Linda

Rose Di Andrea

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Gostaria de informar às minhas amáveis leitoras que meu atual e-mail é maat2016@hotmail.com. Quaisquer crítica ou mesmo, quem sabe, elogio, por favor enviar para o citado e-mail.

Obrigada.

Maat.

 

 

Capítulo 8

 

Maria Luiza chega de madrugada em casa. Seu marido Maximiliano já está preocupado.

- Amor, puxa que demora!
- Era que o papo estava muito agradável e fiquei lá olhando e conversando com o pessoal.
- Foi muito divertido?
- Sim, é uma festa, uma espécie de confraternização entre as mulheres lésbicas, D. Semíramis é muito boa comigo e eu achei por bem ir. Fique frio que cheguei sem faltar um pedacinho.

Max suspira e sorrindo comenta.

- Que bom.

Após um banho rápido Lu está com seu marido na cama. Maximiliano procura conversar um pouco.

- Luiza, sabe que você freqüentar esse tipo de festa é até bom. É que eu queria te pedir, quero dizer, que, bom, às vezes, a gente podia incrementar um pouco nossa relação...
- Como?
- Ah! Sei lá... fazendo amor com...
- Com o que?
- Com mais alguma pessoa... uma mulher... sei lá... o que você acha? Sabe não sou muito assim careta... sou um cara mais moderno...

Maria Luiza está espantada com a conversa do marido. Constrangida indaga.

- Você quer dizer... para transar com você e comigo?

Max procura diminuir o impacto de seu comentário.

- Bom, é apenas de vez em quando...uma espécie de aventura...tem muitos casais que fazem isso...

Lu surpresa com o marido.

- Maximiliano...nunca pensei nisso...em toda minha vida.

O marido toma coragem e continua.

- A gente podia tentar... você pode pensar nisso?

Maria Luiza sem graça diz.

- Vou ver...tentar pensar no assunto...mas, não estou muito entusiasmada.

Max a abraça e procura dormir, enquanto isso vai pensando.

- Bom, pelo menos vai pensar no assunto.

No sábado à noite.

- Lu, conheci uma garota muito bonita, o que acha da gente jantar juntos?
- Juntos...quem?
- Eu, você e ela.

Lu resolve ir com o marido. Estranhava o rumo que seu casamento ía tomando.

- Vamos então.

O casal se dirige a um restaurante na 405 norte. Em uma mesa está uma jovem de uns vinte e cinco anos, bonita e muito simpática. Max a apresenta.

- Esta é a Mary Anne, advogada. Mary, está é minha esposa Lu.

As duas jovens se cumprimentam com um aperto de mão. Sentam e pedem o jantar.

A conversa transcorre tranqüila. Mary Anne mora no plano piloto, trabalha no escritório do pai e leva uma vida parece muito boa. Maximiliano pede um vinho, depois outro e mais outro. Terminado o jantar vão todos para a casa de Maria Luiza.  Lu não é muito chegada em uma bebida e já está um pouco alegre. Max e as jovens tomam mais duas garafas de vinho, segundo ele guardadas para uma ocasião especial.

Quando Luiza percebe estão todos nus já na cama de casal. Sente que Max a abraça e ela corresponde, não entende, mas a situação a faz sentir-se meio sensual. Compreende que vai acontecer, ali, naquele momento e hora o que Max queria: um sexo a três.

Sente a boca da jovem sobre a sua, vê Max assistindo. Lembra de Linda e corresponde ao beijo da jovem. Seus lábios são macios...sente suas mãos em seus seios...

Lu sente seu corpo esquentar e se entrega à aquela novidade. Quando o dia amanhece os três estão deitados na cama ... despidos...

Maria Luiza vai tomar banho...meio constrangida...não se lembrava bem, mas, não achara ruim dormir com a jovem...com Max já estava acostumada. Sentia-se diferente.

Sai do Banheiro e Mary Anne entra para tomar sua ducha...a jovem tenta beijá-la e Lu recua evitando a carícia... Max finge que não vê...

Mary Anne vai para seu apartameno.

Max se aproxima procura evitar qualquer mal-entendido com a esposa...

- Amor, viu que não foi tão ruim assim...
- É não foi, mas, no momento, não penso em repetir...espero que entenda.
- Você é meio antiquada...
- Obrigada, e isso não se muda de um dia para o outro...além disso quando a gente se casou você nunca se referiu a esse assunto.
- É não me referi, mas, a gente não conversa tudo antes do casamento.
- É isso mesmo.

 

 

Cap. 9

 

Linda vai para casa pensando em Lu, no quanto ela estava bonita...no quanto continuava...bela... Entra em seu apto. tira a roupa e se joga na cama.

- Ela é uma hetero invicta...

Lindsay Wagner dorme... No outro dia  quando o seu celular toca, o número é desconhecido.

- Alô.
- É a Lindsay?
- Sim...
- Aqui é Michele.
- Ah! Você estava na festa da Raquel.
- Isso mesmo. Que tal a gente dá uma volta por aí,  para se conhecer melhor?
- Olha eu estou lendo uns livros porque vou participar de um congresso médico, sobre oftalmologia, se você quiser vir aqui, eu tiro um tempinho para lhe dar atenção.
- Que tal hoje à noite?
- Pode ser. Vou fazer um jantar bem leve: bife na grelha com arroz, salada e um vinho para acompanhar.
- Eu levo o vinho.
- Certo.
- Então até mais.
- Até.

O jantar está gostoso e o ambiente é propício para namorar um pouquinho. Michele está uma gata com uma saia preta e uma blusinha colorida. Já Linda veste uma camiseta folgada e um short por baixo, sem perder a feminilidade, está apenas um pouquinho esportiva.

Terminado o jantar vão saborear o vinho na sala e assistir um dvd com o filme indiano “Fire”. Abraçam-se enquanto assistem. Quando as protagonistas do filme se beijam, elas também se beijam. E quando elas se amassam...Lindsay e Michele...também. Após cerca de uma hora e meia de exibição o filme acaba com as duas heroínas dispostas a sobreviver com o seu sentimento...Linda e sua nova amiga vão para a cama...onde se despem e se amam.

Michele é uma garota muito agradável ...além de solteira e Linda também está disponível...e a noite se enche de ais inflamados e de gemidos abafados.

 

 

Cap. 10

 

A namorada de Semíramis, Missjane, volta...a jovem está cheia de problemas com a família...de cultura heterossexual...mas, volta para os braços de sua amada...viajou um pouco pela Europa. Sua mãe queria que ela descobrisse o que os europeus tem de bom e esquecesse Semíramis, que afinal não passava de uma mulher...segundo sua família o que duas iguais poderiam fazer em uma cama? A jovem responde.

- Muita coisa boa, vocês nem imaginam...por acaso tenho cara de infeliz?

Eles tiveram que dar a mão à palmatória.

- É...não.
- Não estou sempre sorrindo, satisfeita da vida?
- É...dá essa impressão.
- Pois sou feliz...e quero continuar sendo.

Semíramis está em seu escritório quando Missjane entra, as duas se beijam...

Maria Luiza entra e assiste a cena. A primeira vez que vira as duas se beijando foi quando flagrou  D. Semíramis com as mãos nos seios da jovem a  alguns anos atrás. Faz de conta que não vê. Vai para sua sala, pensa em Linda...Linda de uns tempos para cá estava sempre em seus pensamentos. Não sentira nojo em sair com Mary Anne, mas poderia ter sido com Linda.

Missjane vai embora. Semíramis entra e a encontra distraída.

- O que foi Maria Luiza.
- Nada, nada não... estou pensando... somente pensando...
- E como vai o casório?
- Vai bem...
- Bem mesmo ou...
- D. Semíramis, o Max me pediu para fazer amor a três...
- E você aceitou?
- Não muito... aconteceu...

Semíramis se espanta, pois parece que Lu não é do tipo liberal...

- E você achou bom?
- Não foi muito ruim... apenas não quero repetir... não é minha praia. Se eu quisesse sair com uma mulher não seria com ela.
- Seria com quem?
- Ah! Não posso falar... só não quero sair com alguém por alguns minutos de prazer.
- É isso aí.

Lindsay entra. Lu a olha com discrição. Olha todo seu corpo, de cima a baixo. Pensa.

- Que mulher...

Linda comenta.

- Ai, Semíramis, estou precisando de uma secretária... meu Deus onde vou arrumar? O congresso já vai começar...

Sorrindo ela responde.

- Minha amiga tenho uma secretária que pode trabalhar uns dias para você.
- É mesmo? E quem é?
- A Maria Luiza.

Lu fica calada... pensando sabe que seria uma ótima oportunidade... para ao menos conversar com Lindsay, espairecer um pouco. Linda indaga.

- O que você acha?

Lu responde.

- Quando começa o congresso?
- Amanhã à noite.
- Então estaremos lá amanhã à noite.

Semíramis sorri. Ao chegar em casa Max a beija e pergunta.

- Amor estou pensando em convidar Mary Anne para jantar com a gente, aqui, encomendamos o jantar para não lhe dar trabalho.
- Sinto muito, vou viajar a pedido de D. Semíramis, é com  a Lindsay, vou demorar uns três dias.
- Com aquela? Aquela que parece que é? E o que eu faço sem você nesses dias?
- O que você quiser...você não está preso,  a gente só se prende a alguém quando quer.
- Amor, você não está com ciúmes, está?

Lu pensa.
- Que convencido!
E responde.
- Não, fique à vontade.
- Sabe se você perder seu marido a culpa é sua, imagine me deixando sozinho com uma gata daquelas...
- Olha Max não sou chegada nessa de amor a três, portanto, faça o que achar melhor.
- Você está ofendida?
- Não, apenas não é minha praia.

Lu arruma as malas e vai se encontrar com Linda no aeroporto.

 

 

Cap. 11

 

O congresso médico está sendo realizado em um elegante hotel, melhor dizendo hotel cinco estrelas. Há médicos por todo lado. Linda e Maria Luiza sentam-se próximas. Lindsay fica olhando com discrição a mulherada presente.  Lu parece ler seu pensamento.

- Aqui tem mulher p'ra caramba! Quantas mulheres tem para um homem mesmo como se diz por aí?
-  Sei lá, acho que...não sei bem...mas, parece que tem mais mulheres que homens, sem descontar o número de gays...dizem as estatísticas...ah!, também tem que descontar as lésbicas...as estatísticas tem que caprichar mais um pouco...para que se tenha uma idéia da realidade...
- É mesmo.

Após intermináveis palestras o dia se finda e Maria Luiza e Lindsay vão jantar. Linda convida.

- Lu vamos dar uma esticada em algum bar gls, boate?

Maria Luiza concorda.

- Vamos, estamos aqui para, além do congresso, dar uma olhada...
- Olhada? Nos homens talvez...você é claro, o Max está deixando a desejar?

As duas jovens riem. Lu comenta.

- Não é bem isso é que vi que ficou olhando a mulherada, você não me engana.
- Olhei inocentemente...afinal para que tenho olhos...

As duas se dirigem a um conhecido bar da cidade de São Paulo.É final de semana e o bar está cheio de mulheres. Maria Luiza observa.

- Meu Deus, e ainda dizem que são poucas as mulheres lésbicas...

Lindsay comenta.

- Acho que as mulheres paulistas vieram me dar as boas vindas...
- Que convencida.

Lá no fundo do bar descobrem uma mesa vazia. As duas dirigem-se para lá. Linda pede uma bebida. Daí a pouco uma jovem convida Lu para dançar. Lu desconversa.

- Desculpe, vim só para dar uma olhada não estou a fim de dançar, aliás, sorte sua, pois não sou boa dançarina.

A jovem sem graça sai, mas antes, lhe lança um discreto galanteio.

- Deve ser só na  dança, porque no resta você é muito gostosa.

Lindsay sorri divertida, Maria Luiza fica sem graça. Linda se levanta da mesa e diz.

- Lu, vou tirar aquela menina para dançar, fique firme, aí, que já volto, tudo bem?

A jovem concorda.

De repente a garota que queria dançar com Maria Luiza se aproxima, de novo.

- Sua amiga foi dançar um pouco, sabe que pensei que estava mentindo quando disse que não sabia dançar, agora acredito, porque ela nunca ia deixar de dançar com você...
- Ela é prima de meu marido...somos amigas...
- Você quer dizer amantes?
- Não, amigas, se fosse amantes eu diria amantes.
- Percebo com clareza que não ficou apaixonada por mim à primeira vista, mas sou modesta e paciente, posso sentar-me?
- Sim, claro que pode.
- Como é seu nome?
- Maria Luiza e antes que me pergunte, sou casada e hetero...
- O que faz uma hetero, aqui?
- Estou acompanhando a Dra. Linda, sou uma espécie de secretária dela...
- A distinta Dra. é aquela que está se esfregando ali com aquela morena?
- Sim.

Lu se volta e vê Lindsay num discreto amasso com a morena.

- Bem, acho melhor sair de fininho...não quero incomodá-la...
- Não se preocupe, está tudo bem.

Linda retorna à mesa e a  jovem se afasta.

-  O que ela queria?
- Azarar...
- Ah!

Linda pede um petisco e mais bebida. Após algum tempo.

- Lu, quer dançar comigo?
- Não sei o que tenho hoje que todo mundo quer dançar comigo...

As duas jovens riem... Aproximam seus corpos e deslizam suavemente sob o romântico som da canção. Lu sente o perfume de Lindsay. Lindsay sente seu aroma. Quando a música acaba sentam-se à mesa e depois jogar um pouco de conversa fora decidem ir para o hotel.

Maria Luiza vai tomar um banho rápido pois no domingo tem mais palestras e é preciso se levantar cedo. Após tomar sua ducha Linda entra e vê Lu trocando de roupa.É uma bela gata, com as curvas no lugar.

- O que está olhando?
- O que o Carlos perdeu.
- Você acha que ele perdeu alguma coisa?
- Muito...muito mesmo...acho que ele não soube conservá-la...

Maria Luiza quer saber.

- Você saberia conservar?

Linda a olha de cima a baixo, seus seios seminus, as pernas torneadas...

- Olha, sei que foi um choque para ele, mas, não se deve deixar que o amor-próprio, ou melhor a burrice destrua um sentimento, o amor que havia entre vocês...
- Você não respondeu, saberia entender uma situação assim?

Lindsay responde com firmeza.

- Claro, quando a gente ama, a gente tem que saber entender...acho que ele amava mais a si mesmo...desculpe falar nisso.

Maria Luiza pede a Linda.

- Você quer dá um laço nesta camisola para mim?
- Claro que posso.

Lindsay se aproxima e surprêsa observa que os laços estão todos bem amarrados.

- Lu, estão todos amarrados.

Maria Luiza acha que Lindsay está muito linda em seu baby doll, meio transparente nos seios, eretos e bonitos. As duas se olham nos olhos, Linda pensa.

- Será? Não...não...

Levanta as mãos, examina os laços e estão todos, de fato, no lugar. Sente a mão de Lu sobre a sua, suavemente, guiando-a até os laços e com o auxílio de Lu, vê sua mão desfazendo um laço e depois o outro...e depois a camisola caída  aos  pés de Maria Luiza. Compreende o que ela quer. Sempre achara Lu uma gata e agora estavam ali somente as duas e a noite como uma cúmplice, colocando fogo e mais fogo, querendo que o mar pegue fogo, ou melhor, que duas mulheres peguem fogo e que se dane o amanhã.  Maria Luiza a abraça e Lindsay sente seus lábios delicados se juntarem aos seus. Não pensa mais, abre a boca e a beija com doçura e a seguir com paixão. Murmura.

- Lu, fique calma, serei delicada...

Em segundos tira sua calcinha e a leva para a cama. Depressa livra-se de suas próprias roupas.
Sente-se privilegiada por mostrar a uma mulher tão bonita, o que é que uma brasiliense tem. Passa as mãos pelo seu corpo e a acaricia docemente. Suga seus seios que estão duros de tesão. Mama com sofreguidão. Ouve gemidos escaparem de sua delicada boca e como música se espalharem pela noite. Após beijá-la todinha, vira-a de costas, deita-se sobre Maria Luiza e a cavalga como uma amazona apaixonada. Sente que uma espécie de febre se apodera do corpo de Lu e em si mesma observa  que algo corre  em sua veias como se fosse uma nitroglicerina indicando que vai haver um grande incêndio. Um incêndio que vai consumir seus corpos e talvez suas almas. Lindsay pressente que nesse incêndio poderá perder-se, não será mais dona de si. Sente um certo temor, mas prossegue, determinada. Finalmente seus corpos explodem como um rio que deságua no mar.

As jovens se abraçam apertado e se beijam, enquanto seus corações batem descompassados. E quando se acalmam Lu e Maria Luiza caem na realidade.

Lu:
- Lindsay, desculpe, acho que foi a bebida, não estou acostumada.
Linda.
- Sinto muito, também.

Após uma ducha, em separado, as duas vão dormir.

 

 

Cap. 12

 

A viagem de retorno a Brasília ocorre em completo silêncio. Lu e Lindsay, estão entregues a seus pensamentos, cada uma em seu universo. Na saída do aeroporto pegam um táxi e vão para suas residências.

Max abraça a esposa como um marido saudoso, mesmo assim Maria Luiza sente um perfume diferente em seu pescoço.

- Max, você tem um novo perfume.
- É, sabe que a Mary Anne esteve aqui? Perdoe-me amor, mas tivemos uma noite maravilhosa... acho que o perfume dela ficou em mim.

Lu nada diz.
- Porque está assim silenciosa? Aconteceu alguma coisa?
- Não, apenas estou cansada.
- Tudo bem. Sabe querida que convidei a Mary para vir sábado aqui?

Distraída ela indaga.
- Quem é essa Mary?
- A Mary Anne? Nossa amiga.
- Sua amiga. Ah! Não estou interessada, se você quiser dormir com ela, durma, mas eu não estou a fim.
- Querida, não seja ciumenta, não sei meu Deus porque toda mulher que vive comigo, é um poço de ciúme.

Lu não se contém.
- Fica frio, não é ciúme, sei que é difícil para você acreditar mas, não é ciúme, aliás, você é muito convencido.
- Tudo bem, então ela dorme comigo e se ela quiser trazer alguém, você é contra?
- Porque não vão a um motel? esse tipo de coisa não me interessa. Essa casa não é mais um lar e sim um meritrício.
- Você está muito careta. Não sei se isso me agrada.

Maria Luiza olha-o como se não o conhecesse e comenta.

- É bom a gente usar de sinceridade, isso não me agrada, jamais me passou pela cabeça. Não sou chegada a esse tipo de situação. Faça o que quiser. Não quero saber. Todavia, gostaria que não fosse aqui, nesta casa.
- Vamos fazer o seguinte: depois conversamos sobre isso, no próximo final de semana ela e eu vamos a um motel.

Lu se dirige ao banheiro, toma uma ducha e vai descansar um pouco da viagem. Lindsay liga para Semíramis.

- Si, o congresso foi bom, obrigada pelo empréstimo da secretária.
- De nada. E a mulherada de lá, tudo bem?
- Tudo bem.
- Saiu com alguma?
- Não, o tempo foi pouco, não tive tempo.
- Falou, então descansa, depois a gente conversa.
- Certo.

 

 

Cap. 13

 

Um mês após o congresso Linda na sacada de seu apartamento relembra a noite em que ela e Maria Luiza dormiram juntas, ou melhor, fizeram amor. Tinha sido uma coisa linda, inesquecível. Depois daquele dia não mais dormira com ninguém. Aquele ato enchera seu coração. Agora sua vida se restringia a antes e depois de Maria Luiza. Fora na empresa de Semíramis e ela estava lá. A cumprimentara e a observara  sem emoção, era como se nada tivesse acontecido. Por um acaso Max estava lá. Vira ele beijar Lu, apenas um selinho e ela, Lindsay, ficara lá olhando como uma idiota.

Sentira os olhos de Lu nos seus. Será que ela estava captando seu desapontamento? Dirigiu seu olhar para a parede, para a rua, ficou ali com os olhos parados. Ouviu alguém chamando longe, bem longe seu nome. Voltou-se, era ela.

- Linda, vou dizer a D. Semíramis que está aqui. Você está bem?

Gostaria de dizer:
- Não, não estou desde dia em que a tive em meus braços, algo me aconteceu, fiquei louca...só penso em nós duas...
Lindsay balança a cabeça.
- Sim, por favor.

Maria Luiza avisa a Semíramis que Lindsay está na empresa. Para Lu,  Linda estava muito discreta, distraída, mal a cumprimentara, certamente se esquecera de que haviam dormido juntas. Para piorar Max viera lembrá-la que Mary Anne fazia questão de sua presença. Mas, ela fora firme. Não estava interessada e acabou. Max queria porque queria que a esposa participasse da noitada. Ele decidiu que quando ela chegasse em casa resolveriam o assunto. Por fim fora embora. Lu estava descontente com o rumo que seu casamento estava tomando.
Ouve a porta abrir e Linda surge acompanhada de Semíramis. As duas se despedem com beijinhos no rosto. Lindsay faz um aceno para Maria Luiza e a vê entrar em um carro onde está uma jovem.

Lu reflete.
- É a vida continua, a fila anda.

Sente uma onda de tristeza invadir seu coração. Vê o carro se afastar e fica lá olhando o nada.
Aquela noite com Lindsay fora mágica. Sentiu seu cheiro, um perfume delicado. Após aquela noite tão romântica fizera amor com Max, por insistência dele, e se sentiu vazia, como se faltasse alguma coisa, o que seria? Certamente não amava Max, fora a solidão que a aproximara dele. Agora aquela estória de amor a três era demais para ela. Tinha que por um ponto final naquilo. Max estava de péssimo humor pois, ela não queria mais fazer amor, estava sempre indisposta com dor de cabeça. Tinha certeza que seu casamento chegara ao fim. Três anos e não tinha mais conserto. À noite diria a Maximiliano.

Max a princípio não aceitara o final do casamento. Por fim quis saber quem era o outro por quem estava sendo preterido. Não acreditou quando Lu disse que não havia outro. Finalmente arrumou suas coisas e foi para um hotel. Maria Luiza foi dormir em paz, apenas com a lembrança daquela doce noite em que ela e Lindsay haviam se amado.

Semíramis não acreditava que Lu e Max tivessem se separado.

- Lu, onde você vai arrumar um marido tão bom quanto Max?
- Não me leve a mal, mas acho que em qualquer esquina.

Semíramis ri.
- E agora mulher, você devia ter conduzido as coisas com calma, até afastá-lo do ménage.
- Sabe não deu certo e acabou. Não me arrependo.

Semíramis liga para Linda.
- Linda você não vai acreditar, sabe quem se separou do marido?
Lu protesta.
- Dona Semíramis!
- A Maria Luiza, imagine, apenas porque o homem queria fazer um ménage.

Lindsay responde.
- Você acha que ainda vão voltar a viver juntos?
- Não sei, pelo jeito é algo que não tem volta.
- Si, convide-me para ir aí, agora.

Semíramis se surpreende com o pedido da amiga.
- Por que?
- Por nada, talvez um dia você vá saber.
- Lindsay, queria falar com você, dá para fazer o favor de vir aqui, agora?

Linda sorrindo responde.
- Imediatamente.

Daí a instantes Lindsay aparece, com um belo visual. Semíramis sem entender nada, quer saber.

- Pode-se saber o motivo de tudo isso?
- Agora você vai sair e me deixar a sós com sua secretária, aliás, vai me pedir para ficar aqui.
- Não acredito que queira dar em cima dela, ela não é...deu para entender?
- Sabe que as mulheres depois dos trinta ficam mais corajosas para não dizerem desinibidas, quem sabe, não é?
- Você está pensando em cantar a Lu? Ficou louca, a Lu não é dessas coisas.
- Fica fria mulher, eu só quero trocar duas palavras com ela.
- E porque eu preciso sair?
- Porque sou sua amiga e estou lhe pedindo?
- Certo. É um assunto de família?
- Sim, é. Ela conhece alguma mulher na qual você esteja interessada?
- Sim.
- Ah! Então boa sorte.
- Obrigada.

Semíramis sai. Lindsay se aproxima de Maria Luiza.

- Lu, muito trabalho?
- Não, o de sempre.
- Soube que se separou do Max...
- É, não estava dando mais certo...
- Você tem outra pessoa em vista?
- Você quer dizer um outro namorado?
- É isso mesmo?
- Não, acho melhor dá um time.
- Ah! Sabe, é que estou pensando em ir em um outro congresso e como não tenho secretária  que possa ir comigo, pensei em você, você pode ir?

Maria Luiza pensa.
- Seria ótimo, nunca esqueci aquele congresso.
Mas diz.
- Não sei, é que ...
A voz de Lindsay sai num sussurro.
- É o que?
- Linda, eu nunca esqueci aquele congresso, já faz um mês, e não consigo esquecer.
- Gostou tanto assim das palestras?
- Não, quer dizer, gostei mesmo foi de uma palestra particular, do que aconteceu entre nós, lembra daquele bar gay, quando fomos para o hotel? Nunca mais esqueci...
E completa em um sussurro.
- É como se minha alma tivesse ficado  marcada...

Lindsay fica emocionada ao ouvi-la e comenta.
- Eu também nunca me esqueci, foi como se um encantamento tivesse caído sobre mim e me enfeitiçado...dia após dia, me lembrando daquilo...e quando ficamos juntas foi como eu tivesse subido ao sétimo céu...desculpe falar isso, talvez nem se lembre...

Maria Luiza responde.
- Lembro, só me lembro. Por isso não posso mais ir. Quero guardar esta lembrança comigo...com muito carinho.
Queria dizer.
- P’ra sempre...

Linda sente tristeza por ela não querer ir. Despede-se.

- De qualquer forma, obrigada Lu.
- De nada.

Lindsay sai muda da empresa de Semíramis. Lembra de ligar para ela e agradecer. Semíramis vai para sua empresa e chama Maria Luiza.

- Lu, aconteceu alguma coisa, aqui, em minha ausência?
- Não, nada.
- A Lindsay fez alguma coisa, disse algo, é que tudo parece tão estranho, aqui?
- Não, apenas me convidou para um congresso médico e eu disse que não poderia ir, é que estou meio ocupada.
- Ah! Tudo bem, se não pode ir não pode, acabou.

Liga para Lindsay.
- Linda, vai ter outro congresso médico.
- Não.
- Não? Falei com a Lu e ela disse que você falou sobre um congresso médico.
- Falei por falar.
- Certo, então porque a convidou?
- Semíramis, você é bem informada...
- É que fiquei preocupada.
- Si, estou meio apaixonada, quero dizer arriada de amores por sua secretária e como ela está sem marido resolvi tentar e não me dei bem.

A amiga lamenta.
- Sinto muito.
- Sabe que pensei que ela estava na minha? Talvez ela me balance desde a época do Carlos.
- Ah! Sabe amiga até que te dava uma força se fosse algo possível, mas, não quero que se iluda atoa.
- Obrigada por suas palavras de conforto. Espero sobreviver.
- Está certo, que tal a gente ir jantar amanhã?
- Está bom, a que horas?
- Ás 20:00 hs. Naquele restaurante de sempre.
- Certo.

Semíramis chama Maria Luiza.
- Lu, amanhã quero que vá jantar comigo, a Missjane precisou viajar e fico em casa, só pensando nela e, quero sair um pouco. Se eu disser que vou jantar com você, ela não se importa, sabe que é uma criatura inabalável em sua escolha.
- Espero que seja um elogio.
- Ah! Quero que capriche no visual, afinal lá pode estar cheio de solteiros procurando alguma dama.

Maria Luiza sorri.

 

 

Cap. 14

 

Maria Luiza se veste com capricho. Usa um vestido amarelo claro que contrasta com sua pele morena, bastante sexy. Semíramis já está sentada à mesa.

- Lu, você está arrasando mulher. Vamos aguardar um pouco pois, estou esperando uma pessoa. Fique tranqüila que você conhece bem. É a Lindsay.

Daí a instantes Linda chega. De calças jeans, blusinha leve e bem sexy branca. Em um visual despojado e cheio de charme.

- Boa noite.
Semíramis responde.
- Boa noite.
Lu.
- Olá.

Semíramis faz o pedido. Após o delicioso jantar Semíramis se despede.

- Gente, eu já vou. Lindsay, por favor, leve Maria Luiza para casa.

Linda compreende o empurrão da amiga e concorda imediatamente.

- Claro.

Depressa a amiga vai embora. A sobremesa chega. Lindsay pigarreia.

- Maria Luiza, eu peço desculpas por tê-la convidado para o congresso.
- Já achou quem fosse com você?
- Não, não é isso, é que o congresso, quero dizer, não vai haver nenhum congresso, eu só queria, queria pedir, quero dizer, queria ter uma oportunidade com você... é isso. Eu nunca esqueci aquela noite em que eu e você ...em que a gente...se amou...estou sozinha...sem ninguém...só pensando em você...a gente poderia se conhecer melhor, ir devagar...sempre te achei linda...não sei como o Carlos teve tanta sorte...

Maria Luiza ouve calada, parecia muda. Linda continua.

- Não, sei que não é acostumada com essas coisas, mas, se conseguiu viver com o Carlos tanto tempo...comigo vai ser sopa. Podíamos nos conhecer melhor...já nos conhecemos na cama...assim no dia a dia...não sou chegada em ménage.

Repentinamente ela comenta.
- D. Semíramis falou isso?
- Bom, ela não fez por mal. Eu gosto de você, só penso em você, não quero te assustar mas, acho que estou apaixonada...por favor, diga alguma coisa...diga ao  menos que quer experimentar alguma coisa diferente e esse algo diferente...sou eu...eu tenho paciência e espero.

Todavia, Lu permanece em   silêncio. Lindsay se desespera, mas, sem perder a calma, pede-lhe.

- Diga ao menos que não me quer, que não a procure mais,  e eu me esforçarei, somente para agradá-la...porque a amo...

Talvez aquele silêncio fosse uma resposta pensa. Então Lindsay se levanta, chama o garçom, paga a conta. Sente um nó na garganta. Prepara-se para sair.

Lu vê diante de si aqueles olhos suplicantes, meigos, sinceros. Compreende que o amor é uma coisa grandiosa, que pode se manifestar das mais diversas maneiras. Existe o amor de mãe, de pai, de irmã, entre amigos, o amor ao próximo e, também o amor por alguém do mesmo sexo. Como se a humanidade estivesse em desenvolvimento. As pessoas não compreendiam, mas a humanidade caminhava...

- Lindsay, sempre te achei linda, Linda é o nome certo para você. Às vezes a gente não conversava porque eu tinha medo de um dia ser uma mulher... como você, tinha medo da sociedade, e, em algumas ocasiões, até a evitei. Talvez minha intuição me dissesse que um dia eu seria assim... como você. E o medo das pessoas me travasse. E cada vez que te conheço mais te acho linda, por dentro, por fora. Naquela noite em que fizemos amor, ficou gravada em minha mente e minha alma. Aquele incêndio mudou minha vida...nunca mais quis saber de ninguém...eu também te amo...só quero sinceridade entre nós e nada de ménage...você sabe que  tenho dois filhos quase adolescentes e minha mãe...

Linda a envolve em um longo abraço, enquanto responde.
- Sim, claro que sei.

Ao se virar vê que o garçom as observa de perto. Ele se aproxima das jovens e diz.

- Senhoras, meus parabéns. É algum filme ou é de verdade.

Maria Luiza e Lindsay sorriem. Lu responde.

- É de verdade.

As duas jovens saem de mãos dadas do restaurante, entram no carro e se beijam. Semíramis observa Lu e Maria Luiza do estacionamento.

- Missjane, vamos comemorar mais uma união feliz.

 

 

Fim