestre da Guarda se manifestasse.

- Jun’Ichi possui uma vida muito ampla e suas experiências no reino de Afrodite são extremamente diversificadas, porém há algo que ela jamais realizou e gostaria de sugerir esta forma para compor o treinamento, pois acredito que todo o resto já é seu conhecido e não apresentará dificuldade alguma.
- Eu estava imaginando quando tu surgirias com algo para esta etapa. Do que se trata?

Daiki explicou com pormenores como acreditava que Xena seria devidamente testada e treinada para atender a Casa Real em toda forma de conforto.

 

 

A Loba

 

Na manhã seguinte, perto da descida do carro de Apolo, a cada batimento cardíaco a Senhora do Mundo estava entendendo mais a lógica do mundo da guarda real amazona. Squiona determinara que ela encontrasse Lara e Deian que foram cobrir o  posto mais ao sul das matas a  procura de uma pedra verde e não haviam retornado.

Naquele lado das matas havia um terreno com algumas formações subterrâneas e Xena temia que as jovens tivessem caído em algum poço. Particularmente indo quase a sudeste na mata o terreno era coberto por arvores antigas que testemunharam sua grande estratégia para conquistar Corinto. A tradição rezava que a amazona ao completar seu primeiro ciclo e ter decidido seu destino deveria oferecer à Casa Real um presente alusivo ao entrar na etapa adulta.

As jovens amazonas eram hábeis em ocultar seus rastros, mas ela não fora a escolhida de Ares sem ser capaz de encontrar sua presa

Um galho manchado de sangue indicava a direção e velocidade das filhas de Artemis e pelo frescor do sangue sabia estar no rumo certo sendo evidente que não faziam cinco marcas que estiveram ali. Ela sabia que próximo às termas e ao lago a sudoeste da nascente do rio do Vale da Paz havia uma jazida mais profunda de pedras, mas esperava que elas não estivessem ali, pois havia mandado instalar armadilhas para impedir a exploração dos túneis naturais e ampliados que descobriu e usou como forma de chegar às reservas de água da cidade.

Acalmando sua corrida Xena concentrou sua audição para identificar a direção dos sons misturados que chegavam confusos. Uma voz humana, gemidos e um rosnado cada vez mais longo.

Reconhecendo a voz de Lara, saindo em disparada a Conquistadora consegue subir o leve aclive e do alto divisa três vultos posicionados como num jogo de xadrez. Lara ofegante apontava sua espada para um imenso cão negro enquanto segurava seu braço que parecia ferido. Os olhos vermelhos do cão indicavam que as amazonas estavam convidadas para o jantar, sendo inseridas como prato principal da refeição. O grande cão estava cada vez mais próximo e salivando por antecipação. A postura indicava boa base, mas a menina não era páreo para o inimigo a sua frente. Um lobo faminto.

O lobo estava cada vez mais agressivo e Xena emitiu um assovio longo seguido de três curtos e outro longo. O lobo voltou sua atenção para este chamado e Xena saltou caindo virada para ele, na frente de Lara. Colocou o joelho direito no solo e estendeu a mão direita para a fera. Não era um lobo, mas uma loba e foi dando mostras de acalmar seus rosnados e achegando-se como um filhotinho fazendo demonstrações de alegria.

- Senti sua falta também Rakishin. Lara guarda tua faca e erguendo-te em toda tua altura busca atender Deian. Rakshin não fará mal a vocês.

Olhando nos olhos do animal Xena abre o sorriso e após um comando a loba imediatamente deita-se colocando o focinho entre as patas, aguardando algo. Xena vai até Deian verificar seu estado, aproveitando para avaliar o braço de Lara.

- O que aconteceu?
- Entramos na segunda caverna onde vislumbramos um indicativo das pedras verdes, aquelas pedras brilhantes incrustadas nas avermelhadas e conseguimos pega-las quando este animal nos atacou. Talvez o cheiro de sangue tenha atraído sua atenção, pois eu raspei em uns espinhos algumas marcas atrás.

Preparando uma infusão de musgo vermelho com folhas de hitínia e água Xena alcança para Lara.

- Quando Deian acordar força ela que beba lentamente e permaneça com a cabeça erguida, sentada de preferência. Percebendo a maneira que Lara olhava para a loba Xena resolve dar uma explicação.
- Rakshin, vem cá!

A conquistadora agrada o animal falando algumas palavras na língua dos homens das estepes enquanto ia percebendo como ela está magra e possivelmente faminta.

- Rakshin foi encontrada ainda filhote em uma de minhas caçadas e este lado dos bosques é reservado. Em qual caverna vocês tentaram entrar Lara?
- Na segunda à esquerda da hitínia alta.
- Rakshin veio de lá?
- Sim. Perseguiu-nos como se fossemos sua próxima refeição.
- O que você tem ali Rakshin?

Falando com o animal Xena emitiu dois comandos e imediatamente a loba se ergueu com as orelhas em pé.

- Vou a caverna ver o que acontece lá que a deixou tão zangada com vocês.
- Certo Xena.

Emitindo mais algumas palavras para a loba Xena começou a andar na direção da caverna. No fundo da caverna alguns pequenos olhos contemplaram seis pés de Conquistadora parada à sua frente. Rakshin apenas protegera aqueles que lhe eram caros como qualquer guerreiro faria. Xena voltou para junto de Deian e Lara, estabelecendo uma linha de ação mais clara quanto ao que fariam a seguir.

- Como você está Deian?
- Agora estou melhor, obrigada Xena. Lara me falou que você conhece a fera que nos atacou.
- Rakshin é minha amiga desde que era filhote e ela não atacou sem motivo, pois seis pequenos lobinhos na caverna indicam que ela apenas defendeu a família.
- Bom, sendo assim eu não vou fazer grave juízo de sua amiga. Como você veio parar aqui?
- Recebi ordens de encontrá-las. Conseguiram o que buscavam? 
Deian abre a mão esquerda e duas enormes esmeraldas faziam par, lembrando os olhos luminosos de Gabrielle.
- Você consegue levantar?
- Creio que sim.
- Melhor aguardar até ter certeza.

Repentinamente Xena se dá conta de que estava falando com as jovens como iguais e reformula suas próximas palavras e o tom usado.

- Se vocês permitirem sairei para trazer algo para Rakshin comer. Pelo estado dela, não tem se alimentado muito, mas levarei ela de volta pra caverna para ficarem seguras.
- Tudo certo Xena, você tem nossa permissão pra isso e o que mais for necessário para sua amiga.
- Obrigada e, por favor, não saiam daqui. As cavernas são cheias de armadilhas e alguma parte da mata também.
- Vimos algumas quando chegamos, mas conseguimos evitá-las.
- Havia várias daquelas pedras com brilho e fomos seguindo sua trilha para a caverna das esmeraldas e conhecermos sua amiga de quatro patas Xena.

Xena saiu e facilmente voltou com quatro coelhos proporcionando para Rakshin uma boa refeição.

- Vou cuidar de vir vê-la mais vezes menina.

Deian apoiou-se em Lara e buscou seu punhal que ficara encravado na Hitinia e as três amazonas chegaram tarde da noite ao acampamento. Era quase amanhecer quando Deiam apresentou as esmeraldas para Ephiny que comandou Taíra a atender os ferimentos enquanto solicitava relatório.

- Xena encontrou-as e reconheceu sua posição ou ficou agindo como a Conquistadora Lara?
- Xena portou-se dignamente como qualquer de nossas irmãs faria comandante.
- Vão descansar e quando o carro de Apolo surgir nós iremos buscar este animal que feriu nossa irmã. Será um interessante troféu.

Xena não diz nada e apenas cerra os dentes, assumindo a posição dura e máscara impenetrável da Conquistadora, seu olhar brevemente cruza com o de Lara e Deian e ela eleva uma prece à caçadora.

“Seja o que tiver de ser Artemis, mas se for possível poupe esta força da natureza que em nada engrandeceria este teste ou minha comandante. Farei como ordenado, todavia se for de seu agrado, poupa Rakshin e seus filhotes.”

Era o máximo que Xena ousaria por um animal que não via a anos. Nenhuma resposta foi manifestada e a Senhora do Mundo que dizimou cidades inteiras, sentiu por um animal selvagem.

Como as cinco amazonas estavam sendo testadas na expedição, Ephiny decidiu que iriam dormir em fogueira própria, formando um grupo interessante, a Conquistadora e uma jovem trial.

Karin e Deiynisa cuidaram deste item doméstico e tudo deveria estar perfeito para o retorno de suas irmãs.

- O pano para vocês secarem o corpo está sobre seus cobertores e o seu sobre a pedra Xena.
- Obrigada Dieynisa.
- Karin fez um ensopado de coelho e nós estávamos esperando para comermos juntas.

Xena apenas pegou sua toalha e dirigiu-se ao rio, entendendo que havia sido comandada a banhar-se. Lara não estava conseguindo levar Deian até o rio e nem Dieynisa ou Karin se aperceberam da dificuldade, então a Conquistadora tomou Deian nos braços e conduziu-a até as águas, lavando a jovem amazona, depositando-a depois junto a fogueira.

- Xena.
- Sim Deian?
- Obrigada.
- Sem problemas.
- O que você vai fazer?
- Sobre o que Lara?
- Sobre Rakshin?
- Farei exatamente o que a capitã ordenar Lara, ela representa a princesa e sua palavra não deve ser contestada. Mesmo que assim não fosse, ordens são ordens.
- Esta ordem está errada. Nós que invadimos sua casa.
- Ainda que pense assim, deve ser obedecida. Tudo que podemos fazer é rezar para que a caçadora modifique a mente da capitã e obedecer exatamente o que for ordenado.

As duas jovens fazem exatamente isso, sendo três amazonas rezando ao mesmo tempo para a deusa da lua e seus pensamentos preenchiam a noite. Era um canto de amizade e talvez Artemis ouvisse.
Artemis sentiu o pensamento das três mulheres e estava enxergando nas águas esta união interessante de emoções quando Atena  surgiu a seu lado.

- O que pretende fazer irmã?
- Sobre?
- Sobre a loba.
- Vou permitir que viva, entretanto sua Escolhida enfrentará Ephiny.
- São mulheres de fibra. O que mais precisas testar?
- Realmente? Mais nada, mas me agrada demonstrar às minhas amazonas que a Conquistadora mudou e se tornou uma delas.

 

 

Um jantar no Palácio: a princesa, as bardas e a sacerdotisa.

 

Gabrielle tinha escolhido o salão de recepções mais intimo para receber a sacerdotisa de Artemis e demais convidadas em Corinto. Menor que o salão principal, em nada ficava devendo em comodidades e decoração, necessitando de menor numero de serviçais e com o espaço para apresentação dos bardos proporcionando um melhor acolhimento.

Em um dos cantos do salão, onde realçava a dispersão dos sons estavam as musicistas e cantoras num plano mais elevado. Havia apenas mulheres nesta sala e com uma característica: eram todas livres, pois não há espaço para escravidão no reino da Caçadora.

As três bardas de Atenas chegam junto com Vidioni e Aurea e tudo olhavam com interesse e franca curiosidade. Tamar de Ítaca era mais comedida em suas observações e mais do que a tapeçaria ou estátuas era uma apreciadora da fauna humana que se apresentava ao local. Seus olhos brilharam quando encontrou Assoyde e algumas das amazonas que conhecera no templo e sem demora buscou saber da jovem menina por quem intercedera.

- Boa noite . Eu sou Tamar de Ítaca e muito me alegra ver que não estão cerradas em alguma cela dos calabouços. Fico feliz de vê-la aqui. Estão bem?
- Felizmente a Sacerdotisa encontrou mérito e justiça em nosso caminho Tamar e fomos bem acolhidas junto à Caçadora.
- Onde está a pequena corajosa? Ela veio com vocês?
- Breve ela estará aqui. Gostaria de agradecer seu empenho e por ter falado a favor dela. Ela é muito especial e importante para nós.
- Era o justo. Vejo que suas amigas também estão livres. Quantas estão aqui?
- Todas nós Tamar. Se me dá licença, tenho algumas tarefas a desempenhar. Breve ela estará conosco. Por favor, aproveite a festa.
- Obrigada e boa festa pra vocês.

Assoyde deslocou-se pelo salão buscando as escadarias que conduziam aos aposentos no terceiro piso. Gabrielle estava vestindo seu traje cerimonial que consistia em uma saia e top brancos com detalhes em preto e vermelho, cingindo-se por um cinto vermelho que caia a frente com pequenas moedas douradas. Seus braceletes vermelhos com metal dourado brilhavam à luz das velas e archotres e as botas de meio cano deixavam na lateral dois sais visíveis como a recordar que havia uma guerreira presente.

- A última convidada acaba de chegar Gabrielle.
- Obrigada Assoyde. Por favor, mantenha a guarda baixa e passe a palavra que estamos entre amigas.
- Não vamos negociar sua segurança Alteza. Sabe que eu não posso fazer menos do que Ephiny exigiria, mas prometo que seremos o mais discreta possível.

Assoyde dava mostras da grande preocupação que sentia e não era sem razão. Gabrielle havia convidado a Sacerdotisa de Corinto, as bardas de Atenas, Tamar de Ítaca e seus acompanhantes para um jantar onde ouviria o caso de cada uma e daria seu parecer. Xena havia posto sua confiança nela e ela não iria decepcionar a Senhora do Mundo, mas o mais importante: não iria decepcionar sua esposa.

A justiça amazona se faria ouvir nas questões levadas ao templo da Caçadora.

Gabrielle observou com carinho a capitã interina e percebeu os pequenos sinais de cansaço. Assoyde não diria nada e certamente levaria a bom cabo suas funções até a volta de Ephiny. A princesa trácia facilitaria para sua irmã em tudo que não interferisse com seus objetivos.

- Organiza a guarda como melhor te parecer Assoyde, apenas cuide para que nossas convidadas não se sintam demasiado intimidadas a ponto de não participarem dos eventos da noite. Descerei em meia marca.

Um sorriso abriu no rosto da mestre dos arcos e mentalmente reorganizou a guarda. Sua princesa tinha confiança no seu julgamento e agora tinha a certeza de que Ephiny nada teria a condenar.

As convidadas conversavam animadamente sobre o que as trouxera naquele evento. Todas estavam curiosas sobre os rumos que suas vidas tomariam a partir desta noite em que a Lua guiaria os caminhos.

Um corredor formado por cinco pares de amazonas se instalou na porta de entrada e a musica cessou repentinamente.

Gabrielle entrou e assumiu sua posição de anfitriã da noite, dando às bardas de Atenas a oportunidade de suas vidas.

- Sejam bem vindas entre nós. Aguardaremos com ansiedade a palavra que nos trazem de Atenas. Fica posto que ouviremos com a devida atenção.

Sentando-se ao centro da grande mesa ladeada por seis convidadas de cada lado Gabrielle retira a máscara entregando-a à Cora e sinaliza para que a escolta erga as suas. As convidadas para a recepção amazona no Palácio de Corinto ficaram assombradas ao verem a jovem a quem acusaram ou intercederam no Templo de Artemis, mas nada foi ponto para revoltas.

Apontando para o centro da sala deixa para as bardas a ocupação de seu palco.

Ylevana de Atenas levanta-se e vai à frente ocupar o espaço indicado. Sua voz segura e firme em nada deixava transparecer a ansiedade que sentia ao segurar em sua apresentação o futuro de suas irmãs e por consequência de todas as mulheres que desejassem estudar na academia.

- Traga-nos uma história que mostre a força da Caçadora e que tuas palavras carreguem a verdade da coragem e de sua sabedoria.

 

 

 

Continua...