A história de Regina

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Aviso importante:

- Essa é uma história baseada em fatos reais e os nomes das pessoas envolvidas foram propositalmente modificados para preservar a identidade de todos;

- Se você é menor de 18 anos, homofóbico ou não gosta de histórias lésbicas, vá pra outro site, porque definitivamente você está no lugar errado;

- Se quiser entrar em contato comigo, mande email para anazanandreia@gmail.com, lembrando sempre que dicas, críticas, idéias e sugestões são sempre bem-vindas;

- Escrevi esse conto à pedido de uma amiga e o dedico a minha fonte de inspiração perene: MEU AMOR!

Boa leitura a todos.

 

 

 

 

Primeiro vamos às apresentações: meu nome é Regina Marcondes Silva, sou mulata tipicamente brasileira. Costumo referir a mim mesma como “azulejo de banheiro” (daqueles que em todo canto tem um igual) e, se vocês acham pouco adicionem ao fato deu ter uma irmã gêmea, chamada Rita Marcondes Silva. A história que quero contar começou quando eu tinha 18 anos. Uma amiga de minha mãe, chamada Ortência (escrito sem H mesmo) tornou-se vereadora e foi eleita Presidente da Câmara de Vereadores da cidade “Onde Judas Chegou Descalço” então, como toda cidade pequena, foi lá que me deram meu primeiro emprego. Passei algum tempo como Assistente de Plenário e fui transferida para a função de Assistente de Escrituraria; trocando em miúdos, minha função era de espionar todos os gastos feitos na Câmara Municipal e, inclusive, tinha acesso a todos os computadores nos fins de semana, pois o objetivo da minha contratação era espionar os gastos e informar qualquer irregularidade.

Nem nos filmes de James Bond é retratado o quanto é difícil você manter uma dupla identidade, então, para conseguir cumprir a minha tarefa de espiã, decidi ser cordial com todos, mas sem “baixar a guarda”, porque todos eram suspeitos e cada funcionário estava ali por ter algum conhecido no quadro político da cidade. Então, mantive uma postura de “gato escaldado com medo de água fria”.

No final do expediente me levaram pra sala da escrituraria que, pra minha surpresa, pro meu desespero ou minha alegria, não sei nomear, a mesma me intrigou com seu olhar exótico. Na sala havia mais duas pessoas cujas presenças foram ignoradas frente aquela bela mulher. fui apresentada a ela: Monique Nolasco, um pouco mais velha que eu, loira (verdadeira viu), da minha altura (1,67m), olhos esverdeados e um sorriso de parar o trânsito, magra, seios pequenos, músculos bem distribuídos nas pernas, coxas e o bumbum cabe na minha mão tranquilamente e usava um perfume sem igual. O aperto de mão de Monique era macio, quente e firme e minha alma congelou ao seu toque. Nos poucos minutos que restavam, fui apresentada as outras mulheres que se chamavam Francisca e Eleonora.

No segundo dia cheguei um pouco mais tarde, pois tive de comprar um terno pra usar no trabalho, já que as minhas roupas da faculdade “não cobriam o suficiente”. Naquele dia Monique estava doente e não foi ao trabalho. A Eleonora foi a primeira a se aproximar, puxou conversa e tentou iniciar um vínculo de amizade. Em pouco tempo tanto ela quanto Francisca, me informaram todo tipo de coisa sobre a Monique e tudo o que elas não queriam fazer sobrava pra mim por ser a estagiária. Como “desgraça pouca é bobagem”, a Ortência me avisou que eu a representaria num seminário sobre Desenvolvimento Sustentável, pra mim não seria tão difícil, pois cursava Ciências Biológicas na Faculdade. Essa participação me rendeu uma semana de estudo sobre toda a Legislação municipal.

Durante a semana que Monique esteve ausente a sua prima Francisca, que trabalhava na mesma sala, estabeleceu uma lista de atividades pra que eu realizasse e sempre que podia assumia as funções da escrituraria. No entanto, ela tinha um hábito que não passou despercebido por mim: sempre se fazia de desentendida e guardava os documentos nos lugares mais adversos. A queda de braço silenciosa de Francisca não parava por aí, além de deixar claro o interesse em assumir a função da sua prima, ela recebia os documentos e, ao invés de passar pra Monique ela os escondia porque assim a Ortência acabava brigando com Monique pelos atrasos e pela falta de responsabilidade em resolver as questões que eram passadas pra ela.

A segunda semana chegou e minha participação no seminário durante o fim de semana foi descrita como exemplar e ainda rendeu um prêmio à prefeitura. Logo na segunda-feira fiz o relatório das irregularidades encontradas e mantive distância de todas. Mesmo indo contra meus princípios morais, não comentei nada sobre as atitudes contraproducentes de Francisca e me mantive à margem, pois não queria amizade com ninguém.

Sempre que queremos ficar distantes aparece alguém pra ir contra, meu carma era Monique. Ela sempre aproveitava os intervalos de lanche para tentar se aproximar e quando eu menos esperava era surpreendida com abraços e carícias espontâneas, parecia uma criança birrenta, pois mesmo que eu fosse lanchar num outro local ela sempre aparecia. A perseguição se estendeu ao horário de trabalho, ela não me tocava, mas me olhava insistentemente e sorria sempre. O primeiro assunto que tínhamos em comum era Biologia, ela havia cursado a mesma faculdade onde eu estudava e dava aulas à noite numa escola.

O término com meu primeiro namorado resultou na completa destruição da muralha que me protegia, arrasada, parecendo que eu era a primeira pessoa a passar por aquela dor inenarrável, me entreguei de cabeça na amizade de Monique. Nossa conversa começou com a troca de experiências afetivas.

Com o passar dos dias os laços de amizade foram se tornando mais firmes e, a Ortência, utilizando-se das informações que obtive na espionagem, utilizou as informações como moeda de troca de favores, pois ao invés de prejudicar os vereadores, ela barganhava a votação de projetos favoráveis ao seu partido.

Certo dia Monique foi chamada à sala da Ortência e, pra minha surpresa, ela demorou muito pra retornar a sala, fui acometida por uma preocupação muito grande. Saí da sala usando de um pretexto qualquer e fui procurá-la. Ao passar pela porta do auditório notei a sua presença e entrei aflita, ela chorava tanto que dava dó, parecia uma criança indefesa e assustada. Depois de muitos minutos ela conseguiu falar o que tinha acontecido: a Presidente precisava de um documento muito importante para prestação de contas, e já havia se passado dois dias desde o seu sumiço misterioso... Para que possamos ter uma idéia do tamanho do problema basta dizer que renderia um prejuízo de mais de um milhão de reais para a Câmara Municipal, além de custar a carreira ou a prisão de muitas pessoas. Depois de consolar Monique, a convenci a retornar ao trabalho e fiz com que ela fosse ao banheiro se recompor porque a maquiagem estava horrível; ela sorriu de um modo tão safado pra mim que saí praticamente correndo de perto dela. Aproveitei que estava sozinha na sala e abri a gaveta que Francisca usava para esconder os documentos, o cinismo dela era tanto que lá dentro só havia o documento que Monique precisava encontrar urgentemente. Coloquei o documento sobre a mesa de Monique e ela foi rapidamente entregar. Francisca quase foi atropelada pela pressa de Monique e levantando o dedo em riste eu disse em alto e bom som pra Francisca: - se sumir mais algum documento na mesa dela eu vou pedir a Presidente pra diminuir o pessoal aqui! Era do conhecimento de todas que eu havia sido indicada pela Ortência, mas não sei se foi minha atitude autoritária ou o modo ameaçador que falei, só sei que foi suficiente pra que nada mais desaparecesse daquele dia em diante, além do fato de que todos os documentos eram entregues a Monique ou a mim.

Minha atitude altruísta não passou despercebida; Monique exigiu que explicasse exatamente tudo o que havia acontecido, não tive outra saída se não ir à casa dela depois do expediente. Aleguei a minha mãe que ia à casa de uma amiga e foram 20 longos minutos de tortura. Lembro que no caminho rezei pro sol me derreter no percurso... A estrada era íngreme, as pernas pesavam mais que o normal, mas resisti bravamente e cheguei à casa dela. Ela era casada com um traste, não tinha filhos e estava sozinha em casa. Chegando lá parei em transe na frente da campainha, me perguntei se saísse correndo dali fosse uma atitude que passaria despercebida pela vizinhança e, depois de cinco minutos que mais pareciam horas, toquei a bendita campainha. Pedi mentalmente que não houvesse ninguém em casa Monique veio ao meu encontro, lembro que vestia um short minúsculo e regata, os pés estavam descalços. Não sei se pronunciei palavra alguma, só sei que adentrei na casa com Monique me levando pelo braço. Os sons que ela emitia pareciam uma língua estrangeira que não domino, meu transe era tanto que só voltei à realidade quando ela saiu da sala e foi buscar um suco que eu não lembro de ter aceitado. Enquanto estava sentada no sofá esperando o suco, ela passou na minha frente e praticamente fui trazida a realidade pela bunda dela... Meus hormônios responderam tão rápido que fiquei feliz pelo suco, seja lá do que ele era feito. Quando ela voltou à sala, nós tomamos o suco e ela perguntou como eu havia conseguido o documento. O olhar que recebi era tão intenso que as inúmeras possíveis respostas que havia elaborado no trajeto sumiram, tentei dar o silêncio como resposta até que ela segurou a minha mão carinhosamente e disse:

- Eu sei que foi você quem colocou na minha mesa.

Tive a sensação de ter morrido naquele momento, ou melhor, era pra ter morrido, não tive mais como esconder nada, contei tudo sobre o que a prima dela aprontava e sobre a Eleonora que fazia vista grossa. Parte da carga que levava nos ombros foi aliviada naquele momento, pra minha surpresa Monique disse que já sabia, pois sempre foi uma guerra silenciosa que Francisca fazia para usurpar o cargo de escrituraria e como se fosse pouco ela me abraçou, beijou a minha bochecha e me disse que eu era uma verdadeira amiga. Saindo do abraço, ela se sentou mais perto de mim e tive a impressão que se ela se aproximasse um pouco mais teria que tirar a minha alma pra dar espaço. Conversamos muito naquele fim de tarde sobre o emprego, a faculdade e sobre nossa vida pessoal. Não escondi que gostava de festas, baladas e não queria abrir mão da minha liberdade para namorar sério naquele momento.  Ela contou que o casamento não ia bem, disse que queria que fôssemos amigas, enfim, daquele dia em dia nasceu uma grande amizade. Naquela mesma tarde descobri que conhecia a irmã de Monique, a Dalvani, era minha colega de faculdade e quando afirmei que gostava da irmã dela, senti que estava pisando numa mina de um terreno desconhecido. Em meio a nossa demorada conversa pude perceber que abraçar e respirar eram praticamente sinônimos para Monique e essa atitude me deixava sem chão, ou, nas nuvens. Os toques eram sutis, mas suficientes pra amansar a fera isolada que eu insistia em demonstrar ser.

A nossa amizade trouxe grandes mudanças, passei a freqüentar diariamente a casa dela, exceto nos fins de semana, mudança essa que se estendeu ao trabalho e gerou vários comentários, inclusive minha mãe não gostava de saber que eu estava indo tanto lá porque ela era casada. Além disso, o marido dela me odiava e eu percebi isso nas poucas vezes que nos encontramos. Quando percebi já haviam passado nove meses de convivência, tudo havia mudado radicalmente, mas quando você está dentro não nota...

A vida seguiu seu curso e deixei que muitas coisas acontecessem tipo: eu pensei que meu jeito arredio acabava precisando daquela atenção toda da parte dela; sempre que íamos tomar sorvete ela me olhava insistentemente; ela passou a escolher comigo as roupas, o perfume e etc. Sempre que eu contava que tinha ficado com alguém nós acabávamos discutindo e, por várias vezes, tive a impressão que eu iria apanhar dela. Nós nos matriculamos num curso de informática juntas no mesmo horário e a aula pra mim era sempre sacal e ela, que estava aprendendo, sempre que me chamava pra ajudá-la não escondia o carinho ao me tocar ou pegar em minha mão. Acabei me deixando levar pela ternura dela, não havia maldade, só um sentimento puro que naquele tempo eu não entendia... Até meu diário virou livro de cabeceira dela. Lembro que no dia de pagar uma mensalidade do curso ela não pôde ir por conta de uma reunião com os pais dos alunos dela então eu me ofereci para pagar a mensalidade e depois ela me pagava a quantia e, ao chegar à direção do curso, nosso professor de informática estava presente e se aproximou para puxar conversa, ele perguntou se eu estava gostando das aulas e, por fim, o que nós éramos. Perdoem pela minha ingenuidade, mais respondi que éramos amigas e que ela era minha chefa no trabalho e ele insistiu em perguntar se eu tinha certeza disso, pois estávamos sempre juntas e, nas palavras dele, “ela ficava me paquerando”! Hoje eu só tenho certeza que não morri naquela hora porque estou viva contando a minha história a vocês agora, pois minha vontade era de evaporar da terra naquele mesmo momento.

Às vezes, quando um assunto nos incomoda muito, fingimos que ele nem aconteceu e foi exatamente isso o que fiz, nem comentei com a Monique a conversa que tive e nossa amizade continuou imutável. Com o tempo comecei a mentir pra minha mãe, pois quando ia à casa de Monique eu dizia sempre o nome de outra amiga. Passei a ir a poucas festas e, sempre que as amigas perguntavam, eu atribuía a culpa à faculdade e pras colegas de faculdade eu dizia que a culpa era do trabalho.

A minha inocência era tamanha que não sabia o que estava acontecendo. Passei a ajudar ela a fazer faxina na casa dela e, estranhamente, depois que fui vestida num short bem curto o número de faxinas aumentou consideravelmente. Teve uma vez que eu estava lavando o quarto e Monique insistiu que eu tinha que comer algo, até comida na boca eu ganhei. Sempre achei as atitudes dela estranhas mas nunca tive coragem de comentar nada. Comecei a reparar o modo que ela tratava as amigas dela e percebi a atenção demasiada que só eu recebia. Lembro também de uma amiga dela que ficou mais ou menos uma hora conosco e, quando ela saiu Monique disse: “não via a hora de ela ir embora pra gente ficar sozinha.”

Dentre tantos passeios à sorveteria, uma vez minha colher caiu e eu abocanhei o sorvete de abacaxi e Monique, primeiro me olhou de um modo estranho e, logo em seguida disse: “nunca mais faça isso na minha frente ou na frente de ninguém...” Fiquei boquiaberta, sem entender nada do que estava acontecendo. Teve outro episódio memorável, estávamos na casa dela, conversando na cama dela e ela me fez contar as situações mais picantes que já fiz com namorado e, enquanto conversávamos, ela estava fazendo massagem em mim e passou a me alisar, me deixando completamente excitada e apavorada, lembro de ter dito uma desculpa qualquer e saí correndo da casa dela com o coração aos pulos.

Nos dias seguintes evitei ir lá, ela começou a reclamar que eu não ia, então voltei a frequentar sua casa. As brigas entre ela e Sidney (seu marido) eram constantes e eu era a confidente e o porto seguro. Passado algum tempo, eu havia terminado com um namorado e, pra fugir dele, comecei a namorar um rapaz que acabei descobrindo que era um primo dela. Não preciso dizer que na minúscula cidade onde morávamos as notícias praticamente voam e Monique, sabendo do meu namoro com seu primo, me puxou para uma conversa que acabou em discussão, ela dizia aos prantos que eu não podia namorar com ele, que ele não servia pra mim e tudo mais, então gritei pra ela “eu que decido!” e ela apertou meu braço de um modo tão brusco que deixou marcas roxas. Ao perceber o que tinha feito, ela se desculpou e quando eu disse que não frequentaria mais a casa dela, ela se desesperou e eu nunca vi alguém chorar tanto quanto ela chorou naquele momento... Monique me fez prometer não me afastar dela e visitá-la sempre que eu pudesse. Ao chegar em casa eu disse que tinha sido meu namorado que tinha feito aquelas marcas e terminei com ele usando de uma desculpa qualquer.

A teia que me prendia já estava feita e continuei me envolvendo e sendo envolvida pelo charme de Monique. Todos me diziam que eu devia me afastar dela, que era uma amizade estranha, mas eu não prestava atenção aos comentários. Numa tarde eu estava bem relaxada na cama dela, ela deitada do meu lado conversando e ela começou a dizer que gostava muito de mim, que me achava bonita e meu lindo olhar chamava atenção dela. E, em meio aos elogios e a conversa fluindo ela começou a passar a mão na minha barriga, por baixo da blusa. Saí correndo sem nem olhar pra ela, me chamem de covarde se quiserem, mas eu fugi... Depois desse fato tudo desandou, nós não trabalhávamos mais juntas e eu evitei por meses ir à casa dela; recusei suas ligações e recados, me dediquei à faculdade e aperfeiçoei em fazer trabalhos gráficos me tornando uma assídua frequentadora das festas, de todas as que eu podia ir.

Haviam se passado quatro meses e minha irmã me disse pela enésima vez que ela queria muito falar comigo, então, a saudade era tamanha que não mais resisti, eu só tinha uma coisa em mente: “preciso respirar o meu ar que é você”. Sempre que a visitei eram “visitas formais” e eu fiz o trabalho de conclusão do curso de pós-graduação dela.  Monique tentou retomar nossa amizade como se nada tivesse acontecido e aquilo foi mesmo que uma pedra no meu rosto, me ressenti muito com a atitude dela, pois não dava pra jogar tudo pra debaixo do tapete e aquilo não era suficiente pra mim... Afastei-me o quanto pude, recebi um outro recado, mas esse era bem apelativo do tipo: “se você não vier eu vou até você!”. Precisei ir à casa de uma amiga minha, que morava a duas casas da dela, ou seja, ela me veria de qualquer jeito naquele dia. No caminho passei num supermercado, comprei um litro de licor de chocolate, levei pra casa da minha amiga (vizinha dela) e companheira de copo. Depois de poucos minutos expliquei a minha amiga que precisava ir à casa da minha ex-chefa resolver algo.  Chegando lá ela me recebeu toda sorridente e reclamou porque me atrasei, me mandou entrar e me abraçou como de costume, me deu um beijo bem perto da boca. Começamos a conversar e Monique me perguntou o que tinha acontecido que eu não queria mais estar com ela, mencionou que eu a evitava sempre que podia. Como resposta eu disse que nossa amizade era muito forte, que eu não estava acostumada com a atenção que recebia dela e perguntei: “o que você quer de mim?”. Meu coração palpitante estava a galope enquanto eu esperava sua resposta, ela foi muito evasiva e tentou a todo custo salientar que era uma grande amizade, maior do que a que ela tinha com suas irmãs, que eu era seu apoio, sua amiga pra toda hora. Cada palavra dela me causava a sensação de um tapa e praticamente me senti surrada com tudo o que eu ouvi dela e ela completou que não queria mudar em nada a nossa amizade. Aquela foi a gota d’água que transbordou o copo, senti que o que ela tinha a me oferecer não bastava. Em meio a tudo que estava acontecendo eu disse que não dava pra ficar daquele jeito e que eu estava me despedindo dela. Monique disse que se fosse qualquer coisa que ela tivesse feito que eu a perdoasse, que sentia muito a minha falta, me abraçou e me deu um selinho. Saí da casa dela sem controle algum, chorei no meio da rua, tentei me recompor e voltei à casa da minha amiga, ao chegar lá eu disse: “vamos beber que hoje é dia de esquecer!”. Minha amiga disse que não me acompanharia porque ela ainda estava de ressaca da noite anterior e eu disse: “sem problema, fica aí que eu bebo!”. A garrafa de licor parecia água, bebi copiosamente, tomei o licor que havia comprado com gelo e ficamos conversando. Minha amiga disse: “não sei o que aconteceu e sei que mesmo bêbada como está não vai me contar, mais foi algo grave, nunca te vi bebendo tanto”. Não disse nada, não fiz comentário, apenas curti o silêncio, até ser interrompida pelo toque do meu celular, era Monique ligando pra mim. Atendi e ela perguntou onde eu estava e pediu que voltasse pra casa dela, pois nossa conversa não havia acabado. Quase não consegui sair da casa da minha amiga, pois ela insistia em dizer que eu não estava em condições nem de chegar em casa. Voltei pra casa de Monique, ela percebeu logo que eu havia bebido, reclamou e eu fiz que não estava ouvindo, completou dizendo que não gostava da minha amiga e, daí em diante, eu não lembro de quase nada... Só sei que discutimos e ela me magoou muito, dizendo que não se separaria do seu marido pra ficar comigo, depois eu saí de lá arrasada.

Daquele dia em diante passei a viver cada momento, me afundei numa depressão muito forte nos meses seguintes. Fiz várias besteiras até voltar a mim, tive vários “ficantes” e me afundei em festas e bebida. Só depois de muito tempo voltei ao normal, trabalho e casa. Soube que ela estava grávida e, quando o filho nasceu, fui visitá-la. Era um bebê lindo, nós mal conversamos durante a visita, pois havia várias pessoas no quarto. Deixei o presente, parabenizei pela linda criança e peguei o filho dela nos meus braços e sussurrei pra ele: “cuide muito bem da sua mãe.”

 

 

 

Fim