Um amor encomendado

De Tynah

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Desci da égua com certa dificuldade, porém com segurança. Olhei para onde estava o homem e ele conversava descontraidamente com alguém no rádio. Eu olhei para os lados e tentei me situar onde estava e para onde deveria seguir. Não queria subir ao cume do vale, queria voltar para a fazenda, queria pegar Laura pelo pescoço, queria gritar com ela, humilhá-la, ofendê-la como a um subordinado incompetente, queria aliviar minha ira.

Enquanto corroía a fúria eu me embrenhava na mata, sabia que havíamos vindo por ali, e havíamos cavalgado apenas uma hora mais ou menos, não estaria longe.

“O que aconteceu comigo, meu Deus?! Por que me deixei conduzir como uma garotinha idiota? Sou Ivana Lins, droga!”

Eu queria voltar logo para a civilização, a realidade, ao mundo que eu conhecia e dominava. Devia ter caminhado por um longo tempo, pois já sentia dores fortes nos pés, então parei, me recostei em uma árvore e pela primeira vez comecei a olhar realmente ao meu redor.

Era uma mata muito fechada, musgos e frondosas árvores por todos os lados, o cheiro do musgo úmido e do mato começou a me deixar apreensiva, comecei a me preocupar. Continuei a caminhar e de certa forma, com o coração um pouco menos pesado, a preocupação em chegar à fazenda me tirava, ao menos momentaneamente, os pensamentos de Laura. Somente quando ouvi o pio de uma coruja é que me dei conta de que já escurecia.

-Não pode ser! - Falei num sussurro, eu começava a sentir medo. - Não acredito que me perdi.

Um vento forte começou a balançar as árvores e logo em seguida eu sentia as primeiras gotas de chuva em meus cabelos.

-Era só o que faltava! - Falei levando uma das mãos ao rosto.

A chuva tornou-se torrencial e em poucos segundos eu já estava encharcada; àquela altura eu já estava apavorada. A escuridão começava a tomar conta da mata e eu não sabia mais que direção seguir. Há muito estava perdida.

Continuei caminhando sem saber ao certo para que lado ir, agora meus pensamentos se voltavam para Laura com fúria.

“A culpa é toda dela!”

Eu tentava controlar meu nervosismo, tentava ser a dona da situação que sempre fora antes de cair de paraquedas naquele mundo de faz de conta. Mas tudo era escuridão e eu já não podia mais caminhar.

Parei me recostando em um tronco caído, sob uma árvore frondosa, tentava em vão me proteger da chuva, o vento fazia meu corpo congelar de frio. Eu começava a sentir dores no peito, um medo incontrolável tomou conta de mim quando ouvi um barulho sinistro vindo do meu lado esquerdo, som de galhos se partindo. Levantei-me rapidamente, recuando enquanto imaginava um animal pronto para me atacar. Então surgiu um facho de luz e em seguida um cavalo despontou na mata. Fiquei recostada em uma árvore, em estado de choque, sem respirar, enquanto a luz de uma lanterna iluminava meu rosto. Fechei os olhos sentindo contrações de medo.

-Graças a Deus! - Ouvi a voz rouca dizer antes de pular do cavalo e correr para mim, tomando-me nos braços ansiosamente. Eu me agarrei a ela desesperada, enterrando meu rosto entre seus cabelos encharcados, tentando controlar as batidas de meu coração e o tremor involuntário.
- Meu Deus Ivana, quer me matar? - Disse Laura, afastando-se um pouco apenas para pegar meu rosto entre as mãos - Olhe pra mim, meu anjo.
-Me tire daqui. - foi tudo o que consegui dizer, eu estava sentindo mil coisas ao mesmo tempo, mas a sensação de alívio em estar nos braços de Laura era o que fazia naquele momento eu perder a firmeza nas pernas.

Laura me amparou antes que eu despencasse até o chão:
-Vou tirar você daqui, meu bem, ok! - Falou enquanto sem muita dificuldade me amparava e me levava até Missy.
-Consegue subir? - Perguntou segurando meu rosto entre as mãos -Vai ficar tudo bem.

Ela me ajudou a montar, e em seguida montou atrás de mim. Seus braços estavam em torno de mim e ela segurava as rédeas. Eu me recostei em seu corpo, sentindo tremores. Laura estava ali, eu ficaria bem.

A chuva continuava enquanto Missy seguia pela floresta densa. A água era gelada, o vento forte fazia com que a sensação de frio machucasse meus ossos. Laura seguidamente tocava seus lábios em meu rosto, meus cabelos e sussurrava:
-Já estamos chegando, ok?

Eu já não me preocupava em chegar a lugar algum, tentava apenas me lembrar de que tudo o que havia acontecido era culpa da ruiva. Tentava não sentir o corpo molhado dela atrás do meu, meu alívio em estar com ela, a insuportável sensação de felicidade diante dela.

Aproximamo-nos de um trecho menos denso, e em seguida vi uma luz. Era um chalé. Pequeno e charmoso pelo lado de fora, seu estilo era uma mistura de rusticidade e elegância.

Laura desceu e me ajudou, deslizei para seus braços e então ela me abraçou.

-Ivana, não faça isso nunca mais, por favor! - Disse ela num sussurro em meu ouvido. - Venha.

“A culpa é sua!”

Engoli a frase.

Ela atravessou rapidamente uma cerca baixa de madeira que era tomada por flores do tipo trepadeiras. Laura segurava minha mão, eu involuntariamente fiquei olhando para nossas mãos entrelaçadas como um casal de namorados.

Caminhamos rápido, a chuva só fazia aumentar. Ela abriu a porta do chalé e me puxou para dentro.

- Bem vinda a minha humilde casa. - disse ela tirando os cabelos molhados do rosto.

Eu não olhei muito para o interior do chalé, apenas percebi muitas almofadas coloridas espalhadas sobre um tapete bege e uma pequena lareira bem no canto da sala.

- Venha você precisa de um banho, está encharcada. - falava comigo como se eu fosse uma criança, e eu a obedecia, sentia a água gelada da chuva penetrar meus poros, meu corpo estava congelando. O banho foi agradável, porém o visual do banheiro foi o que me deixaria maravilhada se por dentro eu não estivesse a ponto de explodir. Era um ambiente mais parecido com uma fonte. Havia uma banheira bem no centro e no meio dela corria uma cascata de águas cristalinas sobre umas pedras arredondadas e lisas, e em toda a lateral da banheira oval havia folhagens e flores, as águas caíam pelas pedras como uma cachoeira. Eu me aproximei dela e pude perceber que Laura acabava de abrir uma torneira bem em cima das pedras, então a água corria pelas pedras até a banheira. - Eu mesma fiz. - comentou orgulhosa.

Ignorei o comentário. Quando toquei a água senti um prazer imediato, era morna, convidativa. Sem me voltar para Laura eu falei:
-Pode me deixar sozinha, por favor?

Laura me olhou por alguns segundos, depois respondeu:
-Claro, vou deixar toalhas ali, sobre o balcão.

Então ela saiu.

Tive a impressão de ter passado bem mais de uma hora naquela banheira, mas eu precisava daquele tempo pra mim, precisava acalmar meu corpo e meu coração, organizar minhas ideias e acima de tudo, entender a razão do ódio que eu sentia dentro de mim. Eu estava prestes a explodir a qualquer momento, sentia raiva de Laura, eu queria ficar longe dela. Sabia que em sua presença eu sofria uma espécie de hipnose, eu me submetia a ela. Mas tudo o que estava me acontecendo era culpa dela, eu não me reconhecia e eu me odiava por isso. Estava passando por um conflito de emoções, felicidade por estar ao lado de Laura, raiva por sentir tal felicidade, ódio por me submeter a ela sem reservas. E acima te tudo, tentava não admitir a maior razão de minha ira: O que existia entre Laura e aquele homem? Eu era uma bomba relógio.

Estava dentro de um roupão macio e felpudo branco quando entrei na sala e senti o ar quente vindo do fogo que queimava na lareira.

Laura me olhou de esguelha e continuou onde estava sentada sobre várias almofadas no carpete ao lado da lareira, olhando as chamas. Parecia já ter tomado banho também pois usava uma camiseta leve e seca e um short do mesmo tom amarelo da camiseta, parecia se tratar de um pijama.

-Preciso de roupas. Quero ir pra casa. - Falei me voltando para a janela. As gotas da chuva batiam com fúria nos vidros e eu podia ouvir o vento assoviando lá fora.

Laura se levantou e veio em minha direção.

-Está chovendo muito, eu já passei um rádio para toda a equipe que saiu à sua procura, avisei que está aqui e amanhã bem cedo você...
-Vou agora! - Gritei voltando-me para ela. Sentia todas as fibras dentro de mim se inflamando - Será que você além de tudo é surda? Já não se divertiu o suficiente às minhas custas por hoje?

Caminhei em sua direção com o coração aos pulos à espera do que ela diria.

Ela suspirou levando ambas as mãos ao cabelo, então falou.

-Ivana, sei que passou por momentos ruins então, por favor... eu não quero brigar com você e...
-Você o que? - perguntei aproximando-me mais dois passos dela - Quem você acredita que é pra achar que pode brigar comigo ou qualquer coisa do gênero, garota! - Eu era uma avalanche, queria que minhas palavras a ferissem, então continuei - Ter transado com você uma noite pra matar uma curiosidade idiota não faz de você alguém importante, sabia? Tenho outras prioridades.

Ela de repente pareceu crescer uns dez centímetros diante de mim, empertigou-se e me lançou um olhar congelante, vi seu maxilar se contrair.

-Espero que sua curiosidade tenha sido bem sanada, Lins. - Ela foi para perto da janela a passos decididos - Mas não vai sair desta casa enquanto a chuva não diminuir.

Sua autoridade me irritava, tudo nela me irritava naquele momento, eu queria destruí-la, acabar com aquela sensação que eu tinha dentro de mim, que me corroía.

- Acha que pode me dizer o que fazer? Que pode mandar e desmandar em mim como se eu fosse um de seus animais? - Fui em sua direção novamente e ficamos a apenas um corpo de distância - Você não me conhece, matuta... não sabe do que sou capaz!

Eu podia jurar que ela estava ouvindo o tamborilar do meu coração, eu tentava controlá-lo, mas havia um tornado dentro de mim.

Então ela falou:
-Por que está assim? – Questionou com uma expressão que a mim pareceu cínica - Não sou a única culpada pelo que está acontecendo, Ivana.

“Você disse para eu confiar em você! Você me fez acreditar que era importante!”

Engoli essas palavras como a um caroço repleto de espinhos. Desviei os olhos dela, então ironizei:
-É. A culpa é minha, idiota por me deixar ser conduzida por pessoas tão...
-A culpa também não foi sua. - Interrompeu-me ela seriamente - Achei que Hélio fosse capaz de cuidar de...
-Cale a boca, Laura! - Ouvi-la pronunciar o nome daquele homem me deixava fora de mim.

“Por que não me diz o que tem com ele?”

Levei a mão à garganta, angustiada. Ela me olhava estreitando os olhos como se buscasse neles algo que não era dito.

-Vou embora. - falei sentindo-me sufocar com o nó que me estrangulava, eu queria chorar, eu precisava chorar... longe dela! Longe da pessoa que acreditava poder brincar comigo, longe da pessoa que fazia com que eu me sentisse tão pequena e insignificante. Caminhei até a porta então ela veio em minha direção.
-Sim. Vai sair daqui. De roupão. Nesta chuva... - Ela cruzou os braços e me desafiou - Tente.

Respirei bem fundo enquanto fechava os olhos e tentava controlar cada nervo do meu corpo.

“Quem ela pensa que é?”

Eu não iria admitir isto. Voltei-me para a porta e forcei a maçaneta decidida. Chuva alguma me prenderia ali. A porta não abriu, estava trancada. Ainda voltada para a porta eu falei:
-Abra essa porta. - falei num fio de voz tentando ainda sufocar o pranto. Deus, eu jamais havia me sentido tão humilhada na vida! Tão pequena.
-Ivana... - Disse ela delicadamente, como se falasse com uma criança, bem atrás de mim - Não vai sair daqui enquanto não parar de chover, pare de agir feito uma criança mimada e venha...

A frase dela foi violentamente interrompida pelo tapa que lhe desferi na face esquerda com toda a força que ainda me restava. Eu jamais havia feito aquilo. Senti minha mão formigando enquanto Laura levava a mão ao rosto vermelho, surpresa.

A primeira lágrima quente escorreu em meu rosto. A primeira em muitos anos. Não temi que ela pudesse revidar, fiquei parada olhando para ela ali na minha frente, agora me olhava de um jeito que eu não podia ler. Ela ajeitou seus cabelos atrás da orelha e em silêncio.

Meu corpo todo tremia, minha cabeça parecia querer explodir. Eu não sabia o que estava acontecendo comigo, eu jamais havia sentido coisas tão intensas por alguém e... por uma mulher! Era perturbador e desesperador imaginá-la com outra pessoa, e não poder exigir nada! Exigir o que? Não havia nada entre nós. Jamais havia perdido o controle de nada, por que eu estava naquele estado? Eu estava recostada na porta enquanto o conflito dentro de mim alcançava dimensões inimagináveis e ela... ela me olhava. Eu a via contrair a mandíbula várias vezes, talvez se controlando para não me escorraçar de sua casa. Talvez controlando os palavrões, eu queria que ela dissesse algo, porém ao que parecia ficaríamos eternamente ali, e ela nada diria.

-Vou pra casa. - Falei suspirando e encarando-a novamente: - Me dê a chave.

Ela aproximou-se ameaçadoramente de mim, eu podia jurar que ela revidaria o tapa naquele instante, então ela disse:
-Não... Vai... Sair daqui... Com esse tempo. - Seu olhar me desafiava e sua frase compassada e segura dava a impressão de que quem havia dado o tapa tinha sido ela.
-Olha aqui. - falei entredentes: - Não vou...

Então foi a vez dela interromper minha frase bruscamente. Senti suas mãos me agarrar pelos ombros e ela me colar na porta trancada. Tentei afastá-la com as mãos e ela habilidosamente pegou-as e prendeu-as sob as suas sobre minha cabeça.

- Você não vai sair daqui hoje Ivana - falou num sussurro quase tocando meus lábios...

Ela me encarava e eu sentia aquele hálito de menta e mel me entorpecer. Aquilo era a gota d’agua. Minha respiração começou a ficar difícil e eu não resisti mais, capturei seus lábios como um animal faminto, Laura comprimiu seu corpo contra o meu e ainda mantendo minhas mãos presas, correspondeu ao beijo com a mesma paixão.

-Não pode fazer isto comigo Laura... - eu sussurrava a frase sem sentido entre os lábios dela, enquanto me debatia tentando libertar minhas mãos, não para fugir, mas para tocá-la.

De repente ela me soltou e com um só movimento, o roupão que eu usava foi ao chão e eu estava nua nos braços da ruiva. Angustiada, quase rasguei o pijama que ela usava na ânsia em despi-la.

“Como eu a quero!”

No segundo seguinte estávamos entre aquelas almofadas, nossos corpos entrelaçados buscavam-se. Com um prazer irracional eu a tocava com uma mistura de ansiedade e paixão. Eu sentia a textura daquela pele dourada se arrepiar ao meu toque e meu corpo ardia de desejo. As mãos dela, seus lábios, sua língua explorando meu corpo me fazia perder a noção do tempo e espaço. Tudo no mundo resumia-se em apenas ela e eu. Todo o resto de repente não existia, a angústia, o medo, a raiva, o ódio... nada. Tudo eram nossos corpos se amando, a paixão e os corações acelerados. Eu descobri caminhos novos, sensações diferentes e cada qual mais doce, mais deliciosa. Parecia experiente na arte de amar mulheres. No momento em que virei Laura de barriga para baixo e minha língua começou a passear por suas costas, fazendo-a contorcer-se sob o meu corpo, desci lentamente até seu bumbum e ali eu segurei seu quadril e a obriguei a erguer-se um pouco; ela estava de quatro pra mim e eu não podia acreditar em minha audácia, era puro instinto, então afastei um pouco mais suas pernas e vislumbrei seu sexo pulsante e Laura sussurrou:
-Vamos, Ive... mais um minuto e me matará de tesão... me toque agora. - era quase uma súplica.

E eu senti contrações às suas palavras. Aproximei o rosto lentamente, introduzi minha língua em sua fenda banhada em desejo. Ela rebolava de encontro a minha língua e eu sentia que gozaria a qualquer momento. Então não resisti mais e introduzi dois dedos nela e a ouvi gemer alto. Sorri com satisfação e prazer. Enquanto entrava e saía dela comecei a morder seu bumbum durinho e macio e fui subindo novamente até morder sua nuca.

-Mais Ive... eu quero mais... - pedia ela voltando um pouco o rosto e encontrando meus olhos inflamados de desejo.

Ouvi-la pedir daquela maneira tão sexy e deliciosa me fez voltar novamente até seu sexo e tomá-lo em meus lábios novamente. Ela derretia e eu saboreava seu agridoce. Penetrei a língua novamente enquanto meus dedos brincavam com seu clitóris durinho e neste momento o quadril dela arqueou violentamente de encontro a minha boca e eu segurei seu quadril com firmeza e comecei a intensificar o toque, minha língua parecia motorizada penetrando-a num vai e vem alucinante, então ela gritou antes de cravar os dentes em uma almofada a sua frente e seu rosto caiu sobre ela enquanto seu mel jorrava em minha boca e eu bebia tudo sedenta.

Lentamente eu a fiz deitar-se e antes que eu pudesse perceber ela rolou para o lado e me puxou para junto dela, e se posicionou sobre mim:
-Minha vez, gostosa! - Disse antes de afastar minhas pernas, se posicionar entre elas e me encarar nos olhos: - Vai ser uma delícia Ive.

Eu não podia imaginar mais delícia do que sentir ainda o gosto dela na minha boca, eu estava já a ponto de gozar quando Laura segurou minhas coxas e começou a levantá-las e as posicionou sobre seus ombros, e me encarou com olhos de predadora enquanto sua mão escorregou para dentro de mim e eu senti espasmos. Eu gozaria em um segundo, então ela foi ousada e me penetrou por trás. Eu gemi alto e prendi a respiração.

-Laura... - tentei esquivar-me, recuar: - Laura... não!

Mas ela agarrou minhas coxas e me puxou para mais perto e penetrou novamente enquanto me encarava desafiadora, com a outra mão ela penetrou seus dedos urgentes em minha gruta molhada e começou a sincronizar os movimentos. Eu relaxei imediatamente e o prazer voltou me arrebatando violentamente e então eu a ouvi sussurrar:
- Me peça pra parar... peça!

Joguei a cabeça pra trás e agora jogava o quadril de encontro às suas mãos. Ela aumentava o ritmo mais e mais e eu parecia um animal no cio remexendo desesperada querendo mais, então sem conseguir controlar, senti o fogo que queimava dentro de mim explodir entre minhas pernas.

-Ai Laura, não pare!

Ela continuou seu movimento, mais e mais rápido e eu sentia as contrações de prazer e dor tomarem conta de meu corpo então eu gritei angustiada e avancei sobre ela, envolvendo seu corpo molhado num abraço desesperado antes de tomar seus lábios com volúpia ouvindo nossos corações acelerados fundirem-se num ritmo só, numa sintonia que ultrapassava nossos corpos e atingia nossas almas.

 

*********

 

Um barulhinho leve e gostoso de gotas de chuva batendo nas folhas chegava aos meus ouvidos me despertando bem devagar de um mundo de sonhos reais. Abri os olhos preguiçosamente, não me lembrava de como tínhamos chegado até a cama. Deparei-me com uma visão sublime. Laura estava deitada ao meu lado, ela me olhava e tocava com as pontas dos dedos meu corpo, contornando minha silhueta. Eu a olhei diretamente nos olhos, depois estendi o olhar por todo o corpo dela, e assim como eu estava nua, tinha os cabelos revoltos, alguns cachos caindo sobre seu rosto cobrindo parcialmente seus olhos... para mim ela era como uma fada. O fogo de seus cabelos tentava esconder aquelas pedras de jade... Laura sorriu:
-Em que está pensando? - perguntou ela sem se mover, me tirando de meus devaneios.

Suspirei e junto com meu suspiro me veio imediatamente todo o episódio da noite anterior. Senti um frio no estômago. Estiquei a mão e afastei as mechas ruivas que lhe cobriam o rosto e o toquei:
-Me desculpe Laura. - falei encarando-a intensamente.

Ela aproximou-se mais de mim e sorriu:
-Eu é que te devo desculpas.

Então de repente seu rosto escureceu e ela se sentou na cama. Eu fiz o mesmo. Então ela continuou:
-Olha Ivana... Sobre ontem eu...
-Não quero falar sobre isso. - Falei rapidamente segurando suas mãos. - Não quero que esses momentos maravilhosos que tive com você sejam ofuscados pelo que aconteceu ontem. - Então eu a beijei com ternura. - Não vamos falar sobre ontem, sobre nada, ok?

Laura suspirou, porém assentiu e então me abraçou.

Eu aspirei o cheiro que vinha de seus cabelos e fechei os olhos, apertando-a em meus braços. Queria fotografar cada momento, cada sensação dentro de mim, para jamais me esquecer.

-Foi um sonho lindo. - Falei num sussurro sem pensar.

Eu não queria me separar dela, nunca mais. Queria ficar envolvida naquele abraço pra sempre.

-Posso te pedir uma coisa? - Perguntou ela bem no meu ouvido.

Senti o já conhecido choque elétrico na espinha.

-Pode. - respondi me afastando um pouco para olhá-la nos olhos.
-Posso te chamar de Ive? - Perguntou ela com um sorriso lindo no rosto.

Eu ri enquanto acariciava seu rosto, ela também riu.

-Pode me chamar do que você quiser. - falei com sinceridade.
-Nesse caso, então não vai ser de Ive que irei chamá-la. - disse ela com um olhar de menina levada.
-Cuidado... – Alertei-a com um olhar de esguelha.

Laura então me surpreendeu pegando-me pelos ombros e me fazendo cair na cama novamente e se colocando sobre mim, segurando minhas mãos sobre a cabeça. Mantinha-me presa sob seu corpo, então falou:
-Vou te chamar de “minha” a partir de agora.

Senti meu coração se aquecer no momento em que ouvi aquela palavra e seu aquecimento se expandir gradativamente por todo o meu corpo.

Laura ficou me olhando. Agora não sorria, e nem eu.

Ficamos por alguns momentos naquela posição, sem dizer nada, enquanto aquela palavra ganhava a forma de uma borboleta multicolorida e flutuava em torno de nós duas. E eu me perguntava o que se passava na cabeça dela e imaginava que talvez ela estivesse pensando o mesmo.

Já não chovia quando deixamos o chalé de Laura. Passava das dez horas da manhã. Era segunda-feira e eu ainda não havia decidido o que fazer com minha vida depois que deixasse aquele lugar encantado. Depois do pedido de Laura, mais nada havia sido dito. Foi como se ambas se dessem conta de que tudo aquilo havia chegado ao fim. Era o fim. Assim que entrei na casa a primeira pessoa que vi foi Hélio que antecipou-se em minha direção.

-Que susto deu em nós garota! - falou ele com aquele seu tom jovial e alegre que tanto me irritava - Continua uma excelente rastreadora hein, Laurinha.

Então ele pegou Laura pela cintura e beijou-lhe a face. Eu senti meu rosto queimar com aquela cena. Uma necessidade quase incontrolável de esfolá-lo. Queria ir embora logo e não saber jamais o que existia entre eles. Laura não me olhou, sorriu um pouco sem jeito para ele e afastou-se.

-Faz parte do meu trabalho também. - Ela disse, então foi direto para onde se encontrava sua mãe - Prepare alguma coisa pra ela comer mãe, Ivana não quis comer nada lá em casa.

Ela parecia nervosa. Talvez com medo de que Hélio percebesse. Eu não ouvi o que Anita disse, ainda olhava para aquele homem visualizando coisas entre os dois, mas eu havia decidido não saber sobre nada. Era problema dela, deles... eu iria embora, aquele não era meu mundo. Ele falava comigo, algo sobre meu estado deplorável, eu usava as roupas de Laura, os cabelos estavam muito aquém do que eu normalmente mantinha. Então eu ouvi minha equipe também comentar algumas coisas sobre ir imediatamente embora. Aquilo me despertou.

- Vamos. Apenas me deem o tempo de trocar de roupa. - eu subi apressadamente as escadas e me tranquei no quarto. - Ai Laura... -Sussurrei escondendo o rosto entre as mãos, recostando-me na porta. - Por que você tinha que entrar na minha vida?

Foi com muito alívio que todos receberam a notícia de que voltaríamos de helicóptero até o aeroporto. Naquele fim de mundo havia sim um heliporto e ficava na fazenda.

Todos se despediam animados uns dos outros quando aproximamo-nos dos dois helicópteros negros. Meu peito parecia pesar várias toneladas quando olhei para aqueles monstros voadores. O meu mundo me aguardava.

Laura não estava ali, eu não a havia visto mais desde que subira para o quarto. Por mais que eu a tivesse chamado com todas as minhas forças mentalmente, ela havia sumido. Eu apenas me despedi de Anita. Eu a havia abraçado tão apertado que Anita sentiu-se emocionada. Eu também.

“Eu te odeio papai!”

Eu já estava sofrendo, e sabia que era só o começo. Quando as hélices do helicóptero onde eu estava começaram a girar foi que eu a vi bem ao longe, montada em sua égua Missy. Estava parada, próxima a algumas árvores. Hélio já estava ao seu lado em seu belo cavalo negro. Meu primeiro instinto foi descer e correr atrás dela. Dizer tudo o que eu estava sentindo. Levá-la comigo, proibi-la de ficar ali, com aquele peão a sua volta, eu queria proibi-la de se aproximar de qualquer outra pessoa que não fosse eu.

“Eu a quero pra mim.”

Então quando começamos a subir, ela e sua égua começaram a galopar rapidamente, eu agora via apenas borrões, as lágrimas me impediam de tentar acompanhar a figura lá embaixo, recostei-me no vidro e me deixei ser corroída pela dor silenciosamente.

 

 

Continua...