Almas gêmeas para sempre, amor verdadeiro não é efêmero

Garota dos lírios

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Renata passou boa parte da tarde escrevendo. Seus sonhos rendiam páginas no seu livro, e ela suspirava nos bons momentos, apenas queria voltar para aquele sonho que havia tido de manhã e continuá-lo... Logo depois decidiu ir assistir algum filme de animação no cinema, já estava cansada dos mesmos filmes de romance e casais de sempre; nos filmes tudo é perfeito, fácil demais, fingido demais, ela sabia que o amor não continuaria após o filme acabar e que muitas vezes é assim de verdade, afinal, quantas pessoas você conhece que ficaram juntas até que a morte os separe? Ou que nunca traíram sua parceira ou parceiro? Algumas na verdade estão com alguém por medo da solidão, se contentam com o pouco, quando aspiram por alguém que as faça viver de verdade. Para Renata almas gêmeas não podiam ser separadas, de alguma forma pura e espiritual continuariam juntas até mesmo após a morte do corpo.

Ninguém acreditava em amor a primeira vista, mas Renata havia caído nessa armadilha, e, portanto sabia que era real.

Foi até o cinema, aquele filme animado sobre pinguins parecia ser engraçado. Comprou o ingresso e entrou... Andou até o final da última fileira onde tinha uma cadeira vazia, estava se sentindo bem novamente não sabia o por que; ela sentou-se, quando a mulher ao lado olhou pra ela.

- Hey! Oi! – Disse Sof sorrindo.

“É ela”, pensou Rêh...

- Tudo bem?
- Sim... – Disse Renata ainda surpresa, feliz e confusa. – Por que... Você está aqui?
- Hum... Eu gosto de filmes engraçados, também gosto de romances diferentes, mas é isso.
O que será que ela quis dizer com a palavra: diferente?

Elas se olharam por um instante e voltaram sua atenção para a abertura do filme. Estavam num dos cinemas mais antigos, simples e tradicional da cidade, onde o braço das cadeiras ainda precisava ser dividido pelas pessoas. Renata se sentou confortavelmente, pois Sofia não estava com o braço ao lado. O filme foi passando, Rêh estava encantada com o jeito divertido de Sof, ela soltava comentários mais engraçados que as cenas de vez em quando, e Renata não controlou suas risadas. Em certo momento Sofia foi colocando seu braço ao lado de Rêh, sem se dar conta... Renata olhou sua mão e mordeu seu lábio inferior, controlando-se para não segurar suas mãos de veludo. “A pior dor é estar sentado ao lado de alguém e saber que nunca o terá. É difícil estar ao lado do que você mais quer na vida e ao mesmo tempo a milhares de quilômetros de distância”, pensou Rêh, que não estava se controlando então se levantou rapidamente da cadeira e Sof ficou olhando pra ela que saiu pra comprar pipoca. Sofia a olhou de um jeito muito fofo.

Renata voltou e colocou a pipoca no braço direito da poltrona.

- Você quer? Pode pegar. – Falou Rêh se referindo à pipoca, e mentalmente a algo mais, do tipo seu coração, rindo de si mesma.
- Não, muito obrigada... – Respondeu Sof educadamente.

"Espero que o não seja somente para a pipoca." – Pensou Rêh.

Ao final do filme Rêh desastrosamente virou o copo de pipocas em cima de Sofia.

- Ah meu Deus! Me desculpe, eu sinto muito...
- Tudo bem, essas coisas acontecem... – Disse Sofia enquanto se limpava.
- Eu tenho mãos tão...
- Nem pense em dizer bobagens, suas mãos são lindas, quentinhas e lisas como seda.
- Como você pode dizer isso se nunca as tocou?
- Ahn... – Sof pegou delicadamente as mãos de Rêh e passou suavemente sua mão em cima da dela. – Viu? Eu disse...

Elas sorriram, logo depois saíram do cinema. Renata precisava achar alguma desculpa pra conhecer Sof melhor, então teve uma brilhante ideia.

- Sofia...
- Hum?
- Eu... Preciso de alguém que desenhe capas de livro, para o meu...
- Eu faço isso também, sabia?
- Legal! Será que você poderia falar com minha editora? Pois eu não estou gostando dos trabalhos que eles estão me enviando.

O cinema era há algumas quadras do apê de Rêh, e elas foram conversando sobre isso.

- Eu até já ajudei com cenários pra filmes, fiz muitas coisas diferentes...
- Uau... Então você estava sendo modesta quando disse que era apenas designer.
- É um ramo muito amplo... Já fui contratada por uma editora pra capas de livros e outras coisas mais.
- Ainda procura por esse tipo de serviço?
- Não, só se ele vier até mim. – Sof sorriu.

Elas haviam chegado ao apê de Rêh.

- Você já decorou o caminho da minha casa, mas eu nem sei onde você mora. – Brincou Renata.
- Posso ir até a janela da sua sala?
- Claro. – Respondeu Rêh animadamente enquanto Sofia entrava em seu apartamento.
- Bem, está vendo todos esses prédios ali?
- Sim.
- Eles ofuscam a visão daquele último prédio na outra rua, não é?
- Verdade.
- É lá que eu moro, por enquanto...
- Em que andar? Você gosta de altura?
- No último andar... Eu não me incomodo com altura.
- Nem eu. – Sorriu Rêh, ela aproximou-se mais de Sof e tirou uma penugem de seu casaco cinza mesclado com a estampa de um pássaro preto de asas abertas.

Se eu pudesse tocar a linda face de Rêh... Estou imaginando coisas! Ela não liga pra mim, só me trouxe aqui pela capa do livro, é melhor eu ir.  – Pensou Sofia, que foi se retirando.

- Então, amanhã, que horas você vem aqui por causa da capa do livro?
- Eu... Passo na sua editora à tarde e... Depois venho até aqui...
- Diga que eu a recomendei.
- Ok. – Sorriu Sof. – Até amanhã.
- Até. – Disse Rêh.

Logo Sofia sumiu ao sair pela porta. Rêh queria conhecê-la completamente, ela nunca se sentiu tão bem na vida como quando como ficava ao lado de Sof, mas sabia que era preciso ir devagar.

Renata fez o jantar, revirou algumas ideias em sua mente, escreveu mais algumas páginas de seu livro e foi dormir muito tarde.

“Eu nunca pensei que fosse gostar de uma mulher, afinal, isso importa? Quer dizer, somos todos humanos, temos coração, não escolhemos quem amar! Eu não posso parar isso, e nem sei se quero... Na verdade o que eu quero é estar com minha alma gêmea, Sofia.”

Ao deitar a cabeça no travesseiro rosa claro e macio Rêh fechou os olhos, cobriu-se com o cobertor bordô e adormeceu...

Eu não quero te magoar, você precisa entender, preciso ficar longe de você, pro seu próprio bem, sei que você não está entendendo, mas confie em mim. – Dizia Sofia no sonho de Renata, quando finalmente o despertador tocou.

- Droga, que sonho foi esse? Será que tem algo acontecendo... Eu não quero que ela se afaste de mim. – Rêh falou sozinha.

Ela tomou banho, colocou um casaco branco, uma calça jeans azul claro e pantufas de cachorrinhos brancos. Preparou seu almoço, depois correu para o notebook, tinha prazo pra terminar o livro, ela digitou por horas, até que alguém ligou pro seu celular.

- Alô?
- É John, seu chefe... Recebemos a designer que você recomendou pra fazer a capa do livro, tenho que admitir que ela é ótima! Vamos contratá-la pra participar de vários projetos.
- Que bom!
- Saiba que precisamos de mais opiniões, iremos chamar você também alguns dias pras reuniões.
- Claro.
- Está certo, tchau. – Ele desligou o telefone.
- Tchau... Ah meu Deus, não acredito, vou trabalhar com ela, está dando tudo certo.

Alguém bate na porta às 7 horas da noite, ela abre. É um homem loiro cabelo raspado, olhos negros, parecia ser convencido demais, ele estava vestido de preto, segurava um buquê de flores na mão, não eram as preferidas de Rêh. Talvez mais um de seus fãs.

- Oi, sou seu fã. – Ele estava mentindo, percebia-se na expressão carregada de uma segunda intenção.
- Oi, tudo bem? – Disse Renata superficialmente.
- Claro. – O desconhecido já foi entrando.
- Então veio aqui pra me trazer isso? Obrigada. – Disse Renata querendo ser cordial e referindo-se as flores.
- Você está sozinha?
- Sim, por quê?
- Curiosidade. – Disse ele escondendo alguma intenção. – Essa pantufa não te deixa tão gostosa como nas fotos.
- O que? – Disse Rêh.
- Não se preocupe, isso não vai afetar o que ainda vim fazer com você.

Nesse momento ele a empurra pra parede com força e segura seus braços.

- Hey, me solta, está me machucando.
- Oh? Sério? – Diz ele friamente. – Olha só o desespero em seu rosto, eu adoro ver isso nas minhas vítimas, torna o sexo forçado melhor.
- Seu delinquente! – Grita Rêh.
- Calma Renata, só faço o que os outros não têm coragem de fazer. – Diz o homem, que cobre a sua boca com sua mão.

Eles ouvem alguém vindo correndo. Sofia dá de cara com a cena e percebe a situação.

- Solte ela, agora!
- Quem vai me obrigar? Você?
- Pode ter certeza...

O homem joga Renata com toda força no chão e corre tentando dar um soco em Sofia que acaba executando uma atitude como as de policiais, segura sua mão e a torce pra trás rapidamente deitando-o no chão; ele grita de dor.

- Ah! Você é policial? Droga!
- Você está bem Rêh? – Grita Sof.
- Sim, eu vou ligar pra polícia!

Sofia continua segurando o homem no chão com a habilidade de uma policial.

- Você não me disse que já foi policial... – Falou Renata.
- Mas eu nunca fui. Eu sei lutar Krav Maga... Começou quando meu pai me colocou na escola de karatê quando eu era pequena, pra servir como defesa pessoal.
- Parece que funcionou. – Disse Rêh.

A polícia chega e prende o homem, enquanto isso questiona Renata e Sofia.

- Ele é um estuprador. – Diz o policial. – Já fez 4 vítimas, elas morreram depois do ato, pelo que parece ele queria que você fosse a quinta vítima.

Renata demonstra expressões de nojo, desgosto e raiva, Sof percebe e segura sua mão.

- Hey, olha pra mim... Respira fundo, quer água, precisa de alguma coisa? Você está realmente bem? – Sofia mostra-se preocupada.
- Ainda bem que você chegou a tempo. – Diz Rêh enquanto começa a lacrimejar, e a abraça. Sofia a envolve e protege com seu abraço.

Os policiais já haviam se retirado...

- Que perigoso ficar sozinha... Não há ninguém que... – Diz Sofia.
- Eu só... Preciso que alguém durma comigo aqui essa noite, estou muito assustada. Você salvou minha vida...
- Claro, eu fico aqui, pode ficar tranquila. – Rêh ficou aliviada, parou de chorar e até deu um sorriso, ela podia sentir em cada palavra e gesto o quanto Sof se importava com ela.

Sofia a soltou e olhou melhor pra ela.

- Você está de pantufas. – Ela disse sorrindo.
- Sim... Eu ia tirá-las antes de você chegar, não queria parecer uma bobona.
- Hey!
- O que?
- Você fica super fofa com essas pantufas, não fale isso.

Renata sorriu.

- Você gosta de cães?
- Sim, eu tive um quando era criança, mas prefiro os gatos.
- Por quê? – Perguntou curiosamente Rêh.
- Meu cachorro era guloso, ele só ficava ao lado da pessoa que tinha comida, era interesseiro, já meu gato preferia carinho, eu dava comida pra ele, mas às vezes ele apenas queria carinho...

Renata abriu um grande sorriso.

- É assim que eu gosto de te ver. – Disse Sof. – Sorrindo.
- Vamos trabalhar juntas, não é?
- Verdade.
- Eu quero te mostrar os livros.
- Ok... – Disse Sof enquanto elas iam até o notebook.
- Eu vou preparar o jantar. – Disse Rêh. – Pense em alguma ideia pra capa, pode ler os arquivos que dizem projeto da editora, você também vai comparecer às reuniões, não é mesmo?
- Sim.

Renata preparava macarrão com queijo, salada etc.

- Você gosta de macarrão com queijo?
- Eu amo! – Respondeu Sof.
- Legal...

Minutos depois Sofia foi até a cozinha onde Rêh colocava os pratos na mesa e sorriu.

- Boa cozinheira, o cheirinho está delicioso. – Disse Sof olhando nos olhos de Rêh, que sempre lhe sorria. – Eu li as principais partes, mas ainda preciso ficar por dentro, então quer dizer que uma empresa que produz filmes quer que alguns livros de sua editora virem um longa metragem?
- Exatamente.
- Parece legal, uma boa ideia... Vão selecionar os livros até quando?
- Daqui a seis meses.
- Você tem chances, ótimo!
- Você é tão... – Atenciosa, linda, cheirosa, gentil, bem humorada. – Positiva! – Foi a única qualidade que Rêh teve coragem de dizer.
- É. Algumas pessoas têm sorte, outras precisam fabricá-las.
- Como?
- Através de pensamentos positivos! – Brincou Sofia.

Elas jantaram e conversaram sobre culinária, Renata se divertiu com Sof que brincou dizendo que não sabia nem fazer gelo.

- Seus pratos preferidos? – Perguntou Rêh.
- Aqueles redondos, com desenhos dentro e... Comida, preferencialmente massa.
- Ha, ha, ha. – Gargalhou Renata.
- Gosto de lasanha...
- Minha comida predileta!
- Odeio molho branco...
- Nem me fale!

Elas descobriram muitas afinidades.

- Mas você não é nem um pouco gorda, quem te ouve falando acha que você é.
- Hereditário, como qualquer coisa e não engordo.
- Quer tomar um Milk-shake comigo depois da reunião de amanhã?
- Claro! – Disse Sof.

Minutos depois elas terminaram de jantar.

- Você gostou mesmo do meu macarrão...
- É. – Sorriu Sof. – Pode deixar, eu lavo a louça; vá digitar... Escritora.
- Não, quero dizer, me deixe pelo menos enxugar a louça.
- A casa é sua.
- Luta Krav Maga, tinha gatos e um cão, mas o que não sei sobre seu passado?
- Ahn... Muitas coisas. Tenho centenas de histórias, metade engraçada, metade dramática...
- Pai, mãe, amigos?
- Minha mãe faleceu quando eu ia fazer 14 anos, meu pai mora com sua eterna namorada, ele a chama assim... Ele fala comigo às vezes por telefone, mas a madrasta não gosta de mim... Meu irmão fugiu com a namorada há 4 anos atrás, a garota era alguns anos mais nova que ele, fugiram porque o namoro era “proibido”, as irmãs dela não aceitavam que ela ficasse com meu irmão... Caso contrário nunca daria certo. Ele sempre fala pelo telefone comigo, e me agradeceu por apoiar o namoro deles, minha cunhada disse que ele é a sua alma gêmea. Amigas, bem, eu tenho uma prima, ela é nova, vez em quando preciso tirar ela de algumas trapalhadas. E você, qual sua história?
- Ahn... Você acredita em alma gêmea? – Acho melhor não passar por idiota. – Ah! Esquece! Todos dizem que o amor vem com o tempo... Depois de passar anos de casado, essas coisas... Amor à primeira vista não existe.
- Eu discordo. Acredito que duas almas podem ser tão simpáticas a ponto de serem almas gêmeas, também acho que existe amor à primeira vista, esse pra mim é aquele que a pessoa está destinada a amar alguém a vida toda, o amor só é verdadeiro quando é pra sempre, em minha opinião...
- Então quer dizer que se estamos com alguém, mas não nos sentimos completa não é aquela pessoa? Estamos nos contentando com o pouco? Não temos coragem de quebrar esse laço e ir atrás do verdadeiro?
- Exatamente.
- Era isso o que eu sentia nos relacionamentos passados... Ainda bem que é passado!

As duas sentaram no sofá e Sof ficou ouvindo atentamente cada detalhe sobre a família de Rêh e seu passado.

- Eu fazia todo dia a mesma coisa, não enxergando a beleza da vida, não dando atenção pros detalhes... O que você faz todo dia?
- Não sei.
- Como assim?
- Todo dia é diferente, pode ser maravilhoso e bem aproveitado. Eu vou ao parque, às vezes ao museu, ao cinema, adoro aquários gigantes. – Disse Sof.
- Eu também!
- E basicamente faço meu trabalho, amo o que faço... Acho que comecei a ter sorte depois que ingressei nesse ramo. Você, com certeza ama o que faz, não é?
- Sim, amo meu trabalho. Às vezes viajo pra lugares distantes, tenho mais ideias na calmaria, vou ao cinema, shopping... Acho que preciso de lugares mais naturais, assim como você.
- Talvez... Que tal irmos ao aquário gigante enquanto tomamos Milk-shake amanhã?
- Isso seria ótimo... Nossa! Céus, que horas são! Como o tempo voa!
- Eu sempre penso isso...
- Meu livro precisa sair de alguma maneira.
- Posso olhar você digitar, ou atrapalha?
- Claro que pode olhar!

Rêh sentou na cadeira e Sof no puf amarelo redondo ao lado; começou a digitar.

Depois de meia hora Renata falou:
- Pode falar se quiser, você está tão quietinha.
- Me concentrei na história, é envolvente.
- Você está gostando?
- Sim, você é uma excelente escritora, li um de seus livros dias atrás...
- Você nem tinha dito pra mim.
- Só me lembrei de te dizer agora... Mas o livro é inesquecível.
- Você leu o segundo?
- Sim.
- Meu preferido dentre os três até agora.
- Mas pelo o que eu percebi cada um deles nos encanta de uma forma diferente, histórias surpreendentes e emocionantes.
- Você tem um bom vocabulário... Toda educada.
- Eu preciso me esforçar um pouco... Eu vivi na cidade pequena até os 13, puxava demais o “R”.
- Ha, ha, ha... Eu quis ser escritora desde pequena, comecei a ler livros como louca depois que fiz 14... Agora eu já tenho vinte e cinco anos, e você?
- Vinte e sete.
- O que? Você parece ter pelo menos vinte e quatro!
- Todo mundo diz isso... Que dia você faz aniversário?
- Três de agosto, e você?
- Sete de outubro, sou de Libra.
- Eu sou de Leão.

Sof se assustou.

- Eu vejo medo em seu rosto? – Perguntou Rêh.
- Um pouco.
- O que foi?
- Signos do fogo... São perigosos.
- Não sou perigosa, não se preocupe, não vou te morder.
- Claro, olha sua face – Disse Sofia tocando delicadamente no rosto de Rêh. – Tão inofensiva, meiga, so sweet.

“Ela gosta de mim? Não! Devo estar imaginando coisas, Sofia é assim mesmo, e está aqui pelo trabalho, não posso perdê-la, não vou cometer esse erro”. - Rêh sorriu e Sof se afastou.

- Vou deixar você escrever. – Falou Sofia.

Ela escreveu durante mais trinta minutos, depois conversaram sobre música, seriados e a conversa longa foi sobre sonhos.

- Então, quais são seus sonhos? – Perguntou Sof.
- Evoluir cada vez mais nos meus livros, ter pelo menos um livro no topo dos mais vendidos, ficar com minha alma gêmea, ir morar na minha terceira casa... Vou comprá-la ano que vem, e ganhar um buquê da minha flor preferida, talvez um dia alguém adivinhe qual é. Não necessariamente nessa ordem. E quanto aos seus sonhos?
- São os mais difíceis... É ser escolhida por uma pessoa e ao mesmo tempo escolhê-la, poder acordar todo dia ao lado dela e dizer o quanto a amo.
- Incrível! – Rêh estava encantada com Sof.

Quando se deram conta já era muito tarde.

- Hora do soninho. – Brincou Sofia, ela se aproximou do sofá, tirou seu casaco e ficou só de camiseta branca e claro, seu sutiã, mas ficou de calça jeans e tirou o tênis rosa e azul.

Renata ficou olhando e pensando: “Essa roupa mostra uma perspectiva maravilhosa do corpo dela, moldado e com muitas curvas, com certeza melhor do que as modelos, melhor do que qualquer um, e ela é como um ímã pra mim, preciso esconder melhor minhas emoções, se não ela vai perceber que estou praticamente babando só de olhar pra ela”. - Renata sorriu meigamente.

- Você está brincando comigo? Dormir no sofá?
- Por quê? Você tem quarto de hóspedes?

Rêh não sabia como sair dessa.

- É que ali é muito desconfortável, não é?
- Ah! Não, claro que não.
- Eu posso colocar meu outro colchão ao lado de minha cama se você quiser.
- Não quero incomodar... O quarto é um lugar muito pessoal, você só vai se sentir a vontade se estiver sozinha lá. – “Não vou resistir chegar perto dela”, pensou Sof.
 
“Acho que estou forçando a barra”, pensou Rêh.

- Tudo bem, se você precisar ir ao banheiro é só passar ali por dentro do meu quarto, ok?
- Claro.

Rêh se jogou em sua cama e fechou os olhos, parecia que realmente estava cochilando, mas não estava. Meia hora depois Sof entrou silenciosamente no seu quarto e foi ao banheiro. Rêh ouviu a pia do banheiro, e continuou fingindo que estava dormindo. Ela ouviu Sofia sussurrar: "Ela dorme como uma anja; esqueceu-se de se cobrir e agora está encolhida passando frio". Renata sentiu que estava sendo coberta pelo cobertor delicadamente. Depois ouviu os passos de Sof saindo do quarto.

Rêh começou a sonhar... Sof estava dizendo pra ela: “Parece que te espero desde a eternidade, e agora você finalmente veio ao meu mundo e tomou conta dele, tudo o que eu quero é te ver feliz. Meu coração já é seu, nada no mundo fará com que eu me afaste de você, eu nunca irei te magoar e você permanecerá em minha mente para sempre. Sofia entrelaçava suas mãos nas de Rêh e foi se aproximando lentamente...”

Renata abriu os olhos e acordou.

- Mais um sonho.
- Qual? – Disse Sof abrindo a porta de seu quarto.
- Ahn... Nada. – Sofia se aproximou com uma bandeja.
- Você fez café da manhã pra mim?
- Eu achei que como você acorda tarde... Sei lá, talvez fosse querer.
- Obrigada. – Disse Rêh maravilhada.
- Bem, preciso ir. Nos vemos às duas na reunião?
- Claro.

Elas sorriram e Sof foi embora.

“Espero não estar exagerando ao tentar ser gentil com ela, Rêh pode não gostar, eu não posso ficar sem vê-la, não posso perder a amizade, ela é perfeita, e é como se eu a esperasse há séculos”. – Pensou Sofia... “Não devia ter permitido isso, mas foi incontrolável, amor à primeira vista”.

 

 

Continua...