Mudando conceitos

Raphaela Cavalcanti

Contato: raphaelacavalcanti.ps@gmail.com

 

 

Traduzir página Web de:

 

 

Capítulo I - Tudo tem um início...

 

Lá estava eu: Perdida e sem rumo depois daquela cena... Era o fim! Como eu poderia me refugiar daquele sentimento devastador que se apoderava de mim? Eu o amei, ou ainda amava... Não sei... Mas ele escolheu o rumo dele... Casou-se com aquela que se dizia minha amiga... Mas eu não tinha por que chorar... Pra que chorar, se nada resolveria as coisas?...

Lúcio se casou.

Ele foi o único homem que me fez acreditar que Izabela era uma invenção de minha cabeça, que o que eu sentia por aquela menina era ilusão... Mas agora ele se casou... Casou-se e me deixou sem chão, sem ter como voltar a olhar para os olhos verdes de Izabela, minha melhor amiga que desde o primeiro olhar na faculdade, me fez perder o ar. Com aquele jeito imperativo, mas de uma doçura selvagem, me prendia toda a atenção das aulas... Eu sentia medo daquilo. Não podia estar sentindo aquilo, não da forma que sentia.

Era demais pra mim. Inaceitável admitir que o que eu sentia era amor. Inadmissível dizer que aquela sensação de torpor que eu tinha pelo toque dela, pelo perfume dela, era tesão. Não! Não podia admitir isso.

Izabela era minha amiga, trabalhávamos juntas na faculdade, formamos uma equipe de liderança entre os estudantes e estávamos juntas em todos os lugares. Eu não agüentava mais! Aquele perfume de enlouquecia, aquela boca me chamava para o beijo, mas ela nunca me perdoaria se eu tentasse alguma coisa...

 

 

Capítulo II - Tantas indiretas, aumentam as incertezas...

 

Os dias passavam rapidamente durante a semana e o final de semana me era um tormento, pois eu sabia que não veria aquele corpo, aqueles olhos, aquela boca até a segunda feira... Eu fazia de tudo para que Izabela me visse com os mesmos olhos que eu a via, mas parecia que nada que eu fizesse ou dissesse fazia ela me ver como uma mulher.

Eu tentava abordá-la de todas as maneiras, mas parecia que nada adiantava! Parecia que ela não queria ver que independente da maneira que eu agisse...

Com o passar do tempo, eu via que as atitudes de Izabela eram diferentes das demais... Ela tinha uma vida fora da faculdade, mas nunca contava nada e quando contava, eu algo diferente em suas palavras... A cada dia ficávamos mais amigas, mais íntimas, mas mesmo assim, eu não conseguia entender o que tinha de tão misterioso na vida de Izabela.

Passei a freqüentar a casa dela, uma conquista para mim, afinal de contas, ninguém havia conhecido sua família em tão pouco tempo quanto eu... A presença de Izabela me fazia sentir segura de tudo e de todos. Meus sentimentos não ficavam confusos ao lado dela. Meu corpo sim, gelava e ia a temperaturas magmáticas em questão de segundos, conforme o olhar sério dela se transformava em um delicioso sorriso ao me olhar...

Certo dia estávamos em seu quarto, eu a ensinava uma coisa qualquer no computador, quando ela chegou bem perto de meu ouvido e me falou que iríamos de moto para minha casa... No momento que senti sua respiração próxima de meu pescoço, com sua voz sussurrando próximo ao meu ouvido, senti o delicioso perfume de seu hálito em minhas narinas, saltei. Afastei-me dela como um coelho fugindo de seu predador com um olhar assustado... Sem pensar nas conseqüências, no que ela poderia pensar, indaguei com olhar de pavor:

- O que?! Vamos de moto?
- É, Rapha... Qual o problema nisso?... Eu sei guiar bem.
- É... Não é medo... É que... Bem, achei que a gente fosse de carro...
- Pensei que você não acharia ruim irmos com minha moto... A não ser que...
- A não ser que o que?
- ...a não ser que você tenha alergia a encostar em mulher...
- Como?!
- A não ser que você vá se apaixonar por mim quando sentir meu corpo no seu e quando for segurar em mim...
- Como é? – Eu estava sem reação... Parecia que ela lia meus pensamentos e ainda fazia piada, como se fosse a coisa mais normal do mundo... – De onde você tirou isso, Bela?
- Ah... Rapha, deixa de ser medrosa, tu vai comigo de moto até sua casa. Pense em como você é uma privilegiada... Vai poder andar pela cidade toda me abraçando sem dar pinta!

Meu Deus do céu!... Será que eu estava dando tanta bandeira assim que ela já havia percebido meus olhares decorando todos os seus movimentos, ou será que havia percebido como eu respirava todo o seu perfume no ar, como se apenas ele fornecesse o oxigênio necessário para manter viva?... Parecia que ela sabia o que eu pensava... Deus! Aquela mulher me conhecia mais que eu mesma... E não fazia nada para que eu me sentisse melhor!

Quando saíamos de casa, fomos surpreendidas pela mãe da Bela, que estranhou quando viu os capacetes em nossas mãos... Afinal, Bela nunca havia levado ninguém para andar de moto com ela a não ser sua irmã e uma amiga de infância, dizia que ninguém tinha o direito de ficar se aproveitando dela e ria...

Mas fomos de moto mesmo assim... Logo nos primeiros metros, Bela parou a moto, se virou pra mim e falou:
- Porra, Rapha! Dá pra você se segurar firme em mim senão eu não tenho estabilidade e segurança na direção?
- Mas eu to segurando, Bela...
- Então larga da minha cintura e segura assim, ó! – Disse isso e puxou minhas mãos pra frente, me fazendo abraçá-la forte, envolvendo-a por inteira com um abraço em sua cintura... – Isso, agora segura assim que aí eu sinto só um corpo sobre a moto.

E fomos... Eu imóvel, claro. Não conseguia me sentir à vontade de segurá-la daquela forma, parecia que eu estava me aproveitando de uma pessoa inocente... Ela era apenas minha amiga, estava sendo simpática me levando pra casa e eu estava ali, me aproveitando para colar meu corpo no dela.

Eu sentia meu corpo ardendo de prazer ao sentir o calor que vinha dela, a cada movimento de seu corpo no trânsito, desviando dos carros, sentia suas costas colarem e roçarem em meus seios, sentia seu quadril se aproximar de meu sexo, me sentia em êxtase quando fui acordada do sonho por uma freada...

- Rapha! Eu sei que você está com medo, mas não me sufoca, não aperta minha barriga, quando eu falei pra você abraçar assim, não era pra ficar com a mão apertando minha barriga, relaxa... Faz pressão mais embaixo que melhora pra mim...
- Mais embaixo?!
- Hahahaha... Calma! – Ela ria da minha expressão – Segura aqui, ó... Mas não se acostuma não, viu?... Não vai achando que é área livre pra você.

E colocou minhas mãos onde eu tanto queria, quase se encostando àquele monte delicioso que se sobressaía em suas calças justinhas... Eu suava frio... Minhas mãos pareciam que iam derreter com o calor que aquele lugar tão desejado liberava... Era uma química silenciosa, algo que ninguém percebia, mas eu sentia que estava estampado em minhas reações o sentimento que fluía de minha pele...

Foi quando senti minha mão tão molhada que mudei meu apoio para as coxas de minha amada... Quando segurei firme em suas pernas, senti uma respiração forte invadir o corpo da Bela... Senti o movimento de seus pulmões em meus seios e seu quadril se encaixando melhor por entre minhas pernas... Na próxima parada, Belinha virou-se para mim com uma cara sacana e disse:
- Ah... Você está ganhando confiança, é?
- É que minha mão estava dormente, achei melhor segurar em sua coxa...
- Ah é melhor?!... Então se você já está segura em mim, então agora vamos começar a brincadeira...

Ela arrebitou bem a bundinha, colando suas costas inteiras em mim e acelerou a moto de uma forma que me fez praticamente deitar sobre ela e me agarrar em suas coxas... Quanto mais ela acelerava, mais eu apertava minhas unhas em suas pernas e quanto mais eu fazia isso, mais ela colava sua bundinha em mim...

Chegou o momento em que eu não agüentava mais aquilo tudo, já tinha perdido totalmente os sentidos, a linha de pensamento lógico que eu tinha se baseava em arrancar aquela mulher daquela moto, virá-la de frente para mim e possuí-la por inteira... Nossos corpos estavam ardendo de tesão, a cada curva, a cada movimento de nossos corpos, sentíamos que perderíamos os sentidos... Eu não agüentava mais sentir aquela bundinha roçar em mim só de vez em quando... Não agüentei, no momento em que paramos em um sinal e senti ela se afastar um pouco, no lugar de aliviar minhas mãos, segurei-a mais intensamente, ajeitei meu corpo esfregando meus seios mais intensamente e dando uma reboladinha ao me ajeitar bem junto ao corpo dela...

Senti que ela estremeceu inteira quando fiz isso... Nossos corpos estavam em uma sintonia perfeita, não precisávamos de palavras para nos explicar, eles falavam por si próprios... Meu corpo buscava o calor daquele corpo e o dela buscava mais prazer a cada movimento... Ela me deixava à vontade para satisfazê-la, a cada avanço de meu corpo, eu sentia ela se entregar mais, percebi então que nossa rota estava demorando a acabar, ela fazia voltas imensas, pegava caminhos longos... O trajeto que demoraria 15 minutos, já estava em mais de meia hora... Quando dei por mim, estávamos andando praticamente em círculos, por ruas residenciais... As ruas movimentadas estavam longe de nossa rota e a noite começava a cair deixando aquelas ruas cada vez mais privativas... Ela respondia a cada novo toque meu, foi quando eu não tive dúvida, parei de segurar em sua perna, eu precisava ter certeza de que ela realmente estava em sintonia comigo... Soltei de sua perna e segurei novamente em sua cintura...

Foi quando a senti tensa... Estava tensa e com tanto tesão que quase me jogou da moto com a intensidade que colou sua bundinha em mim... Colou em mim e começou a se esfregar sem pudor algum... Aquilo me levou às alturas! Não tive mais dúvida alguma, comecei a acariciar seu ventre, onde minhas mãos estavam e a puxei contra mim, a senti entregue ao meu abraço... Minhas mãos tomaram seus próprios caminhos, abrindo sua jaqueta por completo e procurando seus seios... Ah... Aqueles seios estavam rijos de tesão, ao sentir o suspiro dela, vi que aquela mulher era minha e naquele instante desci minha outra mão até o sexo dela... Estava quente, acariciei por cima da calça e senti ela não agüentar mais de prazer. Quando apertei ele com mais força, ela derrapou a moto em uma freada brusca... Estávamos em frente a uma pracinha, uma pracinha abandonada, sem nada à nossa volta. Quando percebi que paramos, saltei da moto e arranquei o capacete, joguei-o na grama com um fúria inexplicável, arranquei o capacete de Belinha e olhei com raiva pra ela... Foi quando comecei a falar...

- Você ta pensando o que, hein? – Ela havia parado a moto e agora descia dela sem saber o que fazer...
- Como assim?
- Você pega o trajeto menos movimentado e mais longo possível, vem se esfregando feito um bicho no cio em mim e estaciona em um lugar desses que nunca vai aparecer ninguém e se aparecer, nunca vai nos notar?!
- Sabe, Rapha, foi proposital...
- Proposital, Izabela?!... Pra que?
- Porque eu acho que tem muito da minha vida que você precisa saber, nossa amizade está tomando proporções tão grandes que eu preciso ter uma conversa franca com você, senão vou me achar uma aproveitadora com você... Não é justo o que estou fazendo...
- O que não é justo, Izabela? – Eu estava irritada e já perdia a entonação da voz, estava tomada pelo tesão que ela me causara...

Izabela respirou fundo, olhou para o chão como sempre fazia quando estava prestes a contar algo que ela não queria contar e falou:

- É que eu não agüento mais ter que conviver com você!
- Como? – Perdi toda a coragem, me desarmei inteira...
- Você está me deixando louca sem ter culpa alguma! Você me deixa enlouquecida de tesão! Cada movimento seu me faz quase desfalecer. Não agüento mais ter de esconder isso. Não agüento mais seu corpo encostando-se ao meu, perdi a razão, por isso parei a moto. Perdi totalmente a noção de que você é hetero e pensei apenas em mim! Desculpa, eu entendo você não querer mais olhar para minha cara, fui nojenta, pode ir... Vai. Você tem toda a razão de sentir raiva do que eu fiz, não perguntei nada sobre você, pensei em mim e...
- Cala a boca, Izabela!
- Desculpa, Rapha...
- Pára de falar, caralho!
- Ta... Você tem o direito de não querer mais me ouvir...
- É... Não quero mais te ouvir.

Puxei-a para junto de mim e a invadi com um beijo cheio de tesão, ela se assustou e se afastou... segurei em seu cabelo e apenas falei em tom autoritário: “Mandei calar a boca, não quero uma palavra tua. Eu não deixo nada sem terminar, Izabela.” Ela não entendeu, mas não teve tempo de falar ou indagar coisa alguma, a invadi com um beijo delicioso, sentia que nossos corpos iriam se atravessar de tanto que estávamos juntas, coladas...

 

 

Capítulo III - Finalmente juntas!

 

Izabela estava ali deliciosa, por mais que imaginasse que ela seria gostosa, jamais imaginava que seria assim, tão excitante... Estávamos em um êxtase tão grande que esquecemos de nossa amizade tão recalcada, tão cheia de limites, impostos por nós mesmas com medo de uma descobrir do sentimento da outra... Estávamos entregues aos nossos desejos, nos descobrindo, mesmo já nos conhecendo tão bem...

Nosso beijo era intenso, profundo. Minha boca estava sedenta dela, eu precisava dela e sentia que o mesmo ocorria com ela. A cada abraço meu, sentia o corpo dela mais vulnerável ao meu toque. Comecei a invadir seu corpo, não agüentava mais tocar suas costas pela camisa, precisava de pele... E quando comecei a passar minha mão por baixo da blusa dela, fui surpreendida por ela, que arrancou sua jaqueta e desprendeu toda a blusa da calça... Suas costas suavam, estavam deliciosamente quentes, ela me puxava ao seu encontro, como se nossos corpos implorassem para que o tornássemos apenas um. Num impulso louco, a deitei no chão, ainda sobre sua jaqueta, nesse momento pude analisar seu rosto rubro, sua respiração ofegante, seu olhar ainda sem entender direito o que estava acontecendo entre a gente... Falei:

- Iza, você me enlouquece, sabia?... Não consigo mais me controlar, você me faz perder a cabeça!
- Eu não agüentava mais ter de conviver com você, com esse teu cheiro, tendo que olhar pra essa boca, sem poder beijá-la... – E me beijou delicadamente, suspirando fundo...
- Então quer dizer que você também sentia isso? Eu achava que quando você se afastava de mim, era porque eu tinha dado muita bandeira...
- Você dava bandeira? Eu me afastava porque eu dava bandeira e tinha medo de você notar...
- Tá Iza, acho que não vamos a lugar algum com essa conversa, né?...
- É... Posso pedir uma coisa?
- Claro.
- Me beija. Eu sou tua.
- Hummm... Não fala assim que eu não de solto mais, hein...

E a beijei... Um beijo delicado. Parece que eu conhecia aquela boca há tempos... Eu não acreditava que estava acontecendo aquilo... Eu estava com a mulher que eu mais amava, deitada sobre ela, ela estava totalmente entregue a mim... Comecei a beijar seu pescoço, descendo meus lábios mais e mais... Ergui sua blusa e pude admirar seu tronco, branco como o algodão, macio como um veludo... Seus seios eram perfeitos, mais lindos do que eu os imaginava e estavam chamando por meus lábios... Quando os beijei, senti toda sua pele estremecer de tesão, ela começou a respirar mais forte, como se pedisse que eu a tomasse por completo...

Comecei a acariciar seu ventre e deslizei por sua virilha... Ela estremeceu inteira e se abriu para mim... Desabotoei sua calça e pude sentir o calor vindo de seu sexo, que pulsava por meus toques... Parei de beijá-la e olhei em seus olhos, fechados de prazer, eles se abriram e então pude notar que ela era toda minha, estava entregue... Eu não precisava de palavras, ela me dizia o que fazer com seu olhar... Tirei sua calça a ponto de poder abri-la, me pus em cima dela novamente e nos beijamos... Eu sentia ela ir ao êxtase a cada vez que nós roçávamos, ela estava deliciosa, me abraçava e prendia seu rosto em meu pescoço, ora me beijando, ora sem forças para isso... Em meio a um beijo, coloquei meus dedos entre nossas bocas, fazendo com que ela o beijasse também, ofereci meu dedo a ela e ela o mordeu, beijou, o deixou suficientemente molhado, delicioso... Coloquei meu dedo em minha boca e fiz o mesmo, tirando ele e comecei a beijá-la novamente... Foi quando a abri com minhas pernas e comecei a tocar seu grelinho com meu dedo úmido... Ela estava deliciosamente molhada para mim, quase me engoliu quando me sentiu tocar seu clitólis, ela sugava minha língua com uma voracidade igual à que queria que eu a tocasse... Comecei por fora, brincando por entre as curvinhas de seu sexo, quando ela não agüentava mais e pediu para que eu a comesse, meti dois de meus dedos dentro dela e comecei a mexer, no começo devagar, depois mais intensamente, ela não agüentava mais de tesão, quando tirei meus dedos dela e comecei a tocar seu grelinho inchado e ela explodiu em um gozo maravilhoso, puxando meu cabelo e fincando suas unhas em minhas costas... Ela estava sem fôlego, quase desfalecida em meus braços, quando recomecei a beijá-la... Desci meus lábios até seu ventre, percorri com minha língua por sua barriga, virilha, até que encontrei o mais saboroso de todos os néctares que eu havia provado até então... Nossa, nunca pude imaginar que ela teria um gosto tão delicioso assim... Era demais... Quanto mais eu a chupava, mais sedenta daquele néctar eu ficava... Comecei a chupá-la e a comê-la ao mesmo tempo, vi que ela estava próxima do gozo e aumentei meus movimentos, ela não suportou mais e gozou em minha boca... Um gozo delicioso, com um gosto de prazer em meus lábios que eu não sabia explicar... Era tudo mágico ali... Nós estávamos entregues uma à outra, realizando tudo o que mais queríamos desde que nos conhecemos... Era demais... Era tão maravilhoso que nos parecia sonho...

 

 

Capítulo IV – Amantes

 

Era demais pra mim. Eu tinha acabado de fazer amor com a pessoa que eu mais temia, eu tinha medo de mim mesma até então... Medo do que eu poderia me tornar se me entregasse a esse sentimento devastador, no entanto, estava ali, entregue, com o gosto dela em meus lábios, sedenta por seu prazer... Eu nunca havia pensado no prazer de outra pessoa, senão o meu próprio até então, mas ali, o meu prazer era ver ela gozar pra mim. E como ela era linda gozando... Sua face ficava rubra feito o mais lindo botão de rosa, suas expressões de prazer me entorpeciam, me faziam esquecer todas as minhas preocupações, todos os meus medos... Ela se entregou por completo para mim. Depois do gozo, me abraçou sem força, quase desfalecida, olhou profundamente em meus olhos, sorriu... Jamais havia visto aquele sorriso dela. Ela sempre desviara o olhar quando sorria pra mim, nunca pude ver os olhos dela diretamente nos meus, ate mesmo porque eu também sempre desviei meus olhos, mas ali ela me olhava e eu lia em seu olhar todo o amor que ela tinha... Deus! Se eu tivesse visto aquele olhar em outro momento, não teria acumulado tanto medo dentro de mim. Tanto medo de amar aquela mulher, aquela menina que eu transformara em uma mulher maravilhosa. Ela me olhava, decorava meu rosto com a ponta de seus dedos e num suspiro, me abraçando forte, me disse: “Nunca mais me deixa ficar com medo dos seus olhos, Rapha.”. A abracei forte, beijei sua testa e falei “Não, Iza, você nunca mais terá medo deles, assim como eu nunca mais terei medo de me perder no verde dos seus...”. E nos beijamos... Seu beijo era macio, sugava meus lábios de uma maneira tão pura, tão apaixonada que eu poderia ficar eternamente ali, deitada na grama, sobre uma jaqueta de couro, com capacetes e mochila jogados em volta, sem ter medo de nada. Izabela era minha. Seu corpo e sua alma pertenciam a mim. Quando demos conta do horário, já estávamos ali há quase duas horas e só nos demos conta que havia um mundo ao nosso redor, quando o celular da Iza tocou e era minha mãe. Iza, que era sempre muito simpática com minha mãe, disse que havia me raptado, que tínhamos ido passear de moto e acabamos ficando pra ver o início da noite em uma praça, perguntou a minha mãe se ela se importaria que eu passasse a noite com ela, visto que já estava noite para ficar rodando sozinha de moto, minha mãe consentiu, Iza ligou para sua casa e avisou que passaríamos a noite fora.

 

 

Capítulo V - A noite de amor

 

Iza se vestiu novamente, seu corpo era lindo. Ela se arrumava e me olhava com um olhar terno, a cada minuto me dava um beijo, minha vontade era de recomeçar o amor novamente, mas não podíamos, já era tarde e precisávamos ir... Teríamos a noite inteira para conversarmos. E tínhamos muito a conversar, só não sei se conseguiríamos... Iza me perguntou se eu me importava em passar a noite na casa de umas amigas dela, que ela vivia escondendo de mim, disse que não tinha problema, que eu queria apenas poder estar com ela sem medo... Subimos na moto e fomos para o outro lado da cidade. Dessa vez eu não tinha mais medo de abraçá-la, passávamos pelo meio dos carros, brincávamos, eu abraçava seu ventre, sentia seu perfume, passava minhas mãos pelas suas pernas, era tudo delicioso. Quando parávamos a moto nos sinais, Iza segurava minha mão, ora as acariciava com as mãos, ora levava até seus lábios e as beijava... Como era bom sentir o calor dos lábios de Iza em meus dedos... Chegamos na casa de Carol tarde, conversamos um pouco, ainda sem dar muita pinta, apesar de Carol também ser entendida e saber que Iza tinha neuras a respeito de sua sexualidade e supria um amor platônico por uma amiga da faculdade, conversamos e Iza me apresentou como a amiga de faculdade, Carol a olhou com um olhar de espanto, mas disfarçou, Iza perguntou se podíamos passar a noite ali, pois precisávamos conversar um pouco, Carol ficou meio perdida, disse que só havia um quarto com cama de casal, Iza disse que não teria problemas, que iríamos conversar a maior parte do tempo, não teríamos tempo de dormir. Carol estava preocupada, chamou Iza em um canto pra aconselhá-la a ter calma, mas Iza apenas riu e disse que estava tudo sobre controle, que estava apenas precisando conversar comigo. Fomos para o quarto, sentei na cama enquanto Carol falava com Iza, quando Carol foi dormir, Iza fechou a porta com a chave, ligou o rádio baixinho, tocava Ana Carolina baixinho, ela pulou em cima da cama e disse que sempre lembrava de mim quando ouvia aquela música e eu por outro lado já havia passado madrugada conversando com Iza na Internet ao som de Ana Carolina, muitas vezes chorando ao ouvi-la falar do menino que ela gostava... Quando falei isso pra ela, ela disse que não existia menino nenhum, que tudo o que ela falava era de mim, que ela sentia tudo aquilo por mim, mas não tinha coragem de falar... Ficamos mudas, nossos olhos conversavam sozinhos, sem depender de nossos corpos, nossas mãos se tocaram, nossos braços nos envolveram, as mãos começaram a percorrer nossos corpos com uma fúria incontrolável, nossas bocas pareciam dois animais com vontade própria, parecendo que íamos nos engolir de desejo. Arranquei sua jaqueta, coloquei minha mão pela sua blusa e desabotoei seu sutian, tendo seus seios todos em minhas mãos, ela começava a suspirar, a respirar de uma forma tão ofegante que me enlouquecia. Paramos de nos beijar, ela me olhou nos olhos com um sorriso malicioso que eu nunca tinha visto antes, tirou sua camiseta sem desviar seus olhos dos meus. Fiquei paralisada, ela era linda, uma alvura maravilhosa, os seios durinhos, lindos, aqueles biquinhos rosados, durinhos de tesão, me deixava louca... Ela tirou seus tênis, abriu sua calça e começou a abaixá-la bem de frente pra mim, como se oferecesse seu corpo inteiro para eu a possuir. Não agüentei, tirei minha camiseta e meu sutian, arremessei longe meu tênis, puxei-a para cima de mim na cama, e rolei por cima dela. Comecei a beijar cada pedaço de seu corpo, ora beijava, ora lambia, seus seios era deliciosos e seus gemidos, faziam eu ficar mais excitada a cada momento. Eu não agüentava mais, precisava dela, precisava tê-la, precisava de seu prazer, de seu gosto em mim, de seu gemido, de seus gritos, de sua respiração, de seus arranhões, mordidas, precisava dela naquele momento... Entrei com minha mão por sua calcinha, ela estava deliciosamente molhada, meus dedos escorregavam quase sem alcançar sua pele, tamanho era seu tesão, tirei sua calcinha, deixei-a nua pra mim, ela ali, deitada nua só pra mim, tirei minha calça, fiquei apenas de calcinha sobre ela, roçando meu sexo no dela, ela me molhava com seu líquido, aquilo me excitava muito, era delicioso sentir minha coxa inteira molhada pelo tesão dela, ela começou a me puxar mais para perto de si, arranhava minhas costas a cada movimento que eu fazia, mordia meu ombro, ora com força, ora sem força alguma, ela dizia coisas sem sentido, que me deixavam louca, beijava minha orelha com um beijo molhado, que me fazia sentir meu líquido jorrando de mim. Senti que ela estava no auge da excitação, que poderia gozar em minha coxa até, mas eu queria vê-la gozar forte, me afastei, recomeçando a beijar seus seios, dessa vez mais intensamente, em certo momento, mordi com força e ela deu um gemido delicioso, implorando que eu a comesse... Desci até sua bocetinha e estava molhada, tomei aquele líquido com uma sede insaciável, mas antes de penetrá-la, a coloquei de quatro para mim, primeiro beijei suas costas e bumbum, então comecei a roçar meu sexo contra ela. Quando ela não agüentava mais, a penetrei com dois de meus dedos molhados por ela mesma. Comecei a movimentar meus dedos e me esfregar nela, com uma mão eu a comia, com a outra, segurava seus cabelos, a ponto que eu pudesse ver cada expressão de prazer e como ela gemia, gemia e rebolava em minha mão, como se fosse enlouquecer de prazer. Estávamos entregues ao nosso prazer. Os movimentos dela pareciam saber cada ponto do meu corpo para me dar prazer, me vi próxima ao gozo quando ela começou a gemer mais forte e mexer mais enlouquecida em mim, foi nesse momento que explodimos juntas em um gozo delicioso... Eu e ela gozamos, um gozo forte, intenso, delicioso! Ficamos exaustas, fora tudo muito intenso. Deitei ao seu lado e ela deitou sua cabeça em meu braço, me abraçou forte e pude sentir seu coração bater rápido, ainda se recompondo do gozo. Ficamos assim por alguns momentos, quando ela levantou sua cabeça, me olhou no fundo dos olhos e disse: “Eu te amo, Rapha. Nunca pensei que sentiria algo tão maravilhoso assim com alguém. Você me fez ir ao céu, me fez sair de mim, me entregar inteira a você. Só com você eu sou assim. Eu sou tua, meu amor. Eu te amo!”. Com os olhos marejados, sorri e respondi apenas: “Nada vai nos separar, meu amor. Eu amo você e agora somos uma pessoa apenas.”. E nos beijamos em um beijo apaixonado. Um beijo onde podíamos sentir nossas almas se tocarem, se unirem em uma apenas. Não precisávamos mais de palavras. Sabíamos que tudo entre nós era recíproco, nossas vontades, sonhos, desejos... Eu não precisava dizer o que sentia desde nosso primeiro encontro, pois agora sabia que o mesmo acontecera com ela. Não precisávamos de palavras, nossas almas conversavam através de nossos olhos e do encontro dos nossos lábios. Eram quase quatro da manhã e ainda estávamos ali, nuas sobre a cama, abraçadas, trocando olhares e beijos, quando resolvemos tomar um banho, o calor era quase insuportável, não sabíamos se suávamos de amor, ou se realmente estava calor... Entramos no chuveiro abraçadas, tomamos banho juntas, ela era linda e eu percorria com minha mão por todo o seu corpo alvo, beijava cada pedacinho dela sobre a água... Como desejava aquela mulher, mas era um desejo diferente de todos, era como se de fato, ela fizesse parte de mim... Tomamos banho e voltamos para a cama, onde adormecemos nuas, abraçadas, entrelaçadas e apaixonadas, uma sentindo a respiração da outra, com os lábios quase colados...

 

 

Capítulo VI - O amanhecer...

 

Acordei com o brilho do sol que entrava pelas frestas da cortina, Izabela ainda dormia em meus braços, feito um anjo, linda com os lábios semi-abertos. Era a visão mais angelical que eu já tinha visto em minha vida. Passei minha mão pela sua cintura e a abracei, dei um delicado beijo em seu lábio e voltei a repousar minha testa junto dela, seu perfume era delicioso, era inacreditável ver como ela era minha naquele momento, ela estava toda entregue a mim, éramos apenas uma naquele instante. Fiquei admirando seu rosto até que o vi se contraindo, ela despertava de uma maneira linda, que me fazia ficar mais apaixonada a cada movimento. Antes mesmo de ela abrir os olhos, ela se mexeu, colou seu corpo em mim, me abraçou mais forte e continuou dormindo, em alguns segundos, a vi abrir seus olhos, mas não olhou para meu rosto, apenas olhou para meu seio, suspirou como se respirasse mais forte, sorriu, me abraçou forte, olhou em meus olhos sorrindo e me beijou, um beijo delicioso, ainda com sono, a abracei e começamos a nos beijar silenciosamente, sem palavras. Quanto mais nos beijávamos, mais algo dentro de nós aumentava, era uma necessidade de amar, uma necessidade de sentirmos que éramos apenas uma. Sem pronunciarmos palavra alguma, sentíamos nossos corpos começarem a queimar de paixão e nosso beijo se intensificar a cada movimento. Nossas línguas se entrelaçavam e ela começava a sugá-la de uma forma que me chamava para possuí-la. Ela estava deitada sobre mim, começando aqueles movimentos que me enlouqueciam cada vez mais, eu podia senti-la molhada, quente sobre minha coxa e o mesmo ela sentia quando encostava em mim. O primeiro barulho que ouvimos aquela manhã foi o de nossas respirações começando a ficarem ofegantes com a dança de nossos corpos, as primeiras palavras pronunciadas, foram em meio a gemidos, enquanto ela puxava meus cabelos, apertando mais seu corpo contra o meu e gemia dizendo que me amava. Nosso olhar mais demorado foi o que trocamos quando gozávamos juntas, um olhar apaixonado que dizia tudo o que não tínhamos fôlego para falar. Depois de fazermos amor, Iza continuou deitada sobre mim, beijando meu pescoço, seios e deitando sobre eles. Era maravilhoso sentir o peso dela sobre mim. Parecia que só ali eu estava completa, antes parecia que havia um vazio em mim, mas Iza completou esse vazio.

Já era hora de levantarmos, ouvíamos Carol pela casa... Tomamos banho juntas, fizemos amor embaixo d’água, nos amamos sem pressa, sentíamos a água tentar entrar no meio de nosso beijo, era delicioso. Como eu estava feliz! Saímos do quarto tão felizes, que Carol só conseguiu dizer: “Bom dia meninas. Conseguiram conversar?”, nosso sorriso e nosso olhar respondeu todas as perguntas que ela não tinha feito. Iza passou a mão em minha perna, sorriu me olhando no fundo dos meus olhos e disse: “Conversamos, sim Ca. Tivemos a conversa mais linda de nossas vidas...”. Carol sorriu e disse que estava estampada em nossos olhos a felicidade que estávamos sentindo. E meu coração concordava com isso, não deixava eu tentar disfarçar toda a paixão que eu sentia por Iza e eu não queria disfarçar, queria gritar para o mundo que amava aquela mulher.

 

 

Capítulo VII - A declaração

 

Enquanto tomávamos café, Iza começou a rir do jeito de Carol, ela estava inquieta, curiosa, mas não conseguia perguntar as coisas... Então Iza começou a contar tudo o que aconteceu desde a noite anterior. Carol não acreditava que tínhamos feito tanta loucura, que começamos algo sem ao menos sabermos uma da outra, mas disse ter ficado feliz por termos encontrado um sentimento recíproco. Não conseguíamos esconder o sorriso, estávamos, sem dúvida, vivendo o maior e melhor momento de felicidade de nossas vidas... Eu e Iza tínhamos aula e resolvemos ir para a faculdade. Sabíamos que seria praticamente impossível prestarmos atenção nas aulas depois dos acontecimentos das últimas horas, mas mesmo assim precisávamos ir para a aula. Subimos na moto e fomos pra faculdade. Chegando lá já fomos abordadas por algumas meninas, que estavam atrás de nós para terminarmos um trabalho, havíamos nos esquecido totalmente do trabalho, nos perguntaram onde passamos a noite, pois ligaram para nossas casas e as respostas foram: “A Rapha está com a Iza...” a “A Iza está com a Rapha...” e os celulares estavam desligados... Enquanto Iza tirava o capacete e eu me arrumava pra descer da moto, Iza apenas disse:

- Ora, meninas, eu e a Rapha resolvemos dar uma volta ontem à noite pra espairecer, ficamos fazendo o trabalho em minha casa a tarde inteira, no final da tarde resolvemos andar de moto e acabamos por esquecer da vida... Quando nos demos conta, estava tarde e dormimos na casa de uma amiga nossa.
- E desde quando vocês têm amigas em comum? – Perguntou Vanessa, querendo pescar alguma coisa.
- Desde ontem, Nessa. – Iza deu um sorriso maroto. – Apresentei a Rapha pra minha amiga ontem e acabamos dormindo lá mesmo. Tomamos cerveja e capotamos por lá mesmo.

Nossa! Iza dava cada resposta rápida que me surpreendia. Eu evitava olhar pra Iza, olhava apenas rindo pra Vanessa, que ficara desconfiada de tudo, mas enfim, não tinha como argumentar diante de tantas respostas de Iza... E também não tinha motivos para isso. Mas percebi que ela ficara com uma certa desconfiança de nós duas... Fomos para a aula, Iza sentou ao meu lado como de costume, mas parecia que tinha algo que nos denunciava... Era como se meu olhar agora fosse diferente, meu sorriso me denunciava demais, eu sentia meu rosto enrubescer quando sentia Iza olhando para mim, quando nossos olhos se cruzavam, então, era como se estampasse em nossos rostos tudo o que havia acontecido naquela noite. E eu podia sentir os olhares de guarda de Vanessa atrás de nós... Era como se ela prestasse atenção em cada movimento pra ver se denunciava algo. Quando Iza se levantou para ir ao banheiro, vi que Vanessa ficou inquieta, me fitando pra ver o que eu faria, apenas segui Iza com os olhos, mas permaneci onde estava, alguns minutos depois, vi Vanessa se levantar e ir em direção à porta da sala. Vanessa abordou Izabela na saída do banheiro dizendo que precisava conversar com ela. Iza ficou curiosa, pois Nessa nunca tinha falado de uma forma tão apreensiva antes e disse que poderiam conversar depois, pois estavam em aula. Ela disse que precisava conversar agora, que era algo que ela não podia mais segurar, ela precisava desabafar com alguém, mas Iza insistiu, disse que no intervalo conversariam sozinhas, sem que ninguém interrompesse e voltou para a sala. Vanessa ainda pediu que Iza não comentasse nada com ninguém, pois não queria que ninguém a entupisse de perguntas, que ela queria conversar apenas com Iza, ela concordou e entrou para a sala. Logo atrás entrou Vanessa, que me fitava de uma maneira estranha, não entendia o que estava acontecendo, pela primeira vez naquela manhã, consegui dirigir a palavra a Izabela... Quando a professora virou para o quadro, falei baixinho com ela:

- Aconteceu alguma coisa com a Vanessa, amor?
- Aconteceu, gatinha. Ela me abordou na saída do banheiro, dizendo que precisava desabafar comigo naquele momento, mas disse que falaria com ela no intervalo. Achei estranho que ela me disse que não quer que eu comente nada com ninguém, senão as pessoas vão ficar enchendo ela de perguntas e ela quer desabafar comigo apenas...
- Xi... Sei não, hein?!... To sentindo ela encarar nós duas de uma forma diferente desde que chegamos no estacionamento. Ela não para de olhar pra cá e não disfarça.
- Pois é. Também notei isso, achei estranho o jeito que ela nos perguntou as coisas, afirmando que você não conhecia minhas amigas e fechou a cara quando eu disse que você conheceu minhas amigas ontem...
- Bem, eu sempre soube que ela não vai com a minha cara, amor. Sempre comentei isso com você... Ela sempre fazia questão de se colocar na minha frente quando ia falar com você, como se quisesse sua atenção toda pra ela...
- Bem, não adianta tentarmos adivinhar o que ela quer conversar. Vamos esperar até o intervalo, eu converso com ela e descobrimos o que ela quer comigo. Você vai pro refeitório sem me esperar, quando eu terminar a conversa, vou pra biblioteca e você me espera lá, ok?...
- Ta certo. Vou morrer de saudade, sabia?
- Nem me fale nisso, estou morrendo de vontade de beijar sua boca. – Disse isso mordendo os lábios, olhando para meus lábios demonstrando uma luta interna para se conter.
- Calma meu amor. Depois a gente conversa mais de pertinho, ta bom?

O intervalo chegou e Iza foi com Vanessa em direção à saída da faculdade. Se dirigiram ao shopping que ficava há alguns metros e escolheram uma mesa afastada para se sentarem. Iza comprou um shake e sentou-se de frente para Vanessa, que tudo o que fazia, era decorar os movimentos de Iza.

- Então dona Vanessa, qual é o problema? – Iza tentava quebrar o silêncio que se formara entre as duas.
- Estou com um problema na faculdade e não sei que caminho eu tomo para resolvê-lo, Izabela.
- Certo. Primeiro de tudo eu preciso saber de uma coisa.
- O quê? – Vanessa perguntou um tanto aflita.
- Por que você me escolheu para ser sua ouvinte, privando suas amigas mais próximas de saberem de seu problema?
- Por vários motivos, primeiro porque desde que te conheci, notei que você tinha algo diferente das outras meninas. Seu modo de pensar é igual ao meu. Por isso de várias atitudes minhas, inclusive a de não conseguir ser tão espontânea com você.
- Espera, Nessa. Eu não estou entendendo o que você está dizendo. Você está me deixando confusa.
- Não, Iza. Não te quero confusa. Eu preciso de uma pessoa lúcida para me ouvir. Você precisa entender tudo o que eu disser para me dar uma saída.
- Nessa, você está me confundindo mais. Para de enrolar e diz logo o que você tem pra dizer.
- Não é tão fácil de ser dito. Preciso que você entenda que não tenho domínio total sobre mim mesma. Apesar de fazer psicologia, muitas vezes eu perco a força de me manter calma e não consigo agir da maneira ética.
- Todas nós temos um ponto fraco, minha querida. Por isso precisamos de amigos, para que possamos desabafar. Só ouvir não faz bem, assim como ouvimos, precisamos falar, desabafar e estou aqui. Você precisa desabafar e estou aqui para te ouvir e te ajudar, se estiver ao meu alcance e se houver ajuda para o que você irá falar. Então fica tranqüila, ok? Pode falar o que está aí dentro.
- Obrigada pela força, minha amiga. Fico até sem jeito de falar isso, mas é necessário. Desde quando entrei na faculdade, notei que você tinha algo diferente das outras meninas, era mais decidida que o normal para as meninas da sua idade. Com o tempo, pude notar que você era muito mais reservada que as outras meninas da sala. Quando se tratava de vida particular, você não entrava em detalhes com quem andava, nem o que fazia nos horários fora da faculdade. Tudo era mistério...
- Pois é, Nessa. Eu sempre fui uma pessoa muito reservada. Não gosto de abrir a outras pessoas o que eu sinto, o que eu faço, com quem eu falo. Não acho necessário.
- Eu sei, mas eu tentei de todas as formas me aproximar de você e a cada fora que você me dava quando eu cogitava a possibilidade de nos vermos fora da faculdade, mais eu me desesperava.
- Desculpa, Nessa. De fato eu sei que muitas vezes sou grossa com as pessoas que tentam se aproximar de minha vida pessoal. Minha família é muito rígida, então a forma que sou na faculdade não se aproxima em nada como sou em casa, por isso optei em nunca levar ninguém, de qualquer círculo de amizade que eu tenha, lá em casa.
- Pois é, Iza. Eu entendo muito bem o que te faz agir dessa maneira. Me entenda: Eu sou como você. Mas nunca tive como te dizer isso com essas palavras. Eu sempre analisava suas atitudes e a respeitei sempre por elas, mas não consigo mais. Hoje pela manhã, me dei conta que abaixei a guarda. Me dei conta de que eu esqueci dos meus sentimentos a ponto de desistir de entrar para sua vida por completo.
- O que você está querendo dizer, Vanessa?
- Estou dizendo que eu sempre tentei ser sua amiga, mas nunca consegui me aproximar por respeito à sua maneira de pensar, de querer manter sua privacidade. Estou dizendo que nunca consegui conversar com você sobre o que eu sinto por medo de você sumir ou me ignorar. Estou querendo dizer que hoje, quando ouvi você dizendo que a Raphaela havia conhecido suas amigas eu me dei conta de que você não é a muralha que me parecia, que você se permite ser explorada.
- Calma, você está me dizendo que seu problema maior é a vontade de conhecer minha vida particular e só porque a Rapha conheceu uma amiga minha, você acha que vai conseguir o mesmo?
- Mais ou menos. O que eu quero mesmo dizer, é que eu sei sobre sua maneira de pensar e amar. Sei que a descoberta de um amor que você não ousa dizer o nome fez com que você amadurecesse antes de seu tempo. Sei de tudo isso, passei todo o meu tempo decorando seus movimentos e hoje me dei conta de que vivi um amor platônico em vão. Vi que eu poderia ter lutado e estar hoje no lugar da Raphaela.
- Espera, Vanessa. Você está fazendo as coisas parecerem uma luta. Que se você tivesse lutado, estaria no lugar da Rapha. Mas onde estão os meus sentimentos nisso tudo? Minha vida não é um teatro. Se Raphaela dormiu comigo esta noite, não foi porque ela lutou. Foi porque ela foi ela mesma e me cativou e cativa mais a cada dia. Não quero pessoas lutando para fazerem parte da minha vida. As coisas acontecem naturalmente. A Rapha freqüenta a minha casa. Desde o começo de nossa amizade, eu freqüento a casa dela e só há pouco tempo ela conheceu minha família. Mas isso não é nada. Não era porque ela tinha ido lá em casa que ela se deu ao direito de entrar em minha vida da maneira que você está fazendo. A Rapha é a pessoa mais ligada à minha vida dessa faculdade e não é por ter lutado, mas por ter me deixado à vontade de eu fazer isso. Quanto ao meu amadurecimento, pode ser até pelo fato de eu ter descoberto um amor que eu não ouso dizer seu nome, sim, mas foi também porque eu quero ter minha vida, sem me sujeitar à rigidez da minha casa. Foi por ter aprendido que amigos é a família que escolhemos.
- Iza, eu só quero que você saiba que eu amo você. Que eu sempre estarei aqui te esperando. Não quero que você me diga mais nada. Eu só quero poder dormir sabendo que você sabe que eu te amo. Só isso.
- Nessa, você sabe que eu não vou poder corresponder ao teu sentimento. Nunca gostei de falar de sentimentos com quem não tenho intimidade, principalmente falar sobre os meus sentimentos.
- Não quero que você comente o que eu sinto.
- Respeito seu sentimento. Jamais vou te culpar por ele e você sabe disso. Apenas não posso trair meus próprios conceitos tentando retribuí-lo.
- Tudo bem, Iza. Só o fato de poder desabafar com você, já me aliviou muito. Ter o seu respeito, então, foi uma vitória! Não precisa dizer mais nada. Vamos voltar pra faculdade...
Passaram em uma loja para Iza comprar chocolate e foram para a faculdade. Como o combinado, Raphaela se dirigiu à biblioteca quando viu Izabela voltar de sua conversa.

 

 

Capítulo VIII - Vanessa

 

Sentei de frente para Izabela e pude ver seu olhar meio aflito. Eu já conhecia aquele olhar e hoje eu podia ter certeza do que se tratava, pois não precisava mais privar minhas intuições de Izabela...

- Iza, você quer falar sobre a conversa que teve?
- Quero, Rapha... Mas nem sei por onde começar... É muito complicado.
- Bem, então me deixa começar por você... – Peguei em sua mão delicada, olhei em seus olhos e sorri tentando passar uma certa calma para Iza. Suas mãos estavam frias.
- Como assim começar por mim, Rapha?
- Amor, eu percebo desde o primeiro dia que ela chegou na faculdade a forma que ela te olha. O amor escondido em cada olhar que ela tem por você. E hoje ficou estampado nos olhos dela os ciúmes quando meu viu abraçada a você...
- Você percebeu isso?
- Claro que percebi. Todos os dias que eu passei ao teu lado, eu aprendi cada detalhe sobre você... Você era o meu ar e tudo o que estava a sua volta me interessava. Percebi os olhares dela, a empolgação cada vez que você falava alguma coisa sobre você... E a raiva que ela sentia de mim, quando sabia que eu faria alguma coisa com você... Percebia que cada conversa que tínhamos e que marcaríamos algo extraclasse, ela se oferecia para ir ate sua casa, ou sair com você. E a partir do momento que eu era a pessoa que estava ao seu lado, ela ficava mais indignada. A raiva dela por mim ficava estampada.
- Rapha, eu nunca havia percebido isso. Quando ela começou a falar sobre isso comigo agora, achei ate que fosse invenção da cabeça dela... Nunca me passou pela cabeça que ela supria algum tipo de sentimento por mim. Nunca mesmo.
- Eu sei. Minha sorte é que você é avoada desse jeito, eu amor. Senão eu acho que teria te afastado de mim quando comecei a dar pintas do quanto eu te amo.

Izabela sorriu aliviada. Um sorriso que estampava em seus olhos quão grande era o amor entre nos duas. Voltamos para a sala. Teríamos apenas mais uma aula e a tarde toda nos pertencia... Chegamos tarde para o inicio da aula e tivemos que sentar na ultima fileira de cadeiras, ali não havia ninguém atrás de nos para nos olhar. Izabela passou a aula inteira com a mão sobre minha perna, acariciava minha coxa levemente, pegava em minha mão e brincava com meus dedos. Nossos olhares falavam, trocavam juras de amor, a paixão era tanta que parecia saltar de cada olhar que trocávamos. Ao terminar da aula, eu arrumava meu material e Izabela me esperava em pe ao meu lado quando percebi Vanessa me olhar. Ela me fitava de uma maneira ameaçadora, de quem tem raiva, ódio, ciúmes... Desviei meu olhar e levantei, olhando nos olhos de Izabela, ela sorria... Como não havia mais pessoas na sala alem de Vanessa, Izabela pegou por um de meus dedos e me puxou pra fora da sala. Senti Vanessa nos encarar ate sairmos da sala. Subimos na moto e saímos, ainda passamos por Vanessa, que não disfarçava mais seu ciúme de Izabela...

Iza me levou em casa, chegamos lá e minha mãe já nos esperava, disse que tomaria uma ducha rápida para só então almoçarmos, Izabela, como de costume, ficou conversando comigo enquanto eu tomava banho, a diferença agora era que ela não ficava sem graça ao ver eu me despir... Ela me encarava de um jeito malicioso, que me deixava louca de tesão, quando dei por mim, Izabela havia me colado junto a parede do banheiro, me beijava e se esfregava em mim feito um animal... O chuveiro tentava abafar o nosso gemido, mas não conseguiam muito êxito tamanho era nossa fúria.

Nos afastamos, temendo que minha mãe ouvisse algo e então tomei banho. Me vesti e fomos para a mesa almoçar. Eu e Iza tínhamos que fazer um trabalho aquela tarde sem falta, pois o ultimo prazo era no outro dia. Estávamos dispostas a passar a tarde e a noite fazendo o trabalho... Depois do almoço Izabela me ajudou com a louça e depois fomos para meu quarto iniciar o trabalho de psicanálise. Nas pausas do estudo, ficávamos em minha cama, agarradas, trocando beijos e caricias. Era tudo delicioso. No final da tarde, minha mãe pediu que fossemos fazer algumas compras para ela. Iza disse que teria que passar em casa para trocar de roupa e deixar a moto em casa, visto que o tempo estava esfriando. Saímos de casa, fomos ate a casa de Iza, ela pegou uma mochila com duas peças de roupa, alguns livros que faltavam para o nosso trabalho, avisou sua mãe que não dormiria em casa, pegou o carro e fomos embora... Passamos no mercado, precisávamos comprar os ingredientes para a janta, o lanche que faríamos no intervalo de nossos estudos e nosso café da manha... Fazíamos as compras brincando, sorrindo muito, a felicidade estava estampada em nossos olhos, quando levamos um susto: Ao olharmos par ao outro lado da fileira de produtos, vimos Vanessa. Ela também se assustou quando nos viu ali e veio falar conosco:

- Ola meninas, - disse com um sorriso forçado – o que fazem por aqui?
- Estamos fazendo umas comprinhas pra casa da Rapha, Nessa. E você? O que faz perdida nesse mundo domestico? – Iza realmente sabia quebrar o gelo de certas situações...
- Pois é, Iza, estou aqui tentando gastar o que eu recebi... – risos – Mas pelo que vejo vocês duas estão mais grudadas do que eu imaginava, não é?
- É que passaremos a noite terminando o trabalho de psicanálise, então a mãe da Rapha pediu que viéssemos comprar algumas coisas. Como fomos ate minha casa pra eu pegar umas roupas, passamos por aqui antes de voltarmos ao batente...
- Ah, então vão passar a noite juntas? Sei...
- Pois é, Vanessa – me enfiei no assunto tentando disfarçar a vontade de ser cínica – estou falando pra Bela que daqui uns dias a gente vai morar juntas de uma vez... Ela não sai da minha casa, nem eu da dela... – E enquanto falava isso, coloquei minha mão sobre a mão de Iza que segurava o carrinho de compras.
- Bem... Pois então... – Vanessa estava desconcertada – Amanha nos vemos na facul... Preciso terminar logo minhas compras e vocês tem uma longa noite pela frente, não é mesmo? Ate amanha meninas...
- Ate amanha, Nessa...

Apenas balancei a cabeça quando ela passou...
- Rapha!!! Que resposta foi aquela?
- Ah, meu amor! Se ela quer dizer alguma coisa, ela que fale claramente, não com parábolas! Ela soltou um veneno e eu respondi a indireta com todas as letras, o problema é que ela parecia não estar preparada para aquilo...
- Meu Deus, Raphaela! Você não presta!...

Iza acariciou levemente minha mão e continuou a frase...
- Mas eu continuo te amando...
Fizemos as compras e fomos para minha casa...

 

 

Capítulo IX - Cozinhando

 

Chegamos em casa rindo da reação de Vanessa no mercado. Minha mãe veio ao nosso encontro sorrindo e perguntou por que estávamos rindo daquela maneira, disse a ela que foi porque encontramos uma colega da faculdade que adora um veneno e quando ela foi falar conosco cheia de malícia, demos um fora e ela saiu sem rumo... Minha mãe riu junto e entramos com as compras. Minha mãe precisava sair e pediu que fizéssemos o jantar, ela demoraria para voltar, cerca de 2 a 3 horas. Quando ela saiu, não demorou muito e Iza começou a me provocar, seu perfume me enlouquecia e o calor de seu corpo encostando ao meu me deixava sem controle de meus atos...

Em um certo momento, que Iza passava por trás de mim e encostava-se em meu corpo, virei-me bruscamente, encurralando-a contra o balcão. Ela me olhava com um olhar de medo, como uma presa sem saída, frente a frente com seu predador. Eu não a tocava, apenas a encarava e me dirigia mais em direção a ela, e ela indo de costas, em direção ao balcão... Minhas mãos estavam sujas com açúcar, farinha e margarina e ela me olhava com medo de eu a sujar...

- Rapha, o que você vai fazer?
- Você não imagina, não?
- Tua mão...
- Que tem?
- Você vai sujar minha blusa...
- Você tem outra.
- Mas sua mãe vai estranhar eu trocar de blusa...
- Eu não vou lavar as mãos, Izabela. Jamais viraria num momento desses e te deixaria fugir.
- Quem disse que eu vou fugir de você?
- E quem disse que eu vou correr esse risco?

Nesse momento eu a agarrei, ela estava quase sentada sobre o balcão e não teve tempo de tentar alguma reação. A abracei pela cintura, já colando meu sexo no dela e arrancando sua blusa, ela tentava ter alguma reação contrária, mas seus olhos não conseguiam deixar ela mentir. Comecei a acariciar suas costas e a puxá-la para meu encontro... A cada movimento que meu corpo fazia, sentia seu corpo estremecer mais e quase implorar por meus toques... Iza estava sentada no balcão, me abraçando com suas pernas, quando a levantei daquela posição e a levei no colo, até meu quarto. Sem que ela deixasse de me abraçar com as pernas, a deitei na cama para poder ter mais movimentos sobre ela. Quanto mais nos esfregávamos, mais ofegante ela ficava. Parei por um minuto e terminei de tirar sua roupa, deixando-a nua em minha cama. Tirei minha roupa e quando terminei de me despir, ela me olhou com paixão, com aquela cara assanhada que me dizia o que fazer com o olhar e se abriu para mim... Ela era linda. Seus contornos rosados, os lábios carnudos, seu sexo era delicioso... E como ficava molhado! Exalava um aroma que me dava água na boca. Comecei a beijar sua barriga, cada pedacinho dela... Ela possuía uma pintinha logo acima do umbigo, no seu lado direito, eu não conseguia deixar de decorar cada milímetro de seu corpo... Quando eu me aproximava de sua vagina, sentia ela se abrir mais para mim, ela se erguia como se oferecesse seu corpo inteiro para eu fazer com ele o que quisesse... Comecei a passar minha língua por ela e podia sentir seus arrepios como resposta ao meu toque. Ela estava deliciosamente molhada e excitada. Comecei a lamber e a chupar seu grelinho ao mesmo tempo em que penetrava meus dedos nela... Ela se contorcia e gemia alto pra mim... Puxava meus cabelos, me fazendo ir mais de encontro à sua bocetinha... Na hora do gozo, ela quase enlouqueceu, parecia que ia sair de seu corpo e entrar no meu... Senti seu gosto ficar mais gostoso, sua pele estremecer, seus gritos me enlouqueciam. Depois do gozo, Izabela me olhou com um olhar cansado, mas delicioso... Começamos a nos beijar, ainda com o gosto do gozo em minha boca... Descansamos por um tempo e fomos para o banho, Izabela me amou no banho de uma forma deliciosa, quase desmaio na hora de gozar, mas ela me sustentava de uma forma deliciosa... Nos vestimos e fomos terminar a janta...
Logo que terminamos, minha mãe chegou. Estávamos sentadas no sofá assistindo televisão. Izabela estava sentada do meu lado, na verdade, ela estava sentada entre minhas pernas, mas nos ajeitamos quando ouvimos minha mãe. Ela chegou e disse ter gostado de ver a arrumação da casa, que já podíamos casar, nos olhamos e rimos... Às vezes, parecia que minha mãe sabia do que acontecia em nossas vidas... Enfim... Era delicioso sentir a presença de Izabela. Em todos os sentidos.

 

 

Capítulo X - A apresentação

 

Jantamos as três juntas. Parecia que minha mãe sabia o que acontecia entre nós, mas não comentava, apenas sorria e brincava. Ela tinha uma convivência muito boa com Izabela e em outras épocas, já havia dito que se algo acontecesse na casa dela, ela viria morar conosco. Minha mãe defendia mais a Izabela que eu dentro daquela casa. Passamos a noite toda estudando. Era maravilhoso fazer qualquer tipo de tarefa ao lado de Iza... Enquanto eu digitava, sentia seus carinhos em minhas pernas e seus beijos e minha nuca e pescoço. Em vários momentos eu perdi a concentração e acabei nos braços de minha doce menina, namorávamos de uma forma tão apaixonada que era impossível alguém não notar o que sentíamos. No outro dia seria a apresentação de nosso trabalho... Acabamos cochilando em minha cama por volta das 5:30h depois de termos feito amor. Fomos despertadas por minha mãe, batendo na porta de meu quarto, dizendo que tinha certeza que acabaríamos dormindo. Mas o trabalho estava concluído. Minha mãe não abriu a porta do quarto como era de seu costume fazer e ainda bem que não abriu, pois Izabela dormia em meus braços, nua, com um semblante angelical, lindo e delicioso... Acordei-a com beijos. Sem dúvida a expressão que ela tinha ao acordar era a cena mais linda que eu já pude ver em minha vida. Tomamos um banho rápido e fomos tomar café. Saímos rápido de casa, pois estávamos em cima da hora e chegamos na faculdade junto com as outras meninas de nossa sala, inclusive Vanessa, que vinha um pouco atrás do grupo e ficava nos fitando com olhares que me incomodavam muito.

As meninas da sala entraram e eu e Izabela ficamos mais um pouco no carro, a fim de pegarmos os materiais da apresentação. Vanessa se demorou um pouco e acabou nos abordando ao lado do carro, fiquei assustada, pois conversávamos sem medo de nos chamarmos de amor e Vanessa poderia ter escutado... Ela parou ao lado de minha porta enquanto eu descia e começou a conversar em um tom que não me dava confiança:

- Bom dia, Raphaela. Como foi a noite de estudos de vocês?
- Bom dia Vanessa. A noite foi super cansativa, mas rendeu. Terminamos o trabalho a tempo.
- Então não dormiram?
- Ah! Claro que dormimos, Nessa! – Iza entrou na conversa, fechando a porta do carro. – Dormimos o sono das justas, né Rapha?
- Nossa, então não demoraram no trabalho...
- Na verdade nós capotamos no sono às 5:30h. da manhã. Acordamos com a mãe da Rapha batendo na porta do quarto, tirando onda porque sabia que não conseguiríamos passar a noite toda trabalhando. Mas antes de dormirmos, terminamos tudo né gata?
Não acreditei quando ouvi Izabela me chamar assim em frente à Vanessa, mas disfarcei e agi com naturalidade.
- Claro! Na verdade até estávamos sem sono, mas realmente capotamos quando caímos na cama e só acordamos com minha mãe rindo...
- Eu imagino eu tenham capotado mesmo. – disse Vanessa em um tom cínico, ainda me fitando, esperando alguma reação temerosa de minha parte por Iza ter me chamado de uma forma tão diferente. – Pelo jeito a noite foi boa mesmo. Pra quem não dormiu mais que uma hora, vocês estão com umas caras ótimas...
- Pois é, Vanessa. Que bom que você acha que estamos com a cara boa. O humor, então está melhor ainda, sabe?... Digamos que são efeitos colaterais que a endorfina traz ao organismo, entende? – Disse isso alterando o tom, já não estava mais suportando as indiretas dela.
- Rapha! – Izabela me cortou antes que eu pudesse prosseguir.
- Bem, eu vou indo para a sala, vocês vem junto?
- Vamos, sim, Nessa. Já estamos indo, né Rapha? – Iza me pegou pela mão e veio me puxando.

Vanessa ficava um pouco mais a nossa frente. Eu tentava ganhar espaço para poder falar com Izabela. E falava:
- Iza, você sabe que eu não gosto de indiretas pra cima de mim.
- Calma Rapha.
- Se quer saber o que acontece entre nós, que pergunte. Do que ela tem medo, amor?... De ouvir que passamos a noite trepando?
- Raphaela!
- O que?
- Você quer que ela ouça?... Olha a pinta, gatinha!
- Quero que se foda a pinta. Pelo menos perante essa aí! Já não basta vir cheia de agressões pro meu lado? Agora vai ficar dando indiretas?... Qual o problema? Não gosta de mim porque eu comi antes? Pois comi mesmo e me lambuzei! E me lambuzo! Quer merda!

Izabela me empurrou pra dentro do banheiro com uma violência que eu nunca tinha visto. Estávamos subindo a escada e ela não sabia mais o que fazer para me fazer ficar quieta...

- O que você quer, hein Raphaela? – Disse isso olhando de frente pra mim, me fazendo recuar cada vez mais para dentro... – Eu sei que você tem raiva dela, percebo como ela te trata, mas o que você quer tendo essa crise de ciúme? Tem medo de que eu goste dela? – Ela não me deixava responder, falava me olhando nos olhos e fechando a porta do banheiro... – Tem medo de que os venenos da Vanessa me façam te deixar? Ou você só está fazendo essa crise pra me deixar assim?

Izabela pegou minha mão e colocou dentro de sua calça em um movimento tão rápido que me deixou sem tempo de alguma reação. Ela estava quente e totalmente molhada, deliciosa e ao meu toque, começou a se esfregar de uma maneira que eu nunca tinha visto antes. Parecia um animal no cio. Fiquei quase sem reação, mas o calor do corpo de Izabela no meu, me ascendia de uma maneira deliciosa. Em pouco tempo, eu sentia ela gozar ali em pé pra mim, pendurada em meu pescoço, me enchendo de beijos.

- Você fica linda brava, sabia? Me deixou morrendo de tesão.
- Nossa, eu percebi. Nunca te vi tão assanhada assim.
- Desculpa, acho que me excedi um pouco.
- Eu adorei te comer assim. Teu fogo é delicioso, sabia? Você me mata de tesão.
- Eu te amo, Rapha...
- Também te amo, Belinha... Mas que tal irmos pra sala?

Nos arrumamos, lavamos nossos rostos e fomos pra sala mais felizes do que já estávamos. Chegamos lá e Vanessa não parava de nos encarar com um sorriso malicioso. Izabela iria apresentar o trabalho e fiquei sentada na primeira fileira. Vanessa resolveu mudar de lugar e sentar-se exatamente atrás de mim. Quando me virei e a vi debruçada sobre a mesa, levei um susto, mas disfarcei. Ela sorriu e começou a falar baixinho atrás de mim:
- Nossa, Rapha, como vocês demoraram pra vir pra sala... Voltaram no carro?

Aquilo me ferveu o sangue, virei pra trás com um sorriso malicioso e respondi:
- Não, Nessa. É que a Iza me arrastou pro banheiro pra termos uma conversinha séria. Ela não gostou muito do jeito que eu tava te tratando e muito menos de como eu fiquei depois que você saiu de lá... Aí quando vi, já estava no banheiro tendo uma conversa bem séria com a dona Izabela.
- É. Ela sabe como brigar com a gente, né? Sabe repreender as pessoas. Mas não precisava fazer isso. Não fiquei brava com o que você falou no estacionamento. Você tem razão em sentir ciúmes de sua amiga.
- Vanessa, eu tenho ciúmes, sim. Ainda mais de você. Sei da conversinha que você teve com a Izabela. Já sabia disso há tempos, mas nunca achei que você fosse capaz de querer tomar lugar de alguém. Você acha que fazer parte da vida da Iza é apenas uma questão de lutar mais? Eu não lutei. Apenas fui eu mesma. Se você quer o meu lugar, saiba que ele não está vago. A Izabela é uma pessoa muito especial e delicada, não é uma mercadoria cara que se você lutar, conseguirá comprá-la.
- Eu imaginava que você sabia da conversa. Sei que você sente algo muito forte pela Izabela. Sei que ela gosta muito de você também, Rapha. Não quero interferir na amizade de vocês duas, mas o que eu sinto, é mais do que amizade, Rapha. Só quero que você entenda e respeite isso. Não estou aqui pra tirar seu lugar, apenas quero lutar pela mulher que eu amo.
- Vanessa, acho que você não está entendo muito bem as coisas. Eu respeito você. Não tenho nada contra o amor que você sente. Só não quero ver você dando em cima dela descaradamente como tem feito desde aquela conversa.
- Tudo bem, Raphaela. Mas o que eu posso fazer se você está sempre com ela? Eu não tenho nenhum momento a sós com ela...
- Vanessa, chega! Eu tentei de todas as maneiras fazer você notar as coisas, mas não sei se você é quem não quer enxergar.
- O que? Teu homofobismo?
- Não. O meu namoro.
- O que? Você ta namorando?
- Estou. Estou namorando, sim. Tentei deixar quieto e levar tudo numa boa com você, mas não dá mais! Você não consegue enxergar que a Izabela está comigo? Você não consegue ver que você não vai ter nenhuma ajuda minha e te deixar a sós com ela pra você investir? Você não consegue ver que nos amamos? Que somos uma? Meu Deus! Você não consegue ver isso?
- Espera aí. Você ta querendo me dizer que você e a Izabela...
- Estamos namorando, sim. E não temos medo do que possa acontecer com essa informação em sua boca, ok? Aliás, se você prestasse atenção um pouco ao que ela está falando, poderia ver no semblante das pessoas que o homofobismo não reina nessa sala, ou seja, você não vai conseguir o que quer.
- Ah... E o que eu quero?
- Me separar da Bela. Estamos juntas. Demoramos a admitir isso. Mas é mais forte que nós. Izabela é minha, Vanessa, assim como eu sou dela. Nada muda isso a não ser nós duas.
- Não acredito nisso. Então você também é...
- Sou, sim. Entendida. E apaixonada pela minha mulher.
- Mas e o Lúcio? Você não gostava de um rapaz?
- Lúcio está casado. Ele fez a escolha dele e eu pude abrir os olhos para aquilo que não queria admitir. Eu amo a Belinha e não vai ser você nem ninguém quem vai nos separar.

Vanessa ficou muda. Izabela começava a falar, ela estava falando com a professora e não notara o assunto que eu falava com Vanessa, apenas notou que eu falava... Vanessa não piscava, olhava para Izabela sem acreditar no que ouvira... Izabela tinha muita desenvoltura com palestras. Conseguiu apresentar o tema sem nenhum embaraço, ainda fez muitas brincadeiras com os alunos, perguntando o que eles fariam se descobrisse algum homossexual em sua sala. Vanessa estava atônita e representava, sem dúvida, a resposta para o que Izabela perguntava... Tomei meu lugar na apresentação do trabalho e terminamos a palestra sendo aplaudidas. No final da aula, Izabela me perguntou o que eu falava com Vanessa enquanto ela conversava com a professora... Apenas sorri, segurei em sua mão e falei:

- Calma meu amor, ela veio com mais venenos, querendo saber onde fomos que demoramos antes da aula...
- E o que você respondeu, Raphaela?!
- Respondi que você me arrastou pro banheiro pra brigar comigo porque fui indelicada com ela.
- Só isso, Rapha?
- Bem, do banheiro, sim. Ela veio com mais venenos, amor... Aí não agüentei e falei que sabia do que se tratava a conversa daquele dia.
- E ela?!
- Disse que sabia disso e queria minha ajuda, pois ela nunca tem oportunidade de ficar a sós com você. Que não queria tomar o meu lugar, apenas queria te amar como se ama uma mulher...
- Ai... E você?
- O que você acha que eu fiz?
- Tenho até medo de dizer o que eu acho que você fez...
- Pois é. Falei que você é minha. E que ela não vai conseguir te comprar como a uma mercadoria. Falei que somos uma e que ninguém vai desfazer nosso amor, a não ser que seja eu, ou você.
- E ela?
- Ela ficou sem palavras. Também falei que não adiantaria ela fazer chantagem, que não estamos vulneráveis a isso. Ela ficou quieta. Não vai fazer muita coisa.
- Não acredito, Raphaela. Você é louca! Mas eu te amo...
- Poxa, amor... Eu tenho que cuidar do que é meu...

Pegamos nosso material e fomos embora.
No estacionamento, Vanessa nos aguardava...

 

 

Capítulo XI - No estacionamento

 

Todos os carros já tinham saído e eu e Iza vínhamos conversando, eu abraçava sua cintura e brincava com ela quando percebemos que Vanessa estava sentada ao lado do carro nos observando... Nos assustamos a princípio, mas agimos com naturalidade. Izabela iniciou a conversa...

- Tudo bem, Nessa?
- Mais ou menos, Iza. Acho que preciso conversar com vocês duas ao mesmo tempo.
- Por que isso?
- Porque eu não sei mais o que é certo e o que é errado eu acreditar.
- Bem, então conversemos... – Izabela dizia isso sorrindo, estávamos com muito bom humor.
- Seguinte, eu resolvi conversar primeiro com você e dizer que eu sabia que você era lésbica. Expus meu amor por você e disse que esperaria por você. Você ficou quieta, não disse muita coisa, deixou um vazio em nossa conversa.
- Certo. Você sabe que eu não costumo expor a ninguém a minha vida pessoal. E não era pelo fato de você estar expondo seus sentimentos, que eu falaria dos meus.
- Tudo bem. Aí eu vou à luta em prol do seu amor e sou abordada pela Raphaela, explico que não quero tomar o lugar dela em sua vida, que respeito a amizade de vocês duas, mas que eu lutaria pelo seu amor até o fim e ela me responde que vocês namoram?!
- Qual o problema nisso, Nessa? Eu respeito o que você sente, mas quero que você respeite meu sentimento. Como você sabe, eu não falo de minha vida e não demonstro nada aqui dentro da faculdade, mas acho que de uma certa maneira, você conseguiu me fazer falar de minha vida particular. Bem, pois então... Rapha e eu começamos a namorar essa semana, sim.
- Então é verdade?
- Claro, por que você acha que a Rapha mentiria pra você?
- Bem, passaram tantas coisas na minha cabeça... Achei que você queria que eu largasse do seu pé e por isso tinha inventado isso com a Rapha...
- Não, Vanessa. Eu nunca perderia meu tempo fazendo esse tipo de coisa. Eu amo a Raphaela e ela também me ama. Acho que o que te deu forças para conversar comigo naquela manhã, foi o fato de você ter lido em meus olhos que, de fato, eu era lésbica. Mas acho que o que você viu e não percebeu, foi o meu olhar para a Rapha. Havíamos passado a noite juntas, sim. Havíamos começado nosso namoro naquela noite. Nos amamos, Nessa. Eu sei que dói ouvir isso, mas também me dói notar você dando patadas na pessoa que eu mais amo. Jamais seremos ciumentas doentias, a ponto de a Rapha querer te bater por você falar comigo, ela apenas agiu assim porque não tinha escolha. Agora que todas sabemos o que acontece, creio que teremos um relacionamento melhor, não é?
- Bem, Izabela, eu nem sei o que dizer. Eu nunca imaginaria que vocês duas namoram...
- Pois é, Nessa. Namoramos e estamos muito felizes. A Rapha faz parte da minha vida. Não apenas na faculdade. A facul é onde menos ficamos juntas... Nossa vida não é aqui. É o a partir de agora, quando entraremos no nosso carro e decidiremos para onde vamos, se para a minha casa, ou para a dela. Eu amo essa mulher.

E me enlaçou pela cintura com seus braços, aninhando seu queixo em meu ombro, eu retribuí segurando suas mãos em meu ventre e beijando seu rosto...

Vanessa parecia ter outro semblante. Não via mais ódio nela, nem cinismo. Ela parecia notar o amor que sentíamos...

- Que bom, meninas. Fico muito feliz pelo sentimento de vocês... Espero que vocês possam ser muito felizes. Fico feliz também de ter quebrado uma barreira com você, Iza... Querendo ou não, já sei um pouco mais da sua vida e fico muito feliz ao ver que você é feliz... Que vocês estão juntas e formam esse lindo casal apaixonado.
- Nossa, Vanessa. Nunca pensei que você reagiria dessa maneira. Acho que faltou um pouco de atenção a você também. Não pude ver a pessoa boa que você é. – Disse isso admitindo ter pensado o pior sobre ela.
- Bem, acho que poderemos combinar algo extra-facul alguma noite dessas, né, amor? Poderíamos fazer alguma coisa na sua casa e convidar a Nessa... Pois na minha casa é meio impossível fazer algo assim... Mas não vamos falar mais da minha vida...
- Então ta combinado. – Eu disse, tentando encerrar o assunto. – Semana que vem fazemos um jantar em minha casa e Vanessa será nossa convidada, certo pra você, Vanessa?
- Combinado. Será um prazer poder amiga de vocês realmente.

Nos despedimos, Vanessa foi embora e eu e Iza ficamos no carro mais um pouco, conversando sobre os acontecimentos, em como a vida pode mudar de repente... Trocamos um beijo delicioso que nos mostrou como seria nossa tarde sozinhas em minha casa...

 

 

Capítulo XII - A mudança

 

Chegamos em minha casa e fomos direto para a cozinha, para fazermos o almoço. Estávamos morrendo de sono, pois afinal, não tínhamos dormido praticamente nada na noite anterior. Almoçamos, tomamos um banho delicioso juntinhas e fomos para a cama. Namoramos um pouco, conversamos e acabamos caindo no sono. Perdemos a noção da hora e acordei com minha mãe entrando em meu quarto... Ela olhava encostada na porta com um olhar terno... Izabela estava deitada em meu peito, me abraçando e eu abraçava suas costas... Estávamos de camiseta e calcinha. Nosso semblante era de dois anjos... Uma expressão terna que só temos quando dormimos abraçadas a quem amamos...

Despertei do sono lentamente e vi o vulto de minha mãe à porta. Levei um susto quando a vi, mas ela fez sinal para que eu ficasse quieta, que não acordasse a Iza, disse baixinho para eu ficar ali enquanto ela tomava banho e fazia o jantar, que depois conversaríamos o que tivesse que ser conversado. Mandou-me um beijo, disse que estava tudo bem e fechou a porta de meu quarto com cuidado para não acordar Izabela... Eu não sabia definir o que passava pela minha cabeça. Estava embriagada pelo sono e não conseguia lembrar da feição de minha mãe... Abracei Izabela mais forte, procurando um pouco de segurança e ainda dormindo, ela se aconchegou em meu abraço e respirou profundamente... Depois de alguns minutos, Izabela acordou e me encontrou olhando para o nada, pensativa... Enlaçou suas pernas nas minhas, colando seu corpo ao meu e me dando um delicioso beijo... Quando terminamos de nos beijar, Iza ficou aninhada em meus seios e eu a acariciar seus cabelos, falei que minha mãe havia entrado no quarto enquanto dormíamos... Izabela ficou apreensiva com isso, mas a acalmei, contando a reação de minha mãe. Resolvemos nos vestir e irmos para a sala. Decidimos ser sinceras com relação a tudo o que sentimos... Nos arrumamos e fomos para a sala... Fui até a cozinha para pegar um copo de água, minha mãe estava lá. Quando me viu, sorriu e perguntou se eu tinha dormido bem...

- Dormi sim, mãe... Depois de uma noite inteira sem dormir direito, esse sono foi o melhor de minha vida...
- Que bom que você está bem, minha filha. Vamos até a sala, fiz um lanche para nós...

Fomos para a sala, Izabela estava sentada no sofá nos esperando, minha mãe havia feito sanduíches, estavam deliciosos... Sentei ao lado da Iza e minha mãe sentou em outro sofá, que a deixava quase de frente para nós duas. E assim ela começou a conversa:

- Primeiro eu quero que vocês saibam que eu não tenho nada contra vocês. Sempre adorei você, Izabela, a cada dia que convivo com você, tenho mais certeza de que você é uma pessoa maravilhosa.
- Obrigada, Cristina.
- Não precisa me agradecer. Então eu não tenho motivos lógicos para não gostar e fazer muito gosto da relação de vocês. Eu evoluí junto com a Rapha no conhecimento da sua pessoa, Bela... Aprendi a te conhecer, no início com o medo de invadir a nossa privacidade, assim como você não gostava de falar da sua vida particular, respeitava a nossa. Aos poucos, eu conheci a sua vida, vi suas dificuldades em demonstrar os sentimentos mas os percebia em seu olhar. Percebi que você estava apaixonada, assim como percebia o carinho que a Rapha sempre teve com você... Eu percebi cada olhar que vocês desviavam uma da outra, com medo de se entregarem uma à outra. Percebi o amor nascendo em vocês e também percebi quando ele explodiu e vocês não conseguiam mais conter seus sorrisos apaixonados. Percebi cada detalhe do amor de vocês e estou muito feliz que vocês conseguiram o amadurecimento suficiente para admitir esse amor que vocês sentem. Eu percebi isso nas atitudes, nas decisões, nas palavras e nos olhares de vocês. E como vocês me fazem feliz. É lindo ver o amor dessa maneira pura que vocês sentem... Então eu quero que vocês saibam que aqui vocês têm uma amiga, amiga que nunca ficará constrangida ao surpreender vocês se beijando, ou trocando algum tipo de carícia. Eu sei que vocês se amam. Nunca tive dúvida sobre isso. Então não precisamos mais de palavras, ok? Izabela, eu sei como são as coisas na sua casa. Ontem eu falei pra você e hoje eu reforço: Se você se sentir mal em sua casa, não precisa sair brigada de lá. Você sabe muito bem que és bem vinda aqui. Por mim, você vai pra lá, pega suas roupas, ou melhor, o resto delas que ainda não estão aqui, e vem morar aqui com a gente. O quarto da Rapha é grande, tem armário suficiente e a cama, bem... Acho que você já conhece muito bem... Aliás, acho que com você e a Rapha, a cama tem muito mais espaço livre do que quando só a Rapha dorme nela... – E caiu no riso... – Portanto, você é quem sabe. Se você preferir sair de sua casa e ficar conosco, será a maior alegria que eu terei em minha vida. Ver a Rapha feliz é tudo o que eu quero.
- Nossa, Cris, nem sei o que te dizer. Nunca imaginei que você teria uma reação assim. Não acreditava que você teria uma reação absurda, mas nunca pensei que levaria assim, tão numa boa...
- Eu também não imaginava isso, mãe.
- Pois é, minhas crianças... Mas em nenhum momento eu perdi meu tempo fazendo planos meus para a vida da minha filha. Passei meu tempo prestando atenção nas escolhas dela para apoiá-la no que ela decidisse o que seria a felicidade dela. E a felicidade dela é você, Izabela.
- E pode ter certeza que a minha felicidade é ela, Cris...
- Eu sei. Também passei meu tempo olhando para você, você é como minha filha, meu anjo. Tenho um carinho imenso por você...
- Você também é muito especial para mim, Cris. É como uma segunda mãe...
- Então fique à vontade para conversar com a Rapha e decidirem se você vem pra cá, ou não...
- Pode deixar que eu termino de convencer, mãe...
Passei minha mão pela coxa da Iza, fazendo um carinho de leve... Fui até minha mãe e dei um abraço nela.
- Nunca imaginei que você seria tão mais maravilhosa do que eu já sabia... Eu te amo...

Izabela também deu um abraço em minha mãe e disse:
- Pode deixar, sogrinha. Prometo cuidar muito bem da Rapha...
- Puxa! “Sogrinha”... – e riu – Acho que vou gostar de ouvir isso... – E caiu na gargalhada...
- Então, mãe... Eu vou terminar de convencer a Iza de vir pra cá hoje mesmo, ta?... Vem, amor... Vem cá que a gente agora vai ter uma conversa séria... – Falei isso puxando a Iza para meu quarto...

Chegamos no quarto, fechamos a porta e não conseguíamos esconder a felicidade que sentíamos... Trocamos um beijo delicioso, cheio de paixão, de felicidade... Caímos na cama e comecei a falar:
- Então, meu amor... Quer casar comigo?
- Nossa, mas eu achando que era uma proposta de apenas morarmos aqui... Mas é casamento, é?...
- Claro que é casamento, gatinha... Você quer casar comigo?
- Humm... Assim fica mais complicado de eu dizer que não quero...
- Então não diz, meu amor... Bora lá pra tua casa, pegar suas coisas pessoais e vem pra cá, vem...
- Bem, acho que não vamos ter problemas em relação a isso... Como minha vida é praticamente no mesmo ritmo que a sua, minha mãe não deve ver muitos problemas em eu me mudar pra cá... Ainda mais porque sua mãe também mora aqui e tem uma rotina feito a nossa, diferente da rotina de minha casa...
- Humm... Então que tal eu e a mãe irmos contigo até sua casa, aí elas conversam e eu te ajudo a pegar suas coisas?... Que você acha, amor?...
- Ótimo, aí nossas mães já conversam, se conhecem um pouco melhor e fica tudo melhor...
- Legal, vou falar com minha mãe. E você, esvazia aquela mochila que você trouxe suas coisas e liga pra tua mãe avisando que a gente vai lá...

Falei com minha mãe e Iza com a dela e fomos para a casa de Iza... Chegamos lá e a dona Fátima estava com uma aparência feliz pela visita...

- Nossa, que prazer conhecer você pessoalmente, Cristina. Depois de tanto conversarmos ao telefone, não é?
- Pois é, Fátima. Também fico muito feliz em conhecê-la.
- É bom que nos conheçamos, afinal, nunca vi minha filha ter uma amizade tão forte com ninguém assim como ela tem com a Rapha... Elas passam o tempo todo juntas. Quando não estão em sua casa, estão aqui. Mas mesmo quando estão aqui, só percebo quando as vejo dormindo no quarto da Iza, pois quase nunca estou em casa... Fico até mais feliz em saber que ela pode ter você como uma amiga mais velha, pois sinto muitas vezes que não cumpro meu papel de mãe direito...
- De fato, eu tenho a Izabela como uma segunda filha, Fátima, até mesmo sobre isso que nós viemos falar com você...
- Algum problema?
- Não, pode ficar tranqüila, Fátima. Não houve problema algum... Muito pelo contrário... É que como a Rapha e a Iza estão sempre juntas, tanto na faculdade, como no trabalho e nos projetos que elas têm juntas, então eu propus à Izabela, que fosse morar conosco lá em nosso apartamento...
- Como assim. – Senti uma certa seriedade na voz de dona Fátima
- Bem, elas vão pela manhã para a faculdade juntas, claro que é caminho para a Izabela, passar por nossa casa, mas sempre vão e voltam de carro juntas, quando não vem para cá juntas, vão lá pra casa... Nunca vi essas duas longe uma da outra... E como eu e a Iza temos uma relação de mãe e filha, claro que sem tirar nenhum cargo de mãe da senhora, então convidei a Iza para morar lá em casa. Não creio que vá causar problema algum para a senhora...
- Bem, de fato eu e Izabela nunca nos encontramos nessa casa, até mesmo porque nos finais de semana, ela sempre está na casa de alguma amiga, acho que assim, é uma maneira de nos encontrarmos mais, afinal, aí você vem no final de semana me ver, né minha filha?!
- Claro, né mãe?!
- Então não vejo problemas... Ela já quase mora na sua casa, mesmo... – Disse rindo... – Mas isso não vai ser problema para vocês?
- Não, dona Fátima. Na verdade, foi minha mãe mesma quem deu essa idéia, quase ordem... – Falei rindo com Izabela...
- Então não vejo problemas, Cristina.
- Ótimo, então vá pegar suas coisas, Iza...
- Certo. Vem me ajudar aqui, Rapha...

E fomos para o quarto dela, ri e falei a ela que agora não tinha mais como fugir, estávamos casando. O negócio estava mais sério do que nunca... Trocamos um beijo rápido e começamos a arrumar as coisas da Iza e rapidamente colocávamos dentro do carro...

Dali uma hora, mais ou menos, terminamos tudo. Pegamos roupas, objetos pessoais, ursinhos de pelúcia, cds, porta-retratos e até um daqueles pufs que Iza tinha em seu quarto... Estava tudo arrumado no carro. Quando íamos embora, Izabela disse querer levar sua moto também. Pediu para que minha mãe levasse o carro enquanto ela iria de moto para casa... Fui com minha mãe de carro. No trajeto, conversamos sobre tudo o que aconteceu. Disse estar muito feliz e minha mãe demonstrava felicidade também.

Chegamos juntas no prédio e avisamos o porteiro que Izabela agora morava conosco. Ele nos ajudou a levarmos as coisas de Izabela até nosso quarto e enfim, estávamos juntas definitivamente para construirmos nossa história de amor.

 

 

Capítulo XIII - Noite de Núpcias

 

Ficamos um bom tempo arrumando as coisas da Iza em nosso quarto, minha mãe nos ajudou com alguns detalhes, liberou mais espaço no guarda-roupa e dividiu gavetas para a Iza... Depois que minha mãe foi dormir, eu e Iza ainda continuamos a organizar cds e fotografias no armário, nosso quarto estava super aconchegante, ainda mais porque agora ele era nosso. Quando terminamos de arrumar as coisas, resolvemos dormir... Pela primeira vez sabendo que agora seria essa a nossa rotina, o nosso dia-a-dia, que dormiríamos todas as noites ali, juntinhas como sempre tínhamos sonhado... Que aquele era o começo dos melhores dias de nossas vidas... Nos deitamos e começamos a conversar sobre tudo o que estava acontecendo...

- Rapha, você já parou pra pensar como tudo foi rápido?!... Há uma semana atrás eu estava com os maiores conflitos do mundo em minha cabeça, pois ela não aceitava o que meu coração gritava. E hoje estamos aqui, na nossa cama, casadas!
- Pois é... Hoje temos a tendência a acharmos que tudo foi rápido, está tudo tão maravilhoso que esquecemos de todo o tempo que sofremos por não podermos demonstrar uma à outra o que sentíamos...
- É... E como parecia que o tempo não passava nunca!... Achei que fosse enlouquecer de desejo e de amor por você, gatinha...
- Hummm... Você sentia desejo, é? – Disse isso colando meu corpo ao dela, roçando meus seios em seu braço...
- Sentia, sim, meu amor... Sentia muito desejo por você...
- É?... Sentia desejo de fazer o que comigo? – A cada insinuação, eu me esfregava mais ao corpo de Izabela, meus olhos gritavam com ela e ela parecia entender a linguagem que eu usava...
- Você quer realmente saber? – Disse isso se virando um pouco mais para mim...
- Hummm... Acho que quero, sim... Conta pra mim, vai, Iza... – Eu já enlaçava minhas pernas com as dela...
- Então vem cá que eu te mostro, minha mulher...

Izabela rolou para cima de mim, fazendo com que as pernas dela abrissem as minhas e começou a esfregar seu sexo forte contra o meu, em um ritmo lento, mas tão forte que me causava calafrios de tesão. Fazia isso sem me beijar, apenas encarando forte os meus olhos, com uma cara safada, de quem estava gostando da brincadeira... Quanto mais ela aumentava o ritmo de seus movimentos em mim, mais excitada eu ficava e já começava a respirar mais ofegante... Me senti próxima ao gozo quando ela parou... Parou e começou a sorrir com aquele sorriso maroto e disse:
- Achou que eu ia terminar assim, é?
- Você quer me enlouquecer de tesão, Izabela? Vem terminar o que começou, vem... Estou morrendo de vontade, amor...
- Não, meu amor... Eu não quero você gozando assim... Quero você inteira pra mim...
- Mas eu sou toda sua, gatinha... Vem cá, vem...

Izabela começou a tirar sua roupa se insinuando para mim, aquilo me deixava louca... A maneira como ela me olhava, os gestos, cada movimento que ela fazia, me excitava demais...

- Senta que eu quero tirar a sua blusa!

Izabela me fez sentar na cama e ficou de joelhos sobre a cama de frente para mim, começou a levantar minha blusa lentamente e eu sentia suas unhas em minhas costas... Parecia que ela tinha acabado de descobrir meu ponto fraco, eu ficava enlouquecida com o toque em minhas costas, sentir suas unhas, então, era maravilhoso... Quando senti sua unha correndo desde baixo, soltei um gemido baixinho e um arrepio percorreu meu corpo inteiro... Izabela sorriu pra mim com um sorriso malicioso, como uma criança que descobre onde o pote de biscoitos está escondido e falou com um ar sedutor:

- Hummm... Ta arrepiada, é gatinha?... Ta com tesão, é?
- Iza, isso é tortura... Minhas costas são muito sensíveis, amor...
- Só as costas, é...

Ela olhava para meus seios com sede e com uma voracidade indescritível, avançou com sua boca e mãos sobre eles, me fazendo deitar de imediato... Ela os apertava com um tesão que me enlouquecia, passava sua língua de leve sobre o mamilo e quando o sentia rijo de tesão, o abocanhava sem piedade de mim, o mordia com força e aquilo só me causava mais tesão ainda... Eu estava enlouquecida, percorria com minhas mãos por todo o corpo de Izabela... Apertava sua bundinha forte contra mim, fincava minhas unhas em sua pele e sentia seus gemidos de prazer...

De repente, Izabela arrancou minhas calças com voracidade, foi arranhando meu ventre até encontrar meu sexo, totalmente molhado de tesão e latejando... Latejava de tanta necessidade que tinha dela... Quando a senti se aproximando dele, abri minhas pernas o máximo que pude, não conseguia mais conter a vontade que eu tinha de ser possuída por ela...

Izabela parou por um momento de me beijar o ventre, subiu até meus lábios, me beijou com voracidade e falou:
- Agora eu vou fazer uma coisa que to morrendo de vontade de fazer, meu anjinho...
- Faz o que você quiser, Belinha, eu sou todinha sua...

Izabela se pôs de joelhos pra mim e virou-se ao contrário, ficando na posição 69... Ela roçava sua barriga em meus seios enquanto recomeçava a beijar minhas coxas e lamber minha virilha... Ela começou a passar seus dedos em meu clitóris a fim de me excitar mais... Eu não resisti ao aroma que ela liberava com seu tesão e a puxei mais pra baixo, fazendo-a deitar sobre mim... Comecei a tocá-la com a mesma intensidade que ela fazia em mim e comecei a sentir enlouquecida, gemendo alto, mordendo toda à volta de minha vagina... Era delicioso sentir seus dentes em mim... Eu não agüentava mais e abri mais minhas pernas, ela entendeu o que eu queria e meteu seus dedos dentro de mim... Não sei ao certo quantos foram, só sei que quando senti eles entrarem em mim, fui aos céus e a mordi... Ela estava mais louca ainda... Começou a mexer dentro de mim, me dando estocadas fortes, que me faziam delirar... Comecei a chupá-la rapidamente, eu precisava de seu gosto preenchendo minha boca, penetrei minha língua nela e ela começou a rebolar em mim, era demais sentir aquela mulher bombando em mim e rebolando em minha boca ao mesmo tempo... Comecei a sentir meu corpo ganhar vida e explodimos juntas em um orgasmo delirante... Nunca havia sentido algo daquela forma... Fora a melhor transa que tivemos até então... O início perfeito de nossa vida de casadas... Tomei o gozo que saía dela até a última gota... Iza virou-se para mim, deitou em meu seio e ficou ali, parada, ouvindo as batidas fortes de meu coração... Após alguns minutos, ela estava recuperada e se levantou, ficou olhando em meus olhos, eu poderia me perder naquele olhar... Era tão intenso, tão maravilhoso que parecia que penetrava minha alma... Ela me deu um beijo delicioso, deitou ao meu lado, abraçada a mim e dormiu... Dormi praticamente ao mesmo tempo... Não precisávamos de palavras, sabíamos que tudo o que sentimos naquele momento, fora apenas e tão-somente a materialização de nosso amor... Eu a amava sem medo, sabia que ela era minha e cuidaria de mim quando fosse necessário. Éramos só uma e sentíamos isso nesses momentos com toda a intensidade...
Izabela acordou antes de mim e me despertou com beijos, namoramos por alguns minutos na cama, até que chegou o momento de irmos para a faculdade, levantamos e fomos para o banho, tomamos um banho calmo e delicioso, uma acariciando o corpo da outra, tudo muito gostoso... Nos enxugamos e nos vestimos... Iza arrumou nossa cama enquanto eu arrumava a pasta da faculdade. Fomos para a cozinha e fizemos o café. Quando estávamos começando a comer, minha mãe se levantou, nos deu um beijo e começou a conversar, ainda bocejando de sono:
- Bom dia crianças... Conseguiram dormir um pouco?
- Dormimos, sim, Cris!... Muito bem por sinal...
- É, mãe, dormimos como não fazíamos há dias!... Na verdade acho que nunca havia dormido tão bem assim...
- Humm... Que bom que tenham aproveitado, pois agora na aula vão ter que ralar muito, né?
- Ai, nem me fale, Cris! As coisas na facul estão ficando complicadas e eu e a Rapha ainda precisamos pensar em como estagiaremos...
- Calma, amor... Ainda temos muito tempo pra resolvermos isso... A única coisa que precisamos fazer agora é prestar atenção nas aulas. Pois agora que estamos juntas, poderemos discutir sobre as matérias mais e com certeza ficará muito mais fácil de entendermos o assunto.
- Ah... Isso é verdade, Bela... Vocês vão poder conversar mais sobre a faculdade também... Ou você ta achando que casar é só levantar e tomar café junto?!... Humm? Nada disso... ainda mais quando se mora com a sogra... As duas! Já pra aula!...

Minha mãe disse isso caindo na gargalhada e dando tapas em nosso bumbum, como se fôssemos duas crianças... Terminamos de nos arrumar, pegamos a pasta e fomos pra aula. Enquanto subíamos as escadas, Michele e Vanessa nos chamaram até a cantina, Michele começou a falar com Izabela:
- Iza, o que aconteceu com você? Estou tentando te ligar há dois dias em sua casa e ninguém atendia. Ontem bem tarde eu tentei te ligar novamente, achando que como era muito tarde, te encontraria, mas sua mãe falou que você não mora mais lá...

Izabela me olhou um tanto aflita, mas continuou a conversa sem que as demais notassem a diferença no tom de sua voz:
- Pois é, Mi... Andei analisando minha vida e resolvi ontem sair de casa, estou morando em outro lugar agora... Fica mais prático pra eu vir pra facul... Mas o que você queria comigo? Era alguma coisa séria?!
- Não, só queria saber como as coisas andavam, senti você um pouco diferente essa semana, só conversando com a Rapha, achei que tivesse com algum problema... Aconteceu alguma coisa pra você sair de lá?...
- Não, não aconteceu nada, não, Mi. Apenas comecei a analisar minha vida e cheguei à conclusão de que eu não estava conseguindo ficar no clima de minha casa, sempre muito vazio, sem ninguém pra conversar... Não estava me sentindo bem, só isso...
- Bem, se o problema era solidão, então você está morando com alguém?
- Meu Deus, Michele! Mas que interrogatório logo de manhã, mulher?! Comeu sopa de letrinhas?!... – Vanessa entrou no assunto, cortando Michele, sabendo que Izabela não gostava de falar de sua vida particular.
- Ah... Desculpa, Iza... É que me empolguei na conversa... Bem, deixa pra lá... vamos pra aula?

Subimos pra aula e Vanessa ainda piscou para nós duas, como se soubesse, nas poucas palavras que ouviu, o que tinha acontecido...

 

 

Capítulo XIV - Outra revelação

 

Quanto mais o tempo passava, mais eu e Izabela nos apaixonávamos. Era como se aquele amor não tivesse fim, como se crescesse mais a cada amanhecer... Nos conhecíamos mais a cada dia. Eu aprendia os gostos de Izabela e notava que ela se preocupava em aprender tudo sobre mim. Nossos momentos juntas eram deliciosos e apaixonantes. Na faculdade era quase inacreditável que ninguém desconfiava de nosso casamento, pois não tínhamos medo de nossos olhares, mas mesmo assim, ninguém nunca desconfiara de nossa cumplicidade. Minha mãe gostava muito de Izabela e muitas vezes, nossas conversas sobre a faculdade e nossos planos futuros ia noite adentro... Ela se interessava muito por nossa vida acadêmica e já comentava sobre um futuro estágio em sua clínica. Tudo o que precisávamos, era concluir algumas cadeiras práticas na faculdade, o que já estávamos cursando há um certo tempo, então era uma questão de tempo para começarmos a estagiar na clínica. Minha mãe nos ajudava muito com a faculdade, comentava a importância de cada assunto que víamos e nos contava de casos onde se aplicavam cada conhecimento que adquiríamos. Eu e Izabela aprendíamos mais com as explicações práticas de minha mãe e era notável a diferença em nossas notas.

Numa certa manhã, eu e Izabela estávamos conversando na cantina quando Michele se aproximou de nós e iniciou a conversa:
- Iza, o trabalho de psicanálise será em grupos e as meninas com quem eu faço os trabalhos resolveram estudar apenas pela parte da tarde, mas estou trabalhando nesse horário, só tenho a noite para estudar e os finais de semana. Você já tem alguma equipe formada?...
- Bem, Mi, eu vou fazer o trabalho com a Rapha, como de costume. Não sabemos se a Vanessa vai fazer com a gente, ou não. Mas a princípio, seremos só nós duas.
- E vocês pretendem fazer o trabalho quando?
- Bem, como está prevista a apresentação para a segunda feira, creio que começaremos hoje... Se você tem problemas com o horário, podemos fazer hoje à noite, tudo bem?
- Ótimo, então podemos fazer na sua casa, Iza?
- Humm... Creio que não tem problemas, né Rapha?... Pode ser hoje à noite lá em casa?
- Pode sim, Iza... Claro! – Respondi.
- Então ta certo, Mi. A que horas você pode ir pra lá?
- Eu saio de meu trabalho às 18:30h.
- Então ótimo. Saia e vá direto pra lá, jantamos juntas e começamos o trabalho, ok?

Izabela passou o endereço para Michele e estava tudo certo. Mas Izabela ainda não sabia que eu e Izabela morávamos juntas. Ela achava que estava indo na casa de Izabela, apenas isso...

À tarde eu e Izabela fomos ao mercado, compramos os ingredientes para fazermos o jantar, voltamos para casa e organizamos tudo para a noite. Às 18:50h. Michele tocava o interfone do prédio, anunciando que havia chegado.
Entrou em casa e eu estava na cozinha, terminando de lavar a louça. Chegou e começou a brincar comigo:
- Xi, Rapha, sobrou pra você lavar a louça, foi?
- Pois é, Mi, vida de doméstica não é fácil...

Rimos um pouco e quando terminei de limpar a cozinha, colocamos o jantar na mesa. Fui até o quarto, mudar a música que tocava no computador e aproveitei para pentear os cabelos, só então senti que Michele me olhava de uma forma diferente, aí lembrei que ela poderia estar estranhando a forma como eu me sentia “em casa” na casa de Izabela... Mas ela não comentou nada, apenas reparava em como eu estava à vontade... Terminamos o jantar e tiramos a mesa, falei para Izabela organizar os livros enquanto eu arrumava a cozinha, Michele ainda reparava muito na maneira como eu me portava na casa de Izabela,mas não falava nada. Izabela foi até o quarto pegar alguns livros e perguntou de lá para Michele se precisaria de um livro qualquer para a pesquisa, nisso Michele entrou em nosso quarto respondendo à pergunta de Izabela. Iza olhava para nossa estante de livros e pedia ajuda à Michele em quais livros basear a pesquisa, Michele olhava os títulos dos livros e separava os interessantes, depois de terem pegado os livros, Michele olhou em volta e notou o grande espaço do quarto:
- Nossa, Iza, que legal o seu quarto, é super espaçoso, né?
- Ah! É sim. É a parte da casa que eu mais gosto, entende? – Disse isso soltando um riso maldoso e fazendo Michele sorrir.
- Ah... Eu imagino que seja... Mas então, você ainda não disse se mora mais alguém aqui, percebi que tem mais dois quartos aqui... Quando você comentou que saiu de casa, disse que estava saindo porque não gostava da solidão que sua casa ficava. Mas também não disse se estava morando com mais pessoas...
- Nossa, como eu sou uma péssima anfitriã! Deixa eu mostrar o resto da casa pra você... – Izabela preenchia sua resposta apenas falando da casa... – Bem, esse quarto maior aqui é da Cristina, ela é psicóloga, tem uma clínica onde eu e a Rapha começaremos a estagiar em algum tempo. Ela nos dá dicas maravilhosas sobre a atuação da psicologia. Daqui a pouco ela deve estar chegando, aí você a conhece. Ela vai nos ajudar no trabalho também... Esse outro quarto aqui é inútil... Ele é para os hóspedes, muitas vezes eu e a Rapha chamamos amigos nossos nos finais de semana pra cá e todos acabam dormindo aqui, então é por isso que temos tantos lugares aqui... O apartamento lota!... Bem, aqui como você já viu, é o meu quarto, escritório e biblioteca... Tudo o que eu preciso, com exceção da comida, está aqui! Aqui está o banheiro, outro lugar super interessante – disse soltando outro riso – aí vem a sala de jantar e a da tv, que você já conheceu... Agora vamos para a parte gostosa da casa: A cozinha! Bem, aquela ali é a escrava branca da casa, qualquer problema, você dá uma chibatada nela que ela obedece, ta? – E deu um tapa em meu bumbum, caindo na gargalhada – né, Rapha?!... “Shtááá”! – fez como se me desse uma chicotada..
- Izabela! Como você está engraçadinha hoje!!! Viu no que é que dá acostumar, Mi? Aí fica se achando dona!...
- Pois é, Rapha, é complicado!
- É... Gente folgada não é fácil!...
- Ai... Rapha!... Não fica bravinha, vai... Você não é escrava... Mas deixe tudo limpinho, senão você vai pro tronco, ta? – E me abraçou por trás e me deu um beijo perto do pescoço...
- Izabela!!! Eu tenho cócegas!
- Eu sei!... Então, Mi... Como eu dizia, qualquer coisa você pede pra Rapha, ta?... hahahaha... E essa é a lavanderia, toda bagunçada porque a Rapha também não lavou a roupa!
- Nossa, Iza, você gosta de pegar no pé da Rapha, né?...
- Claro!... Ela não cumpre com as obrigações!
- Como é que é, Izabela? – Perguntei fazendo uma cara bem sacana, que Izabela entendeu muito bem, mas Michele não entendeu nada...
- Ah... Deixa pra lá... Bora fazer o trabalho gente?... – Izabela disse desconversando e rindo da situação...

Fomos para a sala e começamos a debater o assunto, cerca de meia hora depois que discutíamos sobre o trabalho, minha mãe chegou, cheia de pastas, largou tudo sobre o sofá e veio sorrindo em nosso encontro...

- Boa noite minhas crianças... Que bonitinho ver todo mundo estudando! De vez em quando faz bem, não é? – Acariciou o braço de Izabela e a beijou na cabeça e fez o mesmo comigo... – E você é a colega da Rapha e da Iza que veio jantar aqui em casa, não é?...
- Sou eu, sim... Você deve ser a Cristiane, certo? Izabela comentou que você chegaria logo... Muito prazer, eu sou a Michele.
- Muito prazer, Michele. Então quer dizer que a Iza já fez propaganda, é?
- Claro, né Sssss... Cris! – Izabel sempre com a mania de chamar minha mãe de “Sogrinha”, quase que me mata!
- ...e ela também já fez propaganda que você vai ajudar com o trabalho! – Eu falei rindo da cara que Izabela fez de “precisava contar?”.
- Ah!... É assim, é, dona Izabela?!... Que liberdade é essa?!...
- Ah, Cris!... Ta tudo em família!... Você sabe!
- Tudo em família... Bem convencida a senhora... Pois bem, eu vou tomar uma ducha e jantar, depois venho conversar um pouco com vocês, ok?
- Tudo bem... Mas vê se não demora, senão tu também vai pra chibata! “Shtáááá”... hahahahaha
- Que é isso, Izabela? Rapha, ela bebeu alguma coisa hoje?
- Não, mãe... Ela ta meio retardada mesmo! Normal.

Bem, nesse dado momento, Michele ouviu o “mãe” e se assustou:
- Rapha?! Ela é tua mãe?!?!
- Vixi, esqueci de te apresentar, né?... hehehe... É sim, ela é minha mãe, Mi... Nossa, a Iza não apresenta a casa, eu não apresento minha mãe... Ta complicado hoje...
- Então você mora aqui?
- Ué, Mi... Você não sabia?
- Claro que não!
- Mas você sempre teve o telefone daqui de casa, Michele! E sempre foi o mesmo número que o da Iza... Como é que você não sabia, mulher?!
- Sério!?... Eu nunca tinha percebido isso! Então quer dizer que você, sua mãe e a Izabela moram aqui?
- É.
- Ah... Então ta explicado por que vocês sempre chegam juntas na facul!... Mas eu nunca imaginaria que vocês moravam juntas!!
- Pois é, na verdade a Nessa é a única que sabe da facul... Os outros não percebem isso. – Izabela disse.
- Bem, vocês também não falam nada sobre a vida particular de vocês na faculdade, não é? Nunca soubemos se vocês namoram, se saem no final de semana para dançar, se viajam, nunca vão aos churrascos...
- Hey!... A gente já foi em uns churrascos, sim, Mi!...
- Bem, foram, mas não participaram muito, quando começavam a se aproximar de vocês, vocês, já estava na hora de vocês irem embora...
- É... Confesso que a gente evita falar de nossa vida particular na faculdade. Estamos lá pra ganharmos ferramentas profissionais, todo o interesse está voltado para isso... Mas bora continuar com o trabalho, antes que minha mãe venha pegando no pé de novo?!... E experiência própria, Mi, ela consegue ser mais chata que a Iza! – Falei rindo e Izabela me olhou fazendo bico, dizendo não ser chata...

Prosseguimos nosso estudo e logo minha mãe passou por nós, em direção à cozinha. Enquanto jantava, prestava atenção no que discutíamos. E logo que terminou de comer, entrou no assunto, nos contando de experiências que teve em seu consultório e como obteve resultados positivos com certos tratamentos... Michele ouvia tudo atentamente, achando muito interessante a maneira como eu e Izabela estudávamos, tendo uma aplicação prática do que aprendíamos.

- A maneira como você expõe a matéria é muito interessante, Cris. – Michele estava entusiasmada.
- Pois é, Mi. A matéria sendo dada de maneira prática é muito mais atraente do que a dada pelos professores. Rapha pega ali no teu quarto aquele livro que eu te mostrei ontem.

Dirigi-me ao meu quarto e Michele me seguiu com os olhos, atônita. Mas disfarçou. Trouxe o livro e continuamos o trabalho. Eram mais de 22h. quando resolvemos deixar para continuarmos na outra noite, enquanto arrumávamos as coisas, minha mãe disse:
- Meninas, eu vou indo dormir agora porque amanhã o dia vai estar lotado, ok?... Fiquem bem e não precisam se apressar... Vou para o meu quarto. Até amanhã, Michele, foi um prazer te conhecer.
- O prazer foi meu, Cris. Muito obrigada pela ajuda.
- Não foi nada. Amanhã conversamos mais. Boa noite meus amores... – Deu um beijo em Iza e outro em mim... – Durmam bem, ta? Até amanhã...
- Tchau mãe...
- Boa noite, Cris... Se cuida! Hehe...

Minha mãe entrou para seu quarto e ficamos a sós na sala. Michele parecia querer nos perguntar alguma coisa, mas não sabia como. Todas arrumávamos os livros e folhas da mesa. Levamos os livros para o quarto, Michele os deixou sobre a cama enquanto eu os organizava na estante e começou a olhar a decoração do quarto...

- É muito interessante a decoração desse quarto, a disposição dos armários, o computador, os detalhes nos enfeites e fotografias... - Michele olhava para os porta-retratos que haviam na parede... – Onde vocês estavam nessa foto, Iza?
- Humm... – Izabela olhou para a foto, estava com um certo receio de que ela notasse algo – Ah! Essa foto foi no mês passado, quando fomos para uma fazenda, lugar lindo... Tinha que ver!
- Você se dá super bem com a mãe da Rapha, não é? – Disse isso olhando para uma foto onde ela aparecia com minha mãe...
- Ah, sim... A Cris é como uma segunda mãe para mim.
- Eu percebi pela maneira que ela te trata. Ela tem um espírito super jovem, não é?
- Ah, com certeza. – Falei – Minha mãe vive me surpreendendo. E muitas vezes trata a Iza melhor do que a mim mesma...
- Ai, não liga, Mi... É que a Rapha é pouco ciumenta, sabe?!... Ela quer a atenção toda pra ela sempre... A minha e a da mãe dela!... Mas é tudo charminho...
- Hummm... – Michele fez uma cara desconfiada e enfim perguntou o que queria... – Esse é o seu quarto, Rapha?
- É sim, Mi...
- E por que a Iza também dorme nele, se tem um quarto com um monte de camas?

Olhei pra Iza, sabendo que ela deixaria as coisas nas minhas mãos, mas já sabendo o que eu responderia, Izabela se pronunciou:
- Bem... Eu vou sentar porque lá vem conversa... Senta aí, Michele, senão tu cansa! Hehehe...

Terminei de arrumar os livros, me virei novamente pra Michele, pedindo pra ela sentar, sentei em no puff e comecei a falar...

- Bem, Mi. Pra você fazer uma pergunta dessas, é porque você já sabe a resposta, não é?
- Não exatamente, de que resposta você fala, Rapha?
- Bem, é o seguinte... Eu e a Izabela dormimos juntas nesse quarto. Ele é nosso. Acho que deveríamos ter sido mais claras no começo, então vamos ver se conseguimos esclarecer um pouco as coisas pra você... Eu morava aqui com minha mãe apenas, aí entrei pra faculdade, conheci a Iza, nos tornamos melhores amigas como todos já sabem, quanto mais o tempo passava, mais unidas ficávamos, até que chegou o ponto em que minha mãe convidou a Iza pra morar aqui conosco e ela veio. Elas têm uma relação ótima, como você pôde notar...
- Sim. Até aí eu já entendi.
- Então, Michele. Nós dormimos no mesmo quarto porque somos casadas. – Izabela foi direta.
- Como?
- É, Mi, o que a Iza quer dizer, é que eu e ela somos casadas. Dormimos juntas porque afinal de contas... Bem, você sabe, não?

Michele ficou sem reação... Por mais que ela esperasse por algo desse gênero, não estava preparada para uma revelação tão tranqüila assim.

- Então vocês querem me dizer que são lésbicas?!
- É... Você não tinha notado ainda?! – Izabela perguntou.
- Não. Eu confesso que desconfiava, mas nunca imaginei que fosse tão sério assim.
- Pois é... Somos casadas e moramos aqui, Mi...
- E sua mãe?
- Ué, minha mãe é da maneira que você viu... Uma vez ficamos sem dormir por conta de um trabalho da facul e dormimos à tarde, acordei com ela na porta de meu quarto. Depois ela nos chamou e disse que já sabia e que como ela sempre fez questão de Iza morar aqui, ela praticamente resolveu isso por nós duas...
- Nossa, ela me surpreendeu!
- Pois a nós também, Mi... Ela tem uma relação perfeita conosco. Brinca e até tira onda quando eu e Iza estamos mal-humoradas... Somos nós mesmas na frente dela...
- Mas não têm nenhuma restrição?
- Não. Claro que mantemos o respeito que qualquer outro casal deve ter... Nunca faríamos sexo explícito ou alguma coisa que ofenda... Mas isso é normal como qualquer outro casal. Mas temos total liberdade para ficarmos juntas, nos beijar, nos tratar como duas pessoas que se amam...
- Gente, eu não to acreditando no que eu to sabendo!...
- É... É complicado assimilar esse tipo de informação... É muita coisa nova de uma hora pra outra... Também foi assim comigo e com a Iza, Mi... Não é só com você, não...
- E o que mais me deixa surpreendida foi a reação de sua mãe...
- É... Hoje ela trata melhor a Iza do que eu...
- Raphaela! Para de fazer drama! Eu to falando, Mi?!!...
- É... Agora faz mais sentido o jeito que vocês se tratam... Hoje eu estranhei quando te vi lavando a louça e a Iza te beijou o pescoço...
- Pois é... Às vezes ela extrapola um pouco...
- Ah, meu amor... Pelo menos eu não te agarro na frente das visitas... Pelo menos das que não aceitam nosso namoro... hehehe...
- Bem, Mi... Essa aí é a Izabela!... O lado que você não conhecia dela...
- Gente, vocês me surpreenderam!
- Mas fica tranqüila, Mi... Nunca vamos te desrespeitar, ta bom?... Somos super discretas e você sempre nos verá como vê na faculdade. Como nos viu até agora.
- Fiquem tranqüilas, meninas. Eu confesso que nunca tive uma convivência com homossexuais antes, mas não imagino que eu ver um beijo entre vocês vá me perturbar. Podem ser vocês mesmas na minha frente. Não tenho esse tipo de preconceito, ok?
- Que bom Mi... Muito bom saber que você nos respeita...
- Claro! Bem, mas eu vou nessa que está tarde, amanhã eu volto, pode ser?... Aí terminamos esse trabalho de uma vez...
- Tudo bem... Olha, se você preferir, você pode passar a noite aqui amanhã. Aí vamos para a aula juntas depois...
- Tudo bem, então... Amanhã nos falamos na aula...

Michele foi embora e fomos dormir, estávamos relativamente cansadas pelo trabalho...

 

 

Capítulo XV - O almoço em família

 

Os dias iam passando e mais aumentava o meu amor por Izabela. Eram maravilhoso sentir que ela me amava e que tínhamos em nossa casa, tudo o que precisávamos para sermos felizes. Minha mãe sempre estava do nosso lado nos apoiando e nos fazendo crescer, principalmente no campo profissional. Começamos a estagiar juntas na clínica de minha mãe e com isso, a faculdade ia sendo levada mais facilmente ainda, pois agora sabíamos a matéria antes mesmo das aulas... Em poucas semanas encerrariam nossas aulas e já estávamos aptas a sermos efetivadas pela clínica. Tínhamos planos de comprarmos um apartamento maior, reformá-lo ao nosso gosto... Com o início das férias, fomos almoçar na casa dos pais da Iza e a mãe dela começou com o assunto:
- Izabela, quando você volta pra casa?

Izabela me olhou em silêncio, temendo o pior... O tom de voz de sua mãe era autoritário e nos causava um certo temos...

- Então, Izabela? Suas aulas já acabaram, né? Creio que você não tenha mais nada a fazer na casa da sua amiga, não é?... O trabalho não é longe e sua casa é aqui.

Izabela respirou fundo e encostou sua perna na minha, quando a senti, eu sabia que ela daria uma resposta que sua mãe não gostaria e comecei a falar primeiro.

- Dona Fátima, não é incômodo algum ter a Iza lá em casa. Aliás parece que ela sempre morou lá... – Tentei amenizar o clima, mas sem sucesso.
- Eu sei, Raphaela, mas Izabela parece ter esquecido que a casa dela é aqui e não na casa de sua mãe. Ela tem que retornar para cá, não pode ficar morando lá para sempre.
- Mãe, eu não vou voltar. – Izabela era impetuosa quando falava desse jeito. Não deixava dúvidas de que continuaria com essa opinião.
- Como é que é, Izabela?
- É isso que estou dizendo. Não vou voltar para cá. Virei te visitar como sempre fiz, mas não vou mais voltar a morar aqui. Estou muito bem na casa da Rapha, vivemos muito felizes lá, estou crescendo profissionalmente e não vou sair de lá por um capricho da senhora.
- Capricho, Izabela? Que capricho? Você está muito bem, não é? Pois até agora seu pai te ajudou com suas despesas, mas não queremos mais você morando fora de casa. Eu sei que não há problema algum de você estar lá. Mas lá não é seu lar, seu lar, sua família, é esta, Izabela.
- É esta a minha família, mãe? Que família a senhora se refere?...
- A família que sempre pagou as suas contas, Izabela. – Disse o pai dela com um tom agressivo. Ele nunca falava, mas quando abria a boca, era em um tom de que não se tocaria mais no assunto. E geralmente ninguém mais discutia, nem Izabela.

Izabela permaneceu quieta por um minuto, respirou fundo e falou em um tom calmo:
- Papai, amor não se expressa com dinheiro. Sei que sempre tive tudo o que quis, o senhor nunca me deixou faltar nada, mas não é apenas disso que eu preciso. Preciso de mais que isso. Preciso de amor, de uma família, de cumplicidade.
- E você acha que terá esse amor na casa da Raphaela apenas, Izabela? – Dona Fátima estava perdida em seus pensamentos.
- Acho, mamãe. Lá eu chego em casa e posso contar minhas coisas fúteis e sentir que sou ouvida, posso rir de besteira, ser eu mesma. Sei que você é a minha mãe, sempre será. Mas eu não vou sair da casa da Raphaela.
- Izabela, você está querendo me dizer que você vai continuar em outra casa, sem nenhuma ligação comigo e ainda vai usar do meu dinheiro?
- Papai, me desculpe a sinceridade, mas eu não quero mais o seu dinheiro. Estou falando que estou tendo a minha própria vida e que estou feliz e o senhor ainda está pensando nisso. Seu dinheiro não é utilizado desde que comecei a estagiar e agora que estou sendo efetivada pela clínica, não precisarei de seu dinheiro definitivamente. Se ele é o seu maior problema com relação a eu estar fora de casa, ele não existe mais.
- Izabela, você está agindo sem pensar. Está sendo influenciada por um convívio surreal na casa dessa sua amiguinha aí e está jogando tudo para o alto, você não está vendo isso?
- Papai, chega! Você está agindo assim com a Raphaela por que?
- Porque eu sei que é ela quem está fazendo a sua cabeça para que você saia de casa. O que ela é, hein?... Você está com algum vício, Izabela?
- O quê??? Eu não estou ouvindo isso! Eu estou dizendo que estou bem, que consigo me sentir livre na casa dela e você acha que estou usando drogas?
- É a única explicação para tamanho “grude” de vocês duas. Nunca mais vi você longe dessa aí. Até trabalhando juntas estão! Vamos, Izabela, me fale o que está acontecendo para que eu possa te ajudar a tempo.
- A tempo de que, meu pai?
- A tempo de você se perder em um caminho que não queremos que você entre.
- Que caminho?
- O das drogas, minha filha. Sabemos que você está mal e que a culpada é essa aí.

Eu não sabia se ria da situação, ou me enfurecia. Estava atônita diante de tanta blasfêmia.

- Senhor, acho que está havendo um engano. O senhor não conhece nada da sua filha, se a conhecesse, saberia muito bem que a índole dela nunca permitiria que ela se envolvesse com drogas. Izabela é um anjo de pessoa e o senhor a ofende tirando suas próprias conclusões sem a conhecer direito.
- Raphaela – fui interrompida por dona Fátima – eu conheço minha filha e fui eu quem conversou com meu marido para conversarmos com a Izabela a respeito disso. Não nenhum pré-conceito, é algo que há tempos venho notado e a única explicação que achei para tamanho laço entre vocês duas, é a droga. Não quero guerra, quero apenas ajudá-las.
- Mamãe, cale-se! Eu não sei como deixei essa conversa chegar a esse ponto. Vocês não me ouvem. Estou dizendo que não uso drogas. Nunca usei, não fumo e bebo apenas raramente, em festas, ou em ocasiões raras... Nunca fui a favor desse tipo de vida e meu caráter não mudou.
- Não adianta, Izabela. Não acreditamos em nada que você fale. Você tem algum vínculo, sim, com essa Raphaela aí e não adianta a encobrir que já sabemos.
- Ah sabem mesmo? – Izabela perdeu o controle diante de tanta ignorância – Sabem mesmo qual é o vínculo meu com Raphaela? Não, creio que não sabem porque vocês nunca prestaram atenção no que eu faço ou penso! Se prestassem atenção, veriam o que realmente nos une...

 

 

Capítulo XVI - A revelação

 

O silêncio tomou conta da sala, os pais de Iza se olharam perdidos em meio à alteração da filha. Com isso, Izabela retomou o que dizia mais calma...

- ...Vocês não acham que perderam tempo demais tendo “certeza” de que o que vocês pensavam era a verdade, ao invés de me perguntarem direito o que se passa em minha vida?
- O que é que você está querendo dizer, Izabela?... Está tentando mudar de assunto para que pensemos que fomos injustos com você? – A mãe dela ainda demonstrava autoritarismo...
- Não, mãe. Eu apenas imaginei que esse momento seria um pouco menos conturbado... Pensei seriamente que vocês poderiam ser racionais.
- Bela, acho que não é hora de falar nessas coisas... Seus pais estão muito alterados.
- Raphaela, por favor. Pra começar esse era pra ser um jantar onde apenas eu e meu marido estaríamos presentes com a nossa filha para resolvermos o que é melhor para o futuro dela e ela sabia muito bem disso. Mas pelo jeito a sua influência é tamanha na vida dela, que ela teve que te trazer também... Então não se intrometa nisso.
- Mamãe, agora chega. – Izabela se alterou de uma forma que eu jamais tinha visto – Nunca mais trate a Raphaela dessa maneira. NUNCA MAIS!
- O que é isso, Izabela?
- Isso é que você não está entendendo nada, está me acusando de coisas absurdas, que eu nunca fiz em minha vida e agora resolveu atacar a minha mulher, dizendo que ela está se metendo na sua família... Pois saiba que a Raphaela é a minha família agora e não vai mudar.
- Sua mulher! Olha a maneira que você a trata agora! De onde você tirou essa, Izabela? - Disse o pai de Iza...
- Desculpe, papai... Achei que nunca teria forças para contar algo assim diante de vocês, mas está sendo mais forte que eu. Raphaela é minha mulher, assim como minha mãe é sua, ok? Não é fácil admitir isso para os próprios pais, mas está sendo necessário. – O silêncio e a perplexidade tomavam conta daquele lugar – Não tenho mais dúvidas em relação ao que eu sinto. Estamos juntas desde uma semana antes de quando eu fui morar com ela. A Cristina já percebia em nós esse amor e quando notou que nos entregamos uma à outra, conversou conosco e decidi ir morar com ela e com a Rapha... Sei que é estranho vocês ouvirem isso de mim numa circunstância dessas, mas quero que vocês saibam que eu amo muito vocês dois, mas que não vou voltar para essa casa. Eu tenho a minha casa com minha mulher, que é o amor da minha vida, meu emprego, meus amigos... Não vou mudar isso que conquistei apenas para viver em uma mentira, tendo que enganar vocês dois. Eu entendo que agora vocês não vão aceitar o que sentimos, mas estão dentro do direito de vocês dois...
- Izabela, cale-se! – Disse seu pai furioso – Você está querendo me dizer que você... Que você... É sapatão?
- Bem papai, se você conhece apenas esse termo, é isso, sim... Eu namoro a Raphaela.

Ele ficou mudo, contendo sua raiva e disse em um tom segurando o berro:
- Pois bem, você saia agora daqui dessa casa com essa... Sapatão... E não me apareça mais aqui.
- Tudo bem, papai. Eu esperava essa reação sua mesmo... Irei pra minha casa agora. Você sabe onde estarei esperando por você. Só não quero que vocês se esqueçam que eu te amo. Vamos meu amor, não temos mais nada pra fazer aqui.

Izabela pegou em minha mão e fomos embora, sem dizer mais palavra alguma. Dona Fátima assistia atônita à tudo o que acontecia. Pegamos o carro e voltamos para casa sem dizer uma única palavra.

 

 

Capítulo XVII - O desabafo

 

Chegamos na garagem do prédio e Izabela ainda estava em silêncio, apenas olhando para a direção, com o olhar imóvel... Eu podia ver além daquele olhar, podia ver a tristeza que ela tentava esconder, a tristeza que a fazia sofrer tanto e que ela não demonstrava aos outros, mas eu conhecia aquele olhar... Era um olhar de desespero interno.

Passei minha mão por seu pescoço, ainda imóvel tentando segurar o choro, acariciei sua cabeça e a puxei um pouco para perto de mim e senti um pouco de sua resistência. Aquela resistência que eu já conhecia era a maneira que Izabela tinha de tentar parecer mais forte, mas na verdade, ela estava morrendo por dentro... Com uma voz doce, acariciei seu cabelo e quebrei aquele silêncio:
- Amor, fica calma. Você sabia que não seria fácil contar isso pra eles, seja qual momento de nossas vidas fosse.
- Eles conseguem machucar... – Ela engolia o choro
- Amor, não fica assim, eles só precisam de um tempo. Fica calminha gatinha... – Puxei ela para meu ombro e senti ela me apertar em um abraço que abafava seus soluços – Chora que vai te ajudar a botar pra fora essa angústia, amor...

Izabela me abraçou de uma maneira que nunca tinha me abraçado. Por mais terno que eram seus abraços, eu vi que ela havia se entregado sem armas para mim... Ela estava em meus braços feito um neném indefeso, entregue aos meus cuidados... Deixei que ela chorasse um pouco em meus braços e quando senti seus soluços se acalmarem, levantei seu rosto em direção aos meus olhos e encontrei aquele rostinho lindo vermelhinho e molhado pelas lágrimas e disse:
- Pronto, agora acho que você já está mais calma, não é? Então vem cá, gatinha... – dei um beijo em seus lábios salgados pelas lágrimas – Você sabia que não seria fácil, a hora de enfrentarmos isso chegou, amor. Estamos juntas, temos nosso lar e nos amamos. Temos nossa vida e não dependemos deles. Então vai ficar muito mais fácil pra eles aceitarem a situação. Enquanto isso nós vamos viver nossa vida, na nossa casa, dormindo lá na nossa cama, trabalhando juntas, estudando juntinhas, ta?... Eu estou junto com você nessa luta, meu amor. Fica calma, ta?

Izabela se aconchegou em meu abraço e ficou com seu rostinho em meu ombro por mais alguns minutos, quando levantou sua cabeça, olhou pra mim com uma ameaça de sorriso e disse:
- Eu te amo tanto que chega a doer, sabia? – E me beijou de uma maneira que se entregava inteira pra mim... – Vamos pra casa, amor... Quero teu colo. Preciso de você...
- Vamos sim, mas antes eu quero você aqui comigo... – Puxei-a para meu beijo, um beijo delicado, sem pressa, cheio de amor e carinho... – Pronto, agora eu estou reconhecendo minha mulher... Vamos, meu amor, vamos pra nossa casa...

Quando entramos em casa, minha mãe estava na sala e se assustou ao ver o semblante triste e abatido da Iza, mas não falou nada quando olhou pra mim e fiz sinal de que estava tudo bem... Fomos para o quarto, Izabela ainda estava abatida, levei-a até o banheiro, liguei o chuveiro com a água bem quente, como ela gosta e comecei a despi-la, beijei seus lábios, tirei minha roupa e a puxei para baixo d’água... Deixava com que a água caísse pelos seus cabelos e rosto, acariciando-os levemente, como se meus dedos fizessem parte da água... Eu podia sentir o relaxamento de Izabela vindo, ela me olhava com um olhar terno, um olhar de criança, me abraçava com um carinho maravilhoso, tomamos banho, enxuguei seu corpo, coloquei nela um roupão enquanto eu enxugava seus cabelos, de repente ela levantou-se, ficou de frente para mim, aquele roupão aberto com seus seios despontando, me envolveu em um abraço, me empurrando para a parede do banheiro, me avançava em um beijo sedento. Ela dava algumas pausas no beijo e me olhava tão profundamente em meus olhos que me deixavam perdida em meio à imensidão deles. Ela me dizia com seus olhares o que queria, caímos na cama entorpecidas pelos beijos que trocávamos, enlaçávamos nossas pernas em uma dança ritmada pelas batidas de nossos corações... Nos amamos. Nos amamos várias vezes sem palavras, apenas com os olhares berrando o que sentíamos... Nos amamos e adormecemos em meio a roupões e toalhas quentes pelo suor que transpiramos... Izabela não era apenas a mulher que eu amava, era parte de mim... E eu dela. Sabíamos que sempre estaríamos juntas, pois não era mais possível que alguém separasse nossos corpos depois de unidos com um amor tão imenso.

 

 

Capítulo XVIII

 

Acordei e encontrei Izabela adormecida em meu seio, me enlaçando com um abraço forte, como se ela precisasse se sentir segura... A envolvi com meus braços e senti ela se aconchegar mais em mim... Realmente ela precisava muito de segurança naquele momento... Fiquei admirando seu semblante, ela estava com o rosto inchado, com marcas visíveis de que havia chorado muito... Mas mesmo assim, ela parecia um anjo, sem pecado algum, ali, nua, me abraçando dormindo... Ao admirar seus movimentos, notei seu sono perturbado, sua expressão se comprimia de tempos e tempos e sentia ela me abraçar mais forte, como se estivesse com medo... Ate que chegou o momento que Izabela deu um pulo e despertou... Fiquei olhando pra ela, ela estava com um olhar de medo, apavorado, me sentei na cama e a abracei. A envolvi em um abraço terno, acariciando seus cabelos macios, perfumados com um aroma que eu adorava, sentia sua respiração ofegante, como se tivesse tido um pesadelo do qual acabara de despertar, mas eu sabia que o contrario acontecia... O pesadelo se encontrava naquele momento de sua vida. Quase soluçando ela me perguntou apertando sua cabeça em meu peito “Por que as coisas tem que ser assim, meu amor?”. Beijei seus cabelos, apertei ela mais forte contra meu peito e apenas disse “Fica calma meu amor... A gente sabia que não seria uma situação fácil, sabíamos que eles levariam um certo tempo pra analisar a situação e realmente ficarem abertos para verem que você esta bem e feliz...”.

Izabela agora chorava, seu rosto estava encharcado com suas lagrimas. Eu me sentia impotente diante daquela situação, não sabia o que pensar, o que fazer para ajudá-la naquela situação. Era muito difícil saber o que dizer, eu nunca havia passado por tal situação, nunca havia precisado passar por aquilo pra eu saber como ajudá-la. Ficamos em silencio, apenas a abraçava e tentava, com meu abraço, acalmá-la. Ficamos daquela forma por alguns minutos ate que a senti mais leve, menos tensa. Coloquei-a no banho enquanto fui para a cozinha preparar nosso café. Encontrei minha mãe e ela logo notou minha cara nervosa.

- Rapha, o que aconteceu ontem a noite com a Iza?
- Ai, mãezinha... A gente foi jantar na casa da dona Fátima com ela e seu pai, o jantar, na verdade, se tratava de uma intimação para que a Iza voltasse pra casa, dona Fátima acabou ficando brava porque Izabela não queria voltar pra casa, começou a cogitar que a Bela tava envolvida com drogas e um monte de barbaridades e ela julgava ter acertado mesmo ao ver a Belinha nervosa, dizendo que não voltaria pra casa. Ai teve um momento em que ela estava se alterando e pedi pra ela ter mais calma, a dona Fátima mandou eu me calar porque eu estava sobrando, visto que o jantar era apenas para ter sido entre ela, seu marido e a filha... Ai a Bela disse que não era pra ela me tratar daquela maneira e me tratou como “minha mulher”. O pai dela ainda não tinha entendido o que ela quis dizer e ficou nervoso, questionando o por que de ela ter dito isso... Ai a Bela disse que a gente namorava e que não voltaria mais pra casa, ele perguntou se ela era sapatão e ela confirmou, ele ficou furioso e nos mandou embora da casa dele...
- Meu Deus, Raphaela!... E como que a Iza esta?
- Muito chateada, mamãe... Muito chateada mesmo... Ontem ela chorou muito, teve uma noite muito estressante, ela não tinha descanso, se debatia muito, dormiu abracada a mim, mas eu a sentia me abraçar forte, como se precisasse de segurança...
- Natural ela ter tido uma noite assim...
- E agora quando acordou, me abraçou e chorou de novo... Agora ela esta tomando um banho pra pelo menos desestressar um pouco, mas acredito que não mudara muita coisa, o que aconteceu ainda esta machucando, a ferida esta aberta. E pior e que eu não sei o que dizer, o que fazer pra ajudá-la, não precisei passar por isso com você e não sei como agir numa situação dessas...
- Bem, você não precisa passar por uma situação pra saber como agir, meu amor... Basta você agir como sempre agi com ela... Com esse amor que vocês sentem uma pela outra. É a única coisa que a manterá racional.
- É... Você esta certa, mãe... Acho que a única coisa que a fará esquecer disso é o tempo...
- Com certeza. E tenha certeza de outra coisa também... Quando ela superar isso, já terá passado o tempo de os pais dela a tratarem dessa forma rude... o melhor que vocês tem a fazer agora é ocuparem cabeça e relaxarem. O pior, que foi contar e agüentar as palavras deles, já passou. Agora basta vocês tocarem a vida e o amor de vocês duas...

Izabela entrou na cozinha, envolvida com um roupão, com os cabelos molhados, eu adorava aquela visão, as gotinhas pingando dos cabelos em seu colo, elas deslizavam pela pele alva de Izabela e se perdiam dentro do roupão... Notei seu olhar triste, ela tentou esboçar um sorriso para minha mãe, mas as lagrimas não permitiram...

Fui ao seu encontro e a abracei, minha mãe nos envolveu em um abraço e disse: “Calma, Iza, você sabe que sempre terá a gente aqui. Nossa vida, o amor que a Rapha sente continua o mesmo e eu continuo tendo você como minha filha, como a mulher que faz minha filha feliz... Nosso lar continua aqui.”

Izabela parecia se confortar ao ouvir isso, apesar de abalada pelo ocorrido, percebíamos que estava confortada por nosso amor.