Minhas paixões, muitas loucuras

Agatha Nit

 

 

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Capitulo XII

***Vanessa***

 

- Oi!
- Oi! O que aconteceu com você? Sumiu durante esses 4 meses, liguei pra você varias vezes.
- Desculpa Fabi, fiquei enrolada com o trabalho.
- Sei! Entra, o pessoal ta lá trás.

Já tinha passado 4 meses da besteira que eu fiz, evitei ao máximo minha prima. Mas dessa vez não tive como correr, era seu aniversário e eu sabia que a Tati estaria lá.

Chegamos no quintal, tinha umas mesas espalhadas, um palco improvisado e dois violões.

- Vai ter um show aqui?
- Invenção da Tati com a Andréia. A Tati voltou de uma viagem cheia de idéias e propôs sociedade à Andréia. Tão querendo transformar o “Affs”, de dia continua lanchonete e de noite um barzinho com música ao vivo.
- Legal – “Será que ela está aqui?”

Dei mais uma olhada pelo local, minha prima me chamou pra uma mesa no fundo, um pouco distante do palco. Foi começando a chegar gente. todos vinham e falavam com ela e ela não saia do meu lado, eu não estava entendo o por quê?

Estava distraída quando ela entrou toda sorridente, tinha 3 meses que eu não a via, linda. Meu coração disparou, minhas mãos ficaram geladas. De repente seus olhos encontraram os meus. Frios, eles estavam frios, não tinha aquele calor de quando me olhavam, pareciam que iria me despir. Senti uma lágrima cair, rapidamente sequei, mas minha prima percebeu.

- Ta tudo bem? – fiz que sim com a cabeça – Quer conversar? – concordei de novo dei um suspiro.
- Não sei por onde começar. – deixei outra lágrima cair.
- O que aconteceu entre vocês? - fez um carinho em meu rosto e o secou.
- Ela não contou?
- Não!
- Eu fiz uma besteira, e das grandes. – olhei pra ela um instante, ela estava rindo, conversando com uma morena. – Eu a perdi.
- Mas o que aconteceu?
- Eu a trai com a Flávia. E o pior; ela viu.
- Com a Flávia?
- Ela apareceu uns três dias antes do dia dos namorados, cheia de amor e carinho, falava coisas que nunca falou no tempo que estivemos juntas, disse que queria voltar, que me amava. – sequei outra lágrima que caia. – Fique balançada. No mesmo dia a Tati veio me dizendo que iria viajar logo e ficar uma semana fora. Nós discutimos, eu a mandei embora com raiva, mais de mim do que dela. Não conseguia me decidir entre Tati e Flávia. – minha prima não dizia nada apenas me olhava, então continuei:
- A Flávia veio me procurar nos dias que seguiram, eu estava completamente derretida pela forma como ela estava me tratando e deixei a Tati de lado. No dia dos namorados a Flávia me pegou no trabalho, me levou pra jantar sempre falando coisas que me deixavam nas nuvens. Fomos pro meu apartamento começamos a fazer amor. Foi quando a Tati entrou e viu tudo. – minha prima arregalou os olhos e pôs a mão na boca.

Aquele dia foi passando em minha mente, não consegui conter as lágrimas, ela me pegou pela mão e me levou pro banheiro. Lavei meu rosto e ficou me observando e resolveu falar.

- E onde está a Flávia agora?
- Ficamos mais um mês juntas, mas não deu certo. Ela voltou pra Curitiba
- E você como ficou nessa história?
- Apaixonada pela Tati.

Ela ficou me olhando. Voltamos pra festa, a Tati estava sentada no colo de um cara, ele abraçado a sua cintura, não estava entendo nada. Ela antes estava com uma morena, agora um homem.

- Quem é o cara? – perguntei olhando na direção deles
- Tem muita coisa que você perdeu nesses meses que você sumiu. – não entendi e ela continuou.
- De uns dois meses pra cá, acho que ela já ficou com a metade da torcida do flamengo. – arregalei os olhos; a Tati? – Agora como ela diz “deu mole to passando o rodo”, em uma dessas noites, ela encontrou o Edu “o namorado” os pais dos dois são amigos, mas não sabem que os dois são gays então pra família eles namoram, mas aqui fora cada um com o seu par.

Ela tinha se levantado, foi em direção ao palco pegou um violão; uma menina branquinha se juntou a ela e começaram a tocar. Ela estava realmente diferente, tava mais segura.

- Desde quando ela toca? – não sabia que ela tocava violão.
- Desde sempre!
- Mas ela nunca tocou quando estava comigo
- Lógico! Você só viviam nos amassos que nem dava tempo de nada. Você não leu nem o primeiro capitulo do “livro Tatiana”.
- Como assim.
- Essa menina já fez de tudo um pouco, balé, jazz, dança de salão, futebol, piano, violão, canto entre outras coisas, a mãe a obrigava a fazer isso tudo menos o futebol, esse ela fez por ela mesma.
- A parte do futebol eu sabia, mas o resto não.
- Você viu a moto que está lá na varanda? – fiz que sim com a cabeça – É dela.

Sorri. Me lembrei de um dia que ela foi me buscar no trabalho; estávamos conversando, de repente ela parou. Não estava entendo nada, uma moto grande passou do meu lado tomei um susto; ela ria e me disse que um dia iria comprar uma moto assim. Fui desperta do meu pensamento pela voz dela que começava a cantar.

Uma voz doce, suave. Olhei em sua direção acho que a música era pra mim, porque ela estava me olhando. Comecei a prestar atenção na letra.

Eu tava aqui tentando não pensar no seu sorriso
Mas me peguei sonhando com sua voz ao pé do ouvido
E te liguei
Me encontro tão ferida, mas te vejo aí também em carne viva
Será que não tem jeito?
Esse amor ainda nem nasceu direito pra morrer assim

Se você pudesse ter me ouvido um pouco mais
Se você tivesse tido calma pra esperar
Se você quisesse poderia reverter
Se você crescesse e então se desculpasse
Mas se você soubesse o quanto eu ainda te amo
É que eu não posso mais

Não vou voltar atrás
Raspe dos teus dedos minhas digitais
Não vou voltar atrás
Apague da cabeça, o meu nome, telefone, endereço
Não vou voltar atrás
Arranque do teu peito o meu amor cheio de defeitos

Me mata essa vontade de querer tomar você num gole só
Me Dói essa lembrança das suas mãos em minhas costas
Sob o sol da manhã
Você já me dizia: Conheço bem as suas expressões
Você já me sorria ao final de todas as minhas canções
Então por quê?


Não sabia o que fazer. A musica era realmente um recado pra mim, meu coração tava doendo, os olhos dela estavam tristes, o que doía mais ainda. Fique a observando tocar. Quando terminou ela se levantou e foi pra cozinha. Ali vi minha chance de falar com ela.

- Oi! – ela ainda estava de costas pegando uma cerveja.
- Oi. – disse se virando.

Não consegui dizer nada apenas fiquei olhando aqueles olhos que me fascinavam, ela ficou me olhando sem entender nada e ameaçou sair.

- Espera!

Segurei seu braço, ela só me olhou, depois pra minha mão em seu braço. Eu entendi, ela disse pra que eu nunca mais a tocasse. Soltei seu braço.

- Podemos conversar?
- Sobre o que? - disse séria, eu nunca a tinha visto assim.
- Eu... Eu.. Queria... Me desculpar... - foi só o que consegui dizer, porque ela me cortou.
- Não precisa se desculpar. Eu que tenho que te agradecer. – não entendi nada, ela completou. – No começo fiquei muito magoada com o que aconteceu, mas por outro lado foi bom porque foi com você que descobri que minha felicidade seria do lado de uma mulher e não de um homem. Sei que entre a gente não deu certo, sabia que você não era do tipo fiel. – queria dizer uma coisa, mas ela colocou um dedo nos meus lábios. – A Andréia me avisou sobre você, mas a paixão me cegou e eu mergulhei de cabeça nessa relação. - seus olhos estavam marejados.

Não sabia o que dizer, meus olhos também estavam cheios de lágrimas. O que mais queria nesse momento era beijá-la. Nesse momento entra a tal morena, foi até ela, beijou seus lábios e me olhou.

- Marina. Vanessa. Vanessa. Marina – ela disse nos apresentando.
- Prazer! – falei apertando sua mão
- O pessoal ta te esperando lá fora. – disse a morena, caminhando em direção a porta, ela fez que sim com a cabeça.
- Sua namorada? – perguntei.
- Não! Ficante. – é, realmente ela estava mudada; fria e direta no modo de falar. Não era mais aquela menina com um jeitinho sapeca. – Tenho que ir.
- Espera – puxei-a de volta, colei meu corpo no dela. Tinha que tentar alguma coisa não poderia perdê-la, a segurei pela nuca e a beijei com paixão e saudade. Para minha surpresa ela correspondeu, mas de um jeito diferente, parecia distante. O beijo terminou e ficamos nos olhando.

- Desculpa!
- Entre a gente não vai rolar mais. – disse, afastando uma mecha de cabelo que caia no meu rosto. – Não dá. O que a gente teve já passou. Agora o que posso te oferecer é a minha amizade. Se você quiser é lógico, nada mais do que isso.
 
Concordei com a cabeça ela me deu um beijo no rosto e saiu. Deixei as lágrimas caírem. Eu a perdi. Me despedi da Fabi e fui embora, não adiantaria ficar ali me torturando; ela jamais voltaria pra mim. O jeito era partir pra outra.