Profana

ALG

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E adentramos a igreja silente. Ali era sempre fresco. Deus não era dos calores baforentos da Rua da Candelária.
 
Estava quase vazia. Apenas algumas carolas ajoelhadas lá na frente e um padre triste tentando vender santinhos na porta.

Eu segurava sua mão, como sempre o faço, pelo desejo constante de sentir sua pele e sua existência grudados em mim. Ela cheira maravilhosamente bem.

Levei-a para o lado da igreja, a admirar as imagens do martírio. Gigantescas imagens. Paramos diante de uma delas, oculta por uma das imensas colunas. Abaixo de cada imagem havia uma bancada de mármore rosa, com castiçais verdadeiros e outros de lâmpadas fluorescentes. Deixei-a de costas para mim, para que visse as hediondas cenas do pobre Cristo. Minha mão direita sorrateira apertou-lhe a nuca e empurrou-a até que a inclinação do tronco a levasse a apoiar as mãos na bancada rosa.

Como é linda! Aquele vestido branco, aquele corpo moreno, aquele mármore rosa, aquelas curvas sensacionais. Apenas aproximei meu corpo dela e continuei a falar sobre as pinturas e as simbologias cristãs seculares.

A mão esquerda surrupiava-lhe arrepios a deslizar pelo corpo. Ela geme baixo, mordendo o lábio inferior e sorrindo das obscenidades ditas nas entrelinhas.

Passeio por aquele corpo, colado ao meu, daquela mulher dissolvente em vapores e cheiros, até que meu desespero inoportuno leva-me a invadir sua frágil e minúscula calcinha branca. Com delicadeza e suavidade, postei o tecido de lado e rocei os dedos por seus lábios e seu clitóris, lentamente.

Ela contorcia-se, mãos a marcarem o mármore com as unhas deliciosamente escuras.

Ficamos ali, assim, quase abraçadas, a admirar o excitante conjunto imagético da religião. Minha mão quase imóvel, meus dedos ouriçados a despejarem nela o tesão que me desperta tão próxima, seus cabelos no meu nariz. Sussurrava-lhe teoria e tesão em troca de seus gemidos e suspiros, cada vez mais ofegantes.

Naquele altar improvisado, diante de um Cristo lacerado a caminhar com sua cruz, eu percorri aquela mulher cobiçosa, ardente, voluptuosa, invadindo-a com os dedos ritmados no pulsar da sua jugular, retorcendo-me dentro dela, apertando-lhe a nuca e sentindo-a fraquejar os joelhos enquanto gemia despudoradamente na acústica perfeita do lugar.

Derramou-se ali, herege, absoluta, orgástica, soberana. Deusa plena de poderes e potências, usufruindo cada gota do gozo espetacular que esparrama pelos meus dedos.

Instantes depois, perfeitamente encaixada no meu abraço, levei-a trêmula e sorridente para sentar no banco da praça. Ali, aninhada no meu colo, braços em torno do meu pescoço, embalada no prazer ainda transpirante, deixei-a ficar ao sol, mesclando seu cheiro maravilhoso ao perfume da tarde carioca, ouvindo meus afetos, olhos fechados.